Os dados apresentados neste artigo têm sido estudados nos últimos 30 anos em Israel e outras zonas quentes no mundo, especialmente no sul dos Estados Unidos.
A zona de conforto térmico das vacas leiteiras oscila entre -5°C a 22°C. O estresse térmico é uma condição fisiológica e de comportamento, que surge da incapacidade da vaca de perder todo calor que produz em seu metabolismo. A incapacidade de perda do calor para o meio ambiente causa à ativação de mecanismos de defesa, para reduzir a produção e também aumentar a perda. Nos dois casos, é reduzida a energia disponível para produção leiteira levando a menor produtividade.
Em condições de calor no ambiente, como as vacas não conseguem equilibrar sua temperatura corporal mantendo-a abaixo de 39 °C nota-se um aumento da temperatura corporal, o que se define como estresse calórico. A intensidade e duração do estresse durante o dia, e no ano, estão altamente correlacionadas às perdas leiteiras.
Figura 1. Vaca leiteira ofegando devido ao estresse calórico
Vacas estressadas podem sofrer uma diminuição de aproximadamente 20% no consumo de alimentos e 10% de eficiência alimentar (transformação do alimento em leite). Estima-se que no verão ocorre a redução de 10 a 20% na produção de leite comparada ao inverno. As perdas anuais na produção podem oscilar em rebanhos de alto rendimento de 500 a 1500 Kg por lactação. Estima-se também uma redução de 0,4 a 0,2 unidades percentuais na concentração de gordura e proteína do leite, respectivamente. Em paralelo e como resultado do estresse calórico, ocorre um aumento na quantidade de células somáticas e uma baixa taxa de concepção, ao redor de 10% em comparação a mais de 40% em inseminações realizadas no inverno. Isto prolonga o intervalo entre partos e aumenta a porcentagem de descarte por esterilidade. Em casos mais intensos, pode acarretar uma diminuição na oferta de leite promovendo até falta de estabilidade nos preços pagos ao produtor.
Nos últimos trinta anos, foram realizadas pesquisas para encontrar medidas efetivas para aliviar o calor das vacas. A ênfase foi em adaptar essas medidas às condições climáticas, instalações e manejo de cada propriedade e, fazer tudo isso a um baixo custo de forma que se tenha um benefício econômico ao utilizá-la.
Existem duas formas para resfriar a vaca no verão. A primeira é considerada como resfriamento direto, em que se resfria a vaca pela evaporação da água de sua pele, com uso de uma combinação de umidade e ventilação forçada, sem impactar na temperatura da instalação. O segundo método, é o resfriamento indireto, em que se utilizam meios mecânicos para reduzir a temperatura nas instalações sendo necessário, nesse caso, o uso de instalações fechadas.
Figura 2. Vacas em galpão com ventiladores para resfriamento direto
O método de resfriamento direto é o método mais comum hoje em dia, por ser relativamente barato e fácil de operar e, por ser adaptável a todo tipo de clima. O resfriamento através de umidade e ventilação forçada foi instalado e avaliado pela primeira vez nos anos oitenta em Israel e aplicam-se às vacas em diferentes setores do estábulo, incluindo a sala de espera, cochos e zonas de descanso.
Em um estudo realizado em Israel, foi observado que vacas resfriadas várias vezes ao dia, durante 30 minutos por vez, mantiveram temperatura corporal normal durante todo dia (abaixo de 39°C). As vacas sem resfriamento obtiveram no mesmo período, temperaturas superiores a 40 °C.
Devido à alta produção de calor, é necessário resfriar as vacas várias vezes ao dia. Examinou-se a relação entre a duração do resfriamento, a produção e a fertilidade. A produção média diária de vacas resfriadas no verão reduziu apenas 0,5Kg/dia (98,5% da produção do inverno). Nos estábulos sem resfriamento, houve diminuição de 3,5Kg/dia (90% da produção de inverno). As análises deste estudo levaram ao desenvolvimento de um novo índice, chamado “relação inverno: verão”, que permite avaliar o grau do dano causado pelo calor para aperfeiçoar o uso dos métodos de resfriamento nas instalações.
Todas as vacas do rebanho precisam de resfriamento no verão, incluindo novilhas, vacas em final de gestação e vacas produtoras durante toda a lactação. Foram desenvolvidos e estão disponíveis para os produtores de leite da América Latina métodos para resfriar as vacas e reduzir as perdas econômicas devido ao estresse calórico no verão. É importante instalar e operar essas medidas de forma apropriada, esperando-se um aumento de 10% na produção anual e na eficiência alimentar, reduzindo assim os custos de produção. Desta forma, aumenta-se consideravelmente a renda anual por vaca e ainda melhoram às condições de bem estar destes animais.” (O artigo completo está publicado em COLUMNISTAS FEPALE, ano 1, nº7, Julho 2013)
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