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Emerson Vriesman: quem não gostaria de uma tecnologia que ajudasse a identificar vacas indispostas?

A história da Fazenda Capão do Imbuia deu os primeiros passos nas mãos do avô de Emerson Vriesman, Sr. Cornélio, em meados de 1950. Carinhosamente chamado por Vriesman de ‘Opa’ – avô em holandês – quando casou, Cornélio comprou uma vaca de um amigo. A ideia era pagar o animal em prestações durante dois anos, mas, infelizmente a vaca morreu. Então, o patriarca da família retomou a conversa com o amigo vendedor dizendo que não teria condições de arcar com a despesa. Os dois negociaram e uma nova vaca entrou na ‘jogada’.

“Minha avó contava que as finanças da fazenda ficavam todas sobre a sua responsabilidade, armazenadas em uma gaveta de cômoda velha de uma maneira muito peculiar. Meu Opa vendia queijos e ia de Carambeí a Ponta Grossa montado em um cavalo. Todo dinheiro da venda era guardado em meias, e cada meia tinha um nome da respectiva dívida. A primeira meia era referente à parcela da vaca e assim que o dinheiro era suficiente para a parcela, a meia era amarrada com um nó e por nada nesse mundo essas economias poderiam utilizadas. O nó era desatado apenas no dia do pagamento”, contou Emerson.

Segundo ele, seu Opa e seu pai ordenhavam vacas na mão até por volta de 1990 e ele ainda se recorda com boas lembranças desse tempo. Na época, eram 800 litros de leite ordenhados na mão diariamente, um serviço extremamente braçal e pesado. “Lembro do meu pai comprar estercos das granjas de frango dos vizinhos, limpar no carrinho de mão e espalhar no garfo enquanto eu segurava o volante do trator que andava lentamente, adubando a pastagem das vacas. Depois vieram tempos melhores e passamos do balde ao pé para a primeira sala de ordenha, em 1999, quando compramos uma nova área e começamos a trabalhar em um novo endereço”.

Foi no ano de 2012, quando a produção era de 3 mil litros/leite/dia, que a família entendeu que seria necessário aumentar a escala de produção para viabilizar o negócio. As contas não fechavam, a produtividade era em torno de 30 litros/vaca/dia em uma área de 30 hectares, o endividamento era crescente e o futuro da atividade estava extremamente ameaçado. Emerson e os seus quatro irmãos acreditavam que gerar dividendos com 3 mil litros diários seria inviável e não teria atratividade para os descendentes das outras gerações da família.

“A sucessão familiar ocorre primeiramente pela identificação com a atividade, pelo gosto de se trabalhar com o negócio e também, pela atratividade financeira. Assim, para aumentarmos a escala, resolvemos construir – com o apoio da cooperativa, dos créditos federais e recursos próprios - uma instalação totalmente nova, com sala de ordenha e barracão de confinamento para 130 animais na Fazenda Capão da Imbuia. Nesse molde, a primeira ordenha ocorreu em abril de 2013”, disse Emerson.

Manejo e números atuais

A raça Holandesa desde sempre acompanhou os negócios da família. Esta, sempre acreditou muito na genética da raça e embora o gado não seja registrado, a inseminação artificial é utilizada há pelo menos 25 anos na Capão. Emerson conta que a genética ficou evidente – de maneira impressionante – logo nos primeiros meses após o confinamento, pois a média de produção, com o conforto do confinamento e os ajustes no manejo saltaram de 28 litros/vaca/dia em abril de 2013 para 37 litros/vaca/dia em julho do mesmo ano.


Compost barn Fazenda Capão do Imbuia

Atualmente são 330 vacas em lactação e que – por meio de três ordenhas/dia – produzem juntas nada mais nada menos que 12 mil litros de leite diariamente. Todas as vacas em ordenha, as vacas secas, as vacas pré-parto e novilhas pré-parto estão alojadas em 9500 m² de composto barn.

A nutrição do rebanho é de responsabilidade dos técnicos da Cooperativa Frísia. As vacas em lactação recebem uma dieta única, uma fórmula de concentrado personalizada com base em farelo e casca de soja, farelo de milho e núcleos minerais complementados com silagem de milho e pré-secado de azevém.

As vacas secas não recebem concentrado, apenas silagem de milho e pré-secado de aveia. Já as vacas pré-parto são alimentadas com silagem de milho, pré-secado de aveia e uma ração especial pré-parto premium, produzida pela fábrica de ração da cooperativa.

O manejo é simples na Fazenda Capão da Imbuia. Regras básicas como não mexer nas vacas a não ser que seja extremamente necessário são levadas muito a sério. No entanto, no verão, as vacas são retiradas do confinamento seis vezes por dia, três para ordenha e mais três para banhos na sala de resfriamento. De acordo com a equipe, essas ações melhoram consideravelmente o conforto térmico dos animais, fazendo com que se alimentem melhor, deitem melhor e consequentemente - produzam mais.

Figura 1 - Através do gráfico de monitoramento de lotes o produtor acompanha em tempo real o comportamento de seus animais durante as ordenhas, banhos ou outro evento de manejo, tudo para otimizar o dia a dia da fazenda.

Produtividade e índices zootécnicos

Para Vriesman, a produtividade da fazenda leiteira está estritamente relacionada com a reprodução. Se a vaca está prenhe no momento certo, muitas coisas são resolvidas na fazenda e há uma grande probabilidade de uma ótima conversão alimentar e alta produtividade.

“Só que para a vaca reproduzir, precisamos de uma infinidade de processos bem executados e totalmente interligados que vão desde o manejo no pré-parto até uma simples limpeza de corredores e cuidados para objetos estranhos não causarem claudicação nos animais. Na fazenda leiteira tudo é sistêmico e interdependente”, explicou ele.

“No ano de 2017 estávamos com média de leite de 42 litros de leite diários por animal, taxa de prenhez de 19%, CCS (Contagem de Células Somáticas) abaixo de 200 mil e tivemos um surto de mastite que demorou a ter sua causa raiz identificada e corrigida. Houve um problema de extração da máquina de ordenha, que causou lesões de esfíncter, CCS alta e consequentemente, reprodução e média de leite piores nos meses subsequentes. Agora, em janeiro de 2019, depois de um ano de 2018 de recuperação e muito trabalho, voltamos a 36,5 litros de média (ainda abaixo do mesmo período de 2017), a CCS está reduzindo lentamente e estamos observando melhorias na reprodução nos últimos seis meses, com uma taxa de prenhez média de 18%. Não há dúvidas que o trabalho sistêmico sempre traz resultados positivos”.


Animais no compost barn Fazenda Capão do Imbuia

A busca de novas ferramentas para melhorar a eficiência

Sempre de olho nas tecnologias do mercado e em ferramentas que poderiam contribuir com a produção na fazenda, a Cowmed entrou na vida da fazenda por um motivo bem simples. A rotina precisa ser simples e o ‘pacote’ de serviços da Cowmed tem o objetivo de simplificar e facilitar o dia a dia, e – de acordo com Emerson - se fosse complexo, a tecnologia não teria ganhado tanto o gosto da Capão.

“O principal benefício foi a simplificação do manejo das vacas doentes. Antes da Cowmed, existiam vários protocolos para tentar identificar as vacas que não estavam ‘dispostas’ no rebanho. Os funcionários recebiam treinamento constante para andar no meio das vacas, olhar cada animal individualmente, observar ruminação, enchimento de rúmen, sujidade de esterco no rabo, expressão de dor, hidratação nos olhos das vacas, orelhas vívidas e se o rebanho estava com mais uma infinidade de desconformidades, algo que nem me recordo mais. Nesse processo, havia dois problemas: primeiro ter alguém 24 horas olhando para as vacas e o segundo e mais grave: nem todo mundo tem o dom para olhar a vaca e realmente identificar os gargalos mais fundamentais”.

A Cowmed ‘olha’ as vacas na Fazenda Capão e sinaliza a equipe para buscá-las caso o sistema acuse com confiança as que precisam de tratamento. Desde uma pequena indigestão até uma pneumonia, a ferramenta é precisa e sempre dá um alerta.

“Um dos grandes benefícios da tecnologia é não mexer com vacas que estão bem e buscar antecipadamente os animais que ainda não demonstraram sinais clínicos aos olhos de quem os observa. Houve vários casos nos quais que o sistema pediu para olharmos alguns animais, o médico veterinário foi atrás, disse que estava tudo bem aparentemente, mas, após alguns dias, aquele mesmo animal adoeceu ou até mesmo morreu. O colar consegue identificar o mal-estar dos animais. Assim como temos pequenas dores de cabeça antes de uma grande gripe, acredito hoje que a vaca tenha pequenas indisposições antes de grandes doenças, como mastites, pneumonias, tristezas parasitárias, entre diversas outras”.

A coleira de acompanhamento animal, desenvolvida pela Cowmed, é capaz de acompanhar três parâmetros comportamentais ligados à saúde e reprodução animal captando dados 24h por dia, sete dias por semana.

Emerson faz questão de ressaltar que a grande vantagem é facilitar a rotina da fazenda, que no caso da Capão em particular, já chegou a 350 vacas em lactação. Ele ainda reforça: “O esforço para olhar e ver as vacas 24 horas por dia e identificar cios e doenças por meio dos olhos humanos demanda muito esforço e é mais caro e menos preciso que o colar. Receber essa informação em um grupo de WhatsApp ou pelo aplicativo da Cowmed no celular, na palma da mão, diariamente, por um preço justo, é algo realmente fantástico”.

Sobre o investimento financeiro, ele destaca que esse quesito pode ser analisado perante três grandes frentes:

  • a estabilidade de taxa de serviço;
  • a redução na utilização de medicamentos e;
  • a diminuição das perdas de produção dos animais.

“A taxa de serviço estável e alta, com assertividade de horário de inseminação, responde com uma ótima taxa de prenhez para rebanhos bem gerenciados e não há nada que cause maior impacto financeiro em uma fazenda de leite do que uma ótima reprodução. É quase impossível até de medir os ganhos. É claro que o homem será fundamental sempre, principalmente no trabalho nas fazendas de leite, mas temos que aceitar que é impossível que todas as fazendas tenham funcionários com dom para olhar os animais como a Cowmed olha. Algumas fazendas até têm funcionários assim, mas todas eu acho impossível”.

Na sua opinião, a tecnologia vem para ajudar o produtor e reduzir os custos na cadeia. “Creio que será impossível continuarmos na atividade sem aceitar a tecnologia. A Cowmed, por exemplo, é ideal para grandes fazendas já que há uma enorme dificuldade de observar os animais e ter mão de obra especializada para essa ação. Porém, para um pequeno produtor, que trabalha sozinho, ela também ‘cai com uma luva’, pois ele poderá deixar o seu plantel de 10 a 20 cabeças sendo observado durante 24 horas com um custo muito menor do que um funcionário”.

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ADÃO CHARLES FORMAGIO

TAQUARUSSU - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/02/2019

Boa noite, gostaria de obter informações a respeito deste colar...
67 99876-9906
BRUNO VICENTINI

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 04/02/2019

Parabéns!!!!
FLAVIO DAMASCENO

RONDONÓPOLIS - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 04/02/2019

Muito boa materia....parabéns Emerson Vrisman por acreditar na melhoria da produção