Custos de produção disparam com tempestades e uso de geradores no interior gaúcho

Com apagões que ultrapassam sete dias em algumas regiões, pecuaristas enfrentam danos estruturais, estradas bloqueadas e alta nos gastos operacionais para manter a ordenha e a refrigeração.

Publicado por: MilkPoint

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Reflexos dos eventos climáticos recentes ainda castigam a bacia leiteira do Rio Grande do Sul, especialmente na região da Campanha e no sul do estado. Depois de sete dias de temporais intensos, diversas localidades sob a jurisdição administrativa da Emater/RS-Ascar em Bagé e Pelotas relataram a falta prolongada de energia elétrica. Esse apagão contínuo forçou produtores de municípios como Hulha Negra, Aceguá e Candiota a operarem com geradores. Conforme o levantamento oficial divulgado pela instituição, as propriedades "estão utilizando geradores para manter as atividades diárias de ordenha e de resfriamento do leite, o que representa aumento significativo dos custos de produção devido ao elevado consumo de combustível dos equipamentos".

Para os pequenos pecuaristas, as adversidades multiplicam os desafios operacionais diários. Maioria no setor produtivo dessas regiões, esses trabalhadores frequentemente não dispõem de fontes alternativas de energia, o que exige arranjos emergenciais para evitar o descarte do leite. O relatório assinala que a rotina em certas propriedades ocorre "de forma escalonada, mediante compartilhamento de equipamentos com vizinhos, além da supressão da ordenha da tarde". Somam-se a esse obstáculo os pesados danos na infraestrutura rural, com avarias registradas em mangueiras, cercas e galpões de manejo. Somente nas áreas mais afetadas de Pelotas, onde houveram destelhamentos e queda de árvores, o prejuízo direto aos sistemas produtivos foi calculado em aproximadamente 10%.

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Dificuldades de infraestrutura rodoviária também comprometem a logística de escoamento do leite cru em várias regiões gaúchas. Grandes volumes de chuva deterioraram as vias de terra, travando o acesso de caminhões aos tanques de resfriamento em localidades isoladas de Santana do Livramento e de Caxias do Sul. Nesta última praça, o excesso de lama impôs grande lentidão ao tráfego nas linhas de coleta, mas a qualidade do produto não sofreu abalos. Técnicos atestam que "as contagens de células somáticas (CCS) e padrão em placas (CPP) também seguem conforme os padrões exigidos, e não há relatos de propriedades excluídas" por parte de laticínios ou cooperativas, tampouco rejeições nas indústrias ligadas à presença de resíduos de antibióticos.

Sob o viés sanitário, a alta umidade das pastagens e o acúmulo de barro exigem atenção contínua dos produtores, notadamente nos rebanhos de Frederico Westphalen e Passo Fundo. Nessas localidades, o boletim conjuntural adverte que "segue elevado o risco de mastite e os problemas de casco, reforçando a necessidade de cuidados com a higiene na ordenha". Apesar do alerta focado na profilaxia, o manejo nutricional e reprodutivo avança de forma estável em Passo Fundo. Os animais dessas propriedades recebem suporte adequado com alimentação baseada em pastagens, silagem e ração concentrada, mantendo-se no momento livres de problemas sanitários relevantes ou de infestações expressivas de ectoparasitas.

Distante dos polos mais castigados pela destruição da rede elétrica, outros núcleos produtivos relatam cenários operacionais calmos, embora vigiados de perto pelos custos de produção. Produtores de Ijuí mantêm o volume de ordenha estabilizado, porém sentem a compressão das margens gerada pela alta nos preços dos combustíveis. Rebanhos de Porto Alegre conservam boa condição corporal graças à oferta adequada de forragem, suportando as falhas elétricas pontuais sem grandes rupturas. Mais ao centro do estado, em Santa Maria, as matrizes leiteiras pastam em lavouras de inverno já em fim de ciclo vegetativo, o que garante um aporte nutricional apenas regular. A atividade se mostra igualmente equilibrada em Santa Rosa, com plantéis saudáveis sustentados por uma matriz alimentar na qual o pasto e a silagem "representam cerca de 65% da dieta, complementada por rações, fenos e suplementos".

As informações são da Emater/RS, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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