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3D da pecuária leiteira em 2010: preços ao produtor

POR RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 08/02/2011

3 MIN DE LEITURA

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Em 11 de janeiro de 2010, o MilkPoint perguntou para seus leitores quais seriam os 3 desafios (3D) mais importantes para a pecuária leiteira em 2010, com o intuito de promover um debate entre os diversos elos da cadeia participantes do site e propor melhorias para o setor.

Com as quarenta e seis opiniões preparamos uma série de artigos sobre os principais desafios apontados, em quais pontos a cadeia evoluiu e quais pontos permanecerão como desafios em 2011.

A seguir os principais desafios citados por nossos leitores e um breve resumo abaixo de um deles:

- Qualidade do leite
- Elevação do consumo e marketing
- Estabilidade de preços e preço ao produtor mais justo
- Redução dos custos de produção
- Maior organização e união da cadeia
- Controle da produção
- Cuidado com o meio ambiente

Estabilidade de preços e preço ao produtor mais justo

Na nossa enquete no início de 2010, o Roberto Jank Jr., diretor da Agrindus de São Paulo, disse que "ao longo dos últimos três anos, o intervalo de tempo entre 'céu' e 'inferno' no ambiente comercial da cadeia vem se encurtando e se acentuando. Nosso primeiro desafio para 2010 é estabilizar e amenizar esta curva". Pouca gente previu que os preços ao produtor tivessem o comportamento que tiveram no ano que passou, com uma alta no início do ano e posterior queda em plena entressafra.

O preço ao produtor foi um dos assuntos mais comentados do site em 2010, com produtores e agentes ligados ao setor questionando o porquê do comportamento do preço e urgindo por programas de estabilidade de preços e preços mais justos.

Contudo, segundo uma estimativa de receita obtida da produção diária de uma vaca de 20 kg menos o custo de uma dieta contendo soja, milho e sal mineral, o ano de 2010 apresentou a segunda maior média dos últimos 10 anos. E apesar do cálculo de RMCR não considerar outros custos (mão-de-obra, energia, depreciação de equipamento e etc.), é um bom indicativo de que 2010 foi um ano "rentável".

A rentabilidade não é o único fator importante em se tratando de preços. A estabilidade foi lembrada por grande parte de nossos leitores pela atual dificuldade em planejar a atividade, em razão da volatilidade e imprevisibilidade dos preços.

Nesse sentido, o mesmo Roberto Jank Jr., explica a importância de planejar a atividade: "Sem planejamento e sem compromisso o horizonte é sempre escuro, o que não permite ao produtor investir em tecnologias com retorno em médio e longo prazo, ainda que o preço médio do ano tenha sido bom. Por isso somos uma cadeia de sucesso com 4% de crescimento anual médio, mas pouco profissionais, pouco competitivos, com pequena escala e, na média, com baixa qualidade. A profissionalização do setor primário é lenta, muito mais lenta que a trajetória recente de outras cadeias e não apenas por culpa do produtor de leite; certamente o setor industrial tem sua parcela de culpa por omissão, desestímulo e falta de inovação."

Contudo, esses não são problemas exclusivos do país. Para Marcelo Pereira de Carvalho, coordenador do MilkPoint, "a questão da volatilidade de preços, e imprevisibilidade é um problema não só local, mas global. Há vários países discutindo hoje medidas para reduzir essa incerteza".

Desafios para 2011

Para Jank, alguns dos desafios para 2011 continuam: "Não creio em estabilidade de preços sem competitividade no mercado internacional para que possamos escoar os eventuais excedentes pontuais que criam instabilidade. Hoje, por razões que fogem ao controle do setor, não somos competitivos lá fora. Nos resta um mercado doméstico finito porém com um enorme potencial de crescimento e é isso que nos dá alento.

A variável 'conhecimento prévio do preço' é muito relevante nessa equação e é quem vai nos dizer quais os itens de custo que devemos priorizar em nosso trabalho. Para isso mudar precisamos da informação prévia do preço, contratos com bases de negociação claras, sinalização de bonificação por critérios que sejam relevantes no preço final do leite e que tragam benefícios efetivos para as duas partes".


Você já participou da pesquisa do Índice de Confiança da Produção de Leite (ICPL)? Clique aqui e saiba como funciona essa nova ferramenta elaborada pelo MilkPoint para auxiliar o setor.

RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"-USP, e Analista de Mercado do MilkPoint.

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WILSON MENDES RUAS

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 16/02/2011

Para o produtor de leite de Minas, 2011 não começou bem. Na primeira quinzena de janeiro, tivemos muita chuva e, a partir daí uma prolongada ausência dela. Isto sinaliza escassez de alimento, (silagem e/ou cana) potencializando os custos de produção.

Começamos o ano e já entramos na 2ª quinzena de fevereiro, convivendo com os mesmos problemas de sempre e mais uma situação climática desfavorável.

Trabalhar com a incerteza no comportamento do preço a ser pago ao produtor e um cenário de custos dos insumos nas nuvens, são desafios à vista, a serem enfrentados com boas estratégias. Cada produtor deve preparar e já, para vencer algumas batalhas (ex. escassez de alimento), e se entricheirar para resistir outras, (ex.: preço do leite, custos de insumos, etc).

Agora falando da classe no Brasil, se quisermos sobreviver, precisamos pressionar nossas Lideranças: (Sindicatos, FAE e CNA),Cooperativas, Deputados identificados com a classe, Governos Municipais, Estaduais e Federal). Isto só é possível, se a classe organizar e construir argumerntos consistentes para a elaboração de uma PAUTA de reinvindicações fundamentadas nos pontos acima identificados no trabalho do MILKPOINT.

Realmente, caro Eduardo Amorim, QUE DEUS NOS ILUMINE NA JORNADA DE CADA DIA E NA NOSSA UNIÃO EM DEFESA DE UMA PAUTA MÍNIMA, COM O OBJETIVO DE FIXAR METAS A SEREM ATINGIDAS.

Abraço a todos(as)
Wilson Ruas
FABIO ENOCH DE CARVALHO

BAMBUÍ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/02/2011

O preço esta bom. Atenção com os preços dos insumos.
EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/02/2011

Caros(as) colegas,

Infelizmente, e data venia, receio que o cenário positivo de 2010 descrito não tenha sido o mesmo para 90% dos produtores de leite em nosso imenso país, segundo relatos publicados durante todo ano neste site. A realidade da AGRINDUS e da Fazenda Santa Rita é muito distinta das milhares de propriedades produtoras de leite, mérito para Jank que é um empresário de visão e um produtor AAA, me valendo de uma classificação que geralmente é usada pelas agências de risco, mas que tomo emprestado para usá-la não somente em referência ao leite que produz, que também é tipo A, mas ao elevado conceito de sua empresa (mais de 60 anos de história) junto ao mercado lácteo e de genética (gado holandês).

Estou cada vez mais convencido que o modelo de sucesso no cenário atual da pecuária leiteira é partir para industrialização/produção do leite A, ou na pior das hipóteses ter uma produção mínima de 2.500 litros/dia com qualidade e genética de ponta. O único senão é que a grande maioria dos produtores está com a corda no pescoço com a política de preços oscilando rápido, do céu (curtíssimo prazo) ao inferno, com escalas no purgatório sem falar que parte significativa das propriedades rurais está localizada fora das grandes bacias leiteiras e distante dos principais centros consumidores (no caso do leite A) o que torna a situação muito mais complexa.

Que Deus nos ilumine e que 2011 seja um ano melhor.

Abraço a todos.

Eduardo Amorim
MilkPoint AgriPoint