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Perdas econômicas e custos do controle da mastite em rebanhos leiteiros

Por Juliano Leonel Gonçalves e Marcos Veiga dos Santos

A análise econômica de uma doença tem o objetivo principal estimar o impacto ocasionado pela enfermidade sobre o desempenho econômico da fazenda leiteira. No caso da mastite bovina, as perdas devido aos casos clínicos são percebidos com maior facilidade pelo produtor, uma vez que os sinais clínicos são evidentes e o leite produzido é descartado. Por outro lado, estimar as perdas e despesas associadas aos casos de mastite subclínica não é tão evidente, quando comparado aos casos clínicos, principalmente, porque esta doença não causa alteracões visuais do leite ou úbere da vaca.

A detecção da mastite subclínica é realizada indiretamente pela contagem de células somáticas (CCS). Esse aumento celular é decorrente da resposta de defesa da vaca e indica uma inflamação na glândula mamária, o que geralmente ocorre em resposta a infecções intramamárias. A maioria dos estudos econômicos realizados até o presente momento tiveram como base a CCS do tanque para avaliar o nível sanitário do rebanho. Entretanto, outras formas que poderiam ser utilizadas na avaliação da sanidade de rebanhos seria a mensuração mensal da CCS por vaca (amostra composta dos 4 quartos) ou de forma mais criteriosa por quarto mamário independentemente. As perdas associadas com a mastite subclínica são proporcionais à CCS, isto é, quanto maior a CCS menor o volume de leite produzido pelo quarto mamário infectado.

Os custos associados aos casos de mastite incluem não apenas o volume de leite descartado, mas também o quanto a vaca deixa de produzir (redução do potencial de produção) e as alterações nos componentes do leite, em razão da menor qualidade. Além disso, outros custos são: medicamentos, mão-de-obra extra, orientação técnica, gastos associados a possíveis doenças concomitantes e, em último caso, gastos associados ao descarte e reposição da vaca. Diante disso, as análises de impacto econômico precisam ser diferenciadas de acordo com o tipo de mastite, por exemplo, os custos devido ao tratamento adotado em casos clínicos ou morte em casos graves de mastite clínica devem ser considerados na avaliação do impacto econômico da mastite clínica.

Além dos fatores ligados à vaca e à gravidade da mastite, as particularidades da fazenda devem também ser levadas em conta.. Como exemplo, fazendas em diferentes podem apresentar desafios diferentes de condições ambientais. O tipo de clima está diretamente relacionado a frequência de patógenos causadores de mastite, o que pode influenciar nas despesas de controle e prevenção da propriedade. Outro exemplo, em fazendas leiteiras que precisam implantar medidas preventivas como o pré e pós-dipping, mas que apresentam falhas no manejo de limpeza de camas podem favorecer o aumento de casos de mastite ambiental. Nesta última situação em específico, fica difícil mensurar o quanto uma falha de manejo influência o desempenho econômico da propriedade, mas é certo que para esta fazenda o custo final associado aos casos de mastite seriam mais elevados, uma vez que possivelmente a propriedade estaria desembolsando certa quantia no controle e prevenção da mastite; mas, mesmo assim, apresentaria maior frequência de casos de mastite ambiental.

Além do custo associado à mastite variar com o tipo de mastite e particularidades das propriedades leiteiras, as diferentes metodologias de estimativas de perdas ocasionadas pela mastite utilizadas podem ser outra razão pela qual existem diferentes estimativas de custo da mastite entre os estudos científicos desde a década de 1990.

Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade Nacional de Río Cuarto, Argentina, realizou uma avaliação econômica dos custos diretos diários e as despesas de controle e prevenção associados a mastite. A pesquisa foi realizada em 48 rebanhos leiteiros (média de 128 vacas Holandesas em lactação e 17,5 Kg/vaca/dia) da região de Córdoba, bacia leiteira que representa 65% dos produtores argentinos.

Um total de 1.955 vacas foram selecionadas ao acaso e amostras compostas de leite foram coletadas para CCS. Logo após, informações gerais das vacas e das fazendas leiteiras selecionada foram coletadas (número de partos, dias em lactação, ocorrência de mastite clínica e tratamento adotado, utilização de pré e pós-dipping e terapia de secagem). Na tabela 1 está apresentado o grau de aplicação de práticas de controle e prevenção dos rebanhos leiteiros envolvidos no estudo.

Tabela 1. Frequência de aplicação de práticas de controle e prevenção em rebanhos leiteiros de Córdoba, Argentina (n = 48).



A perda média da produção de leite ocasionada pela mastite subclínica foi 2,8 litros/vaca/dia, o que representou um custo de US$ 0,99/vaca/dia. Por outro lado, a perda média de produção de leite devido a casos de mastite clínica foi menor do que a descrita anteriormente para mastite subclínica, 0,12 litros/vaca/dia, o que representou um custo de US$ 0,04/vaca/dia. A média de despesas oriundas do controle e prevenção da mastite foi US$ 0,059/vaca/dia. Dentre essas despesas, a terapia de secagem foi a que apresentou maior quantia (US$ 0,047/vaca/dia), seguido do tratamento para mastite clínica (US$ 0,006/vaca/dia). Os principais componentes envolvidos no custo total da mastite em dólares por dia estão descritos na Tabela 2.

Tabela 2. Componentes envolvidos no custo total da mastite (US$/dia) de rebanhos leiteiros de Córdoba, Argentina (n = 48).



Em 50% dos rebanhos leiteiros do estudo, o custo total associado a casos de mastite foi de US$ 1,04 vaca/dia, podendo chegar a US$ 1,20 vaca/dia quando levandos em conta 25% de rebanhos com os custos totais mais elevados associados à casos de mastite. Ao avaliar os custos totais associados a mastite em proporção da renda bruta, os pesquisadores chegaram a conclusão que em 50% dos rebanhos estudados os casos de mastite representam um custo total de pelo menos 16% da receita bruta do rebanho. Adicionalmente, eles avaliaram os custos totais associados à mastite em proporção da renda bruta em categorias de produção, rebanhos de alta/média/baixa produção de leite. De forma resumida, quanto maior a produção de leite do rebanho, menor é o custo total associado a mastite em proporção a renda bruta do rebanho. Os pesquisadores observaram um custo total associado à mastite em proporção a renda bruta do rebanho de 24%, 16% e 14% para rebanhos de menor, média e maior produção de leite, respectivamente. A tabela 3 sumariza os custos totais associados à mastite (US$/vaca/dia) e a proporção sobre o renda bruta de 48 rebanhos leiteiros (Córdoba, Argentina) em diferentes categorias de produção.


Tabela 3. Custos totais associados a mastite (US$/vaca/dia) e a proporção sobre o renda bruta de 48 rebanhos leiteiros (Córdoba, Argentina) em diferentes categorias de produção.



Como conclusão, as perdas econômicas ocasionadas pela mastite variam com o tipo de mastite, frequência, gravidade e duração da doença, assim como com o nível de produção do rebanho leiteiro. Isso explica porque os custo associados à mastite variam entre rebanhos. A mastite subclínica é o tipo da enfermidade que ocasiona as maiores perdas na produção leiteira, o que pode representar de 15 a 24% da renda bruta. O impacto do custo total ocasionado pela mastite em proporção a renda bruta é maior em rebanhos de baixa produção. Por fim, os resultados deste estudo contribuíram para uma melhor percepção do impacto da mastite, motivando setores públicos e privados a promoverem ações de controle e prevenção da enfermidade entre os produtores rurais.

Fonte: VISSIO, C et al . Archivos de medicina veterinaria. v. 47, n. 1, p. 7-14, 2015 (artigo completo: http://www.scielo.cl/pdf/amv/v47n1/art03.pdf)



 

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MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 04/11/2015

Quem quiser saber mais sobre o tema, estamos com inscrições abertas para o Curso Online "Aumente o lucro pelo controle e prevenção da Mastite Bovina".
Durante todo o período do curso, o prof. Marcos Veiga, estará disponível para tirar as dúvidas dos alunos.

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MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/09/2015

Prezado Tiago,

Pela sua descrição não é certeza de que seja mastite ambiental, e sim um caso de mastite grave, que tem inchaço e comprometimento sistêmico da vaca.

Na maioria dos casos graves, é necessário entrar com tratamento específico (antibiótico injetável, intramamário, anti-inflamatório e hidratação da vaca), mas como os sintomas melhoraram no dia seguinte, é possível que a própria vaca tenha conseguido reagir de forma adequada ao caso de mastite.

Geralmente, estes casos de mastite aguda e grave tem aparecimento de sintomas dentro de 6-12 horas. Ou seja a vaca está ordenhando normalmente e na próxima ordenha começam os sintomas. Possivelmente, esta vaca estava com a bactéria dentro da glândula mamária por pelo menos alguns dias antes dos sintomas.

Atenciosamente, Marcos Veiga
TIAGO LUÍS RHODEN

CERRO LARGO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/09/2015

Olá professor Marcos!
Tenho a seguinte dúvida:
Por exemplo, tenho uma vaca que apareceu na ordenha da tardinha com um quarto totalmente inchado, duro e muito dolorido, foram feitos os 3 jatos, saiu apenas um leite aguado, amarelado, a vaca nem baixava a cabeça p comer no canzil, no caso seria uma baita mamite ambiental. Na ordenha da manhã a vaca estava normal. A pergunta seria quanto tempo essa mastite demora para se manifestar desde a contaminação, até o ponto do quarto estar duro, inchado?

Desde já, muito obrigado e um abraço...