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Mastite em vacas leiteiras pós-parto

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E CRISTINA SIMÕES CORTINHAS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 04/06/2009

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O período que compreende a transição entre a secagem da vaca em lactação e o início de uma nova lactação é um dos maiores desafios para o controle da mastite. Logo após a secagem do animal, o aumento de pressão intramamária, muitas vezes com extravasamento de leite, associado ao aumento tardio na migração de células de defesa da glândula mamária (1 semana pós-secagem) e à demorada formação do tampão de queratina ( 1 a 2 semanas pós-secagem), substância que veda o canal do teto impedindo a invasão por patógenos, são fatores que aumentam o risco de aparecimento de mastite. Para temos uma ideia, uma diferença de 12,5 kg de leite para 17,5kg na secagem do animal pode aumentar o risco de infecção intramamária por bactérias ambientais em 77%.

Próximo ao parto, 2 semanas pré-parto até 2-3 semanas de lactação, os riscos de infecção intramamária aumentam ainda mais (Figura 1). Nesta fase, o início da secreção de colostro, com abertura prematura do canal do teto, aumenta muito o risco de infecções intramamárias. Ao mesmo tempo, ocorre uma série de mudanças hormonais, redução no consumo e aumento das exigências nutricionais, além da redução na capacidade de defesa do organismo contra infecções (imunidade do animal).


Figura 1. Distribuição do número de casos clínicos de mastite em relação a data do parto, baseada em dados de 28 rebanhos leiteiros da Nova Zelândia (Adaptado de McDougall et al, 2007).

A defesa da glândula mamária pelo sistema imune é complexa e envolve componentes celulares e solúveis. Entre os principais componentes celulares está o neutrófilo e como componentes solúveis podemos mencionar a lactoferrina, lisozimas, peptídios antimicrobianos e imunoglobulinas. Durante o peri-parto, a capacidade de ação destes componentes fica prejudicada devido às mudanças hormonais e físicas preparatórias para o nascimento do bezerro. Associado a essas mudanças ocorre grande produção de radicais livres essenciais no combate de infecções, mas que em excesso podem reduzir a meia vida das células imunes prejudicando ainda mais seu funcionamento.

A utilização da terapia de vacas secas no momento da secagem pode reduzir a incidência de mastite pós-parto tanto pela eliminação de agentes infecciosos presentes na glândula mamária, impedindo a rápida multiplicação dos microorganismos no momento do parto, quanto pela proteção contra novas infecções no período seco. A antibioticoterapia pré-parto também é uma ferramenta que pode ser utilizada no controle da mastite em novilhas, principalmente em relação ao controle de agentes do grupo dos estafilococos coagulase-negativa.

A etiologia dos agentes bacterianos difere entre os países e entre vacas primíparas e multíparas. De forma geral, os maiores desafios para sanidade da glândula mamária no momento do parto são impostos por bactérias ambientais, especialmente as do grupo dos coliformes. No período seco e início de lactação as bactérias que prevalecem são Streptococcus uberis e, ao contrário do período próximo ao parto, com o avanço da lactação as bactérias que mais prevalecem são de origem contagiosa com predominância do Staphylococcus aureus. Cabe ressaltar que a intensidade da reação inflamatória causada pelos coliformes no peri-parto é muito maior que a reação causada num animal em lactação avançada.

O diagnóstico de mastite clínica pós-parto tem que ser ajustado de acordo com as características físicas do leite neste período, por exemplo, a contagem de células somáticas (CCS) se apresenta elevada logo após o parto e decresce após 3 a 4 dias. O Califórnia Mastitis Teste (CMT) é dotado de sensibilidade e especificidade suficientes para detectar infecções intramamárias 3 dias pós-parto, podendo ser utilizado nesta fase para auxiliar no diagnóstico da mastite subclínica. Nos momentos que antecedem ao parto, o leite pode ser extraído e examinado associado ao monitoramento do úbere formando importante ferramenta para o diagnóstico da mastite clínica pré-parto.

O manejo de vacas secas tem grande influência na incidência de mastite pós-parto. A alimentação de vacas secas e período de transição devem conter teores adequados de minerais (selênio, cobre e zinco) e vitaminas (E e A) que desempenham papéis importantes na defesa da glândula mamária contra infecções. O consumo de alimento pelos animais não pode ser restringido, mas o excesso de alimentação pode ser perigoso; assim, a utilização do monitoramento da condição do escore corporal pode ser uma alternativa valiosa nesse momento.

Outros fatores de manejo considerados de risco, que podem resultar em aumento da CCS no início da lactação é o uso intensivo de alimentação concentrada para novilhas e a transferência dos animais para um sistema de confinamento próximo ao parto. O risco de infecções intramamárias também pode aumentar quando fêmeas primíparas são alojadas com multíparas. O edema de úbere, a mastite subclínica pré-parto, altura do teto em relação ao solo e até a raça do animal constituem fatores de risco para o aparecimento de mastite.

A manutenção do ambiente limpo, seco, ventilado e confortável, a boa desinfecção dos alojamentos e o alojamento de primíparas e multíparas em locais separados, podem auxiliar na prevenção da mastite pós-parto. Vacinas contra mastite quando utilizadas podem não prover adequada proteção contra infecções subsequentes devido grande número de patógenos existentes, mas talvez num futuro próximo o desenvolvimento de novas vacinas pode ser beneficiado por técnicas moleculares.

Considerando os elevados riscos de manifestação da mastite clínica pós-parto, técnicas de manejo, alimentação, prevenção e monitoramento devem ser criteriosamente adotados desde o momento da secagem até o início da lactação. Desta forma os prejuízos causados tanto pela mastite clínica quanto pela subclínica podem ser reduzidos durante a vida produtiva do animal.

Fonte: Pyoala,S. Reprod Dom Anim 43 (Suppl. 2), 252-259 (2008).

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

CRISTINA SIMÕES CORTINHAS

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ANDERSON

SANTA LEOPOLDINA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/09/2019

Quando um vaca da marstie né um peito os outros peito pode tirá o leite ??
ANDERSON

SANTA LEOPOLDINA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/09/2019

Se a vaca de mastite né um peito . eu posso tira do outros peito ..ou isso afeta o leite ??
UELERSON JOSE DA SILVA SANTOS

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 07/09/2019

bom dia esto com uma vaca parida de novo so q uns dias praca ele fico com o ubere vermelho e nao deixa o bezerro mama a nao ser ainda piada as pes sabe me dizer oq pode ser
AUCELIO FÁBIO GOMES

ITAPORANGA - PARAIBA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/05/2019

Meu nome é aucelio Fábio Gomes , só criado do alto sertão paraibano .tenho vacas girolando e meu problema , são as novilhas , já parem com mastite sanguinolenta . Eu quero saber como eu posso combater este problema .
JULIANA BRANDÃO

EM 14/01/2019

Tenho uma vaca que deu tipo um anel no meio do peito impedindo o saimento do leite eu nunca tinha visto isso antes o que faço pós a mesma já perdeu 2 peitos
GALHARDO NASCIMENTO

EM 04/09/2018

Boa tarde tenho uma vaca que tem 3 peito dois da leite eo outro so sai agua vc pode me ajudar por favor.
JONATHAN MAZZAFERA

EM 19/06/2018

Boa Noite Marcos , uma dúvida , oque seria quando uma vaca na hora da ordenha tem um grande volume de sangue no leite , acima do normal , em uma escala de 0 a 10 , se classifica em 8 , tendo assim um leite que não serve pra consumo ... ?
SIRLEY GOMES

EM 30/05/2018

Oi bom dia o ocorre quando uma das tetas da vaca está soltado uma massa grossa na hora de ordenha parece uma nata
DJHENIFFER SILVA

EM 04/03/2019

Mastite apenas na teta que sai mais grosso, o certo é tirar esse leite grosso e jogar fora até que melhore.
RODNEI SILVA

EM 14/05/2018

Boa noite Marcos, estou com um problema um novilha teve cria no último dia 10, hoje fui seca o úbere é um teto tinha uma coloração rosa provavelmente sangue diluído com leite,os outros tetos estavam normais o que pode ser? Att Rodnei
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/05/2018

Rodnei, nesta situação tem que ser feita uma avaliação por um veterinário para ter um diagnóstico mais detalhado. Infelizmente, não posso auxiliar por email, pois é uma situação que demanda um exame do animal. Atenciosamente, Marcos Veiga
ROSANA OENNING

EM 20/03/2018

Como salvar uma teta k esta com a parte do ubro inchada e não sai nada na teta nem se quer goteja ..existe como tratar ou desobstruir o canal dessa teta?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/12/2017

Prezado Tarso, neste caso, o mais indicado seria que a vaca fosse avaliada por um veterinário, que pudesse fazer uma recomendação de medicamentos mais adequada. De acordo com a sua descrição, a vaca vai necessitar de um anti-inflamatório  e antibióticos injetáveis, no entanto, esta recomendação deveria ser seguida de uma avaliação do animal. Atenciosamente, Marcos Veiga
TARSO OLIVA

ORIXIMINÁ - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/12/2017

Boa noite, estou com um problema em uma vaca leiteira, o úbere, começou a ficar super sensivel, não deixando o bezerro mamar, a vaca está super estressada(muito braba), aparenta ter muita dor no úbere, e agora o úbere está saindo a pele, o que faço?
CLAUDINEY SILVIO

AQUIDABÃ - SERGIPE - ESTUDANTE

EM 28/10/2017

Qual a idade máxima para o bezerro mamar? É verdade que quanto mais o bezerro mama enfraquece a vaca, ou seja, a vaca emagrece? Meu sogro tem uma vaca com um bezerro com cinco meses e continuava mamando, mas a vaca já estava prenha e aparentemente magra, então algumas pessoas disseram que era preciso evitar que o bezerro continuasse mamando para não enfraquecer mais a vaca, assim ele fez, mas o bezerro perdeu peso e a teta da vaca ficou entupida, então eu me perguntei, como faz mal deixar o bezerro mamar se o leite tem que ser tirado? Preciso de orientação. Obrigado.
GENIVAL

CAMPOS SALES - CEARÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/07/2017

Tenho uma Vaca que pariu e não tem leite o que devo fazer?
CHRISTOPHER

NOVA SERRANA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/11/2016

Tenho um problema semelhante no sítio .uma novilha criou a primeira vez . Ela so deu leite em uma teta . Foi o suficiente para criar o bezerro.Ela acabou de criar novamente .Mais dessa vez não tem leite em nenhuma reta mais . Tem algo q posso fazer ? Desobristruir o canal ou medicamentos ? Fico no aguardo .

Abraço
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/11/2016

Prezado Gilson, recomendo que seja consultado um veterinário, pois não seria recomendável qualquer tipo de indicação de tratamento sem um acompanhamento in loco. No entanto, em relação à sua pergunta, sim, durante a lactação, quando se faz o tratamento com antibiótico (intramamário ou injetável) para a mastite, deve-se continuar ordenhando normalmente a vaca, e descartar o leite de acordo com a recomendação de descarte da bula.



atenciosamente, Marcos Veiga
GILSON GOMES TEIXEIRA

AUGUSTO PESTANA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 18/11/2016

ola tenho uma vaca com mastite em dois tetos usei medicamento injetavel e gostaria de saber se devo seguir esgotando os tetos afetados ou nao?
CHADER LIRA AGUIAR

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/10/2016

Fica aqui meus agradecimentos p/ o Marcos Veiga Santos. Obrigado!!



Att, Chader Aguiar
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/10/2016

Prezado Chader, sim é possível que ocorra gotejamento de leite antes do parto, pelo aumento do volume do úbere e pela pressão interna em razão da grande quantidade de leite. Sugiro que consulte um veterinário para avaliar o animal.



Atenciosamente, Marcos Veiga
CHADER LIRA AGUIAR

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/10/2016

Tenho uma vaca que está na semana do parto, e começou a pingar leite das tetas, isto é normal?