“Em 2017 acredito que tenhamos um pequeno crescimento do PIB, na casa de 1%, o que pode contribuir para o consumo crescer um pouco. Com a valorização do leite no mercado internacional as importações devem reduzir e, com a queda nos preços do milho e consequente diminuição dos custos, podem melhorar as perspectivas do produtor”.
Explanando esse cenário, Brandalise espera que os preços do leite ao produtor em 2017, na média, sejam mais altos que 2016. “Por outro lado, os preços dos produtos no mercado podem não acompanhar esta tendência pelo cenário de consumo em baixa e desemprego em alta, fazendo com que as margens em 2017 para a indústria sofram um achatamento ainda maior. Façam suas apostas, se é que isso é possível em um mercado volátil por natureza e com tantos fatores internos e externos”.
Na mesma linha, para Cesar Helou, Diretor de Relações Institucionais do
Helou pontuou que já estamos começando o ano com um preço muito alto em relação há um ano. “Em 2016, o leite custou para a indústria algo em torno de 20% a mais do que 2015. Esse ano, começamos já com um preço alto – o que é preocupante. Na minha opinião, o produtor vai ganhar mais dinheiro em um curto período de tempo devido a ração mais barata, chuvas regulares, entre outros fatores, provocando uma maior produção do que a capacidade de consumo. As empresas que estão capitalizadas estão animadas, mas as que não estão diminuirão o seu processamento – a consolidação no Brasil vai continuar”. Para ele, muitos viveram um ‘conto de fadas’ durante um período em 2016. “Houve uma especulação muito grande e foi dado um sinal para o produtor de leite que ele poderia vender o produto pelo dobro do preço do produtor europeu. Com isso, houve um desgaste muito grande, pois, o produtor acreditou nisso, estava errado e depois o mercado despencou e o consumidor parou de comprar”.
Ele fez um alerta para que os produtores não esperem que o ano de 2017 renda preços mais altos ao longo de todo o ano. “A indústria descapitalizada e que precisar de banco, está fora do jogo, pois está numa situação menos confortável. O consumidor não está comprando produtos lácteos básicos, imagine os de valor agregado. Eles reduziram muito as compras”.
Na visão da Verde Campo, os agentes de mercado tendem a ser um pouco mais conservadores na administração das tabelas de preços no âmbito do atacado em relação ao ano passado. Sávio também supõe que a balança comercial deve ter um movimento menos deficitário em 2017 em função do comportamento do dólar e do aumento de preços dos lácteos no mercado internacional. “Acredito que a nível de campo, o leite deve ter um comportamento de valorização menos agressivo e também deve ser mais conservador no momento da queda, uma vez que não teremos grande oferta do mercado externo e também menos intensidade no estímulo de produção”.
“O ano passado foi instável – com alguns meses muito bons tanto para a indústria como para o produtor. A queda na oferta de leite em 2016 foi um fator importante que estimulou as importações. Para 2017 acreditamos que não teremos uma diferença significativa entre mercado interno e mercado internacional. Em abril de 2016, por exemplo, tivemos uma diferença de aproximadamente 87% entre o preço praticado no mercado interno e o preço praticado no mercado internacional. A medida que nós temos um aumento da oferta de leite no mercado interno, uma reação dos preços do mercado internacional e uma menor variação entre os mercados, nós passamos a ter uma condição mais favorável às exportações ou, uma redução no déficit da balança comercial que tivemos esse ano”.
Ele acrescentou que algumas empresas associadas à Viva Lácteos – que trabalham com o mercado internacional – estão se posicionando para as exportações de lácteos e que por meio do preço praticado, começam a vislumbrar uma maior competitividade no mercado internacional do leite em pó, principalmente devido à abertura do mercado da Rússia para as empresas brasileiras de lácteos.
“Com relação ao consumo interno, as melhorias são dependentes da estabilidade econômica do país – o que também é preponderante para a manutenção e abertura de novos investimentos, gerando empregos e melhorando a renda, o que está intimamente relacionado com o consumo de lácteos. Pressuponho que este ano veremos uma menor volatilidade dos preços, maior oferta de produção e redução das importações”.
Craig Bell, Diretor da Leitíssimo (Fazenda Leite Verde localizada no Estado da
“Há um ano, o preço do leite em pó integral no leilão GDT foi de USD2.300/tonelada e hoje temos um preço próximo de USD3.500/tonelada. O Brasil também passou a importar mais comparado ao ano passado. Entrando em 2017 temos uma situação de grande déficit de produção local e ao mesmo tempo, preços internacionais aumentando rapidamente.
Com o leite em pó integral ao preço citado, o preço do leite cru equivalente para um importador seria R$ 1,80-1,90/litro. Assim, creio que os preços locais vão aumentar nesse nível durante o primeiro trimestre do ano e possivelmente serão maiores no segundo trimestre – também impulsionados pelo GDT”.
“Diretamente ligado à indústria láctea, o setor investe constantemente em ações para o aperfeiçoamento contínuo em termos de qualidade, variedade e inovação, visando se manter ainda mais ativo e atrativo no mercado. A ABIS está concluindo o levantamento sobre os dados referentes a 2016, um período em que o setor buscou equilibrar os efeitos da crise econômica brasileira e foi marcado por grande aprendizado e estruturação para que possamos começar bem o ano. Em 2017, estou certo de que estaremos muito mais preparados para logo avançar rumo à retomada do crescimento que já conhecemos”.
Acari Menestrina, da Gran Mestri, aposta em um crescimento de 40% na empresa
Acari comentou que deve priorizar pelas pessoas certas no lugar certo, produzir produtos diferenciados com valor agregado e gerar experimentação - pois o paladar é irreversível. “No mercado de queijos temos muito ainda para fazer. Comparado com Itália e França, onde o consumo é de 25 kg per capita, o nosso é de 5 kg. Sem dúvida do limão temos que fazer a limonada”.
