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Manter as vacas em pé após a ordenha reduz o risco de mastite

Tiago Tomazi*
Marcos Veiga dos Santos

A estratégia de estimular as vacas a permanecerem em pé após a ordenha pelo fornecimento de alimento é uma prática de manejo utilizada em rebanhos leiteiros e está associada com redução da incidência de infecções intramamárias (IIM). Este manejo aumenta a probabilidade de que o canal do teto esteja fechado no momento em que as vacas deitarem no período entre as ordenhas. O canal do teto é uma barreira física contra a invasão de bactérias patogênicas e seu completo fechamento reduz o risco de novas IIM. Estudos recentes que avaliaram o efeito de práticas de manejo relacionadas ao comportamento das vacas sugerem uma relação entre a incidência de IIM e o tempo em que as vacas permanecem em pé após a ordenha.

Um estudo recente realizado em sistema de tie-stall demonstrou que vacas que permaneceram em pé por um período entre 40 e 60 minutos tiveram redução da incidência de mastite causada por patógenos ambientais em comparação com vacas que deitaram antes dos 40 minutos. No entanto, o mesmo estudo relatou que a incidência de novas IIM de origem ambiental aumentou quando o tempo de permanência das vacas em pé após a ordenha foi maior que 60 minutos. Um estudo similar, porém com vacas alojadas em free-stall e ordenhadas em sistema robótico de ordenha relatou que os únicos patógenos associados com o tempo de permanência em pé após a ordenha foram os Staphylococcus coagulase negativa (SCN).

Devido à grande variação de sistemas de alojamento entre rebanhos, é provável que o risco de IIM sofra efeito de diferenças nas práticas de manejo adotadas, as quais influenciam no tempo em que as vacas permanecem em pé após a ordenha. As vacas permanecem em pé por períodos mais prolongados após a ordenha quando são alimentadas com dieta fresca após a ordenha. Em média, vacas ordenhadas duas vezes ao dia e alojadas em sistema de free-stall permanecem de 48-66 minutos com a disponibilidade de alimento fresco após a ordenha, e 21-45 minutos na ausência de alimentação após a ordenha.

Um estudo recente realizado no Canadá buscou determinar a associação entre o tempo em que as vacas permanecem em pé após a ordenha e o risco de novas IIM. Além disso, o estudo avaliou os fatores de manejo e características das vacas que estão diretamente associadas com o tempo de permanência em pé após a ordenha. Quatro rebanhos com vacas alojadas em instalações tipo free-stall e ordenhadas três vezes ao dia foram avaliados no estudo. Quarenta vacas de cada rebanho com <200 dias em lactação e com CCS <100.000 células/mL participaram do estudo que foi dividido em três períodos de 28 dias. Análises de cultura microbiológica foram realizadas para confirmar a ausência de IIM no início do estudo e para determinação da incidência de mastite.

O comportamento das vacas em se deitar ou permanecer em pé após a ordenha foi registrado por cinco dias após as coletas das amostras de leite por meio de um dispositivo eletrônico que registra dados conforme a orientação das pernas traseiras das vacas. Além disso, foram registrados dados relacionados ao tempo individual de ordenha, produção de leite e tempo de alimentação. Fatores como as frequências de fornecimento de alimento fresco e movimentação da dieta durante o dia, lotação dos galpões, espaçamento de cocho e tipo de piso e de cama dos galpões também foram avaliados durante o estudo.

Fatores associados com a permanência das vacas em pé após a ordenha

A média de tempo em pé das vacas após a ordenha durante os três períodos de estudo foi de aproximadamente 80 minutos. Um aumento do tempo de permanência em pé das vacas após a ordenha foi associado com o aumento na frequência de movimentação da dieta e com o maior espaçamento de cocho na pista de alimentação. Cada movimentação adicional da dieta na área de alimentação foi associada com um aumento de 6 minutos no tempo em pé das vacas após a ordenha. Além disso, para cada 0,1 metros a mais de espaçamento de cocho disponível por vaca foi observado um aumento de 19 minutos no tempo em pé. A média de espaço linear de cocho por animal nos rebanhos avaliados neste estudo foi de 0,53 m/vaca, espaçamento inferior aos 0,63 m/vaca recomendados comercialmente.

Outro fator que influenciou o tempo de permanência em pé das vacas após a ordenha foi a densidade de lotação dos galpões. Para cada 10% de aumento na densidade de lotação das vacas nos estábulos observou-se uma redução de dois minutos no tempo de permanência em pé das vacas após a ordenha. Isso se deve ao fato de que as vacas preferem deitar-se mais rapidamente após a ordenha para garantir um espaço de descanso, ao invés de competir por esse espaço após a alimentação.

A redução no tempo de permanência em pé das vacas após a ordenha também foi associada com o estágio de lactação e a ordem em que as vacas foram ordenhadas. Vacas em estágio final de lactação tiveram redução de 4 minutos no tempo em pé para cada 50 dias adicionais em lactação. Vacas em fase final de lactação gastam menos tempo se alimentando e mais tempo no ócio por apresentarem requerimentos metabólicos mais baixos. Além disso, a redução do tempo de permanência em pé das vacas após a ordenha em relação aos dias em lactação pode ser um indicador do baixo estímulo das vacas permanecerem em pé, especialmente após a terceira ordenha.

Vacas ordenhadas mais tardiamente durante a ordenha também tiveram redução no tempo de permanência em pé após a ordenha, especialmente após a terceira ordenha do dia. Vacas ordenhadas entre as 25 primeiras, dentre 100 vacas, tiveram um aumento de 11 minutos no tempo de permanência em pé em comparação às 25 últimas vacas ordenhadas. As vacas que permanecem mais tempo em pé antes da ordenha têm um gasto energético maior que vacas ordenhadas no início da ordenha, e é esperado que escolhessem deitar-se e descansar ao invés de permanecerem em pé para se alimentarem. Além disso, outra explicação pode estar atribuída à seleção de alimentos realizada pelas vacas ordenhadas entre as primeiras, as quais durante a alimentação deixam uma dieta de pior qualidade para as vacas ordenhadas por último.

Associação do tempo em pé após a ordenha e incidência de mastite
Um total de 456 novas IIM foi diagnosticado durante o estudo, o que gerou uma incidência de 3,22 casos de mastite por quarto mamário/ano. Staphylococcus coagulase negativa (45%) e Corynebacterium spp. (31%) foram os micro-organismos mais isolados das amostras de leite coletadas das vacas com IIM. Devido ao fato de SCN e Corynebacterium spp. terem sido responsáveis pela maioria das culturas positivas, as avaliações de associação com o tempo em pé foram focadas nestes micro-organismos.

Apenas as IIM causadas por SCN foram associadas com o tempo de permanência em pé das vacas após a ordenha neste estudo. Vacas que permaneceram em pé entre 0 e 50 minutos após a ordenha apresentaram um aumento na taxa de novas IIM. A permanência das vacas em pé por mais de 50 minutos após a ordenha foi associada com redução significativa da incidência de IIM. Vacas que permaneceram em pé após a ordenha por períodos superiores a 100 minutos tiveram uma redução pronunciada do risco de novas IIM causadas por SCN. A redução do risco de novas IIM causadas por SCN foi associada com aumento da frequência de movimentação da dieta na pista de alimentação, fornecimento de dieta fresca entre 60 minutos antes da ordenha e 90 e >540 minutos após a ordenha, e tempo de permanência em pé entre 90 e 120 minutos.

O aumento da frequência de movimentação da dieta na pista de alimentação estimula as vacas a se alimentarem nos períodos entre ordenhas, pois elas interpretam que uma dieta fresca foi fornecida a cada movimento do alimento. Além disso, o aumento da frequência de movimentação do alimento na linha de cocho aumenta a distribuição da atividade de alimentação durante o dia, reduzindo a competição por alimento nos períodos de pico de procura por alimento (logo após a ordenha), o que pode estimular as vacas a permanecerem em pé por mais tempo.

A redução do tempo em que as vacas permanecem fora dos estábulos para serem ordenhadas, o aumento da frequência de movimentação do alimento na linha de cocho, a adequada lotação dos estábulos e espaçamento de cocho e o fornecimento de alimento fresco são fatores que podem aumentar o período e a frequência de alimentação, aumentar a produção de leite e reduzir a taxa de novas IIM de vacas alojadas em sistema de free-stall ordenhadas três vezes ao dia.

Fonte: Watters et al. (2014). Relationship between postmilking standing duration and risk of intramammary infection in freestall-housed dairy cows milked 3 times per day. Journal of Dairy Science, 97:3456-3471, 2014.

*Pesquisador em nível de doutorado do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ/USP.
 

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MARIANA SOUZA

EM 15/04/2019

E os cochos junto com a ordenha, seria prejudicial para o animal?