Estiagem consolidada no Sul: o que o produtor pode fazer?

Alerta e recomendações aos produtores de leite, que se estende aos demais pecuaristas referente a estiagem consolidada no sul do país. Saiba o que fazer!

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Alerta e recomendações detalhadas aos produtores de leite, que se estende aos demais pecuaristas.

Estamos com um déficit hídrico acumulado que já está mostrando seus efeitos no crescimento das forragens e que tende a se agravar em agosto. Não há precipitações significativas previstas para os próximos 15 dias (pelo menos), sendo estas de 2 a 5 mm em algumas localidades.
 

O que fazer? 

  1. Suspender Roçadas -  Sempre recomendamos medidas de manejo para manter o pasto folhoso e como última destas, a roçada, mas não nesta situação. Pasto grosseiro acumulado torna-se valioso quando não se tem nada. A roçada, nestas condições de falta de umidade no solo, também irá reduzir a capacidade de rebrota e até de sobrevivência de algumas plantas, pois não cicatrizarão rapidamente, perdendo energia acumulada e água, escassos agora.
     
  2. Tentar manter um resíduo mínimo de pasto - Isto corresponde a uma altura de aprox. 28% da altura normal de entrada de cada material. Se o pasto for rebaixado além deste ponto haverá remoção de reservas da planta, eliminação da área foliar remanescente (ambos usados na rebrota), compactação de solo, perda de matéria-orgânica do solo, exposição à erosão etc, todos contribuindo para uma incapacidade de recuperação das anuais no momento que a chuva retorne. Tente manter este "saldo residual" no campo mesmo com alto custo. Naturalmente, isto é mais realista para quem ainda tem boa reserva de volumoso, mas considerem que estão sem comida nos pastos quando chegar neste ponto. Sem comida não é na terra. Sem comida é aos 28% (p.ex. 5cm como mínimo absoluto no azevém).
     
  3. Mesmo que ainda bem de pasto, tome providências imediatamente, projetando que o que você tem é o que já se acumulou, pois o crescimento das pastagens se aproximará de zero nos próximos dias, nas zonas mais atingidas.
     
  4. Comece a utilizar áreas de pasto diferido (fechado, rejeitado ou desperdiçado anteriormente).
     
  5. Na medida que vá lançando mão de fibra de menor qualidade, aumente a proteína do concentrado e considere a adição de ureia com fonte de enxofre, mas só faça isso com conhecimento ou orientação (temos boletim explicando isso).
     
  6. Busque diferenciar o manejo alimentar de animais de alta condição corporal dos demais. Estas possuem uma reserva de gordura que pode e deve ser sacrificada agora.
     
  7. Vacas multíparas sempre sofrerão menos que novilhas e terneiras (bezerras). Havendo que escolher quem desfavorecer, esta é a regra.
     
  8. Se a situação vier a se agravar, considere a secagem precoce de vacas em final de lactação ou de muito baixa produção.
     
  9. Lembre-se que silagem de milho grão inteiro é concentrado, não volumoso. Trate-a como "ração". O ruminante precisa de fibra. Cuidado para que a falta de volumoso não resulte numa proporção muito alta de concentrado, que além do custo, tem a limitação fisiológica (qualquer concentrado acima de 50% da MS ingerida suscita muito cuidado).
     
  10. Lembre-se de pensar numa irrigação no próximo ciclo de alta dos preços do leite, nem que seja para uma pequena área. Nestes momentos vale ouro.
     

Figura 1

Temperaturas abaixo da média

Como agravante, está previsto que tenhamos temperaturas abaixo da média até dezembro. Então, além da falta de água, o cenário estará desafiador para implantação do milho e dos pastos anuais de verão. O ideal seria atrasar os dois, mas com falta de pasto no inverno isso será um desafio redobrado.

No mais, só nos resta a todos torcer para que o cenário acima não se confirme.
 

Observação: O presente alerta foi elaborado em 9/08/2021, mas com base nas informações disponíveis até a presente data, o mesmo permanece válido. 

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Material escrito por:

Wagner Beskow

Wagner Beskow

TRANSPONDO Pesquisa Treinamento e Consultoria Agropecuária Ltda: Leite, pastagens, manejo do pastoreio, rentabilidade, custos, gestão, cadeia do leite, indústria, mercado. palestras, consultoria, cursos e treinamentos.

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SHEILA MARA TORRES DE ANDRADE
SHEILA MARA TORRES DE ANDRADE

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/08/2021

Eu gostaria de ter ajuda sobre como poderia produzir minha própria ração em em propriedade pequena? Onde posso encontrar essas informações?
E-mail sheilamara37@gmail.com
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