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Reduzindo o teor de proteína bruta em dietas para vacas leiteiras

O balanceamento de proteína em dietas de vacas leiteiras não é um tema novo por aqui. Outros colegas já discutiram o assunto inclusive nesta mesma seção algumas vezes. Sabe-se que a proteína é um nutriente essencial para a produção de leite e que influencia o consumo de alimento do animal. Por outro lado, conhecemos também as vantagens em se reduzir o teor de proteína bruta (PB) da dieta, já que é o nutriente que mais impacta o custo da alimentação e seu excesso está relacionado com excreção de nitrogênio ao ambiente. No entanto, quanto mais se discute, mais perguntas aparecem. Até onde podemos chegar com a redução na PB da dieta? O que as pesquisas mais recentes têm mostrado? O que algumas fazendas têm conseguido? Quais ajustes de manejo precisam ser tomados para garantir que impactos negativos não ocorram? Por fim, como detectar se a minha propriedade está desperdiçando proteína na dieta? O objetivo deste artigo é trazer algumas respostas mas também levantar novas perguntas que podem gerar discussões interessantes e quem sabe até temas para próximos artigos.

O potencial de redução da PB dietética fica evidente quando analisamos valores de eficiência de uso do nitrogênio dietético (EUN). Em média, apenas 25% do nitrogênio ingerido pela vaca vira proteína no leite, sendo o restante praticamente todo excretado no ambiente. Mas o mais interessante desse número é sua variação, de 15 a 35%. De modo geral, a EUN é maior quanto menor for o teor de PB da dieta, mas existe também grande variação em EUN dentro de mesmos níveis de PB, o que indica que é possível melhorar essa eficiência e assim reduzir a necessidade de inclusão de proteína na dieta.

A figura abaixo ilustra como a relação entre produção de leite e teor de PB na dieta é variável, o que indica que PB por si só não é um bom indicador para ser utilizado na formulação da dieta. Fatores que influenciam essa relação envolvem principalmente a disponibilidade de energia para utilização da proteína degradada no rúmen para síntese de proteína metabolizável e o perfil de aminoácidos da proteína não degradável no rúmen. Entretanto, as respostas também dependem do estágio de lactação e do nível de produção das vacas.


Figura 1. Relação entre produção de leite e PB da dieta com dados de 112 experimentos com consumo de matéria seca variando de 10 a 30 kg/dia. Adaptado de Ipharraguerre e Clark, 2005.

Muitas pesquisas vêm avaliando a redução de PB da dieta e seu impacto na produção de leite e de proteína do leite. Os resultados têm sido consistentes em mostrar que para vacas confinadas produzindo entre 35 e 45 kg/dia em meio da lactação, PB entre 16 e 16,5% é suficiente para maximizar produção de leite e proteína do leite. Alguns estudos mostram inclusive redução na produção de leite com níveis mais elevados de PB, uma vez que a excreção do excesso de nitrogênio do organismo do animal tem um custo energético que poderia ser destinado à produção de leite. Dados científicos para vacas em pastagens tropicais são mais escassos e devem ser analisados com mais atenção devido à maior variação no valor nutritivo e no consumo do pasto, de acordo o manejo do pastejo. Meu experimento de mestrado avaliou 3 teores de proteína bruta (8,7; 13,4 e 18,1%) no concentrado de vacas em pastejo de capim elefante com 18,5% PB. As vacas produziram em média 19 kg/dia e 625 g/dia de proteína bruta no leite e não houve diferença entre os tratamentos. Utilizando dados de consumo de pasto obtidos com marcador óxido de cromo, nós pudemos estimar que a dieta com teor de PB entre 15,3 e 15,7% PB foi suficiente para atender o requerimento dessas vacas. O concentrado dessa dieta continha apenas milho moído e minerais.

Além das pesquisas, fazendas comerciais têm obtido sucesso na redução de PB na dieta. A tabela abaixo foi apresentada em uma conferência em Iowa, EUA, no ano passado, e traz os dados de 14 fazendas dos estados de Wisconsin, Michigan, Pensilvânia e Nova York que estão utilizando dietas com teores de PB menores de 16%. A produção de leite da tabela está em libras (lbs), como é normalmente medida nos EUA. Para transformar para kilos, basta dividir o valor por 2,2. Por exemplo, 80 lbs = 36 kg, 90 lbs = 41 kg, 100 lbs = 45 kg, etc.

Tabela 1. Fazendas comerciais nos EUA utilizando baixo teor de PB na dieta para vacas leiteiras
Clique na imagem para ampliá-la.
Fonte: Chase, 2011

Duas informações chamam atenção nessa tabela. A primeira é que 13 das 14 fazendas apresentam EUN maior do que 30%, mostrando que é possível reduzir o teor de PB da dieta sem perder em produção de leite e de proteína do leite, aumentando assim a EUN. O segundo aspecto que merece ser destacado é o teor de nitrogênio uréico no leite (NUL, em inglês milk urea nitrogen - MUN na tabela), que em 12 das 14 fazendas é igual ou menor que 10 mg/dL. Nitrogênio uréico no leite é um indicador de quanto nitrogênio está sendo excretado na urina, uma vez que existe alta correlação entre esses valores. O intervalo de NUL tradicionalmente recomendado como ideal é de 10 - 14, entretanto essas recomendações são baseadas em trabalhos realizados quando ainda não havia o refinamento para balanceamento protéico que se tem hoje, para o qual além de proteína bruta, utiliza-se proteína degradável no rúmen, proteína não degradável no rúmen, proteína metabolizável, metionina e lisina. Os trabalhos atuais e a própria tabela com dados das fazendas indicam que maior EUN pode ser atingida com valores de NUL entre 8 e 10 mg/dL. Como referência, vacas ingerindo a dieta com menor teor de PB (15,5%) no meu experimento de mestrado apresentaram NUL de 8 mg/dL. Quando proteína foi adicionada em dois níveis no concentrado, produção de leite e proteína do leite não aumentaram e NUL subiu para 10 e 13 mg/dL.

Apesar de resultados promissores, a redução de proteína bruta aos níveis até então considerados limites para maximizar eficiência sem perder em produção exige certo refinamento no manejo alimentar da propriedade. Com isso surgem desafios que nem sempre são fáceis de serem superados e resultam no famoso "fator de segurança", que faz com que, de modo geral, dietas sejam formuladas com teores de PB maiores do que o necessário, de forma a garantir o suficiente, levando em conta margens de erro em diversas etapas do processo. Esse refinamento do manejo alimentar diz respeito, entre outras coisas, à consistência na composição dos ingredientes, principalmente das forragens; à consistência nos processos de mistura e distribuição dos alimentos (sejam eles ração total ou concentrados); análises mais frequente dos alimentos e monitoramento mais frequente das respostas em composição do leite, principalmente teor de proteína do leite e NUL. Entretanto, muitas dessas medidas enfrentam limitações práticas como variações intrínsecas da coleta e análise de alimentos (que decorrem de diversos fatores) ou falta de padronização na mistura e distribuição dos alimentos, que depende de qualidade de mão de obra. A análise de NUL, que poderia ser utilizada como uma excelente ferramenta de monitoramento da nutrição protéica de um rebanho, ainda não é amplamente difundida e adotada com essa finalidade.

Outra questão para ser pensada é que se o conceito de nutrição de precisão continuar se desenvolvendo, isto é, se tentarmos buscar combinar da forma mais perfeita possível requerimento animal e suprimento dietético visando maximizar eficiência, será que as ferramentas atuais de formulação de dietas serão suficientes para tornar isso possível? Isto é, se chegarmos ao nível de refinamento de balancear aminoácidos na proteína metabolizável, será que os programas de formulação de ração atualmente disponíveis são capazes de predizer requerimentos e suprimentos de forma precisa? Caso isso seja possível, o quão representativos e precisos são os dados de composição de aminoácidos dos ingredientes, com que frequências são realizadas análises, quantas amostras geraram o banco de dados que estamos utilizando? Acho que vale a pena pensar um pouco nesses aspectos.

De qualquer forma, antes de chegarmos nesse nível de precisão, com certeza muita coisa pode ser feita com as ferramentas que temos hoje. Pesquisas e rebanhos comerciais têm mostrado o potencial de se reduzir o teor de PB na dieta e melhorar a EUN, reduzindo assim custo da alimentação e excreção de nitrogênio para o ambiente. Alguns valores podem ser utilizados como referência para avaliar se sua propriedade é uma boa candidata para redução de PB na dieta. Teor de PB maior que 16,5% e NUL maior que 12 mg/dL indicam boa oportunidade de redução da PB com potencial benefício para a produtividade do sistema. Entretanto, para esse ajuste fino na dieta, é essencial que haja um nutricionista acompanhando o rebanho, bem como é preciso manter em mente os ajustes de manejo alimentar necessários para garantir o sucesso dessa estratégia.

Referências
- Ipharaguerre e Clark, 2005. Journal of Dairy Science, volume 88:E22-E37.
- Danes, M.A.C. 2010. Teor de proteína no concentrado de vacas em lactação mantidas em pastagens de capim elefante. Dissertação de mestrado. Esalq/USP. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11139/tde-21102010-155355/pt-br.php
- Chase, L. Feeding low crude protein rations to dairy cows - opportunities and challenges. Disponível em: http://www.uwex.edu/ces/dairynutrition/documents/2011proceedings.pdf, p 42-45.

Clique aqui para conhecer mais sobre a Marina.

MARINA A. CAMARGO DANÉS

Professora do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras. Engenheira Agrônoma e mestre pela ESALQ/USP. PhD em Dairy Science pela Universidade de Wisconsin-Madison, WI, EUA. www.marinadanes.com

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EDMILSON TADEU CAMPOS DE PAULA

EM 05/04/2018

Olá Marina
você pode me ajudar com esta duvida um produtor esta com problemas de casco nas vacas dele e me pediu ajuda eu desconfio que seja nutricional.
ele faz a seguinte dieta: as vacas são holandesas com media de peso corporal de 600 kg. Media geral de produção 18 kg algumas chegando ate 27 kg dia elas estão comendo por dia em torno de 30 kg de silagem de milho,7 kg de uma ração com 26% PB e 78% NDT, 1 kg de fuba por cabeça ,1,2 de popa cítrica e 150 gramas de mineral com 90% de fosforo por cabeça. elas ainda vão para o pasto ,estão com 2 ordenhas diárias. Estes problemas de casco podem ter ligação com este tratamento?
VANESSA VS VINICIUS GOZUEN

EM 01/10/2018

Olá Sr Edmilson
Meu nome é Vinicius Freitas Gozuen sou médico veterinário e já solucionei um caso semelhante ao seu, o que aconteceu foi o seguinte a silagem de milho não é homogênea ela varia entre começo, meio e final de colheita isso faz com que as porcentagens de matéria seca, fibra efetiva e proteínas da silagem varie em cada retirada a cada 2 dias. Sendo assim fizemos análise bromatologica da silagem com amostras de variados pontos da silagem estocada e fechamos os orifícios Onde o amostrados perfurou a lona. Assim fizemos uma média das condições da silagem e adequação da dieta perante essa média geral. Reduzimos a proteína bruta da ração de 26% para 24%e retiramos a polpa cítrica da dieta devido ela interferir no pH e na motilidade ruminal e assim o problema se resolveu. Eu compartilhei essa experiência um pouco atrasado devido gostar do assunto em questão cretamente o seu problema já foi a tempo resolvido espero um posicionamento aberto ao aprendizado e discussões. Obrigado
EDER GHEDINI

TAPEJARA - RIO GRANDE DO SUL

EM 26/02/2018

Olá Marina!
Em suas colocações observei que em seu trabalho de mestrado houve uma produção de leite dia baixa. A redução da proteína bruta da dieta implicou neste baixa produção diária? Não citastes a genética ou padrão racial porem considero baixa a produção diária. Obrigado.
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2018

Olá Eder,
Os animais do meu experimento de mestrado eram mestiças de holandês com jersey, todas frutos de IA com touros melhoradores de ambas as raças. Considerando o sistema de alimentação (pasto mais 6,5 kg de concentrado), vacas em meio de lactação, durante o verão, não considero a produção de 20 L/d baixa. O concentrado controle era apenas milho moído e minerais e conforme eu aumentei a proteína desse concentrado incluindo farelo de soja, as vacas não produziram mais, apenas aumentaram NUL. Dessa forma, posso te dizer com segurança que a produção não estava limitada pela proteína da dieta.
Um abraço,
Marina
LEONARDO NEVES

BELÉM - PARÁ - ESTUDANTE

EM 15/05/2017

Bom Dia Marina!

Eu tenho uma pequena dúvida em relacao ao manejo de vacas girolando e ficaria muito agradecido se vc me ajudar.

Um produtor está gastando muito em ração para suas vacas leiteiras. Porém, a produção de leite está aquém do esperado, no entanto os teores de energia e PB atendem a demanda para a produção de leite desejada. vc poderiam me ajudar apontado as possíveis causas do problema e as possíveis soluções?

está fornecendo 8 kg de ração para as suas vacas girolando de 400kg, sendo a quantidade fornecida totalmente após a ordenha da manha. A composição bromatológica de dieta é a seguinte: PB= 16%, PDR= 15%, PNDR= 1%, EE= 8%, FDN= 18%, FDN fisicamente efetivo= 14%, CNE= 54%, MM= 5% e NDT= 78%.



Cordialmente

Leonardo Neves
JOSÉ ROBERTO DA ROCHA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 09/09/2015

Boa noite Marina , parabéns pelo trabalho, até que enfim um profissional, com gabarito e coragem de abordar questões tão importantes.



Parabéns Att: Zé Roberto
HAROLDO

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 13/11/2013

Tenho resíduo lácteo (sobras de iogurte de linha de produção)e queira saber qual a proporção de devo colocar de cevada a cada litro de resíduo lácteo por vaca de leite para ter uma boa nutrição por animal.
VANDER TONETTO

IBAITI - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/11/2012

Parabéns Marina  muito bom seu artigo, e as discussões geradas por ele,   ficamos no aguardo de mais.

Sucesso
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/10/2012

Rodrigo,



A proteína da dieta afeta diretamente fermentação ruminal e desempenho animal. É um nutriente essencial tanto para os microorganismos do rumen quanto para o ruminante. Se a proteína dietética é limitante, os microorganismos não se multiplicam e isso prejudica a degradação de outros nutrientes, como fibra, o que aumenta o efeito de enchimento ruminal e diminui o consumo. Dessa forma, a falta de proteína vai afetar o animal tanto diretamente (deficiencia de um nutriente essencial) quanto indiretamente, por causa da redução de fermentação no rumen e consumo de alimento.



Por outro lado, excesso de proteína na dieta provoca disperdício de nitrogênio no rúmen, que é absorvido como amônia e excretado principalmente na urina (com potencial poluente elevado). Além disso, o animal gasta energia para excretar esse excesso de N, que poderia ser utilizada para produção de leite.



Um abraço,



Marina
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/10/2012

Gustavo,



Ao meu ver, deveríamos utilizar suplementação com aminoácido como ferramenta para abaixarmos o teor de PB da dieta sem perdermos em produção (ao contrário da linha de pensamento que acrescenta AA além do alto nível de proteína para aumentar ainda mais a produção - mas perde em eficiência). Dessa forma, menor PB na dieta resulta em menor NUL e maior EUN e a produção de leite não é comprometida por estarmos suplementando os AA limitantes. Parece perfeito na teoria, mas na prática as pesquisas ainda mostram dados muito divergentes. De modo geral, metionina protegida funciona em 1/3 dos experimentos, e isso é por causa das diferenças em protocolos experimentais (na minha opinião, principalmente nível de proteína na dieta basal e duração do experimento ou do período).



Se pensarmos na realidade brasileira, ainda temos muito espaço para trabalharmos redução de NUL manipulando suprimento de energia no rúmen para possibilitar maior utilização do N nesse compartimento e maior produção de proteína microbiana. Concordo totalmente com seus comentários sobre processamento de milho e híbridos. Inclusive o próximo artigo dessa seção estamos (eu e o Luiz Ferrareto) escrevendo sobre formas de aumentar a digestibilidade do amido nas dietas.



Caso vc esteja interessado em uma boa revisão sobre metionina protegida, o nutricionista Bob Patton publicou uma metanálise muito boa em 2010 no Journal of Dairy Science, v. 93, p. 2105-2118. O título do artigo é Effect of rumen-protected methionine on feed intake, milk production, true milk protein concentration, and true milk protein yield, and the factors that influence these effects: A meta-analysis.



Um abraço,



Marina
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/10/2012

Prezado Ronaldo,



Peço desculpas a vc tb pela demora, não havia recebido os comentários.



No meu experimento de mestrado, conduzido no Brasil, suplementei as vacas com milho moído fino e obtive valores de NUL de 8, 10 e 13, sem nenhum acréscimo em produção de proteína no leite. O tratamento com 8 recebeu só milho na suplementação e os outros dois níveis crescentes de farelo de soja. O ideal é combinar os dados de NUL com % de proteina no leite, mas acredito que de modo geral é possível sim trabalhar abaixo de 12. Existem poucos trabalhos especificamente avaliando formas de melhor sincronizar (temporalmente falando) a degradabilidade do carboidrato e da proteína no rúmen e os resultados são muito variáveis, pois isso depende de muita coisa (consumo, degradação da proteína, etc). De modo geral, em dietas com 16%PB por exemplo (i.e. a proteína não está limitando), quanto mais fermentável no rúmen for sua fonte de carboidrato, maior será a produção de proteína microbiana. Em relação a aminoácidos protegidos, acho que por enquanto só se justifica em vacas de alta produção em que o balanceamento dos ingredientes da dieta já atingiu nivel máximo de eficiência.

Um abraço,



Marina
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/10/2012

Prezada Kelli,



Peço desculpas pela demora em responder mas eu não estava recebendo emails com as interações geradas nos artigos, então não tinha visto seu comentário.



Infelizmente não conheço o programa que vc mencionou. Se alguém tiver experiência com ele (até mesmo vc, agora que já está usando há algum tempo) puder comentar aqui, eu tb estou interessada.



Um abraço,



Marina
RODRIGO JOSE TOMASI

GAMA - DISTRITO FEDERAL

EM 23/10/2012

Muito bom este artigo...


Gostaria de saber como a % de proteína da dieta afeta a fermentação ruminal e o desempenho do animal ruminante.
RICARDO DE SOUZA MARTINEZ

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL

EM 04/10/2012

Parabéns pelo artigo.
GUSTAVO SALVATI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/10/2012

Marina.



Parabéns pelo artigo. Creio que há um grande oportunidade em abaixar o teor de PB das dietas e aumentar o EUN, mas isso tem que partir do primeiro pressuposto de maximizar a síntese de proteína microbiana. O que no Brasil é um desafio, haja visto, que para maximizarmos isto devemos ter um sincronismo entre degradação de CHOs e disponibilidade de fontes de N (NNP, aminoácidos, peptídeos). E o nosso milho de endosperma vítreo é um entrave, atuar em processamento de grãos torna-se essencial (milho reidratado, floculação, grão úmido, etc) um outro caminho seria as empresas que comercializam sementes atuarem  em seleção e cruzamentos para milhos de endosperma farináceo. Conheço um rebanho que utiliza milho reidratado que está conseguindo NUL de 12 mg/dL. Posteriormente pensarmos em PNDR, sua composição de aminoácidos e na sua digestibilidade. E depois da dieta formulada, avaliá-la num modelo de proteína metabolizável (NRC 2001, AMTS, etc) e fazer os ajustes necessários dos aminoácidos, adicionando aminoácidos protegidos ou precursores de aminoácidos (2-hydroxy-4-methylthio butanoic acid isopropyl ester - HMBi). Hoje no Brasil temos poucos produtos a disposição para serem utilizados.  E gostaria de reforçar a pergunta do Ronaldo, o que você tem observado na literatura recente sobre uso de aminoácidos protegidos ou precursores de aminoácidos (2-hydroxy-4-methylthio butanoic acid isopropyl ester - HMBi) na redução do NUL e consequentemente na melhora do EUN?



Att,

Gustavo Salvati



RONALDO FRANCISCO DE LIMA

PARINTINS - AMAZONAS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/07/2012

Marina,

Parabéns pelo artigo. O tema é muito oportuno em um momento que se fala muito em redução dos níveis de PB da dieta.

Seria possível trabalharmos com um NUL abaixo de 12 em condições brasileiras, uma vez que a digestibilidade de nosso milho (nossa principal fonte de amido) é pior? O que fazer para melhorar o sincronismo de N e carboidrato no rúmen para maximizar a síntese de proteína microbiana? Seria interessante o uso de aminoácidos protegido como na tentativa de reduzir esse NUL ?
KELLI CRISTINA FERREIRA CUNHA

FORMIGA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/06/2012

Parabéns Marina pelo artigo!


Neste últimos dias estamos assistindo os preços da principal fonte de PB - o farelo de soja - subir como um foguete.


Gostaria de aproveitar para perguntar a você e aos Colegas Produtores sobre o uso do programa Supercrac Bovinos Leite. Adquiri este aplicativo recentemente para melhorar a formulação da dieta do meu rebanho, visando o desperdício de PB, pelo mesmo motivo acima. Gostaria de saber da experiência dos que o utilizam.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/06/2012

Prezada Marina: Obrigado pela resposta. Com certeza, a polpa cítrica volta-se para a energia e, não, para a proteína. Desculpe o equívoco de colocação. Por lado outro, o que acha do caroço de algodão, não seria melhor que o farelo?

Um abraço,

GUILHERME ALVESDE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/06/2012

Prezado Guilherme,

O farelo de soja pode sim ser substituido por outras fontes protéicas, desde que ajustes sejam feitos na dieta para acertar as diferentes composições de cada ingrediente. Eu não sou familiarizada com amendoim, mas a polpa cítrica não é um ingrediente protéico e sim energético. O teor de proteína da polpa cítrica é muito baixo e grande parte dessa proteína é indisponível, então a polpa deve ser considerada como substituto do milho e não do ingrediente protéico. Exemplos de ingredientes protéicos são o farelo de algodão, farelo de gluten de milho, farelo de canola. Os diferentes ingredientes apresentam diferentes teores de proteína bruta e por isso, a substituição do farelo de soja deve ser com base em gramas de proteína e não gramas/kilos dos ingredientes.

Um abraço,

Marina
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/06/2012

Prezado Eduardo,

Em fazendas que fazem análises mensais, eu analisaria NUL todos os meses. Para utilizar NUL como ferramenta de monitoramento, o ideal seria analisar sempre que houver troca de dieta/ingrediente, mas isso fica mais viável se for feito em conjunto com a análise rotineira de leite da fazenda, mesmo porque é mais interessante utilizar a combinação de NUL e teor de proteína do leite (e para ficar melhor ainda proteína verdadeira) como ferramenta de avaliação. Apenas para deixar claro que me refiro aqui a análises individuais de leite, não do tanque, a menos que o rebanho todo esteja recebendo a mesma dieta (o que não acredito ser o caso na maioria das propriedades). Com os resultados de todas as vacas, o ideal é utilizar a média por lote de alimentação e também avaliar a variação entre as vacas, que em combinação com outras informações pode ajudar a identificar problemas de seleção de dieta dentro do grupo (geralmente causados por interação social entre as vacas).

Sua segunda pergunta é muito boa e eu deveria ter mencionado isso no texto. De acordo com a palestra original, de onde essa tabela foi tirada, as propriedades D e H reportam dietas para os grupos de maior produção. As outras fazendas reportam a dieta média e muito provavelmente elas não utilizam uma dieta única para o rabanho todo. O que não ficou claro para mim foi se os valores são médias das dietas utilizadas na propriedade ou se se referem ao lote de média produção (meio de lactação), mas tenho uma forte tendência a acreditar que é o segundo caso, a dieta fornecida para o lote de média produção e que abrange o maior número de vacas no rebanho.

Um abraço,

Marina
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/06/2012

Prezado João Paulo (Blog Porteira Adentro),

Obrigada pelo seus comentários. Gostaria também de parabenizá-lo pelo blog, super informativo e interessante.

Sobre seu primeiro ponto, a discrepância entre dieta formulada/fornecida e consumida é uma questão que deve ser trabalhada no manejo alimentar da propriedade. Apesar de ser uma situação bastante comum, não deve ser considerada normal e devemos buscar aprimorar ao máximo esse processo. Se pensarmos que a dieta formulada é um retrato estático, como uma foto, e a dieta fornecida é algo "vivo", que se "movimenta" diariamente com a composição dos ingredientes, com certeza devemos esperar alguma variação (mas não muito grande) entre os dois cenários (dieta formulada x fornecida) e não temos controle direto sobre isso (a não ser, é claro, garantir que os ingredientes sejam de boa qualidade/origem e que a composição seja monitorada). No entanto, o que podemos controlar e aprimorar é o processo de mistura e fornecimento dessa dieta e o monitoramento das sobras para avaliar seleção pelos animais (para controlar diferenças entre dieta fornecida x consumida). Em sistemas de pastejo esse controle é mais trabalhoso, mas é também possível. A diferença entre dieta consumida e "utilizada" (ou metabolizada como vc chamou) realmente será individual e tentarmos controlar essa variação e formular dietas individuais não é viável, por isso trabalhamos com médias por grupos, de acordo principalmente com estágio de lactação.

Em relação ao balanceamento de aminoácidos, concordo com vc que existem desafios como disponibilidade/preço de fontes de AA, sejam elas alimentos ou AA protegidos. Além disso, reconheço que muitas propriedades (talvez a maioria delas) estajam um passo antes e têm grandes oportunidades de melhorar apenas ajustando teores de PB, relação PDR/PNDR e relação proteína/energia. Mas com certeza temos propriedades no Brasil que já trabalham com "ajuste fino" de suas dietas, que caminham para nutrição de precisão e a demanda por esse tipo de informação é crescente. Por isso acredito que esse é o próximo passo e que esses desafios serão contornados com mais informações, pesquisas e interesse das empresas em aumentar a disponibilidade de produtos.

Um abraço,

Marina
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/06/2012

Prezado Rogerio,

Suas considerações são muito importantes. Concordo com vc que maior atenção deveria ser dada aos alimentos volumosos, não somente pela contribuição nutritiva desses alimentos na dieta, mas também pelo grande impacto que o valor nutritivo da forragem tem no consumo de matéria seca. Existem algumas pesquisas sendo feitas na universidade onde eu estou relacionadas à contribuição do volumoso para a energia nas dietas para vacas leiteiras e em breve devo reunir algumas informações para montar um artigo para esse radar.

Um abraço,

Marina