Mas, depois de tamanha exposição, fica a pergunta: haverá um próximo sabor capaz de repetir o feito? Talvez a resposta não esteja em encontrar um único sucessor. Para os sorveteiros, uma das heranças deixadas pelo reinado do pistache foi justamente despertar a curiosidade por sabores que escapam do repertório mais convencional. Se antes chocolate, morango e creme dominavam as escolhas mais seguras, há agora mais espaço para ingredientes de personalidade marcante e muitos deles podem estar bem mais perto de casa.
O mestre-sorveteiro Francisco Sant’Anna, sócio da Escola Sorvete, aponta o cumaru e as baunilhas brasileiras entre os ingredientes que começam a despertar maior interesse do público e têm potencial para ganhar ainda mais espaço nas vitrines. A lista passa também pela Amazônia, com frutas como cajá e bacuri, que, segundo ele, já aparecem entre as preferências dos consumidores em São Paulo.
O público quer novidade
Mais do que apontar qual ingrediente vai ocupar o trono do pistache, o movimento revela uma mudança no próprio jeito de consumir sorvete. Há uma busca crescente por sabores com mais personalidade e combinações que fujam do doce imediato e familiar.
Léo Spigariol, CEO da Artisano, acredita que essa curiosidade pode fazer com que as próximas tendências tenham reinados mais curtos. “Teremos, com mais frequência do que vimos até agora, hypes que vão transitar como tendências, que surgem, ganham força e logo cedem espaço a outros”, afirma.
Na própria Artisano, um dos sinais dessa disposição para experimentar veio de uma combinação distante dos sabores mais tradicionais da vitrine. “Nosso lançamento de maior sucesso foi o Sal Marino & Toffee Inglês. O público quer coisas menos convencionais”, conta Spigariol.
Menos mistura, mais ingredientes
A novidade, porém, não precisa vir necessariamente de receitas cada vez mais elaboradas. Enquanto cresce a curiosidade por sabores diferentes, há também um movimento na direção oposta ao excesso: deixar bons ingredientes falarem por si. “Eles devem se destacar por si só, sem excesso e sem misturas desnecessárias”, diz Spigariol.
Nesse cenário, ganha importância não apenas qual sabor aparece escrito na plaquinha da vitrine, mas a qualidade e a origem da matéria-prima usada para produzi-lo. O consumidor também está mais atento à composição do que consome e cada vez menos disposto a aceitar listas de ingredientes longas e pouco claras.
As informações são do Paladar, do Estadão, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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