ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Importância do manejo do pastejo para produção de leite a pasto - Parte 1: interação planta x animal

MARINA A. CAMARGO DANÉS

EM 03/05/2013

7 MIN DE LEITURA

48
1
Intensificar um sistema de produção significa otimizar a utilização dos recursos que resultam no produto final. No caso de produção de leite a pasto, os dois principais recursos são a vaca e o capim. Para otimizar a interação entre esses dois recursos (animal e pasto) na produção de leite, é necessário que se conheça bem as características da planta e do animal, bem como os mecanismos pelos quais ocorre relação entre eles. Nessa primeira parte do artigo, discutiremos alguns pontos importantes sobre fisiologia da planta forrageira e como a estrutura do pasto pode afetar o consumo do animal. Na segunda parte, o foco será no manejo do pastejo e como os resultados das recentes pesquisas têm orientado as estratégias de decisão de manejo.

Fisiologia da planta forrageira

Em condição de crescimento livre, o acúmulo de forragem do pasto é resultado do balanço entre processos de fotossíntese, respiração, produção de novos tecidos, senescência e morte. No início do crescimento da planta, conforme a área de folhas e a fotossíntese aumentam, a taxa de aparecimento de novos tecidos é acelerada. O processo de senescência, por sua vez, só se inicia quando a planta atinge um determinado número de folhas (geneticamente determinado) ou se houver alguma limitação nas condições de crescimento (água, luz ou nutrientes). Dessa forma, ocorre um atraso entre os processos de crescimento e senescência, permitindo acúmulo líquido de forragem (crescimento maior que senescência). A partir de certo momento, cuja velocidade depende das condições de crescimento, as taxas de aparecimento e senescência se igualam (ou seja, uma folha senesce para cada folha nova que aparece) e o acúmulo líquido é zero, apesar da massa de forragem continuar aumentando (com crescente participação de material morto).

Pensando sobre isso podemos concluir que é mais interessante, do ponto de vista de eficiência de utilização do pasto, que a colheita da planta aconteça no seu ponto de máximo de acúmulo líquido, antes das perdas por senescência se iniciarem. Pesquisas desenvolvidas inicialmente com plantas forrageiras temperadas, estudando as taxas de aparecimento e morte de tecidos, determinaram que esse ponto de acúmulo líquido máximo é atingido quando o dossel intercepta 95% da luz incidente. Posteriormente, o mesmo comportamento foi observado para plantas tropicais em estudos realizados nos últimos 20 anos no Brasil.

Deixar a planta crescer a partir desse ponto não é vantajoso por diversos motivos. O primeiro é relacionado ao não aproveitamento do ponto de acúmulo máximo, como discutido anteriormente. Além disso, a partir deste ponto no crescimento, as folhas mais novas (que aparecem no alto do dossel) começam a sombrear as mais velhas e inicia-se competição por luz. Quando plantas tropicais detectam competição por luz, passam a priorizar produção de colmos para colocar suas folhas novas em alturas mais elevadas do dossel. Isso não somente dificulta o consumo, como veremos mais a frente neste artigo, como também reduz o valor nutritivo da forragem, já que colmos apresentam mais parede celular, menos digestível, em detrimento de conteúdo celular, que é mais digestível.

Além do crescimento, é importante entendermos também como o pasto pode se adaptar a diferentes condições de crescimento a ele impostas, seja por corte ou pastejo. Essa adaptação envolve medidas de curto e longo prazo. No curto prazo, basicamente a planta altera a partição dos nutrientes entre órgaos de reserva e folhas. Por exemplo, pasto mantido mais alto envia parte dos nutrientes para seus órgãos de reserva, como raiz e base do colmo. Essa reserva será necessária em situação de redução drástica da área foliar, quando a fotossíntese não é capaz de suprir toda demanda de nutrientes necessária para o crescimento da planta. Por outro lado, quando o pasto é mantido mais baixo, a prioridade da planta é direcionar nutrientes para produção de folhas novas, mais eficientes fotossinteticamente, para garantir a continuidade de seu crescimento. Em uma situação como essa, a planta deixa de acumular nutrientes em seus órgãos de reserva, e terá rebrotação mais lenta em uma eventual desfolha severa.

Se a condição do pasto for mantida por longo período, a planta lança mão de alterações em sua estrutura e na arquitetura do dossel, sempre visando otimizar a interceptação de luz. Um exemplo de alterações de arquitetura do dossel é o ângulo das folhas, que será mais horizontal em pastos baixos, pois as folhas são menores e precisam da disposição horizontal para interceptar mais luz. Por outro lado, pastos maiores apresentam folhas mais eretas, pois cada planta tem área de folhas maior. Além disso, a densidade de população de plantas (número de plantas individuais por área de solo) pode aumentar ou diminuir de acordo com a altura em que o dossel é mantido. Em pastos mais altos cada planta individual tem maior tamanho, então o número de plantas diminui e vice-versa, de modo a garantir a mesma área foliar e interceptação de luz.

Podemos concluir, portanto, que as plantas forrageiras têm grande capacidade adaptativa quando submetidas a uma amplitude considerável de manejos. O critério de decisão sobre qual a condição ideal de exploração deve envolver, portanto, um segundo agente essencial para o sistema: o animal.

Consumo de forragem

No sistema de produção de leite em pastagens, a vaca é responsável pela sua própria colheita de forragem. A “máquina” de colheita do animal ruminante consiste de seu aparato bucal. No período de um dia, o bovino é capaz de desenvolver de 20 a 40 mil movimentos mandibulares para mastigação, acomodação e deglutição do bolo alimentar. Além disso, mais 15 a 20 mil movimentos diários são dedicados à ruminação. Cada movimento de apreensão de alimento, chamado bocado, permite ao animal adulto em pastejo consumir de 0,2 a 1 g de matéria seca de capim. O tempo que um animal passa pastejando é dependente de vários fatores, mas pode variar entre 6 e 12 horas diárias. O conjunto de todos esses fatores (número de bocados, massa de forragem por bocado e tempo de pastejo diário) representa, ao fim do dia, a quantidade de forragem consumida pelo animal.

Para se ter uma idéia da quantidade de forragem que um bovino consegue consumir, vamos pensar em uma vaca adulta com peso de 500 kg. Esse animal é capaz de ingerir 80 kg de massa verde de capim por dia, o que representa algo em torno de 10-12 kg de MS. Para isso, a vaca terá que pastejar uma área maior do que 40 m2 de capim e caminhar de 3 a 4 km. O gasto de energia nesse processo é muito grande e por isso, quanto melhor a forma que a forragem for oferecida, maior o potencial de consumo e, conseqüentemente, de desempenho animal.

O processo de consumo de forragem de animais em pastagens pode ser desdobrado em diversos níveis de estudo, com diferentes variáveis em cada nível, como mostra a figura 1, abaixo:


Figura 1. Variáveis componentes do consumo de forragem em animais mantidos em pastagens

A partir do entendimento dessa figura é possível perceber como o consumo de pasto é dependente tanto do animal, que apresenta limitação física para número máximo de bocados e tempo máximo de pastejo por dia, quanto das características estruturais do pasto, que definem a massa do bocado. Apesar da densidade da forragem (kg MS/ha por cm de altura do dossel) ter grande importância na massa do bocado, a característica do pasto que mais influencia o consumo é a altura do pasto. Isso ocorre porque a área do bocado é relativamente fixa devido à largura da mandíbula (8-9 cm) e ao comprimento da língua do animal apresentarem pouca alteração.

Portanto, dentre as variáveis determinantes do volume do bocado, a profundidade do bocado tem maior importância relativa. A profundidade do bocado, por sua vez, é dependente da altura e estrutura do pasto, já que estas representam o quanto o animal consegue aprofundar sua cabeça no dossel forrageiro. Pastos mais baixos ou com participação de colmos no estrato superior reduzem drasticamente a profundidade do bocado, provocando reduções tamanhas na massa de bocado que não são possíveis de serem compensadas pelo aumento na taxa de bocados, resultando em queda no consumo diário de forragem.

Dessa forma, é possível concluir que a estrutura do pasto é a variável que reúne os interesses de animais e plantas no sistema. Do ponto de vista da planta, a estrutura do pasto representa o tamanho, qualidade e eficiência de seu aparato fotossintético e reflete o acúmulo e a abundância de forragem. Do lado do animal, representa a forma como a forragem é apresentada, sua apreensibilidade e facilidade de colheita, refletindo no consumo do pasto.

Na segunda parte deste artigo, discutiremos como a estrutura do pasto pode ser utilizada para se determinar metas de manejo do pastejo rotacionado de forma a melhor explorar o potencial de nossas plantas forrageiras.
 

MARINA A. CAMARGO DANÉS

Professora do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras. Engenheira Agrônoma e mestre pela ESALQ/USP. PhD em Dairy Science pela Universidade de Wisconsin-Madison, WI, EUA. www.marinadanes.com

48

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/06/2013

Prezados Amigos: A Fazenda Sesmaria lançou seu site. Para acessar, basta procurar pelo endereço fazendasesmaria.com

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFIANDO QUALIDADE=
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/06/2013

Prezado César Augusto Zolinger: Desculpe ter confundido seu nome e tê-lo chamado de Sérgio. Eficiência é a mola propulsora do mundo. Em pecuária leiteira, quem não for eficiente não sobreviverá.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
CÉSAR AUGUTO ZOLINGER

AUGUSTO PESTANA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/06/2013

Prezado Guilherme Alves.

Obrigado,  e concordo plenamente com sua opinião.  Precisamos de eficiência.

Abraços
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/06/2013

Prezado Sérgio  Augusto Zolinger: Parabéns pela coragem de expor a realidade nua e crua de seu Estado que, note-se, é um dos melhores para a produção a pasto. Imagine em diversas outras regiões, onde não temos a condição climática, o relevo e a hidrografia do Rio Grande do Sul, o quanto é penosa a criação por via de pastejo!

Por isso, o sistema que pode ser implantado, via de regra, em todo o Brasil, não é o pastejo, seja ele sob que modalidade for, mas, sim, o confinamento.

Dentro do galpão não existe seca, nem calor, nem frio, nem barro: só produção em alta escala de leite.

Quanto aos custos de implantação, o confinamento tem passado, ao longo dos anos, por diversas adaptações e tecnologias arquitetônicas e de maquinário, a ponto de não serem mais tão apimentadas as emissões financeiras iniciais. Além do mais, um projeto bem elaborado, tem financiamento seguro nos Bancos e pode, com eficiência, pagar-se antes dos dez anos de utilização profícua.

Garanto que muito mais oneroso é aumentar o número de cabeças, que demanda gastos com aumento de terras e com genética voltada a uma melhor produção individual, em muitos casos, inviáveis.

Continuo a afirmar que melhor é ter dez vacas de trinta quilogramas de leite/dia de produção do que trinta vacas de dez.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
CÉSAR AUGUTO ZOLINGER

AUGUSTO PESTANA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/06/2013

Parabéns pelo artigo Mariana.

Debates assim são muito agregadores para a cadeia do leite, pois sempre tentamos baixar custos e obter uma maior eficiência na produção.Hoje no RS encontramos excelentes pastagens cultivadas, com alto valor nutricional, em todas estações do ano, também com excelente manejo de pastejo, propriedades muito eficientes na produção de leite. Pois dominam as técnicas de formação e manejo de pastagens e armazenamento de alimentos de boa qualidade, isso junto com uma boa assessoria de técnicos e empresas sérias que repassam informações concretas e eficientes para  os produtores obterem o melhor resultado e lucratividade. No RS existem varias realidades, cada região tem diferença de solos, clima..... Assim como em todo o Brasil ...No ano de 2011 participei de um dia de campo de1Coop, essa que por sua vez possui grandes pessoas e estudiosos. Um dia bem proveitoso, palestras para eficiente produção e métodos de formação e manejo de pastagens. Visitamos uma unidade produtora de leite  dentro da empresa, foi explicado como funcionava alimentação das vacas, e muito falado sobre produzir o leite apenas a pasto, por que a pasto tem tal produtividade... tal custo...Mas conhecendo a realidade da região, onde há entressafras, intemperes climáticas,  e se tudo não ocorrer bem existe um  vazio de forragens, assim no andar da conversa fiz algumas pergunta e cheguei em um ponto chave: houve período aproximado de 30 dias, no qual ocorreu uma transição de pastagens de verão e inverno e as vacas ficaram consumindo apenas  silagem de milho e concentrado para produzir leite...Não  consigo ver uma boa produção no curto prazo em nossa região sem um bom volumoso armazenado, associado a boas pastagens e concentrados. Não encontramos muitos confinamentos na região, mas entendo que devemos sempre buscar uma constância na produção de leite em quantidade e qualidade e fornecer alimentos de qualidade constantemente. Percebemos uma grande busca de produtores em aumentar o rebanho, a produção, diluindo custos, aumentando os lucros, para investir nas propriedades, estas são consideradas pequenas, mas produtivas, nelas há uma grande lacuna, a mão de obra no campo, o aumento da produção deve ser constante para obter melhores lucros, negociações e pagar a mão de obra, que não é barata, o objetivo é fazê-la o mais funcional possível, para diminuir a mão de obra e concentrar serviços, a intensificação da propriedade é algo que esta acontecendo verticalmente, pelo tamanho das propriedades e pela concentração e facilidade de manejo, hoje graças a tecnologias encontramos um campo moderno que tende a andar junto com o desenvolvimento econômico. Minha opinião no curto prazo é que a associação de volumoso armazenado, pastagem e concentrado ainda  funciona, mas a longo prazo o confinamento se torna economicamente sustentável e competitivo, hoje o maior entrave para a instalação de confinamentos é o custos de estrutura da propriedade, mas gradativamente é uma tendência
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/06/2013

Prezado Michel Válter Kazanowski: Os maiores produtores  mundiais de leite são os Estados Unidos da América. A Índia vem em segundo lugar.

Por enquanto, a América do Sul é um futuro que, se continuar no modelo que atualmente encontramos nela, jamais se transformará no maior polo de produção láctea mundial que tem condições de atingir, tendo o Brasil como seu carro chefe.

Não entendo a sua colocação sobre a margem de lucro, já que, pelo que venho garimpando nestes anos e anos de estudo do mercado, a lucratividade nacional é quase inexistente, com produtores, no geral, lutando para sair do vermelho, equilibrar, pelo menos, a receita, com nossos animais sem raça e com produção individual média pouco acima de quatro litros/dia, muito diferente dos americanos.

Com razão sobre a maior parte do leite brasileiro ser produzido por produtores de menos de 200 litros/dia. Desculpe a minha falha.  

Por lado outro, isto somente mostra a nossa ineficiência e que, no futuro, aqueles que não assumirem a escala de produção, estarão, irremediavelmente, extintos (atualmente, grande parte das maiores plantas industriais do Brasil já não se interessam pelos volumes abaixo de cem litros/dia, pelo custo do transporte e do processamento, ficando estes produtores a mercê de pequenos laticínios que, por pouca capacidade financeira, pagam mal pelo produto; daqui a poucos anos, os volumes inferiores a quinhentos litros diários não serão mais interessantes - por isso, já existe diferenciação de pagamento por volume produzido).

Quem restou, na Califórnia, foi o profissional. Isto também ocorre no Brasil, de forma cíclica: quando as coisas vão bem no mercado do leite, dezenas de aventureiros e produtores esporádicos ingressam no mesmo, para tentar abocanhar parte do quinhão (atualmente, vivenciamos este fenômeno, bastando observar a movimentação dos leilões de gado de leite). Passada a fase de bons negócios, fecham suas portas, liquidam planteis e equipamentos (observamos isso todos os anos). Permanecem os profissionais e aqueles que, sem condições, não sabem ou não podem migrar para outro ramo, estagnando-se no estado geral de pobreza que verificamos, com constância, no mercado.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=  
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/06/2013

Caro Guilherme,

A Índia é o maior produtor mundial de leite.

A América do Sul detem todas as condições de ser o maior produtor mundial de leite, soja, milho, café, gado de corte, aves, suínos, frutas... enfim somos produtores de alimento natos. O motivo disso é claro: água e clima tropical. E será muito em breve.

Nosso custo de produção é alto pela baixa produtividade da terra, mal uso dos recursos disponíveis, uso ineficiente da mão-de-obra, péssima gestão do negócio. Perdoe-me acabei colocando de forma incorreta minha colocação. Permita-me corrigir. Nossos custos não são a metade, como tu mencionaras. Porém nossa margem de lucro é duas, três, quatro... veses maior que a deles.

Quanto ao risco deles ser aceitável o que tu me diz da situação dos produtores da Califórnia, maior estado produtor americano, que foram incentivados a produzirem grande quantidade de leite e hoje recebem o preço mais baixo do país. Resultado é a quebra de inúmeras fazendas. Tanto que já se discute não quantas fazendas quebraram, mas quantas poderam ser salvas.

Quanto a concentração da produção ela se dá por lá pela razão da margem ser tão baixa que em pequena escala não sustenta nem uma familia. Quem está endividado e não pode alavancar recursos para grandes investimentos em escala simplesmente ficam pelo caminho. No Brasil a situação é tão boa que com 20 vacas o sujeito já pode entrar na classe média.

Quanto a distribuição da produção brasileira revise seus dados pois produtores com menos de 200 litros/dia produzem a maior parte do leite brasileiro. A lista dos 100 maiores não faz nem cocegas na produção nacional.



Abraço



Michel Kazanowski
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2013

Prezado Michel Válter Kazanowski: Enquanto não atingirmos a excelência que os americanos alcançaram na produção de leite (são, há anos, os maiores produtores mundiais) não poderemos nos furtar a tê-los como exemplo a ser seguido.

Malgrado suas assertivas em relação ao desenvolvimento das produções sulamericanas, ainda elas são muito pequenas para atingirem, como você pretende, ao Gigante Mundial da Produção. Acredito muito mais numa arrancada da China que da América do Sul, pelo costume daquele povo em utilizar-se de novas tecnologias. Aqui, infelizmente, o pensamento da maioria é, ainda, muito rudimentar.

Não sei se posso concordar que o custo de nosso leite seja "a metade do custo da produção deles", pois entendo que nossos custos de produção são muito altos, em face de determinados fatores que não atingem aos demais produtores mundiais, como taxas de juros, falta de incentivos fiscais, ausência de subsídios, além, é claro, da ausência de escala de produção.

O risco, sabemos nós, é imanente ao agronegócio como um todo. O profissionalismo, como o dos americanos do norte, é que pode reduzi-lo a níveis aceitáveis. Garanto a você que o nosso risco é muito maior que o deles.

No que diz respeito à concentração de produtores, fenômeno que polariza em poucas mãos a maior parte da produção, é fruto da constante especialização do produtor dos Estados Unidos da América e a consciência de que, se não posso ser profissional o suficiente, devo mudar de ramo, o que aqui, via de regra, não se tem.

Todavia, embora a mentalidade pátria a este respeito beire - ao contrário da dos norteamericanos - à teimosia, já que muitos continuam na atividade por turrice ou por falta de outra opção (melhor seria que fossem empregados ao invés de produtores, ainda que cruel a realidade estampada nesta assertiva), este fenômeno de concentração já se encontra implementado em nosso território, de sorte que a maior parte do leite produzido no Brasil está distribuída por poucos grandes produtores.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/06/2013

Michel e Luís,



Vocês ainda não perceberam que se um dia o confinamento se tornar inviável para  Guilherme, ele simplesmente pode plantar um pasto e solucionar o problema dele? Já pensaram que é muito mais difícil chegar ao confinamento, portanto quem deveria se precaver caso o pasto não seja o sistema mais eficiente é justamente que não confina. Eu confino e não tenho medo algum de um dia o confinamento se tornar inviável, tenho terras, irrigação, sou agricultor e para mim plantar pasto não é mistério algum, visto que já usei pasto por vários anos.



Um abraço a todos



Ronaldo
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/06/2013

Caro Guilherme,



O Luiz Otavio pode fazer melhores considerações sobre a NZ pois lá esteve e lá constatou a realidade dos produtores. Quanto aos americanos posso fazer minhas considerações, pois lá estive por bom tempo.

Os americanos não estão usando pasto em face da seca deste ano. Este sistema de produção está sendo cada vez mais adotada por lá, em regiões que possibilitem pastejo boa parte do ano, em vista dos resultados economicos alcançados pelos neozelandeses. Lá não existe o geitinho brasileiro. Faltou silagem por razão da seca ele importam e enchem o silo, se não há de onde importar o alimento se abate os animais, liquida, faz-se o que for necessário, mas definitivamente não se solta as vacas garimparem comida por ai, algo tão comum no Brasil.

A opção pelo confinamento nos EUA remete ao clima inóspito do inverno que exige a conservação de alimento para este período, proteção dos animais e a grande demanda de alimento após a segunda guerra mundial quando houve a destruição de boa parte da agricultura europeia. A produção em larga escala e a demanda mundial pagou no passado a construção de barracões, silos aéreos feitos em metal, maquinário, etc. Tudo ia muito bem enquanto o Brasil não produzia, NZ, China, Uruguai, Argentina, Colômbia, Leste Europeu, India... Agora eles tem concorrentes, concorrentes com condições que lhes dão capacidade de produzir a um custo menor e um capital empregado por litro produzido muito inferior. De todos os locais deste planeta o BRASIL deve ser o que mais causa terror a todos os produtores de leite do mundo. Eles devem rezar todos os dias ao amanhecer para que nós continuemos a reclamar do preço do leite, do laticínio, do governo, do vizinho, do gerente do banco, pois enquanto isso estiver acontecendo não inundaremos o mundo com leite produzido a metade do custo de produção deles.

Você sabe por que a produção das vacas holandesas americanas é tão alto? É por que se ela produzir menos de 24.000 libras de leite por ano (10.800 litros) ela não se paga. Somente sobrevive produtor em larga escala, atrelado a alto risco. Em 1950 o estado de Wisconsin, mais tradicional produtor americano, tinha 140.000 produtores. Hoje este número é menor de 13.000 e diminui a cada ano. Cidades estão sumindo pelo declínio da produção de leite por la. A coisa mais comum de se ver são estábulos abandonados, afinal 9 em cada 10 produtores não produzem mais.



"Today you can go up fast and you can go down fast!"  Esta é a expressão de um produtor quando avalia o custo dos cereais, do combustível, da mão-de-obra nos ultimos anos.



Pense nisso ao citar os produtores americanos como exemplo a ser seguido.



Abraço



Michel Kazanowski
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/05/2013

Prezado Luiz Otávio da Costa de Lima: O gasto que se tem em corrigir solos, irrigar, manter adubação consistente será sempre melhor dirigido se for destinado ao plantio de milho e cana de açúcar, bases da alimentação do gado leiteiro em confinamento, do que aplicado em capim, eis que se terá um produto final sempre mais eficiente na conversão alimento-leite, com mesmo volume de gastos. O leite não é menos rentável que a cultura de grãos se estes forem destinados ao trato alimentar de vacas de elite, com produção em escala e em quantidades substanciais, o que só se consegue no confinamento. Como os Estados Unidos da América, a Nova Zelândia é portadora de um clima hostil, tanto assim que só se produz leite em determinadas épocas do ano, por isso a adoção do sistema confinado é inevitável - produzir o ano todo e ganhar o dinheiro que você cita não só em determinado período, mas em todos os dias. Isto é profissionalismo e temos que reconhecer o mesmo como sendo a marca registrada dos neozelandeses.

A seca nos Estados Unidos da América é episódica e a utilização do pasto como alimentação central para o gado leiteiro também.

"Pasto conservado" tem o mesmo efeito que silagem e se destinado só a cocho, como você mesmo informa, é confinamento.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
LUÍS OTÁVIO DA COSTA DE LIMA

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 28/05/2013

Prezado Guilherme,

Importante teu comentário, e sobre ele podemos dialogar sobre algumas constatações: "há grande parte acometida por seca, por solos ruins e por relevos amplamente acidentados". Pois bem, nestas regiões, nem pasto, nem silagem nem nada, pois milho, cana, sorgo, milheto, tifton, etc etc precisam de solos corrigidos e bem manejados para alta produtividade, e esta é ponto fundamental em qualquer sistema eficiente.

Não temos áreas planas? Corrigidas? Irrigadas? Bem manejadas? Ou leite é menos rentável que culturas de grãos?

Minha discussão é esta: temos que parar de pensar que pasto é para canhadas e vacas ruins!



Quanto a reportagem do Milkpoint sobre a NZ, eu pude ter uma ideia importante sim, visto que eu fiz parte da delegação que viu, discutiu, questionou e trouxe estas importantes informações. Posso, já que estive lá, te garantir que o que ocorre na NZ é uma intensificação do sistema, visto que os preços do leite permitem isto (todo o concentrado é importado). Enquanto o preço permitir eles ão seguir intensificando, óbvio (eles gostam é de $$). OBS: Não vimos e não ouvimos falar de nenhum sistema de reclusão integral na NZ. A base é o pasto, colhido fresco pela vaca ou conservado. E é óbvio que em condições de seca a dieta é 100% no cocho, não existe milagre.



Quanto aos americanos, vemos entao que um sistema de confinamento também depende MUITO das condições climáticas, diferente do que se prega por ai como sendo desafio apenas com pastagens. Obviamente todo produto agrícola depende de clima, solo etc. Mas importante tua citação "em face da seca... e... para economizar grãos" estão utilizando o pasto... interessante...

Mas meu comentário anterior não era com esta ótica, o sistema lá predominante é e deve ser o confinamento em virtude do clima e do bárbaro potencial de produção de grãos, porém com rebanhos enormes, onde a renda se dá pela escala (jamais alguém se viabilizaria lá com 30 ou 40 vacas). Agora, os sistemas com base em pasto estão sim crescendo, mostrando que não é algo tão "sem fundamento" assim...



MARINA,

Desculpe se as discussões tenderam pare este lado, entendo teu comentário e concordo com ele! Não quero, de forma alguma que isto vire defesa de sistema A ou B, visto que acredito em múltiplas formas de produzir leite, de cabo a rabo do Brasil. Dentro de uma mesma propriedade, formulo dietas e manejo as vacas tanto sobre pasto quanto em dieta total, dependendo da época do ano, sem paixões, sem ideologias...



Entrei e vou sair desta discussão com o intuito de te parabenizar, visto que o desafio maior de produzir pasto é fazer esta vaca comer efetivamente grande volume de pasto, e para isto os pontos que tu abordou são fundamentais.





Abraço!

Luís Otávio Lima
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/05/2013

Prezada Marina A. Camargo Damés: Não se trata de desmerecer nenhum sistema. O que se pretende é alertar para o fato de que, ao contrário do que circula no meio da assistência técnica brasileira, o sistema a pasto não é o melhor a ser adotado para todo o Brasil. Neste sentido, a discussão entre produtores eficientes de ambos os sistemas (confinado ou pastejo) serve de estudo para os que pretendem ingressar na pecuária leiteira eficiente. Tanto assim o é, que meu artigo "  Leite a pasto e confinamento de gado de leite: o que os técnicos nunca dizem", publicado em Setembro de 2009, permaneceu ativo até 2012, com mais de mil e quinhentas intervenções e só não figurou por mais tempo, porque diversos artigos paralelos surgiram dele, criando diferentes caminhos de discussão. Veja que o assunto, até hoje, causa interesse.

Discordo, portanto, quando você elucida que "essa discussão contribui muito pouco na direção de evoluirmos nossa produção de leite". Pelo contrário, é através dela que poderemos chegar ao ápice internacional, que temos condições de atingir, mas, se e somente se adotarmos uma produção em escala, que, dificilmente, será atingida a pasto.

Muitos companheiros produtores passaram a adotar determinado sistema como próprio, com grande eficiência e profissionalismo, após travarem conhecimento com eles através destes mesmos debates, o que, por si só, já comprova a sua necessidade.

Nenhum de nós, condutores de longas trocas de ideias neste site, temos a pretensão de deter a verdade absoluta (eis que ela não existe) nem de adotar um único sistema como o ideal, apenas destilamos nossas experiências pessoais, no afã de atingir ao objetivo maior, que é a evolução da pecuária leiteira nacional, o que, aos poucos, vem acontecendo.

A defesa de cada núcleo de criação é pessoal, porque as experiências são pessoais, mas cada um dos conceitos apreendidos têm caráter universal e deles se nutre o conhecimento: para entender, temos que discutir, contestar, trocar informações e experiências, eis que o saber não está só nos livros e nas Universidades, mas também pode ser encontrado no meio de nós, humildes produtores de leite, leigos no conhecimento técnico, mas mestres no empírico.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=  
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/05/2013

Prezado Luiz Otávio da Costa de Lima: Se continuarmos a pasto, jamais sairemos "na frente de Nova Zelândia, Argentina e outros mais". No Brasil, o pasto não é o que se encontra em seu Rio Grande do Sul, nem em qualidade, nem em clima e, tampouco, em relevo. Há grande parte acometida por seca, por solos ruins e por relevos amplamente acidentados. Tudo muito diferente do que se encontra, também, na Nova Zelândia e, mesmo, na Argentina ou no Uruguai.

Todavia, convergimos, novamente, para um consenso, quando aceitamos que o que vale é a eficiência e, ser eficiente, é, de igual sorte, escolher o manejo adequado.

Se você se ativer a analisar a reportagem do Milk Point, intitulada "desvendando a terra do leite", verificará, sem muito esforço, a constatação que grande parte dos neozelandeses está migrando ou tenciona migrar para o confinamento, não se esquecendo de que, atualmente, já existem sistemas de reclusão em enorme número de fazendas da Nova Zelândia, mesmo que temporários, em face do clima inóspito que ocorre em parte considerável do ano.

Quanto aos americanos, eles não vêm abandonando o sistema confinando: apenas estão aproveitando um nicho, em face da seca que dilapidou as reservas de grãos, no ano passado, para economizar ração, contudo sem abandonar ao confinamento. Com o retorno dos estoques americanos de soja e milho ao normal, este estado de coisas vai deixar de existir e os animais retornarão aos barracões, naturalmente.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/05/2013

Ola Marina,



Concordo contigo sobre a roçada no capim monbaça. No entanto ela se faz necessária quando se cultiva grama (cynodon). Este assunto causa muita polêmica. Na prática quando as condições favorecem a produção é inevitável o acumulo de pasto a mais que os animais possam consumir. Produtor de leite trabalha com lotação fixa. Quanto ao uso do excesso de pasto, piquetes remanescentes quando se diminui o tempo de rotação, é pouco pratico pois a maioria dos produtores não possui equipamento para fenar ou fazer pré-secado deste material. De qualquer forma a planta possui colmo e folhas e as vacas iram selecionar as folhas e vai sobrar colmo. Se reduzirmos demais o tempo de rotação para reduzir as perdas também estaremos perdendo produtividade, consequentemente, teremos menor lotação e produção por área.

Vacas para terem alta produção em pasto precisam ter alta quantidade de forragem com alto teor de nutrientes. Para isso elas precisam ter disponível forragem tenra, e isso somente se consegue controlando o resíduo, roçando.

Quanto a decomposição dos colmos ela ocorre rapidamente quando se trabalha com uma carga alta de adubação nitrogenada. Lembrando que o N consumido nesta decomposição será disponibilizado a planta na forma de nitrato, posteriormente.



Abraço



Michel
LUÍS OTÁVIO DA COSTA DE LIMA

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 24/05/2013

Prezado Guilherme Alves de Mello Franco,



Chegamos a um consenso afinal!! Os sistemas confinados (na média) não apresentam as produtividade que tu citas. Da mesma forma, produtividades parecidas com a que eu cito tb não existem (são mais raras ainda!!) em um sistema com base em pasto. Esta é a questão!! O problema não é o sistema, mas sim a eficiência. Somente com melhor manejo de pasto, triplicaríamos a produtividade da vaca, apenas...



Precisamos intensificar a atividade, com vaca em pastagens ou em free stalls. Imagine dobrar a produtividade da vaca no país, sai da frente NZ, Argentina e outros mais...



Pode chamar meu sistema de "semiconfinado", "à pasto" ou como queira, nao me ligo nisso. Eu chamo de "intensivo a pasto com suplementação.(ponto)"



Nota que a NZ está longe de aderir ao confinamento, como tu dá a entender. Estão sim, intensificando a suplementação, mas nota que isto tudo devido ao preço do leite estar maior e não por falta de eficiência do sistema.

Agora, se o confinamento é o sistema do futuro, tem muito americano "equivocado", já que sistemas com base em pasto vem crescendo por lá...



Um Abraço!

Luís Otávio Lima
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/05/2013

Pessoal,



Um comentário geral em relação ao debate "qual é o melhor sistema?". Sou da opinião de que essa discussão contribui muito pouco na direção de evoluirmos nossa produção de leite.



Não acredito que exista sistema ideal, e sim a melhor forma de trabalhar com cada sistema. Todos os modelos de produção têm seus prós e contras e a escolha depende de tantas coisas que não caberiam listadas nesse comentário. Para citar alguns exemplos, além do óbvio que é a disponibilidades de recursos e de mercado em cada região, a opção por um sistema deve levar em consideração a experiência e know-how do produtor, os recursos humanos disponíveis, a forma como cada pessoa prefere investir seu capital, entre tantas outras coisas. O importante é que cada sistema seja sustentável e rentável.



Existem pesquisas sendo feitas com os diversos tipos de sistemas de produção, de forma que cada um pode procurar evoluir no seu sistema. Claro que troca de experiências e opiniões é válida e importante, pois podemos aprender uns com os outros e evitarmos a repetição de erros. Mas isso é diferente de insistirmos e pregarmos que só existe um sistema funcional, o que não é o caso. A diversidade é valiosa e necessária para a sobrevivência de qualquer sistema, então minha sugestão é que cada um tente ser melhor na forma como escolheu para produzir leite.



Um abraço,



Marina
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/05/2013

Prezado Nelsomar,



O uso de roçadas não é recomendável. Na realidade, se essa prática se faz necessária é sinal de que está ocorrendo falha no manejo do pastejo. Como vimos no texto, a partir de um determinado momento do crescimento, o acúmulo de colmos se torna elevado. Por isso, é essencial que os animais sejam colocados nos piquetes antes que esse acúmulo de colmos aconteça. Quando deixamos esse ponto passar, os animais entram em piquetes onde já ocorreu acúmulo de colmos, e não consomem a maior parte desse material, devido ao alto teor de fibra desse componente. Quando os animais saem de piquetes passados, se observa elevada presença de colmos, e a forma que os produtores tentam resolver isso é por meio da roçada.



Contudo, a necessidade dessa prática representa uma consequência de um erro de manejo e uma série de perdas de forragem e, consequentemente, de dinheiro. Veja alguns pontos onde se está perdendo:



- A prioridade da planta é produzir folha, colmo só é produzido quando ocorre competição por luz. O animal, por sua vez, seleciona folha e não colmo. Dessa forma, quando se "permite" que a planta produza colmos, além de reduzir a produção de folhas, inevitavelmente esses colmos irão acumular no pasto, já que não interessa ao animal.



- Ao mesmo tempo em que a planta começa acumular mais colmos também começam a morrer folhas localizadas próximas ao nível do solo. Com isso, o componente que é interessante para o animal (folha), e que já foi produzida, está sendo perdida e não será aproveitada pelo animal.



O prejuízo mais específico da roçada, no entanto, está relacionado a queda do material roçado no chão. Para ser decomposto, esse material sequestra nitrogênio do solo e reduz a disponibilidade do nitrogênio para ser utilizado para novas plantas que estão rebrotando. Além disso, o material morto no chão abafa as plantas novas que estão tentando rebrotar do solo.



Portanto, durante a estação de crescimento, a roçada não é recomendada. Se já ocorreu um erro de manejo e o resíduo está mais alto, é preferível que se acelere a rotação desse piquete (menor período de descanso = menor acúmulo de forragem = menor taxa de lotação) até o final da estação. Na seca a roçada pode até ser realizada, mas caso haja disponibilidade de um grupo de animais com baixa exigência, é preferível forçar esse grupo por uns dias no piquete passado para que eles rebaixem o resíduo ao máximo possível, pois dessa forma a quantidade de material que será depositado no solo diminui.



Um abraço,



Marina
MARINA A. CAMARGO DANÉS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 24/05/2013

Prezado Ronaldo,



Esses valores são apenas uma super generalizada referência para mantermos em mente. A distância percorrida pelo animal para pastejar vai depender da quantidade e qualidade do material ofertado ao animal. Segundo o NRC (2001), em um pasto com boa oferta de forragem de qualidade, a vaca caminha a mesma distância para pastejar do que uma vaca confinada em um free-stall. Entretanto, isso só se aplica se a área de pastagem for plana. Se o terreno for inclinado, a energia gasta na atividade de pastejo aumenta consideravelmente. Existe uma estimativa de gasto de energia em terrenos inclinados proposta pelo NRC (2001), mas ela considera uma inclinação específica e obviamente isso vai variar para cada tipo de terreno.



Mas além da distância percorrida, o processo de alimentação (apreensão e mastigação do alimento) do animal em pasto requere mais energia. Com base em pesquisas realizadas em animais em crescimento, o NRC (2001) estima que o acréscimo no requerimento energético é de 0.002 Mcal/kg peso vivo para dietas 100% pasto. Se, por exemplo, a dieta tiver 60% de pasto e 40% de concentrado, o número é ajustado para 0.0012 Mcal/kg peso vivo.



Além disso, a distância caminhada para ir e voltar da ordenha também é incluída na exigência de mantença do animal e quanto maior for essa distância, mais energia deixa de ser direcionada para produção de leite para suportar mantença (e isso vale para sistemas de confinamento e pasto). O NRC (2001) propõe um gasto de energia por km percorrido de 0.00045 Mcal/kg peso vivo.



Reunindo todas essas informações, podemos fazer uma conta rápida que uma vaca de 500 kg que caminha 2 km por dia para ir e voltar da ordenha (500 m cada sentido, 2 vezes ao dia), em um terreno inclinado, consumindo 60% da dieta em pasto, pode destinar aproximadamente 4 Mcal/dia com essas atividades. Considerando o valor energético do leite proposto pelo NRC (2001), de (0.360 + 0.0969*%gordura) Mcal por litro de leite, 4 Mcal poderia significar 5.3 L de leite com 4% de gordura, exatamente dentro dos 5-6 que você citou.



Essa é a única forma que temos atualmente para termos uma ideia (bem generalizada) do gasto energético das vacas em pasto. Porém, vale lembrar que a maior parte das pesquisas que geraram esses dados foram feitas com animais em crescimento ou animais de corte, com metabolismo bem diferente das vacas. Além disso o número de estudos é bem limitado e muitas suposições são feitas nesses cálculos.



Tendo em vista a fraqueza científica dessas equações, eu particularmente não coloco muita atenção neste número.



Um abraço,



Marina
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/05/2013

Prezado Luiz Otávio da Costa de Lima: Com certeza, nem todo os sistemas confinados ofertam esta produtividade, sendo a média ideal, em torno de trinta litros. Mas, também, os sistemas a pasto não apresentam as produções que você demonstra.

Por outro lado, se a produtividade a pasto não fosse pequena, a média nacional não seria abaixo de seis litros de leite animal/dia, eis que é o mais adotado no País.

Resta, ainda, uma dúvida; seu sistema é a pasto ou semiconfinamento, pois, aqui no Brasil, as campanhas defensoras do sistema a pasto, não sabem que se há alimentação complementar ao cocho, o sistema migra para o segundo?

Se for a pasto mesmo, é a maior média mundial.

Quem precisa "abrir a cabeça" são os cultuadores do leite a pasto e entender que o confinamento integral de bovinos de leite é o sistema do futuro (deveria ser o do presente), que será adotado (já vem sendo) até na Nova Zelândia, paraíso do dito "leite a pasto" e pelos maiores produtores de leite do mundo.

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MilkPoint AgriPoint