InterleiteSul 2010: Glauco Carvalho, da Embrapa, opina sobre competitividade e custos de produção de leite no mundo

Em entrevista realizada pelo MilkPoint, Glauco Rodrigues Carvalho, economista e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, falou sobre custos de produção e competitividade de leite no mundo, quais os principais países em termos de competitividade e suas vantagens e onde o Brasil se enquadra, e sobre perspectivas nos custos de produção num cenário de alta dos insumos.

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Figura 1

 


O conteúdo desse entrevista é referente à palestra que Glauco Rodrigues Carvalho, pesquisador e economista da Embrapa Gado de Leite, ministrará no Interleite Sul 2010 (2º Simpósio sobre Produção Competitiva de Leite - Região Sul, que será realizado de 27 a 29 de outubro, em Chapecó-SC. O evento terá como ponto de partida um grande debate sobre a competitividade dos vários estados brasileiros e Argentina.
 

Figura 2



Num resumo da sua apresentação sobre "Custos de produção e competitividade de leite no mundo", Glauco Carvalho falou quais os principais países em termos de competitividade e suas vantagens e onde o Brasil se enquadra, e sobre perspectivas nos custos de produção num cenário de alta dos insumos.

MilkPoint: O que você pretende passar para os participantes do Interleite Sul 2010 na sua apresentação?

GC: Irei apresentar informações que comparam custos de produção ao redor do mundo com o Brasil, destacando diferenças de produtividade dos fatores de produção. Também iremos discutir algumas tendências de preços para leite e insumos.

MilkPoint: Quais os principais países em termos de competitividade na produção, e o que os caracteriza?

GC: Os países mais competitivos em custo são os da Oceania, Índia e Argentina. Também existem fazendas muito competitivas em alguns países africanos, mas com estrutura fundiária muito pequena. É o mesmo caso da Índia, Paquistão, etc. Em termos de comércio de leite os países da Oceania e a Argentina são bem competitivos, pois conseguem custos baixos e escala de produção empresarial.

MilkPoint: Onde o Brasil se enquadra nesse contexto?

GC: O Brasil vem perdendo competitividade nos últimos anos devido à questão cambial. Todavia, o uso dos fatores de produção aqui precisam ser melhorados. Vejo que temos condições relevantes para avançar na competitividade, mas temos de buscar escala de produção, qualidade da matéria-prima, padrões sanitários e acesso a mercados.

MilkPoint: Em relação atual cenário relativo ao preço dos insumos, se esse cenário de altas dos insumos (grãos) se mantiver, qual a perspectiva em médio prazo em termos de custo de produção?

GC: Os custos de produção estão subindo, devido a questões conjunturais que ocorreram recentemente no mercado de grãos. Ou seja, a ração está ficando mais cara. Mas creio que ainda podemos produzir com rentabilidade. Vale ressaltar que no Brasil existe uma diversidade de sistemas de produção e a flexibilidade no uso de insumos é importante. É preciso encontrar cestas de insumos que geram rentabilidade.

MilkPoint: Quais as conseqüências desse efeito para a produção nacional?

GC: O que sabemos é que em momentos de rentabilidade piorando a oferta de leite responde em seguida. Portanto, se a rentabilidade continuar se deteriorando o incremento de produção tende a ser um pouco menor. De todo modo, é preciso monitorar também o comportamento dos preços do leite, que acredito não devem cair muito mais devido as questões climáticas (seca) que estão afetando algumas regiões, como o Sudeste e o Centro-Oeste, principalmente. Além disso, a renda e o consumo estão indo bem.

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