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Mastite em novilhas no periparto afeta a produção de leite e a CCS na lactação

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E TIAGO TOMAZI

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 23/04/2013

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Marcos Veiga dos Santos
Tiago Tomazi*

Infecções intramamárias que se iniciam no periparto de novilhas podem causar redução considerável na produção de leite durante a lactação, principalmente quando causadas por agentes contagiosos. Reduções de até 690 kg podem ocorrer na lactação de vacas primíparas com mastite clínica em comparação com vacas sem histórico de infecção neste período.

A mastite causada por estreptococos ambientais, especialmente Streptococcus uberis, é um problema que acomete muitos rebanhos leiteiros. O Streptococcus uberis é classificado como agente ambiental, que apresenta alta prevalência e potencial de persistência na glândula mamária, principalmente em rebanhos com criação de novilhas em piquetes de pastagens mal manejados.

Outro grupo de agentes causadores de mastite com alta prevalência em vacas primíparas é o Staphylococcus coagulase negativa (SCN). Dezesseis espécies de SCN já foram isoladas em vacas com mastite. Quartos mamários de vacas multíparas infectadas com SCN apresentam CCS de duas a três vezes mais altas que quartos não infectados, porém, a presença de infecção não causa alterações significativas na produção e composição do leite.

O efeito das IIMs causadas por SCN no periparto sobre a CCS e produção de leite de vacas primíparas ainda é controverso. Alguns autores sugerem que vacas com IIM causadas por SCN apresentam até 11% de redução na produção de leite, bem como, aumentos consideráveis na CCS. No entanto, outros estudos relatam apenas aumentos leves na CCS, e até um pequeno aumento na produção leiteira de novilhas infectadas com SCN durante a lactação.

Estimar a perda de leite decorrente da mastite em novilhas no periparto é difícil devido à ausência de dados relacionados com a produção no período precedente à infecção. Desta forma, o uso de gêmeas idênticas seria um modelo ideal para avaliar o efeito da mastite naturalmente adquirida sobre a produção e CCS do leite. A avaliação por meio da comparação de vacas gêmeas minimiza a variação que ocorre entre as vacas pela semelhança da composição genética entre elas. Além disso, a avaliação de vacas gêmeas em um mesmo sistema de criação, alimentação e manejo reduz fatores de confundimento como o peso corporal e o desafio ambiental.

Com o objetivo de estimar o efeito da mastite ocasionada por SCN e Streptococcus uberis sobre a produção e CCS do leite de vacas primíparas no periparto, pesquisadores da Nova Zelândia realizaram um estudo com observações comparativas entre 96 novilhas gêmeas. Todas as novilhas (48 pares) foram criadas no mesmo sistema de rotação de piquetes com pastagem. Para ser incluída no experimento, uma novilha deveria apresentar IIM causada por S. uberis ou SCN durante o periparto, e sua irmã gêmea permanecer sadia durante os primeiros 200 dias de lactação.


Figura 1: Produção e CCS (Log10) de vacas gêmeas primíparas comparadas em pares pela presença ou não de infecção intramamária por Streptococcus uberis (curva com traçado contínuo) ou Staphylococcus coagulase negativa (SCN; curva com traçado em linha e ponto). Fonte: Adaptado de Pearson et al.(2013).

Os resultados deste estudo indicaram que novilhas infectadas com S. uberis produziram menos leite que suas irmãs nos primeiros 200 dias de lactação. Quando as diferenças de produção entre as gêmeas primíparas foram somadas, observou-se que as novilhas infectadas produziram em média 200 Kg de leite a menos que suas irmãs sem infecção. Além disso, novilhas que contraíram IIM causada por S. uberis no periparto apresentaram CCS mais alta que suas irmãs durante todo o período de estudo (Figura 1).

Quando foi avaliado o efeito da infecção por SCN sobre a produção e CCS, observou-se que de 19 novilhas com infecção no periparto, sete permaneceram infectadas até o pico de lactação. Não houve diferença na produção de leite de novilhas infectadas por SCN em comparação com suas irmãs gêmeas. No entanto, a CCS das novilhas infectadas foi superior à registrada nas irmãs durante o período coberto pelo estudo (2 a 200 dias) (Figura 1).

Os resultados indicam que há um efeito negativo causado por IIM de novilhas no periparto sobre a produção e CCS durante a lactação. O controle de microrganismos ambientais, como o Streptococcus uberis e espécies de SCN, é difícil devido à impossibilidade de erradicação destes patógenos do ambiente.

Entretanto, é possível reduzir a sua prevalência em rebanhos, sobretudo por meio de práticas de manejo que diminuem o risco de exposição das vacas a esses microrganismos. Tais práticas de manejo e higiene visam a melhoria das condições do ambiente e instalações, com especial atenção ao manejo dos piquetes em sistemas de rotação de pastagens e/ou adequada reposição das camas sempre que estiverem úmidas ou com acúmulo de barro ou fezes. Da mesma forma, é importante a realização de um manejo higiênico de ordenha, com manutenção da limpeza dos locais de permanência das novilhas no período pós-parto.

*Mestrando do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP.

Fonte: Pearson, L. J. et al. (2013). J. Dairy Sci. 96:158–164.


MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

TIAGO TOMAZI

Médico Veterinário e Doutor em Nutrição e Produção Animal
Pesquisador do Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP

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ALEX CAMPOS MACHADO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 25/04/2013

Boa Tarde !

Obrigado Prof. Marcos, pelas informações publicadas. está sendo de grande valia, as informações estão sendo transmitidas aos nossos pequenos e médios produtores, na região do triangulo mineiro.

ALEX CAMPOS MACHADO ORDENHADEIRA - ME
alexordenha@yahoo.com.br
(034) 9136.1289
(034) 9682.9049