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Esperanças de Trump de um acordo comercial com a Índia podem ser frustradas novamente

O sentimento de vitória da indústria de laticínios indiana se transformou em tensão, pois antecipa a visita do presidente americano, que deve vir armado com um novo acordo comercial.

Na última vez em que os dois países entraram em conflito, os negociadores indianos abandonaram as tramitações multilaterais de comércio, em novembro passado, devido a questões relacionadas ao enorme mercado de lácteos da Índia.

Meses de protestos de sindicatos, grupos de agricultores e grupos de pressão contra as disposições de livre comércio agrícola e de lácteos da Parceria Econômica Global Abrangente (RCEP) mostraram ter sido bem-sucedidas depois que a Índia desistiu dessas negociações.

Em casa, a obediência da Índia foi vista como uma vitória e a influente Federação das Câmaras de Comércio indianas e a indústria elogiaram seu país por se ater às suas demandas. "Felicito o primeiro-ministro Narendra Modi por tomar uma decisão muito pragmática no sentido de salvaguardar o interesse da indústria indiana e do país como um todo", disse seu presidente, Sandip Somany, na época.

Os processadores de leite indianos temiam que um acordo pudesse ter um impacto desastroso sobre  os produtores, que já enfrentam uma luta para sobreviver com os preços pagos pelo leite. Estima-se que 150 milhões de produtores dependem dos laticínios para sua subsistência.

O Comitê de Coordenação de Movimentos de Agricultores havia alertado que nunca seria possível alcançar uma igualdade entre a Índia e os EUA devido aos pesados subsídios concedidos aos produtores de leite americanos. As negociações do RCEP em Bangcoc terminaram com 15 países fechando um acordo comercial e a Índia permanecendo à margem.

Mas recentemente foi anunciado que o presidente Trump visitará Delhi de 24 a 25 de fevereiro. Isso "fortalecerá ainda mais a parceria estratégica EUA-Índia e destacará os laços fortes e duradouros entre o povo americano e indiano", disse a Casa Branca em um tweet.

Lendo nas entrelinhas, os especialistas acreditam que o motivo da missão é reabrir as negociações comerciais paralisadas, apenas entre as duas nações, na esperança de alcançar um "mini acordo".

A Índia goza de um desequilíbrio comercial enorme na ordem de US$ 16 bilhões. Os EUA querem acabar com isso, aumentando sua participação no comércio bilateral, estimado em US$ 142,1 bilhões, em 2018.

O governo Trump vem pressionando a Índia a diminuir as tarifas para reduzir o superávit comercial. Nova Délhi, por sua vez, argumentou que já é um grande comprador de energia americana e aumentou a compra de itens de defesa nos últimos anos.

Recém-saído do inovador acordo de "fase um" com a China no mês passado, o qual Trump declarou ser "um dos maiores acordos comerciais já feitos", agora os EUA estão visando o mercado indiano. Mas, para explorá-lo, será necessário quebrar as barreiras que interromperam seu progresso como mercado de exportação.

"Fizemos muito pouco na Índia e não tivemos as mesmas relações comerciais - existem muitas barreiras", disse o secretário do USDA, Sonny Perdue, no mês passado. "Espero que possamos progredir com o País em produtos agrícolas".

A assinatura de um acordo, mesmo que seja apenas um mini-contrato com produtos lácteos e agricultura, colocaria a Índia, em apenas 20 anos, no caminho de se tornar tão importante para os EUA quanto a vizinha China, prevê Perdue.

Barreiras comerciais

A Índia se mostrou uma negociadora espetacular ao longo dos anos, atingindo um pico sob o comando de Modi. Negou acesso ao mercado de produtos lácteos americanos de 2003 a 2019, mesmo tendo preferência sob o Sistema de Preferências Generalizadas, um acordo especial de comércio livre de impostos.

Durante esse período, a Índia apontou diversas razões para as mudanças em suas barreiras comerciais, incluindo restrições às práticas americanas de alimentação animal. Vários especialistas esperam que, apesar do otimismo da equipe de Trump, o presidente retorne de sua viagem de dois dias à Índia desapontado.

Jaime Castaneda, vice-presidente sênior de política comercial do Conselho de Exportação de Laticínios dos EUA, informou que "nunca conheceu alguém tão protecionista quanto os indianos". “Portanto, é por isso que, mesmo que o mercado seja significativo e as oportunidades possam ser grandes, e que possamos nos beneficiar muito, sempre serei morno com as expectativas. É uma oportunidade enorme, mas é realmente complicada e diferente”, acrescentou.

Desafios climáticos

Não se trata de balança de pagamentos e proteção de mercado para a Índia. O país está enfrentando iminentes desafios ambientais que devem ferir a indústria de laticínios, caso aconteçam.

Isso pode levar a uma nova dependência de leite e produtos importados para suprir o enorme mercado de laticínios da Índia. Algumas estimativas são de US$ 150 bilhões em 2019, com forte crescimento anual de duplo dígito esperado até pelo menos 2023.

Embora a produção de leite na Índia tenha saltado 35% na última década, o clima deve continuar a representar um desafio para os produtores de leite nos próximos anos, de acordo com um relatório de Niti Aayog, um think tank administrado pelo governo.

Ele alerta que secas e inundações podem limitar a disponibilidade futura de ração e água para os estimados 500 milhões de animais que atualmente não desfrutam de uma forte segurança alimentar.

Isso será importante na mente dos negociadores indianos nas vésperas da visita de Trump. O protecionismo tende a abrir caminho para o pragmatismo quando a escassez de uma mercadoria essencial entra em cena.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint.

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