FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Câmbio e demanda externa pressionam alimentos, que pesam em preços ao produtor

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 27/11/2020

3 MIN DE LEITURA

0
0

A alta de 3,4% no Índice de Preços ao Produtor (IPP) em outubro foi fortemente influenciada pelo aumento dos preços de alimentos para exportação e que também servem à indústria nacional, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão divulgou o indicador na manhã desta quinta-feira.

O gerente de análise metodológica para indústria do IBGE, Alexandre Brandão, evitou fazer previsões, mas lembrou que, com um IPP registrando altas maiores que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), a inflação oficial do país, pode-se esperar repasses de preços à ponta da cadeia de consumo.

A constatação indica, portanto, que a inflação dos alimentos deve seguir alta. Brandão ponderou, entretanto, que esse movimento na ponta "depende muito" da renda das famílias, o que baliza reajustes. Até aqui, disse ele, essa renda segue preservada pelo auxílio emergencial e pela volta gradual da remuneração pelo trabalho.

Segundo o IBGE, 1,17 ponto percentual (p.p.) do índice veio dos alimentos, produtos com peso de 27% entre os materiais utilizados pela indústria brasileira. A segunda maior influência veio das indústrias extrativas (0,53 p.p.).

"Esse peso dos alimentos se deve, principalmente, a produtos alimentícios que visam o mercado externo. Por um lado temos uma demanda [externa] mais acelerada para itens como derivados e óleo de soja, além de açúcar cristal e carnes congeladas, o que eleva os preços internos. O fato de a produção de soja não estar tão alta também contribui para a alta nos preços", diz Brandão.

O especialista afirma que outro fator importante da equação tem sido o câmbio, que desvalorizou-se 4,2% só em outubro e perto de 37% no ano, segundo o IBGE. “Além de o preço em dólar já estar um pouco mais alto, o câmbio faz com que os valores em reais fiquem ainda maiores. Essa combinação tem um impacto muito grande nos preços dos alimentos ao produtor”, afirma Brandão.

O IPP acumula alta de 17,29% no ano e de 19,08% em 12 meses. No caso dos alimentos, os preços avançaram 28,36% em dez meses e 35,89% em doze meses. O técnico do IBGE observa que, além dos produtos com maior vocação para exportação, que tiveram a maior alta de preços internos em outubro, ao longo do ano pesaram as variações anômalas do arroz e o comportamento sazonal do leite, que rareia no inverno, período de seca que afeta os rebanhos. O leite é base da indústria de laticínios e outros produtos industrializados, enquanto o arroz, na indústria, é basicamente "beneficiado" para venda, com retirada de casca, acréscimo de substâncias e ensacamento.

Com relação às chamadas grandes categorias econômicas, Brandão destaca a alta de 5,1% dos bens intermediários em outubro na margem. "Muito dessa alta de 3,4%, 2,74 pontos percentuais vieram dos bens intermediários que, além dos alimentos, abarcam também o minério de ferro, produto da indústria extrativa", diz.

Em outubro, informou o IBGE, a variação média de preços foi de 9,71%, sétimo resultado positivo consecutivo no ano. Com isso, no ano, os preços dessas indústrias variaram 50,31%. Mais uma vez, esses resultados estão influenciados pelo câmbio desvalorizado, "mas refletem também o movimento dos preços internacionais do óleo bruto de petróleo e dos minérios de ferro e seus concentrados", informa o IBGE no relatório da pesquisa.

Brandão observa, ainda, que os bens de capital (+2,69%) e os bens de consumo duráveis (+0,97%) e não duráveis (+1,27%) tiveram variação abaixo da indústria geral, o que reflete o peso dos bens intermediários na matriz industrial, acima de 50%.

O pesquisador detalhou que a alta nos bens de capital foi puxada pelos preços dos aviões, que representam 14% do índice para a categoria. "Aviões são um produto com preço dolarizado e acabam carregando os efeitos do câmbio depreciado", afirma. Já a alta dos bens de consumo foi encabeçada pela gasolina, cujo aumento se deve às variações internacionais.

As informações são do Valor Econômico.

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MilkPoint AgriPoint