FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Cuidados com a coleta de amostras para cultura microbiológica do leite

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E ALESSANDRA MÓDENA ORSI

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 19/02/2014

14
0
Alessandra Módena Orsi
Marcos Veiga dos Santos
 
A mastite é uma inflamação da glândula mamária, causada pela infecção por vários tipos de microrganismos, sendo as bactérias os principais agentes. Essa doença afeta toda a cadeia de produção de leite, desde a vaca por diminuir o bem estar, a saúde, a longevidade, assim prejudica a produção e reprodução. Em relação ao produtor ocorre penalização por baixa qualidade, gastos com medicamentos e mão de obra, para os funcionários que são desviados de suas funções para tratamento de vacas, separação de lotes , aplicação medicamentos etc... Em termos de laticínio ocorre redução do rendimento, pois a mastite causa alterações físicos químicas no leite que causam diminuição nos teores de gordura e proteína que são os componentes mais valorizados. Já o consumidor por reduzir a praticidade, menor tempo de prateleira e pode afetar sua saúde. Por isso a mastite gera prejuízos a toda cadeia de produção seja diretamente ou indiretamente.

Portanto, o procedimento de coleta de amostras de leite para a identificação do patógeno causador da mastite é de extrema importância, pois os resultados auxiliam na identificação da origem do problema (se os patógenos são de origem ambiental ou contagiosa), o que é fundamental para traçar metas de um plano de controle efetivo.

A correta identificação do patógeno causador da mastite (clínica ou sub clínica) possibilita identificar a possível fonte de contaminação das vacas, no entanto erros de coleta podem ocultar o agente causador principal, o que resulta em um resultado de pouca utilidade. Para que uma amostra chegue em ótimas condições no laboratório precisam ser seguidos alguns passos que se feitos corretamente garantem a qualidade e representatividade da amostra:

Os primeiros procedimentos são praticamente idênticos a uma rotina de preparação das vacas para ordenha.



Preparação para coleta

Primeiramente é necessário fazer a assepsia da extremidade do teto. Esse procedimento pode ser realizado com algodão ou gaze embebido em álcool (70%) ou uma mistura de álcool e iodo. Recomenda-se usar um algodão ou gaze por teto. É recomendável também realizar uma sequência de coleta para evitar o contato do braço em algum teto ainda não coletado, por isso recomenda-se a assepsia primeiro nos tetos mais distantes e depois nos mais próximos, para evitar uma possível contaminação do teto com bactérias da nossa pele ou ambiente.



Coleta

Para coletar a amostra é recomendável utilizar fracos estéreis. Existem vários modelos no mercado, mas os frascos com diâmetro pequeno são melhores (evitar frascos para coleta de urina) e que venham em embalagens individuais. A necessidade do diâmetro pequeno do frasco se deve pelo fato de diminuir a chance de contaminação da amostra durante a coleta e facilidade no transporte. A coleta deve começar pelos tetos próximos e depois os distantes (justamente o contrário da limpeza). Colete a mesma quantidade de leite de cada quarto, pois isso aumenta a representatividade da amostra. Outra dica de coleta e a seguinte: durante a coleta incline o tubo isso também vai dificultar a contaminação.



Quando houver necessidade de amostrar um lote ou um grupo grande de vacas, a identificação dos frascos deve ser otimizada. Uma maneira prática de executar esse procedimento é utilizar uma planilha com uma sequência dos números dos frascos e vincular ao número do animal corresponde após a coleta. Os frascos numerados podem então ser armazenados na caixa de coleta (com gelo reciclável). Com esse procedimento é possível economizar tempo e evitar erros em anotações.

Envio de amostras para o laboratório

Esse passo é fundamental para que as amostras cheguem congeladas (se enviadas pelo correio ou transportadora onde ficam em trânsito alguns dias). Coloque gelo no fundo, ao lado e no meio das amostras e em cima de uma maneira que a maioria das amostras fique em contato com o gelo. Se ocorrer dúvida na quantidade de gelo para colocar na caixa prefira sempre colocar um pouco a mais, amostras que chegam descongeladas podem estragar durante o caminho, não sendo possível analisá-las. Coloque as amostras em sacos plásticos.

Recomenda-se enviar junto com as amostras uma planilha com a relação e número total de amostras (se são amostras de quarto, composta (4 quartos) ou tanque). ( Essa planilha é fornecida pelo laboratório).



Fechar a caixa com as amostras com uma fita resistente (fita crepe ou durex largas). Colocar etiqueta na tampa da caixa com o endereço do laboratório e ao lado o endereço do remetente. Também é indicado colocar uma etiqueta indicando que o material é frágil .

Obs: Se as amostras chegarem visivelmente sujas e descongeladas, dependendo da situação não serão analisadas,pois o resultado obtido será da contaminação proveniente do ambiente e do tempo descongeladas (estragadas). Quando seguidos esses passos com atenção e cuidado as amostras chegarão em boas condições ao laboratório, possibilitando a análise e o resultado será útil para a melhoria da qualidade do leite da fazenda.

Referências: Guia de coleta para análise microbiológica. Qualileite “Laboratório de Pesquisa em Qualileite do leite”, 2013 (www.qualileite.org)

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

ALESSANDRA MÓDENA ORSI

14

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/06/2016

Prezado Wilton, em relação a coleta de leite os principais cuidados e pontos a serem destacados são estes no artigo (boa higiene, desinfecção da ponta do teto, boa identificação e não passar de 45 dias entre a coleta e a análise).

Sobre o tempo de coleta após o tratamento, a recomendação é de 14 dias após o final do tratamento. Se for feita a coleta de leite de uma vaca em tratamento, o resultado será um falso negativo, em razão do resíduo do antibiótico impedir ou reduzir o crescimento da bactéria em questão.

Atenciosamente, Marcos Veiga
WILTON ARRUDA GOMES

OLINDA - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/06/2016

Professor, Marcos, boa noite.

Sei que a matéria já é antiga, mas o conhecimento é o importante.
Qual as principais caracteristicas pra coleta de uma amostra, além destes cuidados destacados no artigo acima.

Além da vaca com CMT positivo, animais recém tratados e que não responderam ao tratamento posso coletar com quantos dias após o tratamento?

E se já estiverem em tratamento, e foi coletado também, este resultado dará um falso negativo?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 13/01/2016

Prezado Renato,

A recomendação de descartar os primeiros jatos é para reduzir a chance de contaminação da amostra. Sim o leite para cultura de mastite clínica pode ter grumos, o que não é problema para a cultura microbiológica.

Quando o resultado da cultura é negativo (sem crescimento), isso indica algumas possibilidades, como baixa contagem de bactérias (abaixo do limite de detecção do teste), a amostra foi coletada depois que as bactérias morreram, presença de inibidores (resíduos de antibióticos).

Atenciosamente, Marcos Veiga
RENATO MARIANI

PITANGA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/01/2016

Dr Marcos boa tarde

Em casos de mastite clínica (grumo, leite amarelado). A coleta deve ser normal? somente desprezando os três primeiros jatos?

Pois ao enviar leite com grumos, que é bem claro a presença da mastite, alguns resultados vem ``sem crescimento bacteriano´´.

MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 12/09/2014

Prezado Nilson, a forma mais segura de evitar o problema de resíduos de antibióticos no leite é usar o medicamento de acordo com as recomendações de bula (via de administração e dose) e respetiar o período de carência. Para assegurar que o leite não apresenta resultados positivos, recomenda-se realizar o mesmo teste de triagem que é feito pelo laticínio de amostra do tanque, que tenha a inclusão da vaca tratada, depois do período de carência.

Nao recomendo fazer mistura de leite com resíduos (dentro do período de carência) com o leite sem resíduos.

Atenciosamente, Marcos Veiga
NILSON ALVES DA SILVA

XANXERÊ - SANTA CATARINA - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 12/09/2014

Boa noite , gostaria de saber como proceder no envio de leite com antibiótico para a industri. Devo enviar do tanque?QUANTAS PARTES DE LEITE COM ANTIBIÓTICO DEVO MISTURAR COM LEITE DO TANQUE PARA MANDAR ANALISAR?NO AGUARDO
MARIA BEATRIZ TASSINARI ORTOLANI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/03/2014

Abertas as inscrições para o curso online AgriPoint de Qualidade do Leite e Manejo de ordenha. Começa no dia 31/03. Não perca a oportunidade de aprender com um dos maiores nomes na área: Marcos Veiga dos Santos. Para mais informações acesse: http://www.agripoint.com.br/curso/qualidade-leite/
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/02/2014

Prezado João, sim, a sua interpretação está correta. O uso do CMT para selecionar os quartos com mastite e consequentemente com maior chance de isolamento de agente causador é uma ótima estratégia. Basicamente, temos algumas opções para escolha da forma de coleta:
1) coleta de amostra composta dos 4 quartos (quando não for possível identificar o quarto pelo uso do CMT ou então para reduzir o número de amostras)
2) Uso do CMT para selecionar o quarto ou os quartos a serem coletados;
3) coleta de quarto com mastite clínica (não necessita CMT).

Atenciosamente, Marcos Veiga
JOÃO JOSÉ ANDRADE

LORENA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/02/2014

Bom dia Professor:

Entendi que a coleta é efetuada de todos os tetos.
Não seria melhor fazer o CMT e coletar somente dos tetos positivos?
JOÃO JOSÉ ANDRADE

LORENA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/02/2014

Bom dia Professor:

Entendi que a coleta é efetuada em todos os tetos.
Não seria melhor fazer o CMT antes e coletar somente dos tetos positivos?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2014

Prezado Octavio, este tema já foi bastante discutido em outros artigos. Por favor, procure nos arquivos do tema de instabilidade do leite. Basicamente, pode ser um problema de dieta das vacas ou de deficiências de higiene ou refrigeração do leite.

Atenciosamente, Marcos Veiga
OCTAVIO CORCETTI DE PAIVA

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/02/2014

Bom dia Marcos
estou com um problema, de repente neste tema eu vou conseguir entender alguma coisa
com a ajuda dos leitores tbm.
a um mês atrás o meu leite vem sendo recusado na fabrica, segundo eles é acidez, onde o teste é feito com alizarol..
o problema é que com o mesmo manejo todos os dias , tem dia que passa e tem dia que nao passa, o que pode ser ? mastite nao é ...
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2014

Prezado Reis, minha sugestão é que todas as culturas e/ou antibiograma sejam feitos em laboratórios veterinários, que tenham rotina com estas análises e que sejam treinados para o uso das metodologias de cultura.

O nosso artigo tem como objetivo relembrar informações importantes para garantir que a coleta seja bem feita e que reflita o que ocorre na vaca.

Na minha opinião, uma descrição simplificada da metodologia deve ser feita para fins de análise laboratorial, mas do ponto de vista de produtor, o importante é que a coleta seja bem feita e que a amostra seja enviada para um laboratório veterinário.

Atenciosamente, Marcos Veiga
REIS BATISTA DA SILVA

CÁSSIA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/02/2014

Bom dia Dr. Marcos Veiga!!!
Eu já fiz exame de antibiograma a uns doze anos atraz por pouco tempo me auxilei com um médico veterinário e gostaria de saber se tem algumas tecnologias novas neste sentido, nos procedimentos, usava agar sangue para crescimento dos microorganismos e agar gel para antibiograma e se opuder me enviar por email os procedimentos para que eu possa relembrar, e até nas orientações aos produtores.

Reis Batista da Silva
Responsável Técnico Coopassa
Email: reisbatista@ymail.com / laboratorio@coopassa.com.br