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Monitoramento da CCS e CBT no leite do tanque

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 15/10/2004

3 MIN DE LEITURA

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A partir da década de 90 houve grande interesse em utilizar o leite do tanque para diagnosticar problemas de mastite e qualidade nos rebanhos leiteiros. Esta é uma ferramenta que é utilizada em muitos países e que pode trazer informações sobre a ocorrência de problemas existentes e potenciais, como a ocorrência de resíduos de antibióticos, aumento da contagem de células somáticas (CCS) e variações na contagem bacteriana total (CBT). No entanto, existe grande controvérsia sobre os padrões que podem ser utilizados para as várias análises que podem ser feitas, uma vez que muitos autores baseiam-se em experiência pessoal ou na extrapolação de resultados de pesquisas. Nesse sentido, foi realizado um trabalho de pesquisa na Pensilvânia para avaliar a utilidade da análise de leite do tanque para o monitoramento do controle de mastite e da qualidade do leite.

Foram avaliados 149 rebanhos durante 2 meses, perfazendo o total de 4 análises no período por rebanho, que incluíram a CCS, CBT e identificação de agentes causadores de mastite. Além das análises citadas, foi realizado amplo levantamento sobre as práticas de ordenha e de manejo empregadas nos rebanhos: número de ordenhas/dia, tipo de equipamento, tipo de cama utilizada, procedimentos de limpeza de equipamento e medidas de controle de mastite.

A CCS média dos rebanhos analisados foi de 315.000 cel/ml. Os resultados de contagem de células somáticas dos rebanhos foram agrupados em três grupos principais: baixa CCS (<200.000 cel/ml), média CCS (200.000-400.000 cel/ml) e alta CCS (> 400.000 cel/ml). Neste estudo, a CCS do tanque esteve diretamente relacionada com a ocorrência de estafilococcus coagulase-negativa (ECN), os quais causam uma inflamação branda e elevação da CCS. Deve-se ressaltar que a detecção no leite do tanque dos ECN e de outros agentes ambientais não indica exclusivamente que eles têm origem na glândula mamária, uma vez que estes microrganismos encontram-se disseminados por todo o ambiente. Por outro lado, a CCS foi menor nos rebanhos com uso de camas inorgânicas (areia) em comparação com os rebanhos que utilizavam camas orgânicas. De maneira geral, a CCS do tanque apresenta baixa relação com a contagem bacteriana. É bom lembrar que em nível individual, quando a CCS está acima de 200.000 cel/ml isto é indicativo de mastite subclínica, no entanto, este é um valor muito difícil de ser atingido para o leite do tanque, pois para a grande maioria dos rebanhos (< 15% dos rebanhos encontravam-se dentro deste limite). A CCS esteve diretamente relacionada com o isolamento de agentes contagiosos causadores de mastite, como S. aureus (SA) e S. agalactiae.

A CBT média dos rebanhos foi de 4.300 ufc/ml, o que indica uma excelente qualidade higiênica de produção do leite, pois é indicativo do número total de microrganismos no leite. Além disso, 50% dos rebanhos apresentaram CBT menor que 4.100 ufc/ml. Os rebanhos avaliados também foram divididos em três categorias: baixa CBT (<5.000 ufc/ml), média CBT (5.000-100.000 ufc/ml) e alta CBT (> 10.000 ufc/ml). A CBT dos rebanhos esteve positivamente associada com a ocorrência de infecções causadas por ECN e de estreptococos ambientais. Nos rebanhos que utilizavam o pré e o pós-dipping as CBT do tanque foram significativamente menores que nos rebanhos utilizando spray para a desinfecção dos tetos. A elevação da CBT está associada com as situações de falta de higiene durante a ordenha, tetos sujos antes da ordenha, deficiência de limpeza de equipamentos e utensílios e problemas no resfriamento do leite. A prática de pré e pós-dipping é atualmente considerada como componente crítico para a qualidade do leite e controle de mastite. Essa medida é utilizada para reduzir a população de microrganismos na extremidade do leite, o que reduz o risco de infecções intramamárias e reduz a contaminação da pele dos tetos que é transferida para o leite. No período de tempo entre as ordenhas, o contato dos tetos com o solo, barro, esterco e lama causa a sua contaminação e, desta forma, aumenta o risco de novas infecções intramamárias.

De acordo com os autores, o monitoramento da qualidade do leite e da ocorrência de mastite pode ser feito pelo uso de análise de leite do tanque e que a distribuição dos resultados de CCS e CBT em categorias (baixo, médio e alto) auxilia na identificação de problemas de mastite e qualidade em nível de rebanho.

Fonte: Journal of Dairy Science, v. 87, p.3561-3573, 2004.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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WALISON MAICOU JUNIO

EM 02/06/2019

Entao vacas de ccs e cbt devem ser ordenhadas separadamente e tambem o ccs pode ser transmitido por um conjunto de teteiras que tenhao ordenhado uma vaca de ccs alto
JOSIANE SILVA

IMPERATRIZ - MARANHÃO - ESTUDANTE

EM 08/03/2012

Esse artigo me ajudou a esclarecer duvidas pois estou fazendo minha monografia "A qualidade na produção de leite"   adorei.,....
DANIEL MARQUES CUNHA

CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA - PARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/04/2011

Artigo muito bom, porem achei um tanto desatualizado, pois estamos em 2011.
porem tirei muitas duvidas. Muito Grato
ANDRESSA CAROLINO

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS

EM 07/07/2010

Ótimo artigo, pude tirar várias dúvidas. obrigada
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