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Compost Barn é mais sustentável?

POR HAYLA FERNANDES

VACA FELIZ

EM 19/01/2021

4 MIN DE LEITURA

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Quando se fala de conforto pensamos sempre em mais leite, longevidade, maior consumo e saúde, certo? Mas existe um lado que poucas pessoas pensam é que se um Compost Barn pode diminuir o impacto ambiental da atividade leiteira e não estou dizendo isso por amar o sistema, estou dizendo porque gastei mais de 3 anos estudando apenas isso no mestrado.

Hoje quero mostrar por que o caminho que a pecuária de leite está tomando além de melhorar a vida da vaca e a sua como produtor, pode contribuir e muito com a sustentabilidade.

Primeiro precisamos entender que sustentabilidade não é abraçar a árvore, virar vegano ou virar artista ou não se interessar por nada que seja financeiro, isso é modinha de gente da cidade com a consciência pesada.

O termo sustentabilidade diz respeito a 3 coisas ou 3 pilares: Ambiental (gases de efeito estufa, dejetos, contaminação de solo, uso de etc.), social (pessoas envolvidas, condições de trabalho, renda etc.) e financeiro (o negócio deve ser sustentável financeiramente). Esses 3 andam juntos inevitavelmente pois precisamos do meio ambiente para produzir (terra, água, chuvas, estações), de pessoas para trabalhar (funcionários, sociedade consumidora) e do financeiro pois é o que sustenta o negócio a longo prazo. Alinhados? Ótimo!

Como o Compost Barn entra nisso? Precisamos pensar em alguns pontos: 

  • Uso de terra: Diminuímos a ocupação (porque a área de pastejo diminui) e liberamos para uso pela agricultura. Isso é importante pois a pressão por ocupação de terra é grande não só pela questão agrária, mas pelo preço da terra propriamente dita. Você me pergunta se a produção a pasto não pode ser sustentável, claro que sim, mas este é um ponto positivo do confinamento.

  • Diminuição de uso de adubo químico: O composto produzido é um adubo orgânico riquíssimo do ponto de vista químico e biológico. Quanto mais o tempo passa mais ele se enriquece e ao invés de exigir um tratamento de dejetos enorme, diminui o impacto e o risco que a produção de esterco pode trazer às propriedades transformando dejeto em adubo orgânico. Viu? Esse é um argumento forte, porque até o mais natureba vai ter que concordar que um adubo orgânico numa horta vai muito bem. Mais um ponto para nós!

  • Emissão de gases de efeito estufa: Primeiramente o leite não é um grande vilão na produção de gases de efeito estufa (cerca de 2.7% da produção mundial segundo Gerber et al. 2011), mas já que somos pressionados e nos exigem respostas, daremos excelentes respostas! O processo de compostagem diminui significativamente a liberação de gases das fazes, transformando em gases mais limpos que o metano. 

    Além disso há um efeito importantíssimo de diluição na emissão de gases por litro de leite quando a média de produção aumenta. Esse é o principal ponto, ao meu ver, pela pressão que o mercado nos faz todos os dias sobre o que estamos fazendo para diminuir o impacto ambiental da pecuária. Acredito que o leite, mais do que qualquer setor pode bater no peito e dizer: Evoluímos!

Gráfico 1 - Relação de produção de leite com emissão de carbono. 


Fonte: Gerber et al, 2011.

Se investirmos em conforto e, lembre-se sempre que conforto não é apenas barracão, mas uma conjunção de itens como alimentação, manejo, etc. aumentamos consideravelmente a média de produção, saúde e longevidade.

Como isso ajuda o meio ambiente? Veja o gráfico acima. Ele mostra que quanto mais leite uma vaca produz menor a emissão de gases por litro de leite. Um bom exemplo disso é a pegada de carbono (sempre nas mídias) que é a soma de todos os gases emitidos, todo combustível e todo recurso de carbono utilizado na produção de um produto. No compost, diminuímos a pegada de carbono do leite.

Continuemos com os pontos importantes 

  • Socialmente: Se melhoramos a condição de trabalho, se podemos remunerar melhor, se treinamos, se empregamos pessoas em negócios saudáveis não estamos contribuindo para a justiça social? Não estamos desenvolvendo pessoas? Isso é algo que nunca mostramos da atividade leiteira, mas qual setor consegue empregar analfabetos por exemplo? A pecuária ainda emprega e consegue dar qualidade de vida e trabalho para muita gente que na cidade estaria sem emprego.

    Além disso, quantas fazendas dão casa, possibilidade ter seu pomar, ter seus animais na fazenda. Não estamos melhor que uma boa parcela de empresas urbanas que apenas os coloca numa linha de produção e nada mais? Socialmente também evoluímos grandemente, infelizmente ainda há muitos produtores com a mentalidade de exploração de mão de obra (como em todos os setores), mas é crescente e significativa a busca por melhorar o engajamento, diminuir rotatividade e acidentes. Num compost, essa é uma grande oportunidade também, não apenas no compost, mas uma fazenda mais enxuta em extensão, que entrega vacas mais limpas na ordenha com certeza dá mais condição de trabalho aos funcionários.

  • Financeiro: Obviamente se a produtividade aumenta dentro de um projeto bem dimensionado, ou seja que tem o número certo de animais, consegue produzir comida, consegue otimizar as áreas e consegue evoluir em saúde, longevidade e diminuição de descarte tenho certeza absoluta que o financeiro da fazenda vai ser impactado positivamente, ou pelo menos estará mais protegido dos altos e baixos do mercado. Que faz parte do jogo.

Amigos, tenhamos argumentos reais para usar. Leve isso claro na sua mente e com seu time de trabalho na fazenda. Imprima esse artigo, discuta com sua família (especialmente se você tem filhos ou netos adolescentes) e nas reuniões com sua equipe. Mostre que além de conforto, nutrição, reprodução e tantas outras preocupações somos sustentáveis ou estamos caminhando para isso

Não adianta brigar com a turma urbana que está abraçando árvore. Tenhamos conhecimento e calma para conversar com fatos e façamos nossa parte todos os dias.

Espero ter contribuído com pequenas luzes para que você busque informações mais a fundo.

Comente aqui se faz sentido. Repasse aos amigos!

Forte abraço! 

HAYLA FERNANDES

Descrição: Médica veterinária pela UFG, mestre em sustentabilidade e pecuária e consultora técnica. Proprietária do perfil @vaca_feliz_oficial no Instagram. Contato: (62) 99949-5588.

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PEDRO LUIZ NUNES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/03/2021

Bom dia.
Hayla, você conhece algum trabalho que mostre o momento de estabilização do composto, em termos de fertilidade( N P K)?
Fiz uma análise bromatológica comparando cama de 6 e 12 meses, que mostrou grande semelhança.
Como produzo minha própria maravalha, estando os custos dos fertilizantes químicos nas alturas, e sendo inequívocas as vantagens dos biofertilizantes, talvez as trocas da cama possam ser mais frequentes.
Gostaria de sua opinião.
JORGE UBIRAJARA BOECHAT

BOM JESUS DO ITABAPOANA - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/02/2021

Assunto importantíssimo Hayla, temos que implementar o campo da produção leiteira, nesse sentido, e criarmos condições principalmente para pequenos produtores se adequarem ao sistema produtivo sustentável.
Att
Jorge Ubirajara
IF Fluminense
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/01/2021

Excelente artigo. Exatamente o que estamos vivenciando com o nosso Compost Barn de 80 vacas.
Destaco a evolução profissional dos funcionários, a liberação de áreas para a mata Atlântica ( o resto de milho da silagem atrai animais antes desaparecidos) e a melhoria da água dos córregos.
Um presente dos céus para uma vida de dedicação!!!!
AMAURY MACHADO

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 21/01/2021

Artigo muito bem posicionado em aspectos da materialidade da convivência animal. A integração do bípede com o quadrúpede. Essa relação envolve muito dos sentimentos humanos de abraçar. Vaca abraçada retribui com leite. A tecnologia expande a qualidade dessa relação leiteira. Trabalho com ambientação de grandes áreas e tenho abraçado algumas vaquinhas felizes. Desculpem-me esse tom brincalhão, livre de avacalhação, mas produtividade se alcança com com a abrangência e intensidade da participação nos projetos.
DANIEL DALGALLO

PORTO UNIÃO - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/01/2021

bom dia
Sobre a diminuição do uso da terra é discutível. As vacas fechadas se alimentam do quê? Lógico que de alimentos produzidos, processados e armazenados vindo de áreas de terra. Assim, seria o mesmo que dizer que minha taxa de lotação é de 10 vacas/ha, mas a metade dos alimentos importo. Existem estudos mostrando que o confinamento, bem feito, produz menos por área do que sistemas pastoris bem conduzidos. Quanto a barro, trabalho com pecuária de leite numa das regiões mais chuvosas do Sul e as propriedades planejadas e com implantação adequada não sofrem com este problema.
IGOR TOSTES DE ASSIS MENEZES

PERDÕES - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 08/02/2021

Acho que a autora quis dizer, é que no sistema de confinamento, 1 ha destinado a milho silagem ( por exemplo) tem potencial de produção de Litros de Leite/ha, muito maior do que 1 ha de pastagem. Logo, diminuindo a necessidade de área/terra para produção de leite. Tem um indicador de eficiência que resume bem isto, que é o Litros/Hectare/Ano.
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/01/2021

Excelente,como sempre....
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/01/2021

Parabéns Hayla. Em bom português para não restar dúvidas. Tmj
MARLUCIO PIRES

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/01/2021

Boa tarde Hayla. Sofro muito com estresse térmico na seca e com barro nas águas. Sonho com um compost barn, mas vale a pena o investimento?
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/01/2021

Se puderes não pense 2x
EM RESPOSTA A LUIS EINAR SUÑE DA SILVA
MARLUCIO PIRES

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/01/2021

Mesmo com os grão neste estado de loucura, sem limites pra altas, me parece que leite a pasto está cada vez mais interessante.
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