Neste ano, um dos temas abordados será “Compost Barn na prática: a experiência de quem está utilizando há 3 anos”. A palestra será ministrada pelo Médico Veterinário Ricardo Heitor Brenner, mestre em Fisiopatologia da Reprodução Animal pela UFSM-RS, que atua há 12 anos na produção comercial in vitro de embriões bovinos e na assistência reprodutiva a bovinos. Ricardo também é produtor de leite em Lins, São Paulo.
Confira a entrevista com Ricardo e saiba mais detalhes sobre esse sistema de produção:
1. Atuando há 12 anos com assistência reprodutiva em bovinos e na gestão de empresas de biotecnologia, como surgiu a ideia de iniciar um projeto de produção de leite?
RHB: Trago da família o gosto pela agropecuária e o leite sempre foi a atividade mais desafiadora. Durante a faculdade me dediquei especialmente ao corte mas não deixei de fazer uma parte do meu estágio final em uma fazenda de leite. Foi uma "injeção de leite na veia" dada pelo Sr. Hans Jan Groenwold em 1995 e os efeitos persistiram. Como veterinário minha paixão é a reprodução de bovinos na qual me especializei bastante. Já no leite, minha paixão está na produção e não na atividade veterinária em si. Por isso só pude me dedicar a ela depois de alcançar alguma estabilidade financeira.
Outro fator viabilizador foi a sociedade formada com José Eduardo Meireles Filho, proprietário da Fazenda Paredão, onde o projeto foi montado. Já somos sócios há 8 anos em uma central de receptoras de embrião que funciona na mesma fazenda.
Logicamente a ideia inicial foi a de verticalizar mais um degrau nossa atividade que já contava com a prestação de serviços em aspiração folicular, transferência de embriões, produção In Vitro de embriões e o fornecimento de receptoras prenhes. Então vender genética, tendo o domínio de todo o processo, pareceu uma grande ideia... Mas no meu entendimento, precisávamos nos habilitar como produtores de leite, e é este processo que estamos vivendo hoje.
2. Qual foi seu primeiro contato com o sistema Compost Barn e o que o levou a aderi-lo?
RHB: Foi o colega Adriano Seddon quem me apresentou os primeiros textos sobre o sistema que ele somente conhecia da literatura/web... Com ele discutimos os princípios e a partir disso desenhamos e construímos o primeiro barracão. Entre muitos erros e alguns acertos aprendemos muito e o segundo barracão já é bastante diferente.
3. Por se tratar de uma tecnologia nova, ainda existem muitas dúvidas e questionamentos por parte dos produtores e técnicos. Acredita que a adesão ao sistema será uma tendência no Brasil?
RHB: Acredito que há um perfil de produtor que se adaptará bem ao sistema e me arriscarei a estimar, intuitivamente, que nos próximos 20 anos até 15% dos produtores remanescentes o utilizarão!
4. A inter-relação entre produção e sanidade envolve diversas variáveis. Na sua avaliação, de que maneira o sistema de Compost Barn influencia na melhoria dos índices produtivos?
RHB: Já sabemos, por dados bastante consistentes, que o sistema bem manejado é muito seguro do ponto de vista sanitário. Também é indubitável o conforto que pode oferecer... Apenas este binômio, consoante ao enunciado da pergunta, é capaz de garantir a expressão do potencial genético dos rebanhos alojados. No entanto, há outras questões como a geração de um adubo orgânico que pode representar uma grande economia e ser um incrementador da produtividade agrícola, que tem muita importância na composição dos nossos custos.
Para se informar sobre todas as palestras e fazer sua inscrição, acesse: http://www.interleite.com.br/