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Empaer/MT: preço pago ao produtor pelos laticínios é a principal queixa

Um ofício  encaminhado à Câmara Temática do Leite, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, produzido pela Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), traça um panorama nada animador da cadeia produtiva do leite na região sudoeste do Mato Grosso, composta por 21 municípios. Segundo o documento, uma das principais, se não a principal atividade da agricultura familiar nesta região, que compreende cerca de 14.640 famílias de agricultores familiares residindo em 107 assentamentos e 313 comunidades tradicionais, é a pecuária leiteira

Nos últimos anos, conforme o ofício, a região teve queda de 27% no rebanho leiteiro e vários municípios tiveram redução maior do que 50% no número de vacas leiteiras. No total houve redução de 20,64% da produção leiteira. 

Para a Empaer, um conjunto de fatores relacionados à atividade contribuiu para esta situação, que segundo a empresa vem se agravando. Diz o documento: As dificuldades encontradas pelos produtores de leite são várias, entre elas:

1— O baixo preço de leite pago ao produtor;
2 – Poder de compra diminuído;
3 – Idade mais avançada dos produtores rurais (considerando os dados do IBGE do censo agropecuário, 50,34% dos produtores estão na faixa etária acima de 55 anos);
4 – Êxodo dos jovens rurais (falta de sucessão familiar);
5 – Distância maior do centro produtor de grãos (impactando no custo da dieta das vacas em lactação e da cria e recria de novilhas leiteiras). 

Baixo preço

Segundo os diversos diagnósticos realizados pela Empaer nos diferentes municípios da região, a principal reivindicação dos produtores é o baixo preço do leite. O desânimo com a atividade está principalmente relacionado ao valor pago pelo leite, que reduz o poder de compra do produtor. De acordo com o ofício, os produtores estão avançando na idade e a sucessão familiar está comprometida, uma vez que os jovens crescem vendo todo o serviço necessário à atividade, diante de uma remuneração que não agrada. Com isto se criou um desinteresse em cascata pela atividade leiteira. Muitos só não mudam de atividade econômica por não enxergarem outra possibilidade. 

A Empaer fez um rápido levantamento comparativo do preço do leite e do preço de alguns produtos comumente utilizados na pecuária de leite nos últimos 5 anos. Veja algumas considerações:

De acordo com os dados do preço do leite de 2014 a 2019, observa-se que o leite integral UHT teve um aumento de R$ 0,74 no preço de venda ao consumidor, enquanto o preço do leite pago ao produtor rural subiu apenas R$ 0,03. 

Para comprar um saco de ração a 22% de proteína bruta para vaca em lactação eram necessários 36,2 litros de leite em 2014, já em 2019 foram necessários 48,1 litros de leite, ou seja, 12 litros de leite a mais. Isto representa uma desvalorização de 33% do leite em relação à ração. 

Da mesma forma, se pegarmos outros produtos da tabela: Terramicina, Fosbovi 30 e Cidental líquido 250ml, temos respectivamente, 38,8%, 45,0% e 57,9% de valorização desses produtos perante o leite in natura que os produtores rurais vendem às indústrias. Essa percepção do produtor o está levando a desistir da atividade, ou, no mínimo, a não investir mais nada em pecuária de leite, salvo alguns produtores mais preparados e tecnificados, que conseguem controlar de forma mais eficiente os custos de produção. Tudo isso faz com que essa atividade tão importante esteja em declínio na região, afetando diretamente as indústrias de laticínios.

Dia normal

Por muito tempo, continua o texto, os comerciantes preparavam-se para as vendas no dia do pagamento de leite. Atualmente, esse dia é só mais um “dia normal”. Esse clima de desânimo e descrédito com a pecuária de leite tem, segundo a Empaer, se sobreposto a excelentes trabalhos desenvolvidos pelos serviços de assistência técnica da região, tanto pública quanto privada. Apesar de terem mostrado bons resultados, não estão sendo suficientes para fazer frente à crise da pecuária de leite que se abateu nos municípios da região Sudoeste de Mato Grosso nos últimos anos. 

O documento conclui que a situação da cadeia do leite é muito delicada na região, que indústria e produtores têm que se aproximar e encontrar soluções que beneficiem a ambos e que as autoridades governamentais, os servidores do legislativo e todas as entidades possíveis ligadas à agricultura familiar, seja pública ou privada, precisam se reunir e buscar uma diretriz eficiente e rápida para resolver a situação da cadeia produtiva do leite na região sudoeste de Mato Grosso. 

Assembleia 

A Audiência Pública que discutirá a situação da pecuária leiteira no sudoeste de Mato Grosso está marcada para o dia 6 de março no Sindicato Rural de Pontes e Lacerda. Pelo ânimo dos produtores até hoje, segundo as trocas de mensagens pelo whatsapp, a possibilidade de decidirem pela paralisação das atividades até que os laticínios melhorem a remuneração pelo leite é grande.

As informações são do Portal DBO.

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JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/02/2020

O que não se pode é culpar alguém de forma única!
Não é apenas culpa da indústria, não é apenas culpa das Autoridades, não é apenas culpa dos produtores....tudo é um conjunto que leva à tal situação, muito delicada e pessimista!
Na minha opinião, a falta da existência de um sistema de produção profissional, que engloba todos as cadeias, é o principal fator, enquanto estivermos no patamar do amadorismo, não iremos evoluir!
LUTI MAIMON

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/02/2020

Vamos ver se o site nos permite acessar assuntos para funcionar a atividade pecuária de forma sustentável e produtiva.