InterleiteSul 2010: José Ferreira de Noronha, professor da UFG, expõe os desafios da pecuária leiteira do Sudeste e Centro-Oeste

Em entrevista realizada pelo MilkPoint, José Ferreira de Noronha, professor da Universidade Federal de Goiás, falou sobre a competitividade do Sudeste e Centro-Oeste, das vantagens de Minas Gerais e Goiás, e desafios de São Paulo e Mato Grasso, em razão da competitividade com outras culturas.

Publicado por: MilkPoint

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Figura 1

 


O conteúdo desse entrevista é referente à palestra que José Ferreira de Noronha, professor da Universidade Federal de Goiás, ministrará no Interleite Sul 2010 (2º Simpósio sobre Produção Competitiva de Leite - Região Sul, que será realizado de 27 a 29 de outubro, em Chapecó-SC. O evento terá como ponto de partida um grande debate sobre a competitividade dos vários estados brasileiros e Argentina.

 

 

Figura 2



Num resumo da sua apresentação sobre "A competitividade de Sudeste e Centro-Oeste", José Noronha falou das vantagens de Minas Gerais e Goiás, e desafios de São Paulo e Mato Grasso, em razão da competitividade com outras culturas.

MilkPoint: O que você pretende passar para os participantes do Interleite Sul 2010 na sua apresentação?

JFN: Pretendemos chamar a atenção dos participantes para os principais fatores que favorecem a competitividade desta região em relação às demais, com base em alguns resultados de pesquisa e muito de impressões pessoais.

MilkPoint: Como você compara a competitividade do Sudeste/Centro-Oeste a outras regiões brasileiras? Quais as vantagens?

JFN: Estas duas regiões continuarão fortes na produção de leite por muito tempo ainda por várias razões. Entre elas, a grande extensão territorial, com vastas áreas por explorar e grande potencial para o aumento tanto de área (via recuperação de pastagens degradadas) quanto do aumento da produtividade animal (rebanho de melhor aptidão leiteira). Os Estados de Minas e Goiás, no meu entender, continuação ser os principais produtores das duas regiões. São Paulo, por contar com grandes culturas, como a cana-de-açúcar e a laranja, dificilmente voltará a ter uma posição de destaque no Sudeste. E Mato Grosso, quase pelo mesmo motivo, mas devido à produção de grãos e algodão, além da pecuária de corte, provavelmente terá uma expansão modesta.

MilkPoint: E as desvantagens?

JFN: Sérios problemas de gestão. Sistemas tradicionais dos pequenos produtores, mesmo quando utilizam raças leiteiras. E a qualidade da mão-de-obra em geral.

MilkPoint: Como essas características impactarão a produção de leite nessas regiões nos próximos anos?

JFN:Não esperamos grandes aumentos da produtividade média, exceto no caso dos sistemas de produção intensiva em capital: semi-confinados ou totalmente confinados, com grandes volumes de produção diária. Regiões onde as culturas de café, cana-de-açúcar e silvicultura (madeira para celulose, carvão, etc) estão de expandindo, a produção de leite tenderá a ocupar áreas menos nobres.

MilkPoint:A região Sudeste continuará como principal região produtora de leite no país nos próximos anos?

JFN: Sim, principalmente pela liderança de Minas Gerais, onde as vantagens se equilibram com as desvantagens para a atividade leiteira. A diversidade de clima, topografia, extensão territorial e a própria tradição na atividade tendem a favorecer a competitividade deste estado no Sudeste e no Brasil. O grande avanço da extensão privada (onde o Programa Educampo se destaca), principalmente entre os médios e grandes produtores, tende a ser um diferencial favorável.


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