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"Não estou satisfeito com a renda do leite": descubra as causas e o que fazer

WAGNER BESKOW

EM 07/01/2015

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Este é um texto diferente. Ao invés de lê-lo do início ao fim, você irá navegá-lo, pulando para onde for indicado. O objetivo é permitir que você faça um autodiagnóstico de seu negócio e perceba como se encontra sua propriedade e o que fazer para melhorar seus resultados.

A metodologia se utiliza de uma chave analítica. Em cada seção, você identifica qual das opções se aplica ao seu caso e segue para a próxima consideração. Tenha em mente que o universo de propriedades é muito complexo. Tentamos aqui algo quase impossível, tratando todos os casos como se fossem simples. Mas funciona. Veja você mesmo.

Por experiência, escolhemos dois aspectos chaves que nos ajudarão, de forma rápida e simples, a lhe revelar como se encontram as coisas. São eles o custo operacional por litro produzido e a escala de produção.

Definições importantes

Antes de prosseguir você tem que entender os seguintes parâmetros que serão utilizados:

a) Custo operacional total sem mão-de-obra (COT s/MO): é o desembolso + depreciação. Do ponto de vista gerencial, o COT é tudo aquilo que se gasta, mais o que se desgasta no processo produtivo. Representa o mínimo que tem que ser coberto pela atividade para não haver descapitalização. O que sobra é o lucro operacional ou margem líquida, montante disponível para o desfrute do produtor e sua família. Para esta análise específica precisamos dele sem a MO (salários e encargos), porque a capacidade de remuneração desta nos será indicada por PMM/PCE, abaixo, e pelo que sobra para tal compromisso.

b) Proprietários e colaboradores efetivos (PCE): número de pessoas que precisam ser remuneradas pela atividade, direta ou indiretamente. Deve incluir proprietários, sócios, parceiros, funcionários e filhos atuantes. São todas as pessoas que efetivamente trabalhem na propriedade. Para filhos e funcionários podem ser adotados valores parciais para compensar quem trabalha menos tempo, ou com menos intensidade que o padrão. Os demais, considerar sempre 1 cada pessoa (mesmo no caso de proprietário/sócio que more na cidade).

c) Produção média mensal (PMM): volume anual vendido dividido por 12. Utilizamos aqui como uma medida absoluta de escala.

d) Produção por pessoa (PMM/PCE): obtido dividindo os parâmetros acima. É uma medida de escala relativa à mão-de-obra e à remuneração do produtor. Você pode pensar como "litros por pessoa por mês", mas lembre que pessoas são essas (PCE).


CHAVE ANALÍTICA

Vamos começar.

Seção A:

Identifique a opção que mais proximamente se aplica ao seu caso e siga as instruções.

A.1) "Conheço o COT do leite que produzo" >>> vá para Seção B

A.2) "Não conheço COT do leite que produzo" >>> vá para Seção D

Seção B: 

Parabéns por conhecer seus custos! Você faz parte de uma minoria de produtores no Brasil (cerca de 1 a cada 1.000 produtores). Continue abaixo:

B.1) Seu COT s/MO é menor que R$0,80/L >>> vá para Seção C

B.2) Seu COT s/MO é igual ou maior que R$0,80/L >>> vá para Seção E

Seção C:

C.1) PMM/PCE é menor que 5.000 L >>> veja R.1 (Seção R)

C.2) PMM/PCE está entre 5.000 e 10.000 L >>> veja R.2 (Seção R)

C.3) PMM/PCE está entre 10.000 e 15.000 L >>> veja R.3 (Seção R)

C.4) PMM/PCE é maior que 15.000 L >>> veja R.4 (Seção R)

Seção D:

O que não se conhece, não se controla. Foi-se o tempo em que se podia tocar uma atividade produtiva sem conhecer seus custos. O descontrole dos custos faz com que haja um esbanjamento irresponsável nas altas de preços e um desespero desnecessário nas quedas. Convença-se disso e use o conhecimento a seu favor.

"Ah isso dá muito trabalho". Depende, há formas e formas. Recomendamos começar com a mais simples possível. Se você não acha isso importante ou não encontra tempo para tal controle, muito provavelmente você não está preparado para administrar um negócio.

No entanto, para que você não fique sem respostas neste exercício de autodiagnose, apresentamos abaixo sistemas e escalas contrastantes. Veja qual a opção que mais se aproxima de sua realidade (se D.1 ou D.2, com PMM/PCE acima ou abaixo de 5.000 L). A probabilidade de seu custo estar próximo ao indicado é muito alta. Escolha D.1 ou D.2 abaixo:

D.1) Seu sistema baseia-se na produção abundante de pasto e em seu uso eficiente colhido pelas vacas que saem do piquete com sobra de comida; utiliza suplementação de concentrado (ração), usando pouca ou nenhuma silagem no período de abundância de pastos (menos de 8 kg de matéria natural de silagem). Em sua propriedade sobra pasto quando chove e as vacas pastam dia e noite.

Resposta:

D.1.1) Sua PMM/PCE é menor que 5.000 L.

Seu COT s/MO gira entre R.$0,75 e R$0,85/L quando há pasto e R$0,85 e R$1,00 quando não há. Nas condições atuais seu negócio só é viável em períodos de muito bons preços (1 ano a cada 3). Seu principal problema é escala de produção. >>> Vá para a Seção Final.

D.1.2) Sua PMM/PCE é maior que 5.000 L.

Seu COT s/MO gira entre R.$0,60 e R$0,75/L quando há pasto e R$0,75 e R$0,85 quando não há. Você está no caminho certo e faz parte de um grupo seleto de produtores. Parabéns!!! Mas não se acomode, pois é possível e necessário melhorar ainda mais. Contabilize seus custos e comprove se estamos certos. Busque um COT médio anual de no máximo R$0,75 onde a depreciação não passe de R$0,10/L. >>> Vá para a Seção Final.

D.2) Seu sistema baseia-se principalmente em silagem e concentrado (ração), com ou sem algum pastejo. Se houver pastejo, este é por curto período do dia ou, se for por mais tempo, as vacas não têm abundância de pasto. Se qualquer uma dessas afirmações se aplica a sua propriedade, siga abaixo (D.2.1 ou D.2.2).

Resposta:

D.2.1) Sua PMM/PCE é menor que 5.000 L.

Seu COT s/MO gira entre R$0,85 e R$1,10 como média anual. Você tem um grave problema de escala combinado com ineficiência. O volume de leite produzido não é capaz de sustentar, satisfatoriamente, as pessoas que dele dependem. É a típica situação onde alguém está se sacrificando em excesso para poder contar com outros. É um empreendimento que poderá sobreviver por algum tempo, mas mais cedo ou mais tarde a pessoa mais sacrificada desistirá, colocando em risco todo o negócio.

Embora possa lhe soar estranho, há uma participação muito pequena da alimentação no seu COT (menos de 50%). Sua "máquina produtiva" é pesada demais para o leite que produz. A alimentação deve representar próximo a 60% do COT, pois é ela que se converte em leite.

Não se desespere. O setor que você escolheu é viável e promissor. Seu futuro depende de você adquirir mais conhecimento, se cercar de boas orientações e tomar as decisões corretas. "Mais leite de forma mais inteligente" é o que você deve buscar. >>> Vá para a Seção Final.

D.2.2) Sua PMM/PCE é maior que 5.000 L.

Seu COT s/MO gira entre R$0,75 e R$0,85 como média anual. Você certamente sabe o que está fazendo, mas tem em mãos um sistema que não lhe fará justiça, por ser pesado demais para lhe permitir margens melhores.

Seu custo atual lhe permite sobreviver e se a PMM/PCE está acima de 10.000 L, este negócio pode lhe proporcionar boa qualidade de vida. No entanto, o capital que você tem imobilizado nesse negócio é alto demais para o resultado que está obtendo. De qualquer forma você merece os parabéns por saber trabalhar e por ter vocação para a produção de leite! Precisa agora ter mais controle sobre ele para seguir fazendo ajustes e melhorar ainda mais a margem operacional. >>> Vá para a Seção Final.

Seção E:

Seu COT s/MO é inaceitavelmente alto para a realidade média do mercado de leite. No momento em que o governo decida remover as barreiras tarifárias de importação nossos preços domésticos tenderão a cair muito e seu negócio não sobreviverá. Isso pode ser amargo de engolir, mas não adianta fugir e o momento de agir é agora. Siga abaixo:

E.1) Se sua PMM/PCE é menor que 5.000 L >>> suba para D.2.1 (Seção D).

E.2) Se sua PMM/PCE é maior que 5.000 L >>> suba para D.2.2 (Seção D).

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Seção R:

R.1) Você tem um problema de escala. O volume de leite produzido não é capaz de sustentar, satisfatoriamente, as pessoas que dele dependem. É a típica situação onde alguém está se sacrificando em excesso para poder contar com outros. É um empreendimento que poderá sobreviver por algum tempo, mas mais cedo ou mais tarde a pessoa mais sacrificada desistirá, colocando em risco todo o negócio.

O único cenário onde esta propriedade é capaz de atender satisfatoriamente as expectativas das pessoas é se for tocada por um casal na terceira idade, sem ninguém mais envolvido (nem filhos, nem funcionários) e algum deles com uma pequena aposentadoria. Se este é o seu caso, parabéns ao casal!

Se não for este o caso, alerta! Sua escala (volume) precisa ser aumentada urgentemente, mantendo seu custo por litro baixo. >>> Vá para a Seção Final.

R.2) Para a realidade atual sua escala é pequena, mas para uma família sem empregados e sem grandes ambições, ela é viável. Para contar com empregados que durem no emprego e ter um mínimo de qualidade de vida para sua família, você precisará de uma PMM/PCE de pelo menos 10.000 L.

Seu custo de produção está numa faixa que mostra que você sabe o que faz, mas sempre há onde melhorar a eficiência.

Concentre-se em aumentar sua escala, começando pelo aumento da produção por vaca, hoje! >>> Vá para a Seção Final.

R.3) Você se encontra numa situação de transição entre os que acham muita dificuldade na atividade e os que constantemente ganham dinheiro com o leite. Você ainda fica reticente quando o preço do leite baixa, mas tende a olhar à frente pois seu negócio sobrevive a crises.

Com seu resultado operacional e sua escala de produção é viável contratar funcionário, mas ainda tem que fazer sacrifícios para paga-los em consonância com o mercado de trabalho e a legislação trabalhista.

Em resumo, você está no caminho certo, sabe o que está fazendo, mas precisa melhorar sua escala e eficiência se quiser contar com funcionários. De qualquer forma, parabéns pelo que já alcançou! >>> Vá para a Seção Final.

R.4) Espetáculo! Você está entre os mais eficientes produtores de leite do mundo. No Brasil estimo que exista um produtor como você a cada 10.000 produtores: você tem eficiência, conhece e controla custos e tem grande escala relativa à mão-de-obra.

Ao longo dos anos temos conseguido descobrir algumas cabeças raras como a sua e é maravilhoso poder ajudar gente assim a crescer e a mostrar o caminho aos demais. Deveria haver uma medalha de honra concedida a produtores com seu perfil. Parabéns mesmo!

Não deixe que isso suba à cabeça. Certamente você não se acha bom assim, mas se não está vendo a cor do dinheiro é porque assumiu dívidas ou está misturando as contas do negócio com as contas da família ou de outra atividade. Siga em frente, pois sempre há o que melhorar. >>> Siga para a Seção Final, abaixo.


Seção Final

Método TRP para cálculo rápido da depreciação

Cada caminhão-tanque que sai de sua propriedade com leite leva consigo parte de seus bens que se desgastam no processo produtivo. Um pedacinho de sua cerca, de seu trator, de sua ordenhadeira vão junto em cada carga. Por esse motivo, você precisa conhecer esse custo para que possa descontá-lo do faturamento e separá-lo mensalmente na forma de uma poupança qualquer que possa ser acessada na hora de repor seus bens. 

A depreciação anual de um bem é seu valor atual dividido por sua vida útil futura. O ideal é obtê-la individualmente para cada bem, mas para a finalidade acima propomos um método simplificado, que funciona:

1) Estime e some o valor atual de todos os bens fixos sobre a terra (não incluir os animais) utilizados direta ou indiretamente na produção de leite (cercas, construções, instalações, máquinas, implementos, equipamentos, etc.). Este é o VAe (valor atual estimado).

2) Obtenha a vida útil futura média destes bens conforme o padrão abaixo. Esta será a VUFe (VUF estimada):

  • Tudo novo: 20 anos

  • Predominam bens novos: 18 anos

  • Meia-vida (há tanto bens novos, como velhos e intermediários): 15 anos

  • Predominam bens velhos (mas há exceções): 10 anos

  • Só bens bastante velhos (situação rara): 5 anos


3) A depreciação pelo método rápido TRP (Transpondo) será: 
DEP (TRP) = VAe/VUFe

Este valor é anual (R$/ano). Divida ele por 12 para conhecer a depreciação mensal ou pelo volume de leite vendido anualmente para a depreciação por litro. A depreciação não deve ultrapassar R$0,10/L. Se passar disso você tem um descompasso entre "maquina produtiva" e escala de produção, provavelmente causado por um sistema ineficiente ou mal manejado, ou ainda por haver investido muito em ferro e cimento e pouco em sistema de alimentação.

A grande armadilha que todos caem 

Diferentemente das contas pagas (custo direto) a depreciação sobra na mão (é um custo indireto, oculto). Por isso é consumido, desfrutado como se fosse "lucro". Não computá-lo e não poupá-lo leva a uma grande dificuldade de se repor os bens quando eles se terminam.

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Bem, esperamos que este breve exercício tenha lançado mais luz sobre seu negócio. Em momentos de preços baixos, quando as contas apertam, as pessoas tem mais propensão para atentarem à importância do controle. Infelizmente, quando a coisa folga, todos se esquecem novamente.

Um dia a queda de preços se dá de forma intensa ou prolongada demais e, quando isso ocorre, são os que tem as rédeas na mão que sobrevivem, não os que fogem da realidade.

Quando interessados no setor me perguntam "leite dá dinheiro?" eu lhes pergunto: vender sapatos dá dinheiro? A pessoa normalmente responde: "acho que sim, mas depende"... Bem, por que leite deveria ser diferente?


Wagner Beskow
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Transpondo

WAGNER BESKOW

TRANSPONDO Pesquisa Treinamento e Consultoria Agropecuária Ltda: Leite, pastagens, manejo do pastoreio, rentabilidade, custos, gestão, cadeia do leite, indústria, mercado. palestras, consultoria, cursos e treinamentos.

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RAFAEL COSSETIN TASSOTTI

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/02/2015

Bah surpreendente....
''Perdi'' um Domingo...
Mas ganhei muito tempo ou Dezenas deles..daqui para frente. Esse artigo faz revirarmos tudo que temos em mãos duma maneira a chegar a dados fantásticos, das ferramentas e possibilidades em que dispomos...


Parabéns.........
JAMIR RAUTA

FRANCISCO BELTRÃO - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 30/01/2015

Bom dia. Prezado Wagner, parabéns pelo artigo, muito pertinente.
Se me permite, faço um adendo.
Antes da implantação de gestão, que é extremamente necessária, o produtor deve mudar seu pensamento e sua atitude no sentido de pensar a propriedade como empresa rural. Para isso, deverá sair do modo cômodo em que está, e deixar de se ver e se fazer de "coitadinho franciscano".
Vamos profissionalizar a Cadeia Produtiva do Leite.
Seja Incrível!
Jamir Rauta
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 23/01/2015

Muito obrigado MARCELO CARVALHO. É, o artigo parece estar cumprindo a finalidade de fazer o pessoal pensar sobre essas questões. Falar de Brasil como um todo nunca é fácil, mas há desafios que só mudam de endereço e os abordados acima são alguns deles. Grande abraço, Marcelo!

ANTONIO LANNA: De nada. Fico feliz que o artigo te ajudou.

JOSUÉ MARQUES: Exatamente! Uma questão cultural. Nos países onde produtores são avançados, coincidentemente todos são obrigados a fazer a contabilidade e, em muitos deles, há menos distância entra a contabilidade fiscal e gerencial. Quanto menos burocrático um país e quanto menos o governo se intrometa no setor, mais as duas se aproximam, ou seja, a fiscal passa a servir para tomada de decisão. Aqui não. Um dia chegaremos lá! Grande abraço e obrigado pela participação.

Wagner Beskow
www.transpondo.com.br
JOSUÉ CARPES MARQUES

RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/01/2015

Caro Wagner, muito boa a abordagem deste tema, Parabéns. Eu vejo que um dos grandes obstáculos, para que o produtor faça o gerenciamento da sua propriedade, é cultural, até por questões de escolaridade muitas vezes, ele não faz os controles necessários para gerenciar o seu negócio. Eu acredito que as novas gerações que estão assumindo os negócios da propriedade, tem um papel fundamental na implantação e manutenção de um processo gerencial dos negócios da família.

Abraço,

Josue
ANTONIO HENRIQUE LANNA

RIO CASCA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/01/2015

Caro Wagner, mais uma vez agradeço sua atenção, foi de grande valia suas orientações, vou segui-las com rigor. Muito obrigado mesmo!
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 19/01/2015

Wagner,

Muito boa a abordagem do artigo; os comentários estão aí para provar.

Grande abraço,

Marcelo
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 18/01/2015

Olá Antonio,

Para ganhar mais com o leite, há duas frentes a trabalhar: a escala (que é o volume produzido) e o custo por litro.

A escala vai depender especialmente da produtividade da vaca (principal fator) e do número de vacas que consigo manter com a terra e as pessoas que tenho.

O custo vai depender do sistema de produção (estrutura, pessoas e modo de operação a serviço das vacas), da eficiência na gestão dos recursos e também da escala.

Os 5.000 L por pessoa por mês (o PMM/PCE) considero um ponto de corte importante, porque abaixo do qual é extremamente apertado viver do leite e acima do qual começa a ficar interessante, dependendo de como é feito.

Não tenho como concordar ou discordar dos números que citaste porque não sei o número de pessoas, mas supondo que sejam 3, o proprietário mais um casal, sim, estaríamos falando de um mínimo absoluto de 500 L/dia no total da propriedade (média.ano), obtido através de 5.000 L PMM/PCE x 3 = 15.000 L/mês. Este seria um mínimo absoluto e sabendo que haverá dificuldade. Estas começam a desaparecer com 10.000 L PMM/PCE e só conquistamos maior tranquilidade para pagar funcionários com 15.000 L PMM/PCE.

Um COT s/MO acima de R$0,80 é muito alto e não pode ser aceito, mesmo que este seja R$0,85 e quem tem essa realidade não deve se desesperar, pelo contrário. Deve botar a caixola para funcionar e descobrir como melhorar sua eficiência.

Em minha experiência o caminho mais rápido, prazeroso e barato é partir pela intensificação do uso dos recursos que já temos em mão. Jamais sair a comprar ou investir sem antes tirar o suco do que já se tem. Começando pela alimentação.

A filosofia de nosso SIPS (sistema intensivo a pasto com suplementação) é exatamente essa.

Com aumento da eficiência, os recursos vaca, terra, pessoal e estrutura serão utilizados em seu ótimo econômico (alta rotação, sem super-esquentar o motor, esse é o ponto!). Só aí sei que é hora de pensar em ampliar minha estrutura, nunca antes. É como se fosse uma escada de alvenaria. Cada investimento me põe num novo degrau e eu preciso produzir naquele nível até próximo a parede que sobe para o próximo degrau. Se eu eu ficar do meio para a borda do degrau eu quebro com qualquer sistema!

Como metas eu recomendaria pensares em 10.000 L/pessoa (no conceito PMM/PCE do texto) e um COT s/MO de no máximo R$0,55/L. Se a escala ficar em 5.000 L PMM/PCE, o COT s/MO teria que ficar no máximo em R$0,50. Se subir para 15.000 L PMM/PCE, poderia ser R$0,65.

Nestas recomendações muita coisa é levada em consideração, como mercado, adicional por volume, margem necessária para remunerar os envolvidos etc.

Espero ter ajudado a clarear, não a complicar.

Grande abraço.

Wagner Beskow
www.transpondo.com.br
ANTONIO HENRIQUE LANNA

RIO CASCA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/01/2015

Caro Wagner surgiu uma dúvida, em resumo, quem tiver um COT s/MO igual ou acima de R$0,80, precisa tirar acima de 330 litros leite DIA, com um ideal acima de 500 litros DIA, para viabilizar a atividade? Seria isso?
ANTONIO HENRIQUE LANNA

RIO CASCA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/01/2015

Caro Wagner, parabéns pelo Artigo, me ajudou muito, e tenho certeza que ajudará muitos colegas.
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 17/01/2015

Preciso, antes, lembrar a todos que estamos aqui com o enfoque gerencial, voltado à gestão, à tomada de decisão, e não fiscal.

Prezado José Soares de Melo:

O produtor tem que responder a si mesmo: qual é o meu produto comercial ou quais são os meus produtos comerciais? Cada produto terá uma linha de produção com receitas e, obrigatoriamente, custos próprios.

Caso A) Se o que eu produzo é leite e esta é minha finalidade, a venda de animais pertencerá ao leite e, por conseguinte, os custos de criá-los são do leite também. Afinal, não se produz leite sem se criar ou comprar novilhas, e ambas opções tem custos. O mesmo acontece com o boi: ou eu crio e recrio ou eu compro terneiros para terminar.

Caso B) Uma outra realidade é a do produtor criador comercial. Este tem na venda de genética um outro negócio, mas tem que tirar leite nem que seja para alimentar as bezerras, não "estourar" úbere de vacas e também para saber quanto produzem as fêmeas e se merecem deixar filhas no rebanho ou não. Neste caso há dois custos: o da venda de animais para reprodução e o da venda de leite.

No Caso A, eu não preciso conhecer quanto me custa criar uma novilha e posso deixar tudo embutido no leite (recomendo que todos comecem dessa forma, que é mais simples). No entanto, eu nunca saberei se minha criação de novilhas está muita cara (ineficiente), tampouco se o preço que me oferecem por animais está bom ou não comparado ao que eu sei fazer, percebes? Espero ter ficado claro.

Recomendo aos que estejam lendo estas observações, que leiam também as respostas que dei no dia 14/01, acima, pois também ajudarão a clarear mais as coisas.

A todos amigos que fizeram observações acima, muito obrigado pelas palavras. Essa área é muito envolvente.

Abraço,

Wagner Beskow
JOSÉ SOARES DE MELO

PIUÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/01/2015

Prezado Professor Wagner,
As despesas de criação de animais jovens devem ser contabilizadas como custo do leite?
Se afirmativo, as receitas com a venda de animais deveriam ser adicionadas ao valor do leite vendido? Ou seriam abatidos nos custos de produção? Confesso que estou em dúvida quanto a essa questão.
Obrigado
Um abraço
JAIR DA SILVA MELLO

IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 17/01/2015

Excelente, Wagner, parabéns!
ANTÔNIO CARLOS

VILHENA - RONDÔNIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/01/2015

Parabéns Wagner, muito bom o artigo, na verdade foi perfeito!
JOÃO PAULO P. VIANA

CARMO DO RIO VERDE - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/01/2015

Parabéns e obrigado pela colaboração!!
MOSAR MONTEIRO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/01/2015

Parabéns professor, é muito gratificante receber essas informações de pessoais que não preocupa somente em vender informações e sim nos ajudar com informações, estudos que vai me orientar quanto o melhor caminho seguir. Obrigado e parabéns.

MARCELO DE REZENDE

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/01/2015

Parabéns Wagner! Muito interessante a abordagem do assunto, didático, prático e muito útil. Um grande abraço!
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 14/01/2015

Uma observação complementar: do ponto de vista gerencial, não depreciamos os animais porque nosso propósito com a depreciação é conhecer o desgaste e obsoletismo dos bens, descontar da receita e fazer um fundo para reposição futura dos mesmos.

O rebanho tem uma particularidade fantástica: ele se auto-repõe e o custo para esta auto-reposição já está embutido no custo de manutenção deste rebanho. Assim, só faz sentido depreciar rebanho se a contabilidade for fiscal.

Há uma planilha Excel muito popular entre os leitores do MilkPoint que deprecia rebanho. Discordamos desta metodologia pelos motivos expostos acima. No entanto, tudo é válido quando o enfoque é gerencial, desde que saibamos o que estamos fazendo e como utilizar aquela informação.

Gerar informação, com o trabalho que dá, para nunca utilizá-la ou subutilizá-la, é a principal falha da maioria das tentativas de implantação de controles na propriedade.

Na Transpondo seguimos a regra que em inglês se chama KISS: keep it simple, stupid !!! Ou seja, mantenha as coisas da forma mais simples, seu idiota (nós).

Grande abraço e obrigado a todos vocês pelas contribuições.

Wagner Beskow
www.transpondo.com.br
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 14/01/2015

Prezados amigos:

Que bom que o artigo está se mostrando útil. Fico muito contente com todos os comentários de vocês. Abaixo respondo questionamentos e comentários.

1) É importante notar o foco GERENCIAL. O objetivo é unicamente ajudar na tomada de decisão. Custos, do ponto de vista contábil fiscal é algo bem mais complexo e tem finalidades formais, o que não é nossa caso aqui.

2) A depreciação teria ainda o "valor residual" dos bens descontado do valor. No mundo moderno e real este valor de sucata se aproxima de zero cada vez mais, por isso não o incluímos. Alguns bens se consegue algo como 5% do valor de novo, ao final de sua vida útil.

3) Os critérios expostos logo no início tem a finalidade de permitir a análise proposta. A produção de leite por pessoa expressa como PMM/PCE é um conceito nosso.

Respondendo ao amigo OLÍMPIO AGUIAR GOMES, sim, para este propósito deve incluir o proprietário distante, que supervisiona nos finais de semana. Ao calcularmos PMM/PCE e compararmos com aquelas faixas (5.000; 10.000; 15.000 L por pessoa) o que queremos saber é a capacidade do negócio gerar suficiente receita para remunerar quem tem que ser remunerado e esta pessoa é uma delas.

Detalhe: como observado no texto, não devem estar nas despesas aqui utilizadas os desembolsos com mão-de-obra. Isso vale para salários, encargos e prolabore dos proprietários/sócios, quando houver formalmente. Por isso, Olímpio, que a resposta é sim.

RAFAEL DUARTE: exatamente, anotar receitas e despesas é o básico que todos deveriam fazer e SEPARAR o que é do leite e o que é de outras atividades ou despesas familiares. Esta parte é fundamental.

Algo chave aqui, especialmente para cooperados, é separar na cooperativa o que é GASTOS PRODUTIVOS (p.ex., insumos) com gastos relativos ao DESFRUTE da família (p.ex. supermercado, posto de gasolina para o carro de passeio etc.). A maioria dos produtores que não vêm nunca a cor do dinheiro são produtores que têm gastos produtivos misturados com desfrute dos resultados, como neste exemplo.

OLÍMPIO AGUIAR GOMES pergunta se receita com venda de animais devem ser consideradas juntamente com as receitas do leite. Resposta simples: sim, por ser receita legítima do leite. Porém cabem as seguintes considerações importantes:

a) É receita legítima e normal do leite a venda de animais de descarte (vaca velha/problema, bezerras/novilhas com defeitos, bezerras/novilhas excedentes, mesmo que em boas condições).

b) Não é receita normal do leite a venda de animais da estrutura produtiva por aperto de caixa e que farão falta mais adiante. Isso se chama descapitalização. É receita, mas deve vir separada para que seja notado o problema. Sugiro chamar "Venda de capital animal".

c) O raciocínio acima considera produtor de leite que não tenha venda de genética em paralelo. Caso a propriedade venda genética como negócio estruturado (não algo ocasional), os ventres vendidos são receitas separadas e devem ter custos separados também.
ANA PAULA ROQUE

ITAPETININGA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/01/2015

Excelente artigo! Parabéns!
LUCAS ARATO

SÃO MIGUEL D'OESTE - SANTA CATARINA - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 13/01/2015

muito bom;;;