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Produção de leite como fator de risco para ocorrência de mastite

Marcos Veiga dos Santos1 e Tiago Tomazi2

As principais perdas econômicas ocasionadas pela mastite são consequências dos custos de tratamento da infecção, descarte de vacas com mastite crônica e, principalmente, da redução da produção de leite. A gravidade da mastite subclínica é medida a partir da contagem de células somáticas (CCS) do leite. Assim, quanto mais alta a CCS, maior é a intensidade da inflamação. Durante a inflamação, células de defesa da vaca migram da corrente sanguínea para a glândula mamária a fim de combater o agente patogênico, o que leva ao aumento da CCS. Visto que inflamações intramamárias (IIM) reduzem a produção de leite, a CCS é uma excelente ferramenta para quantificar o impacto econômico da mastite em rebanhos leiteiros.

Conceitualmente, um fator de risco é qualquer tipo de situação ou característica que aumenta a probabilidade de ocorrência da uma doença, como a mastite. Os principais fatores de risco da mastite estão relacionados a categorias como biossegurança, procedimentos de ordenha, sistema de ordenha, tratamento de IIM, higiene do animal e condições das instalações. Além disso, outro importante fator de risco é a produção de leite. Vacas com episódios de mastite tendem a ser vacas de alta produção, o que demonstra que ignorar a produção de leite como um fator de risco pode subestimar as perdas de produção.

Pesquisadores canadenses realizaram um estudo no qual buscaram determinar as perdas diárias de produção de leite devido à mastite por meio da relação entre a produção de leite e CCS em nível de vaca. O estudo também teve como propósito avaliar a produção de leite como fator de risco da mastite, e estimar a perda de produção de leite durante toda lactação devido ao aumento da CCS geral da mesma lactação em nível de vaca.

O estudo foi realizado a partir de 869.414 registros de dados diários coletados de 115.617 animais em 2.835 rebanhos. Para cada observação, as seguintes variáveis foram registradas: CCS, produção de leite (kg/dia), produção de gordura (kg/dia), dias em lactação (DEL), número de partos (PAR; 1ª a 5ª parição), estação (quente e fria), e classe de produção de leite por quartil (QL). Esta última foi determinada por uma classificação obtida por meio da média de produção diária de leite (kg; média de todos os registros da lactação) de cada vaca de acordo com a produção de leite por quartil no rebanho.

Para a proposta deste estudo, uma vaca saudável com CCS em 24 horas inferior ou igual a 100.000 células/mL, e uma vaca com mastite com CCS no mesmo período superior a 100.000 células/mL foram utilizadas como referência e para comparação com os dados registrados. As estimativas de perda de produção relacionadas à CCS foram realizadas por meio de equações de análise de regressão. As equações estimaram a perda de produção de leite (Kg) em função da alteração de uma unidade de CCS em comparação com a vaca saudável de referência.

A perda de produção de leite durante a lactação relacionada ao aumento da CCS foi calculada somente para vacas com registro de lactação completa. O limite mínimo de duração de lactação foi de 150 dias, e o máximo de 400 dias (média de 279 DEL). O banco de dados conteve o total de 72.113 lactações.

Os resultados do estudo demonstraram que a CCS tem efeito significativo sobre a redução da produção de leite, e pode ser estimada diariamente quando se tem em mãos um banco de dados completo. Por exemplo, um animal considerado de média produção no QL 3, com dois partos e CCS de 500 000 células/mL, apresentou perda de produção estimada em 24 horas de 1,92 Kg (Tabela 1). A perda de produção aumenta com o aumento do número de partos e produção de leite. Animais de primeira cria no QL 1 demonstraram perdas 45% menores que vacas no QL 1 com mais número de partos (Tabela 1). Nos QL 2, QL 3 e QL 4, as porcentagens de perda de produção de vacas primíparas foram 36, 33 e 26% menores que em vacas multíparas. A produção de leite, neste caso distribuído em QL, demonstrou-se um fator de risco importante. Os resultados demonstraram que vacas de alta produção (QL 4) apresentam as maiores perdas de produção.


Tabela 1 – Perda de produção (Kg) estimada para CCS específicas distribuídas entre o número de partos e dentro das produções de leite específicas por quartil.


1CCS – Contagem de células somáticas (x103 células/mL); 2PAR – Número de partos; 3Quartil de produção de leite, em que Q 1 corresponde às vacas de baixa produção, e Q 4 às vacas de mais alta produção.
Fonte: Adaptado de Hand et al. (2012).

A perda total de produção de leite para todas as lactações completas registradas no banco de dados foi calculada e classificada pela média de CCS da lactação completa (Tabela 2). Conforme esperado, a perda de produção de leite aumentou com o aumento da média de CCS. É interessante observar que já em CCS baixas, compreendidas no intervalo de 100 a 200.000 células/mL, as perdas de produção de leite foram de 165 Kg durante a lactação de vacas de primeira cria, e de 348 Kg e 381 Kg em vacas de segunda e terceira cria, respectivamente (Tabela 2). Neste estudo, a perda de produção de leite por lactação foi aproximadamente 50% maior em vacas multíparas em comparação com vacas de primeira cria, o que indica a idade do animal como outro fator de risco de IIM.

Tabela 2 - Perda de produção (Kg) estimada em toda lactação, classificada pela CCS média da lactação e pelo número de partos.
1PAR – Número de partos; 2CCS – Valores de CCS compreendidos entre as determinadas variações.
Fonte: Adaptado de Hand et al. (2012).

Em termos econômicos, o aumento da CCS traz grandes prejuízos tanto ao produtor de leite como à indústria de laticínios. Com relação ao produtor, as maiores perdas estão relacionadas à queda na produção de leite dos animais infectados. Além da queda na produção de leite outros custos podem ser quantificados na seguinte ordem:
• Valor da produção de leite perdida (66% do total);
• Descarte prematuro de vacas (22,6% do total);
• Valor do leite descartado por resíduos (5% do total);
• Despesas com veterinário e tratamentos (5,6% do total).

Fonte: Hand, K. J.; Godkin, A.; Kelton, D. F. Milk production and somatic cell counts: A cow-level analysis. J. Dairy Sci. 95:1358–1362. 2012.

1Professor Associado da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ/USP), 2Mestrando em Nutrição e Produção Animal, FMVZ, USP

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FABIO HENRIQUE CARVALHO MARIANO

ITUIUTABA - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 24/10/2012

temos grande dificuldades quando falamos com o produtor de leite em relação a CCS,pois ele sabe que o problema existe mais não consegue enxergar o prejuíso .

otima materia
JUAREZ CABRAL FERNANDES

QUIRINÓPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/10/2012

Estamos trabalhando firme para concientizar os produtores de leite sobre como obter leite de qualidade ...
PRECILA FRANCESCKI TURRA

PALMEIRA DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 20/09/2012

Parabéns pelo artigo.
ESTÊVÃO DOMINGOS DE OLIVEIRA

CAÇU - GOIÁS

EM 19/09/2012

Resumindo...Quando se trata de trabalhar o rebanho para reduzir a CCS, o principal beneficiado é o bolso do produtor de leite. Pena que uma grande quantidade de indivíduos ainda não se conscientizou. Mas, chegaremos lá.

Parabéns pelo artigo.