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Este ano será tão desafiador para o setor lácteo quanto foi 2015? Confira relatos de especialistas

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

EM 25/01/2016

4 MIN DE LEITURA

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Entre altos e baixos, 2015 foi um ano desafiador para o mercado lácteo e, para conhecer quais são as expectativas para este ano, o MilkPoint convidou algumas lideranças e empresários para traçar um panorama sobre o que se espera para 2016. Confira abaixo alguns relatos:

Na visão de Fábio Scarcelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), o mercado lácteo em geral está sujeito por si só a inúmeras variáveis e é realmente desafiador. “No cenário externo há vários fatores relevantes: embargo à Rússia, produção europeia crescendo com a suspensão das cotas, o mercado chinês continua sendo uma incógnita, os preços estão em queda na Oceania e, nos Estados Unidos, a produção continua aumentando. Olhando para a nossa vizinha Argentina, vemos a produção ser incentivada novamente e, a Venezuela, um dos destinos das exportações brasileiras de lácteos, continua sendo um mercado de risco”, comentou Scarcelli. De acordo com ele, as variáveis que preocupam a produção no Brasil este ano são o clima descompensado, o desânimo do produtor de leite, custos crescentes na indústria e queda na demanda devido à desorganização política/econômica dos últimos treze anos.

“Nesse ano de 2016 cremos que a administração das empresas de lácteos terá que ser mais atenta e ágil na tomada de decisões do dia a dia, pois com o aumento do número de variáveis, quaisquer previsões de médio e longo prazo podem estar em desacordo com a dinâmica do cenário. Felizmente, os produtos do nosso setor são sem dúvida indispensáveis à alimentação humana e o consumidor terá um maior cuidado com eles nos cortes do orçamento doméstico, porém, estamos aguardando uma movimentação na troca entre marcas”.

Falando mais especificamente sobre queijos, Fábio destacou que o setor sempre conviveu com adversidades e mudanças repentinas de planos. “Em 2016, teremos que enfrentar os desafios como sempre fizemos em anos difíceis: com muito trabalho, administrando essa enorme quantidade de variáveis e superando os percalços com qualidade, inovação, boa distribuição e boa prestação de serviços aos clientes e consumidores”.

Roberto Denuzzo, da RDC Consultoria, opinou sobre as expectativas e tendências dos food services este ano no Brasil. “As Olimpíadas que ocorrerão esse ano no Rio de Janeiro trarão oportunidades para vários setores brasileiros, inclusive para o food service. O evento é global e tem demanda garantida. Não será apenas o Rio de Janeiro que verá a economia movimentada com o turismo, pois as delegações também ficarão em outras cidades, como a equipe chinesa, que possui cerca de 250 pessoas e que se instalará no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo”.

Roberto pontuou que alguns produtos lácteos típicos brasileiros, como, por exemplo, o queijo coalho, tendem a ficar em evidência, além dos produtos que se encaixam no hábito gourmet, como glúten free, lactose free, vegan e natural. “O evento vai trazer para o Brasil turismo como um todo e, além disso, e por questões cambiais, está muito favorável a vinda para o país. Toda a cadeia que estiver relacionada ao turismo e souber se aproveitar disso, terá ganhos. O food service ainda vai gerar muitas oportunidades e precisa estar por dentro das tendências de mercado”, finalizou.

Para Cesar Helou, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV), este ano o setor de lácteos no Brasil sofrerá novamente uma queda. “Recentemente fizemos uma reunião com a diretoria da ABLV para discutir o setor lácteo dentro da conjuntura do país e o momento que estamos vivenciando. Acreditamos tanto na queda da produção de leite como na queda do consumo, na mesma proporção, o que gera um frágil equilíbrio, pois balanceia a oferta e a demanda. Porém, essa situação nos deixa preocupados”.

Helou frisou que o ano será de muitas tensões e afirmou que as influências políticas vão interferir no consumo. “Os preços dos produtos vão estar mais vulneráveis comparado ao ano passado. Se na televisão for transmitida uma notícia ruim, os consumidores vão segurar a compra, e o inverso também é verdadeiro. Estaremos dependendo do humor do mercado”, disse.

Na visão de Marcelo Martins, diretor executivo da Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos), conquistar o mercado chinês e dobrar o embarque de produtos lácteos para a Rússia estão na meta para 2016. “O setor lácteo brasileiro aposta na abertura do mercado externo para recuperar o déficit da balança comercial registrado em 2015. Acreditamos que, em um horizonte de quatro anos, o Brasil passe a exportar o equivalente a 1 bilhão de litros de leite”, destacou Martins.

Para ele, o ano passado foi marcado pela abertura do mercado externo e esta será a tendência para 2016, conquistando novos mercados por meio do fortalecimento da cadeia produtiva e melhoria da competitividade. “Em 2015 vimos um cenário internacional com queda de preços e esta tendência de maior oferta que demanda deve perdurar neste primeiro semestre de 2016”, avalia. Em contrapartida, o câmbio ficou mais favorável para as exportações, o que permitiu o superávit da balança comercial nos meses de julho, agosto, setembro e novembro.

Martins ainda citou que a Viva Lácteos fortalecerá o trabalho para a promoção comercial com foco no mercado externo e que alguns resultados já foram observados em 2015. “O mercado russo está se consolidando, e, já neste primeiro ano, o setor exportou 182 toneladas de manteiga e 248 de queijo. Para 2016, temos espaço para pelo menos dobrar essa quantidade”, destaca. Ainda foi apontado por ele a expectativa de iniciar os embarques para a China em 2016. “Este é o novo desafio do setor e o MAPA já avançou nas negociações, conseguindo a atualização do certificado sanitário internacional para aquele País”, finalizou.

E para você? Quais são as expectativas para o setor lácteo em 2016? Participe enviando a sua opinião no box abaixo.

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

Zootecnista pela FMVZ/UNESP de Botucatu e Coordenadora de Conteúdo do MilkPoint.

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FERNANDO FERREIRA PINHEIRO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 25/01/2016

O cenário que está se desenvolvendo realmente não é o mais satisfatório. Internamente o Brasil sofre com uma crise econômica que está afetando o poder de compra do consumidor, o que interfere negativamente no consumo de produtos lácteos. O consumidor tentará manter os hábitos consumos conquistados nos tempos de economia aquecida, mas a longo prazo a tendência é de redução principalmente em produtos de maior valor agregado. Na produção há uma aumento do custo de insumos e a seca dos últimos dois anos poderá afetar a produção de grãos e forragens. O custo Brasil para captação e industrialização de leite vem aumentando (mesmo com a queda do petróleo) devido a aumento nos custos de combustíveis, energia elétrica e insumos importados. O mercado externo não demonstra sinais de evolução em termos de preço, pois mesmo com os preços em queda EUA e UE estão aumentado produção e gerando estoques, enquanto isso Rússia e China desaceleraram suas compras e assim esfriaram a demanda.



Não acredito que as Olimpíadas estimularam o consumo interno de forma a sanar a queda de consumo no mercado interno. Pode haver aumento de demanda com o turismo sim, mas isso durará pouco. Além disso, os cenários mais otimistas de recuperação da economia interna estão prevendo a mesma para 2017 e alguns para 2018. Ou seja, em agosto de 2016 o Brasil ainda estará em recessão. Então as Olimpíadas não vão salvar nada.



O momento agora para o setor é de calma e análise estratégica do atual cenário e dos possíveis cenários que poderão se desenvolver e, infelizmente não podemos trabalhar somente com cenários otimistas, precisamos considerar todas as possibilidades. Somente dessa forma, o setor poderá traçar ações estratégicas para cada cenário e no momento correto, adotar a estratégia com melhor alinhamento para o que acontecer.
HERNAN CAMPERO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/01/2016

O dólar deve continuar subindo e com ele os insumos como adubos, peças para a ordenha, etc.



Inflação deve ser alta e portanto os salários dos funcionários devem ter um maior impacto nos custos do leite.



O mercado de terras está praticamente parado e os preços das terras vão cair, gerando boas possibilidades de expansão para quem tem capital.



Mais uma vez, que tem produção a pasto intensificada vai se dar melhor por causa dos baixos custos.
MilkPoint AgriPoint