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Mastite clínica afeta desempenho reprodutivo de vacas leiteiras

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 02/07/2009

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Os prejuízos mais comumente associados com a ocorrência de mastite clínica são a perda de produção, o descarte do leite com resíduos de antibiótico e o custo do medicamento usado. Estes custos são evidentes, pois o produtor percebe imediatamente o prejuízo. Além disso, é necessário considerar ainda o aumento do descarte de vacas acometidas, a perda do quarto mamário e, eventualmente, a morte do animal, os quais são custos menos visíveis, mas não menos importantes. No entanto, os custos da mastite clínica vão além destes, pois incluem, entre outros, os efeitos negativos sobre o desempenho reprodutivo.

Alguns estudos preliminares apontaram para os efeitos negativos da mastite clínica sobre a função ovariana, o que poderia levar a alterações no intervalo entre cios e redução da duração da fase luteínica do ciclo estral, o que resulta em luteólise prematura. Quando uma vaca apresenta um caso clínico de mastite entre a primeira inseminação artificial e a confirmação da prenhez, ocorre aumento do período de serviço e do número de serviços por concepção em relação a vacas que não apresentam mastite clínica neste período. Pode-se argumentar, por outro lado, que as vacas que apresentam mastite clínica, em especial no início da lactação, também podem ser acometidas de outras doenças simultaneamente, o que poderia confundir o efeito da mastite e das demais doenças sobre a reprodução. Entre as principais doenças associadas ao início da lactação, podem ser citadas a retenção de placenta, cistos ovarianos, e alterações metabólicas como acidose e cetose.

Um estudo recente buscou avaliar se a mastite clínica isoladamente ou em associação com outras doenças afeta o desempenho reprodutivo. Foram avaliados dados de uma fazenda leiteira americana do estado de Idaho, com 967 vacas em lactação, as quais foram divididas em 4 grupos: mastite clínica juntamente com outras doenças (n=54), somente mastite clínica (n=154), outras doenças isoladamente (n=187) e vacas sem registro de doenças (n=572). As doenças monitoradas foram: ovário cístico, retenção de placenta, deslocamento de abomaso, cetose, febre do leite, metrite e piometra. Os dados individuais das vacas foram avaliados em relação aos dias para o 1º serviço, coberturas por concepção, período de serviço e a taxa pela qual as vacas se tornaram prenhes em função do tempo.

As vacas dos grupos mastite e mastite+outras doenças apresentaram maior período de serviço e maior número de coberturas por concepção, em relação às vacas sadias (tabela 1), o que demonstra o efeito negativo sobre a reprodução. A taxa pela qual as vacas se tornaram prenhes ao longo do tempo foi menor para as vacas do grupo mastite e mastite+outras doenças.
Tabela 1. Médias de desempenho reprodutivo de vacas com mastite e/ou outras doenças associadas.



O grupo de vacas que apresentaram mastite foi dividido em três classes em função do dia de ocorrência do primeiro caso de mastite: a) antes de 56 dias pós-parto; b) entre 56 e 105 dias pós-parto; c) após 105 dias pós-parto. Independentemente do dia de ocorrência do caso de mastite, as vacas sadias apresentaram menor período de serviço que as vacas com mastite. O desempenho reprodutivo foi afetado negativamente pela ocorrência de mastite de forma isolada, pois uma maior proporção de vacas com mastite manteve-se vazia ao longo do período estudado. Além disso, quando associada com outras doenças os efeitos negativos da mastite clínica sobre a reprodução foram ainda maiores.

Fonte: Ahmadzadeh, et al, Animal Reproduction Science, vol.112, p.273-282, 2009.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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ROGERIO LIMA

SANTA MARIA DE JETIBÁ - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/07/2009

Marcos caso eu use intra-mamario de vaca em lactação em apenas um dos tetos, devo descartar o leite de todos os outros tetos?
obrigado

<b>Resposta do autor:</b>

"Prezado Rogerio Silva",

A recomendação técnica é que para um tratamento intramamário em apenas um quarto, todo o leite (de todos os quartos) deve ser descartado durante o tratamento e durante o período de carência que está indicado na bula. Isso ocorre porque parte do antibiótico que é administrado em um quarto pode ser absorvido pela corrente sanguínea e posteriormente ser liberado no leite dos demais quartos. É evidente que os maiores teores de resíduos serão encontrados no quarto tratado, mas na questão de resíduo deve trabalhar com o menor risco possível, o que somente é obtido com o descarte de todo o leite.

Produtores que descartam somente o quarto tratado correm o risco de problemas de resíduos no leite dos demais quartos.

Atenciosamente, Marcos Veiga