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Tratamento Intramamário ou Intramuscular: qual a melhor opção para vacas com mastite ?

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E RENATA DE FREITAS LEITE

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 21/07/2014

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 Por Renata de Freitas Leite* e Marcos Veiga dos Santos

Nos rebanhos leiteiros, dentre as diversas doenças infecciosas que levam ao uso de antibióticos; destaca-se a mastite clínica. A mastite é o processo inflamatório da glândula mamária, geralmente causada por bactérias, e pode ser classificada como clínica ou subclínica, de acordo com a apresentação de sintomas visíveis da inflamação. A mastite clínica é caracterizada pelo aparecimento de sintomas (leves, moderados ou graves) e, de acordo com a gravidade e a bactéria causadora, o tratamento deve ser realizado.



A principal via de administração de antibióticos utilizada para tratamento da mastite é a intramamária (IMM), mas o tratamento intramuscular (IM) também pode ser uma opção. As vantagens da via IMM são a maior concentração do medicamento no quarto e a menor quantidade utilizada, em relação ao uso IM. Entretanto, quando é feita a administração IMM, há risco de contaminação durante a aplicação e também maior dificuldade de distribuição do antibiótico pela glândula mamária. Nesses aspectos, o tratamento IM é mais vantajoso.

Para a definição de um tratamento mais específico, é recomendada a identificação das bactérias causadoras mais frequentes no rebanho. Se a bactéria causadora for sensível aos antibióticos de primeira linha e de ação mais restrita, como a benzilpenicilina, estes medicamentos podem ser utilizados. Essa medida proporciona um tratamento mais eficaz e auxilia a prevenção da resistência bacteriana. Entretanto, na maioria dos países, nos tratamentos contra a mastite são utilizadas associações entre diversas substâncias ou antibióticos de amplo-espectro.
Nos países nórdicos, o tratamento de escolha contra a mastite clínica causada por bactérias gram-positivas é a benzilpenicilina, pela via parenteral. Para avaliar qual a melhor via de uso deste medicamento contra bactérias gram-positivas causadoras de mastite, pesquisadores da Estônia e da Finlândia realizaram um estudo de comparação entre as vias de aplicações intramuscular e intramamária.

Para a realização deste estudo, foram utilizadas 140 vacas, provenientes de quatro rebanhos leiteiros. Como critérios de seleção, estas vacas deveriam ter apenas um teto acometido por mastite clínica (causada por bactérias gram-positivas sensíveis a penicilina) e não poderiam apresentar casos crônicos da doença. Os sintomas clínicos foram classificados como leves (alterações no leite), moderados (alterações no leite e no teto) ou graves (alterações locais e sistêmicas).

As amostras de leite foram coletadas assepticamente e submetidas à cultura microbiológica nas próprias fazendas. Posteriormente, foi feito o diagnóstico confirmatório pelo RT - PCR (Reação em Cadeia Polimerase em Tempo Real), técnica que permite a identificação de microrganismos através da amplificação de determinadas regiões do DNA. A determinação da atividade da NAGase ( N – acetil – β – D – glicosaminidase: enzima presente nos processos inflamatórios) do leite também foi realizada.

As vacas foram distribuídas em dois grupos de tratamento. Em um grupo, 61 vacas foram tratadas com benzilpenicilina procaína (20 mg/ kg) pela via intramuscular; no outro grupo, 79 vacas foram tratadas pela via intramamária (600 mg). Ambos os tratamentos foram realizados uma vez ao dia, durante cinco dias e os resultados foram avaliados por critérios clínicos, inflamatórios e bacteriológicos, entre três e quatro semanas após o início do tratamento.

Assim, as vacas foram consideradas clinicamente curadas se o quarto afetado não apresentasse sinais de alterações. A cura bacteriológica foi considerada quando as espécies bacterianas diagnosticadas antes do tratamento não foram isoladas nas amostras de leite obtidas após o tratamento. Já a reação inflamatória foi avaliada pela comparação da atividade da NAGase antes e após o tratamento. A análise de CCS composta foi realizada uma vez ao mês, por três meses após o tratamento.

Das 140 vacas, 83 (59,2%) apresentaram casos leves de mastite, 55 (39,2%) casos moderados e duas (1,4%) apresentaram casos graves. A distribuição das bactérias identificadas pelo exame microbiológico não diferiu significativamente entre os dois grupos de tratamento, e a espécie bacteriana mais frequente foi Streptococcus uberis, seguido de outras espécies de Streptococcus, conforme Tabela 1. Um dos principais resultados do estudo foi que não houve de cura clínica ou bacteriológica em relação ao tipo de via de administração do tratamento. A taxa média de cura clínica variou de 75 a 81%, enquanto que a taxa de cura bacteriológica variou de 54 a 56% (Tabela 1).






Quanto à resposta inflamatória após o tratamento, avaliada pela atividade da NAGase, também não houve diferença entre os dois grupos, mas foi significativamente menor nos tetos com cura clínica ou bacteriológica do que nos tetos não curados, o que indica redução do processo inflamatório. Da mesma forma, também não foram encontradas diferenças de CCS em relação à via de aplicação.
Em resumo, os resultados da aplicação de benzilpenicilina pela via intramuscular ou intramamária foram semelhantes em relação a taxa de cura da mastite. Contudo, o tratamento intramamário pode ser utilizado na rotina contra casos de mastite clínica causada por Streptococcus spp, que foram as bactérias mais prevalentes neste estudo, uma vez que este grupo de bactérias não penetram no tecido da glândula mamária e sim fica localizado principalmente nas cisternas do teto, da glândula e no leite. Desta forma, não haveria benefícios do tratamento intramuscular, pois esta via de aplicação é mais demanda maior quantidade do medicamento a ser utilizado.

Fonte: Kalmus et al. (2014). Journal of Dairy Science, 97: 2155-2164, 2014.

* Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

RENATA DE FREITAS LEITE

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ZILENE SOUZA LIMA

GUARAREMA - SÃO PAULO

EM 19/08/2019

Dr Marcos tenho uma vaca que está perto de parir mais não sai leite só sai sangue o que fazer por favor mim ajude obrigado
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/08/2019

Prezada Zilene, neste caso é necessário a avaliação de um médico veterinário e infelizmente não posso fazer qualquer tipo de recomendação, atenciosamente, Marcos Veiga
ELAYNE PEREIRA ALVES

PALMEIRAS DE GOIÁS - GOIÁS

EM 08/05/2019

Dr marcos, minha vaca está com ubre, inchado, e esta enpedrando, o leite está minguado, mastite subclínica, oque o dr me indicaria pra fazer nela?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/05/2019

Elayne, quando a vaca tem sintomas sistêmicos como este que você menciona, deve-se procurar um veterinário para avaliação da vaca e definir o melhor tratamento. Não é possível uma recomendação sem a avaliação de um veterinário, atenciosamente, Marcos Veiga
ELAYNE PEREIRA ALVES

PALMEIRAS DE GOIÁS - GOIÁS

EM 08/05/2019

Dr marcos, o que pode ser feito na vaca, que está com mastite subclínica? O que o dr indica?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/05/2019

Elayne, de forma geral, não se recomenda o tratamento de vacas com mastite subrclínica durante a lactação. O momento mais adequado é a secagem, com o uso de tratamento de vaca seca. No entanto, dependendo do tipo de causa da mastite, que somente pode ser feito pela cultura microbiológica do leite da vaca com mastite, se for identificado Strep. agalactiae, recomenda-se a segregação da vaca e tratamento durante a lactação com antibiótico intramamário. Sendo assim, somente seria recomendável o tratamento quando é feita a cultura microbiológica da vaca e identificação de Strep. agalactiae, atenciosamente, Marcos Veiga
MONICA DA SILVA LIMA

CARAMBEÍ - PARANÁ

EM 25/11/2018

O medicamento maxicam e bom para trata o mastite
ABILIO ROSA DE ALMEIDA

SÃO SEBASTIÃO DO RIO PRETO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/08/2018

Prezado Dr marcos, qual remedio de aplicação intramuscalar você indicaria para inchaços e inflamações no ubre do animal?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/08/2018

Prezado Abilio, infelizmente, não é possível fazer recomendação ou indicação de antibióticos de forma genérica. Sugiro que procure um médico veterinário da sua região que possa fazer esta recomendação, atenciosamente, Marcos Veiga
ABILIO ROSA DE ALMEIDA

SÃO SEBASTIÃO DO RIO PRETO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/08/2018

Prezado Dr marcos, em caso de aplicação intramuscular , qual remedio voçê indicaria?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 02/04/2016

Prezado José, sim, antes de uma nova aplicação de iodo, recomenda-se que seja feita a ordenha completa do quarto afetado, para eliminação de todo o conteúdo de secreção.

Atenciosamente, Marcos Veiga

JOSE ALVARO

CRATO - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2016

Professor marcos, na secagem permanente com 2 doses em intervalos de 24 horas, existe a necessidade de fazer a ordenha no dia seguinte para colocar a segunda dose de 120 ml de iodo? A intenção seria de reduzir o volume de resto de leite na cisterna do teto ou secreção purulento para melhor a ação da segunda dose.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/12/2015

Prezada Josiane, eu não teria esta informação sobre este produto em específico. Minha sugestão seria entrar em contato com a empresa e solicitar esta informação.

Atenciosamente, Marcos Veiga
JOSIANE

CAMPINAS DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/12/2015

Ola estou fazendo tratamento com.spectramast lc em.um.teto apliquei a 5bisnaga lontem pela manha hj nao apliquei mas a tarde tirei 5litros juntos nao descartei foram colocados no resfriador junto com 800litros bons para consmo qual a chance de ter contaminado todo o leite?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/12/2014

Prezado Olímpio,

Vou reproduzir um trecho de um artigo recente que trata deste tema:

Os únicos estudos sobre secagem permanente avaliaram o uso de clorexidina e iodofor (iodopovidona). Os protocolos avaliados utilizaram duas aplicações intramamárias de 30 ml de solução de clorexidina a 2%, com intervalo de 24 horas. Com relação iodofor, foi utilizado o mesmo protocolo com duas aplicações intramamárias de 120 ml de solução de 5% de iodofor (0,5% de iodo), com mesmo intervalo de aplicações (24 horas). Considerando que ambos os produtos aplicados resultam em intensa irritação do quarto mamário, é recomendável a aplicação de um anti-inflamatório não-esteroidal, a base de flunixina ou similar. Pode ocorrer inchaço e maior sensibilidade à palpação em alguns quartos, mas estes sintomas desaparecem em dentro de uma semana após o tratamento. Os resultados do estudo indicaram que o uso da solução de iodofor 5% foi eficaz na eliminação da lactação, uma vez que mesmo após passarem por um período seco, as vacas tratadas não apresentaram retorno da produção de leite.

Atenciosamente, Marcos Veiga
OLÍMPIO GOMES AGUIAR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/12/2014

Prezado Marcos, assistir uma palestra sua promovida pela Ouro Fino que contribuiu muito para ampliar meus conhecimentos sobre mastite, ccs etc. Na palestra você falou de protocolos utilizados para secagem permanente da teta infectada utilizando iodo ou cloro, você pode informar como são realizados estes protocolos? Agradeço antecipadamente e parabenizo pelos relevantes serviços prestados à atividade leiteira. Abraço. Olímpio.
e-mail: olimpioga@yahoo.com.br
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/12/2014

Prezado Leandro, a recomendação técnica para descarte do leite com resíduo de antibiótico após tratamento intramamário da mastite é que o leite total (dos quatro quartos) seja descartado.

A concentração de resíduo no quarto trtamento deve ser maior, mas parte do antibiótico pode ser absorvido para a corrente sanguínea e passar para os demais quartos.

Atenciosamente, Marcos Veiga
LEANDRO HILLESHEIM

REALEZA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/12/2014

Caso Professor Marcos,
Em casos de tratamento intramamário em apenas um quarto, é possível aproveitar o leite dos outros 3 quartos? Ou o resíduo de antibiótico absorvido passa em níveis consideráveis para os outros quartos? Digo aproveitar o leite durante o período de tratamento.
Vejo que há grande divergência de idéias entre os colegas.
Att
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/08/2014

Prezado Antunes Paranhos,

Sem dúvida, a característica de lipossolubilidade do antibiótico é uma das característica importantes para maior difusão da droga e maior passagem do sangue para o leite. No entanto, além da lipossolubilidade existem outras características, como o estado de dissociação em relação ao pH do leite.

Outra característica que considero importante é a capacidade do antibiótico de atuar mais ou menos contra as bactérias gram positivas e gram negativas.

Atenciosamente, Marcos Veiga
ANTUNES PARANHOS

JATAÍ - GOIÁS

EM 16/08/2014

Professor Marcos Veiga,

O fato de alguns medicamentos serem mais lipossoluveis, possui alguma relação com maior controle de agentes contagiosos?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/08/2014

Prezado Juber, os resultados do estudo indicaram que não houve diferenção em termos de taxa de cura clínica e microbiológico entre os dois tipos de tratamento utilizados (injetável e intramuscular). Sendo assim, não se poderia falar que um tratamento foi melhor do que o outro. No entanto, este estudo somente avaliou bactérias que foram sensíveis a bezil-penicilina. Considerando que os dois tratamentos foram iguais, o uso intramamário demanda uma menor quantidade de antibiotico, pois o tratamento tem como foco somente a glândula mamária, enquando que o tratamento sistêmico demanda uma maior dosagem de antibiótico.

Atenciosamente, Marcos Veiga
JUBER GUIDO MACIEL FILHO

INHAPIM - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/08/2014

Professor, apesar da dosagem via IM ter sido maior o resultado quanto a cura clínica ou e bacteriológica foi melhor. Concorda ?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/08/2014

Marcelo, o ceftiofur injetável somente é recomendável para tratamento de mastite aguda e grave , mas não para tratamento de mastite clínica ou subclínica leve.

Sendo assim, o ceftiofur pode ser uma opção de tratamento intramamário com o uso de bisnaga específica para este fim, mas não é recomendado para casos leves o uso da terapia combinada com ceftiofur, pois quando administrado por via sistêmica, o ceftiofur apresenta baixa liberação pelo leite.

Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/08/2014

Prezado Caio, o uso de antibióticos sistêmicos em casos graves de mastite (escore 3) é uma recomendação que tem como base o aumento da chance de sobrevivência da vaca, pois uma porcentagem de até 15% das vacas com casos graves pode apresentar bacteremia.

Sendo assim, para casos graves o uso de antibióticos sistêmicos e intramamários é uma recomendação adequada.

Atenciosamente, Marcos Veiga