O modelo de garantia funciona com base em auditorias. Israel Carvajal Torres, representante da AENOR, explicou que a entidade avalia e audita compromissos assumidos publicamente pela fabricante, como o processo de dupla fermentação e a presença de bactérias e leveduras específicas. A AENOR verifica a conformidade tanto no processo produtivo quanto nas amostras do produto final disponíveis nos pontos de venda.
A iniciativa surge em um cenário de expansão desse segmento no setor lácteo, no qual o aumento da oferta traz também dúvidas aos consumidores sobre a composição do que compram. Dados da Worldpanel (Kantar) mostram o crescimento das aquisições por parte das famílias, enquanto uma pesquisa da consultoria 40dB aponta que a nomenclatura e os adjetivos usados nas embalagens influenciam as expectativas do público. A obtenção da certificação refere-se estritamente aos compromissos avaliados para o produto em questão, e a ausência desse selo em outras marcas do mercado não indica, por si só, irregularidade ou qualidade inferior.
Diogo Costa, diretor da unidade de negócios lácteos e de marketing da Danone Portugal, indicou duas perspectivas para a medida: oferecer uma validação independente sobre as características do produto e chancelar o investimento de mais de um ano de desenvolvimento. Segundo o executivo, o processo buscou suavizar a acidez natural do kefir para torná-lo mais aceito pelo público, mantendo a presença das culturas de microrganismos.
Lina Sá Pinto, diretora-geral da AENOR Portugal, ressaltou que a avaliação envolveu auditorias, inspeções, controle de rastreabilidade e análises laboratoriais de amostras coletadas diretamente nas prateleiras dos supermercados. A verificação abrange desde a fábrica até a distribuição final no varejo de Espanha e Portugal. A AENOR pontuou que o modelo se baseia em certificação de compromissos declarados pela própria empresa, diante da ausência de uma norma técnica universal e específica para o kefir. A metodologia pode ser aplicada a outras marcas, dependendo das especificações declaradas por cada fabricante.
No cenário do mercado e nos aspectos técnicos do alimento, dados da Worldpanel indicam que a penetração do kefir nos lares portugueses passou de 10,5% em 2023 para 21,2% em meados de 2026, com maior adesão dos formatos líquidos e de embalagens médias de 150g a 499g. A expansão envolve tanto marcas de fabricantes quanto marcas próprias de redes de supermercados, com presença de empresas como Nestlé (8,7%), Danone (4,6%), Lidl (5%), Continente (3%) e Aldi (2,8%).
Em relação à composição alimentar, Pedro Brogueira, médico e presidente da Sociedade Portuguesa para a Inovação em Microbioma e Probióticos, e a nutricionista Bárbara Oliveira lembraram que o kefir tradicional é originário do Cáucaso e resulta da fermentação do leite por uma matriz de bactérias e leveduras. Os especialistas destacaram que a acidez e a textura do produto final dependem das características do processo de fermentação e que semelhanças sensoriais não garantem equivalência de composição entre diferentes marcas.
Sobre a percepção do consumidor, a pesquisa da 40dB, realizada com 1.000 entrevistados, mostrou que 81% conheciam o termo kefir e 49,3% declararam já tê-lo consumido. Quanto ao uso de termos como "kefir suave", 73,8% dos participantes associaram o adjetivo a características de sabor, textura ou facilidade de consumo, enquanto apenas 18,7% interpretaram a expressão como uma indicação de diferença na composição do produto.
A certificação atesta o cumprimento dos parâmetros específicos definidos e declarados pela empresa fabricante — incluindo a presença de leveduras, bactérias ativas e o processo produtivo —, sem constituir um estudo comparativo de superioridade clínica ou nutricional em relação aos demais produtos do mercado.
As informações são do Grande Consumo, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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