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Mastite por Estafilococos não-aureus em primíparas recém-paridas

POR GUSTAVO FREU

E MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 15/10/2019

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As novilhas são consideradas o futuro das fazendas leiteiras e espera-se que estes animais estejam com excelente saúde do úbere. No entanto, algumas fazendas apresentam alta prevalência de infecções intramamárias (IIM) nas primíparas recém-paridas, variando de 12 a 70% dos quartos mamários infectados no início da lactação. Dentre as principais causas de mastite em primíparas destacam-se o grupo dos estafilococos não-aureus (ENA).

As consequências da mastite causada por ENA ainda não são totalmente compreendidas. Por exemplo, as IIM causadas por ENA podem ter efeito negativo sobre a produção de leite ou causar somente ligeiro aumento da contagem de células somáticas (CCS). Além disso, de forma inesperada, resultados de pesquisa indicaram maior produção de leite em primíparas e vacas infectadas com ENA em comparação com não infectadas. Esta maior produção de leite pode estar associada com aumento da produção local de prolactina na glândula mamária. A prolactina é um hormônio associado com a manutenção da lactação em ruminantes e lesões na glândula mamária causadas pela mastite aumentam a permeabilidade vascular, podendo resultar na passagem do hormônio da corrente sanguínea para o leite.

Diante disso, um estudo recente avaliou o impacto da IIM causada por ENA em primíparas no início da lactação sobre a produção de leite e a CCS dos quartos mamários durante os primeiros quatro meses de lactação. Além disso, também foi avaliada a associação entre IIM por ENA no início da lactação e a concentração de prolactina no leite, em 82 primíparas da raça Holandesa de três rebanhos leiteiros com sistema de ordenha voluntária. Nenhuma das primíparas selecionadas recebeu tratamento com antimicrobianos antes do parto. Cada animal teve amostra de leite coletada por quarto mamário (entre 1 a 4 dias após o parto) para cultura microbiológica, CCS e para determinação da concentração de prolactina. Após a primeira coleta de amostras, as novilhas foram acompanhadas nos rebanhos por aproximadamente quatro meses e tiveram amostras de leite coletadas para CCS em intervalos de 14 dias.

De um total de 324 quartos mamários avaliados, ENA foi isolado em 21% (n = 68). Adicionalmente, do total de quartos mamários infectados (n = 89), ENA foi isolado em 76,4% das amostras de leite. Esse grupo de microrganismos foi a principal causa de IIM nas primíparas recém-paridas.

A média geométrica da CCS dos quartos mamários infectados com ENA foi ligeiramente maior em comparação com quartos mamários não infectados tanto na primeira coleta (dia 1-4: 394.000 células/mL vs. 353.000 células/mL) quanto na segunda coleta (dia 15-18: 96.000 células/mL vs. 64.000 células/mL). No entanto, este aumento foi ainda maior em IIMs causadas por patógenos maiores (e.g., Staphylococcus aureus, Trueperella pyogenes, Escherichia coli e Klebsiella spp.).

O impacto da mastite causada por ENA sobre a CCS varia de acordo com as espécies de ENA. Neste estudo, quartos infectados com ENA tiveram maior CCS do que os quartos sadios (Figura 1). Por outro lado, apesar da CCS mais alta, não houve impacto da mastite causada por ENA sobre produção de leite (Figura 1). A alta CCS dos quartos mamários infectados por ENA sem comprometimento da produção de leite foi atribuída ao aumento de células epiteliais ou macrófagos e linfócitos ao invés de neutrófilos (que geralmente causam maiores danos ao tecido mamário), mas não foi realizada a contagem diferencial de células.

Figura 1: Produção de leite e CCS dos quartos mamários sadios e infectados com ENA em primíparas. Resultados seguidos por letras diferentes foram considerados estatisticamente diferentes.

Outro resultado interessante foi que a concentração de prolactina foi similar nos quartos mamários sadios e infectados com ENA, o que explica porque a produção de leite não diferiu entre os quartos mamários. Os resultados deste estudo indicam que ENA foi a principal causa de IIM em primíparas em lactação, no entanto, estas infecções não afetaram negativamente a produção de leite nos quatro primeiros meses de lactação. Este estudo indica que os ENA são patógenos secundários, os quais estão associados com aumento de CCS dos quartos mamários infectados, mas sem alteração na produção de leite. Por isso, em sistemas de produção remunerados pela qualidade do leite, o efeito de ENA na CCS do leite de tanque não deve ser subestimado.

Referências bibliográficas

VALCKENIER et al. Journal of Dairy Science, v. 102, n. 7, p. 6442-6453, 2019.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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