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Tipo de cama influencia nível de contaminação por Prototheca spp.

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E TIAGO TOMAZI

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 16/01/2014

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Tiago Tomazi*
Marcos Veiga dos Santos

Prototheca spp. é uma alga unicelular capaz de causar infecções intramamárias (IIM) em vacas leiteiras. As principais espécies de Prototheca envolvidas com a mastite são P. zopfii e P. wickerhamii. Prototheca zoopfii possui dois subtipos: gt1 e gt2, sendo gt2 é o principal subtipo de Prototheca spp. envolvido com a mastite bovina. 

A mastite causada por Prototheca spp. pode se apresentar de forma clínica ou subclínica podendo causar inflamações intramamárias agudas ou crônicas com presença de grumos. Vacas com mastite causada por Prototheca spp. apresentam redução da produção de leite e aumento da contagem de células somáticas (CCS), mas. não apresentam resposta ao tratamento intramamário. Protocolos antimicrobianos destinados a eliminar patógenos bacterianos causadores de mastite não são eficientes para o tratamento de vacas infectadas por Prototheca spp.

Atualmente, as únicas práticas de manejo efetivas na eliminação de IIM por Prototheca spp. são a secagem definitiva de quartos infectados e/ou descarte de vacas infectadas do rebanho. Devido ao alto custo para reposição de vacas e a perda de produção devido ao descarte de animais infectados, a prevenção da mastite causada por Prototheca spp. ainda é a melhor medida de controle em rebanhos leiteiros.

Apesar de contagiosa, a Prototheca spp. tem como fonte primária de infecção o ambiente com alto teor de umidade. Prototheca spp. se desenvolve em ambiente úmido com presença de matéria orgânica, multiplicando-se aceleradamente em instalações com condições precárias de higiene ou em locais de armazenamento de esterco. A espécie P. zoopfii é isolada no ambiente, particularmente em áreas com acúmulo de barro nos arredores das instalações da fazenda. Assim, intervenções como a limpeza dos locais de circulação das vacas e a manutenção e troca periódica da cama utilizada nos estábulos são práticas de manejo economicamente mais efetivas em nível de rebanho do que a reposição de vacas. 

Uma vez que a via de transmissão de mastite causada por Prototheca spp. ocorre pela invasão do micro-organismo pelo canal do teto, a exposição do úbere à cama contaminada pode aumentar o risco de infecção. Mesmo em baixa contagem, a contaminação por Prototheca spp. no ambiente pode ser um risco à sanidade do úbere de vacas leiteiras. Um estudo demonstrou que vacas desafiadas com inoculações intramamárias de P. zopfii (40 a 480 ufc) apresentaram mastite de grau leve caracterizada pelo aumento da consistência do tecido mamário e presença de grumos no leite. Visto que a baixa carga de Prototheca spp. pode desencadear uma IIM, o tipo de cama utilizado nas instalações, bem como outras práticas de higiene importantes nas áreas de circulação das vacas são fatores de risco de mastite que não podem ser negligenciados.

O tipo de cama utilizada nos currais ou áreas de descanso pode aumentar o risco de IIM causadas por Prototheca spp. devido à capacidade de sobrevivência e multiplicação destes micro-organismos no ambiente. Baseado na possibilidade de infecção da glândula mamária por Prototheca spp. ocorrer pelo contato com a cama contaminada, um estudo realizado nos Estados Unidos avaliou o crescimento de P. zopfii gt1 e gt2 em materiais comumente utilizados como cama em rebanhos leiteiros.

Para avaliação da capacidade de crescimento de Prototheca spp. em diferentes tipos de cama, foram avaliadas cepas conhecidas de P. zopfii gt2 e cepas de P. zopfii gt1 isoladas do leite de uma vaca naturalmente infectada. Quatro tipos de cama foram avaliados no estudo: aparas de madeira (maravalha) seca em estufa, serragem de madeira sem processamento, esterco de vaca processado e areia. Antes da avaliação dos tipos de cama no experimento, culturas microbiológicas foram realizadas para comprovação da ausência de contaminação. Após, para cada tipo de cama, três alíquotas foram separadas em sacos estéreis, nos quais foram inoculadas e cultivadas as cepas de P. zopfii gt1 ou P. zopfii gt2.

Os resultados do estudo demonstraram que ambos os subtipos de P. zoopfi apresentaram crescimento reduzido na maravalha comparado ao esterco seco, à serragem sem processamento e à areia. O subtipo de P. zopfii gt1 apresentou maior crescimento na serragem sem processamento, na areia ou maravalha que o subtipo gt2. Com base nestas observações, o tipo de cama influencia no crescimento de Prototheca spp. in vitro, e este efeito foi associado com um crescimento mais pronunciado no esterco seco, na serragem e na areia.

Fatores como o pH, área de superfície de contato ou teor de matéria orgânica para o crescimento de Prototheca spp. não foram avaliados no estudo. Contudo, a área de superfície de contato é relativamente menor em volumes iguais de maravalha em comparação com a areia, fato que poderia explicar o menor crescimento de Prototheca spp. na maravalha. Mesmo sendo um material improvável em fornecer nutrientes para o desenvolvimento de Prototheca spp., a areia pode ter funcionado primariamente como substrato para tais microalgas neste estudo.

A incidência de mastite causada por Prototheca spp. tem aumentado nos últimos anos, o que despertou maior preocupação, tanto de ordem econômica, quanto de saúde pública. A dificuldade de tratamento de IIM causadas por Prototheca spp. implica na necessidade de uso de medidas preventivas em rebanhos leiteiros, principalmente na sala de ordenha e locais de descanso e de circulação das vacas. A utilização de tipos de camas com menor predisposição ao desenvolvimento de Prototheca spp. pode reduzir a invasão destes patógenos no úbere. O custo-benefício da troca de camas irá depender de vários fatores, os quais incluem o preço do material a ser utilizado como cama e o risco de mastite causado por Prototheca spp. em cada fazenda. Apesar do tipo de cama não ser considerado o principal fator de risco para IIM causadas por Prototheca spp., a escolha de materiais que dificultem o desenvolvimento de tais micro-organismos pode ser uma ferramenta auxiliar na prevenção de mastite em rebanhos com maior risco de IIM por este patógeno.

Fonte: Adhikari, N.; Bonaiuto, H. E.; Lichtenwalner, A. B. Dairy bedding type affects survival of Prototheca in vitro. J. Dairy Sci. 96:7739–7742, 2013.
*Doutorando do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP.
 

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

TIAGO TOMAZI

Médico Veterinário e Doutor em Nutrição e Produção Animal
Pesquisador do Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP

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JUNIOR MACHADO

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/06/2018

Bom dia professor. Gostaria de saber qual o melhor pré e pós dipping para se utilizar para evitar novos casos?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/06/2018

Prezado Junior, obrigado pelo contato. Infelizmente, não existe uma resposta única para redução de novos casos de mastite e a escolha do pré-dipping (mastite ambiental) e pós-dipping (mastite contagiosa) seria somente uma das variáveis a serem avaliadas. Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/05/2016

Prezado Israel, a Prototheca é um agente que pode ser encontrada em qualquer matéria orgânica. A minha opinião é de que a reposição de cama nova não elimina este agente. Sendo assim, minha sugestão seria somente repor a cama. Atenciosamente, Marcos
ISRAEL ALVES LARA

PIRACEMA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/05/2016

Bom dia Prof. Marcos, tenho um compost barn, precisava de aumento de carga para instalar os ventiladores, e esta atrasou. Uma das consequências foi o aparecimento de casos positivos para Prtotheca ssp. Estou identificando e segregando os animais antes de promover a cauterização do teto ou descarte dos animais.Minha dúvida, pra qual até agora não encontrei resposta, é se posso repor a cama ou se devo retirá-la tota e colocar uma nova.
Desde já agradeço a atenção.
MARIA BEATRIZ TASSINARI ORTOLANI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/03/2014

Abertas as inscrições para o curso online AgriPoint de Qualidade do Leite e Manejo de ordenha. Começa no dia 31/03. Não perca a oportunidade de aprender com um dos maiores nomes na área: Marcos Veiga dos Santos. Para mais informações acesse: http://www.agripoint.com.br/curso/qualidade-leite/
EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2014

Professor Marcos Veiga,

Tenho tido alguns problemas, não muitos, com mastite ambiental que estão me intrigando. A CCS média do tanque geralmente fica em torno de 150, CBT 5, Gordura 3,8, Protéina 3,3 (vacas holandesas) e o gado fica em um moderno Free Stall, com camas de borracha com palha de arroz e cal virgem (trocadas praticamente todos os dias), limpadores automáticos de esterco nos corredores, pisos de borracha na sala de espera e corredores de acesso a ordenha, cow brushes, ventiladores, sistema de aspersão na linha do cocho, sistema de monitoramento de ruminação, saúde e cio, usamos pastilhas agrisept no pré dip e dellabarrier no pós dip e algumas vacas tem apresentado mastite ambiental de leve a moderada e uma ou outra severa. Fiz antibiograma do tanque e deu positivo para estafilococos sp. coagulase negativa e streptococos sp ( bovis ou uberis). Tenho lido que propriedades com com baixa CCS no tanque tem tido problemas com mastite ambienal, mas depois que li a matéria sobre a Prothoteca fiquei meio cismado. Há casos de mastite por esta alga registrados no Brasil. Grande abraço.
Eduardo Amorim
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 13/02/2014

Zoraide,

Não tenho informações sobre produtos específicos para tratamento de areia (algicida). Na minha opinião a areia seria a cama ideal para fins de prevenção de mastite, pois é um material inorgânico, o que dificulta o crescimento de microrganismos causadores de mastite, inclusive da Prottheca.

Atenciosamente, Marcos Veiga
ZORAIDE MARTINS

PIEDADE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2014

Como o objeto de estudo foi a prevenção relativa à alga, indicando que a maravalha é o melhor tipo de cama, gostaria de saber se é também o mais indicado para prevenir contra as corriqueiras bactérias causadoras de mastite. Optando-se pelo tipo de cama areia, gostaria de saber se é possível tratá-la com algum produto algicida.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 13/02/2014

Prezado Marco Antonio,

Conforme coloquei anteriormente, o tema de compost barn foi bastante discutido no radar que publicamos recentemente:

http://www.milkpoint.com.br/mypoint/6239/p_compost_barn_uma_alternativa_para_o_confinamento_de_vacas_leiteiras_4771.aspx

No caso de compost barn, desde que seja bem manejado, minha opinião é de que não há um risco maior em relação a Prototheca.,

Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 13/02/2014

Prezado Marco Antonio,

Conforme coloquei anteriormente, o tema de compost barn foi bastante discutido no radar que publicamos recentemente:

http://www.milkpoint.com.br/mypoint/6239/p_compost_barn_uma_alternativa_para_o_confinamento_de_vacas_leiteiras_4771.aspx

No caso de compost barn, desde que seja bem manejado, minha opinião é de que não há um risco maior em relação a Prototheca.,

Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCO ANTONIO COSTA

CAMPO BELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2014

Marcos, boa tarde
Muito boa sua colocação sobre camas. Você poderia me orientar sobre o confinamento em compost barn? Seria perigoso para meu rebanho? Nossa propriedade está localizada no sudoeste de minas.
Obrigado

MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 13/02/2014

Prezado Estevão,

Em relação ao uso de bagaço de cana para uso sobre cama de colchão, considerando que é um material orgânico, apresenta os problemas de risco de mastite de origem ambiental. Não conheço nenhum estudo específico sobre o uso de bagaço de cana, mas penso que pode ser uma opção, desde que bem manejado e que esteja com seco.

Atenciosamente, Marcos Veiga
ESTÊVÃO DOMINGOS DE OLIVEIRA

QUIRINÓPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/02/2014

Caro Marcos Veiga

Parabéns pelo artigo

Gostaria de saber sua opinião acerca do uso de Bagaço de Cana como substrato a ser colocado sobre cama de borracha em freestal. É um material potencialmente perigoso para contaminação dos animais? Existe algum trabalho específico avaliando esse material como cama?

Obrigado
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 13/02/2014

Prezado Ricardo, este tema foi bastante discutido no radar que publicamos recentemente:

http://www.milkpoint.com.br/mypoint/6239/p_compost_barn_uma_alternativa_para_o_confinamento_de_vacas_leiteiras_4771.aspx

Sugiro que entre no radar e veja as mensagem de produtores e técnicos com diferente opiniões sobre os materiais para uso em camas de sistema compost barn,

Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 13/02/2014

Prezado Jonathan, na minha opinião, a escolha do tipo de sistema de confinamento deve levar em conta não somente a redução de problemas de mastite, mas sim o resultado do sistema como um todo, principalmente quanto ao retorno econômico.

Minha sugestão é que você procure um excelente profissional que possa dar suporte para a implantação do novo sistema e que principalmente, você faça visitas em sistemas em operação para entender melhor limitações, vantagens e desvantagens de cada sistema. Não existe sistema perfeito para todas as situações e dependendo da sua condição local (disponibilidade de capital, mão de obra, água, disponibilidade de terra, manejo de dejetos, entre outros), pode-se ter uma alternativa que seja mais adequada. Infelizmente, não tenho como apontar um determinado sistema que seja o mais adequada em relação ao controle de mastite.

Atenciosamente, Marcos Veiga
JONATHAN DA ROSA

PALMITOS - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/02/2014

Eu estou com uma duvida eu penso em fazer um sistema de confinamento para vacas leiteiras da raça holandesa na sua opinião qual o melhor sistema para se fazer,(free stall ,compost barns) porque quero minimizar o problemas de mastites que estou tendo no meu rebanho, fiquei com um pouco de medo de fazer um novo sistema depois de ler esta matéria.
muito obrigado pela atenção
RICARDO LEONEL SOBRINHO

LAGOA DA PRATA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/01/2014

MARCOS eu quero saber qual a cama ideal para compostagem