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Patógenos secundários predispõem novos casos de mastite?

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E JULIANO LEONEL GONÇALVES

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 26/06/2013

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 Juliano Leonel Gonçalves e Marcos Veiga dos Santos

Bactérias causadoras de mastite como Staphylococcus aureus, Streptococcus uberis, Streptococcus agalactiae e coliformes são classificadas como patógenos primários. Estes microrganismos podem causar mastite na forma clínica ou ainda a mastite crônica em razão de recidivas da infecção subclínica, o que resulta em lesões aos tecidos mamários. Desta forma, uma das possíveis consequências é a persistência destes patógenos na glândula mamária, e consequentemente potencial de transmissão para outras vacas.

Por outro lado, o impacto das infecções intramamárias (IIM) causadas por patógenos secundários, como Corynebacterium spp. e Staphylococcus coagulase negativa (ECN), ainda não é consenso nos estudos realizados nas últimas décadas. Uma das principais dificuldade é que estes estudos variaram muito nas metodologias de análises e de coletas empregadas. Deste modo, considera-se que os patógenos secundários causam reações inflamatórias de menor intensidade que os patógenos primários, o que significa que ocorrem apenas aumentos moderados de CCS e mínima alteração na produção de leite. Estes resultados levaram alguns pesquisadores a questionar se uma vaca com uma infecção causada por patógenos secundários estaria menos predisposta a ter uma infecção causada por patógenos primários. Até o momento ainda não existe uma conclusão definitiva se quartos mamários com mastite causada por patógenos secundários apresentam maior proteção ou predisposição a novos casos de mastite causada por patógenos primários.
Para estudar esta questão, um estudo recente, desenvolvido no Canada, avaliou os resultados de 30 pesquisas prévias sobre mastite causada por patógenos secundários. O principal objetivo da pesquisa foi avaliar o efeito de mastite causada por patógenos secundários o risco de ocorrência de mastite causada por patógenos primários. Os estudos selecionados foram divididos em dois grupos: observacionais e desafio experimental. A diferença entre os estudos observacionais e de desafio experimental, é que no primeiro grupo a infecção ocorre de forma natural, enquanto no segundo a infecção foi induzida de forma artificial por meio de inoculação das bactérias de interesse na glândula mamária. Os estudos de desafio experimental apresentaram menor número de animais (média = 64,5), quando comparado a vacas envolvidas nos estudos observacionais (média = 673,4). A maioria das vacas envolvidas nos estudos avaliados foi da raça Holandesa.

Os resultado indicaram dois tipos de respostas diferentes entre os estudos avaliados. Com base nos resultados de estudos observacionais, quartos mamários previamente infectados por patógenos secundários não apresentaram proteção e ou predisposição a ocorrência de novos casos de mastite causada por patógenos primários. Entretanto, os quartos mamários avaliados nos estudos de desafio experimental por patógenos secundários apresentaram maior proteção quanto à ocorrência de novos casos de mastite causados por patógenos primários. Os estudos que utilizaram menos de 40 vacas apresentaram maior efeito de proteção do que estudos que utilizaram maior quantidade de animais. Estudos que avaliaram os efeitos de mastite causada por patógenos secundários ainda apresentaram resultados contraditórios, devido à divergência de metodologias utilizadas e reduzido número de animais avaliados.

Em outro estudo, pesquisadores canadenses avaliaram durante dois anos as informações de um banco de dados que foi construído com objetivo de monitoramento de mastite bovina. Um total de 115.000 amostras de leite foram analisadas durante o período de estudo. As amostras de leite foram coletadas de quartos mamários de vacas em lactação clinicamente normais (leite de aparência normal). Os resultados indicaram que os quartos mamários em média foram positivos para algum patógeno causador de mastite em 25% das amostras, considerando todos os períodos de coleta.

A mastite causada por Corynebacterium spp. não predispôs novos casos de mastite causadas por patógenos primários. Entretanto, o momento em que ocorreu a infecção do tecido mamário por Corynebacterium spp. foi determinante, visto que quartos mamários infectados por este microrganismo no período seco apresentaram maior chance de aumentar a ocorrência de mastite clínica, ao passo que quartos infectados pelo mesmo agente uma semana antes e depois do parto apresentaram diminuição na probabilidade de ocorrência de mastite clínica.

Considerando todos os períodos de coletas de leite avaliados (pré-secagem, meio de lactação e pós-parto), os quartos com diagnóstico de mastite causada por ECN apresentaram maior predisposição à ocorrência de novos casos de mastite causada por Staphylococcus aureus, principalmente nas vacas no meio e final de lactação. Similarmente, quando as amostras foram analisadas separadamente pela fase de lactação, quartos mamários com mastite causada por ECN maior apresentaram predisposição a ocorrência de novos casos de mastite por Escherichia coli (mastite ambiental) no período pós-parto. Além disso, vacas com maior susceptibilidade à mastite apresentaram predisposição à ocorrência de novos casos de mastite por causada por Streptococcus uberis e coliformes. Por outro lado, para estes animais com maior susceptibilidade a mastite, não foi demonstrado proteção ou predisposição a novos casos de mastite ocasionados pelos demais patógenos primários.

Desse modo, os resultados indicaram que mesmo com grande número de quartos mamários avaliados, não foi possível uma conclusão definitiva sobre o efeito protetor das infecções causadas por patógenos secundários sobre os casos de mastite causada por patógenos primários.

Fonte: Reyher, K. K., D. Haine, I. R. Dohoo, and C. W. Revie. 2012. Journal of dairy science 95(11):6483-6502. e Reyher, K. K., I. R. Dohoo, D. T. Scholl, and G. P. Keefe. 2012. Journal of dairy science 95(7):3766-3780.
*Juliano Leonel Gonçalves é Médico Veterinário e doutorando em Nutrição e Produção Animal da FMVZ/USP.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

JULIANO LEONEL GONÇALVES

Juliano Leonel Gonçalves graduou-se em Medicina Veterinária pela Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC; concluiu o mestrado e está cursando doutorado na USP. Atualmente, está como pesquisador visitante da Wageningen University, Holanda.

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