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Controle da mastite causada por patógenos ambientais

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E TIAGO TOMAZI

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 18/09/2013

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Tiago Tomazi*
Marcos Veiga dos Santos

Os patógenos ambientais são considerados invasores oportunistas da glândula mamária. Normalmente, os patógenos ambientais invadem a glândula mamária, multiplicam-se, desencadeiam uma resposta imune no hospedeiro e são rapidamente eliminados. Os principais patógenos ambientais da mastite podem ser tanto bactérias gram-positivas (S. uberis e S. dysgalactiae), quanto bactérias gram-negativas (E. coli e Klebsiella spp.).

A duração de infecções intramamárias (IIM) causada por patógenos ambientais varia entre os microrganismos causadores e pode ser associada com o grau de adaptação ao hospedeiro. Alguns patógenos ambientais, como a E. coli são totalmente oportunistas e a resposta imune da vaca normalmente elimina estes patógenos após um breve período de quadro clínico moderado. Estudos sugeriram que patógenos ambientais causadores de mastite como S. uberis e Klebsiella spp., podem estar mais adaptados ao hospedeiro. Estes agentes podem causar casos clínicos leves que posteriormente aparentam estar curados, porém, apenas retornaram para um quadro subclínico.
A mastite ambiental é caracterizada pelo aumento do número de casos clínicos e não apresenta alterações significativas na CCS do leite de tanque. A chave para o controle da mastite ambiental é reduzir a exposição das vacas aos patógenos presentes no ambiente. Espécies bacterianas ambientais são microrganismos quimiotrópicos que requerem material orgânico como fonte de nutrientes. Coliformes e estreptococos ambientais não são capazes de sobreviver na pele do teto por longos períodos de tempo. A alta contagem de coliformes e estreptococos ambientais na pele e esfíncter do teto é característica de contaminação recente, provavelmente devido ao ambiente em condições inadequadas de higiene. Vacas permanecem deitadas de 12 a 14 horas por dia, e os tetos estão em contato direto com a cama ou outros materiais onde descansam. Populações de bactérias na cama ou outros materiais são positivamente correlacionados com o número de bactérias no esfíncter do teto e com o aumento da incidência de mastite clínica.

A redução da exposição aos patógenos ambientais da mastite é difícil devido às limitações estruturais das áreas onde as vacas são alojadas. A intensificação dos sistemas de alojamento de vacas leiteiras normalmente resulta na exposição dos tetos a uma grande variedade de potenciais patógenos da mastite. O manejo do esterco, o tipo de cama, as dimensões do estábulo e a densidade animal podem ter grande impacto sobre a exposição do úbere aos potenciais patógenos da mastite. Camas compostas de material inorgânico apresentam menor teor de umidade e menor concentração de nutrientes para a multiplicação microbiana. O material inorgânico mais recomentado para a cama de vacas leiteiras com o objetivo de controle da mastite ambiental é a areia lavada. Comparada com materiais orgânicos como serragem, esterco reciclado, palha e terra, a areia lavada contém aproximadamente 100 vezes menos patógenos da mastite por grama de cama. No entanto, com o aumento do acúmulo de material orgânico e umidade na cama, decorrente da reutilização da areia, ocorre rápido aumento de patógenos causadores de mastite.

Mesmo nos materiais orgânicos com baixa carga de patógenos antes da utilização, sua população aumenta até 10.000 vezes em algumas horas após seu uso nas camas das vacas. Independentemente do tipo de material utilizado, a remoção da umidade e sujidades do terço final da cama, onde os úberes estão em contato direto com o piso, reduz significativamente as contagens bacterianas. Os currais devem ser limpos no mínimo duas vezes ao dia, quando os animais são levados para ordenha.
A superlotação aumenta a quantidade de fezes nos galpões e corredores. As fezes acumuladas nestes locais ficam aderidas nos cascos e pernas das vacas, e posteriormente, contaminam as camas com bactérias fecais. Outros fatores que afetam o risco de mastite ambiental são temperatura e umidade. As taxas de crescimento de coliformes e estreptococos ambientais aumentam em estações quentes e chuvosas. Estudos apontaram que existe alta correlação entre as contagens bacterianas da cama e a temperatura ambiental e a umidade relativa do ar. Além disso, a superlotação das instalações pode exacerbar os efeitos negativos do calor e umidade. Conforme a densidade de vacas aumenta nas instalações para vacas secas e parição, principalmente em locais de sombra e entorno de cochos e bebedouros, ocorre acúmulo de material orgânico úmido que deve ser removido e drenado, a fim de propiciar um ambiente seco para as vacas.

Em sistemas de pastagem, a carga de patógenos ambientais normalmente é reduzida em comparação com sistemas de confinamento total. Solos cobertos com plantas forrageiras em piquetes de pastagem normalmente apresentam contaminação mínima com patógenos ambientais da mastite. No entanto, a exposição dos tetos às bactérias aumenta quando a oferta de pasto nos piquetes diminui devido à superlotação e manejo inadequado de rotação de piquetes. A radiação solar e a manutenção de um ambiente seco reduzem a carga bacteriana em pastagens e piquetes destinados às vacas secas ou em período pré-parto.

A manutenção da higiene dos piquetes de maternidade deve ser visto como prioridade em um programa de controle de mastite ambiental. As práticas de manejo destinadas à redução da exposição do úbere aos patógenos da mastite nas áreas de vaca seca e maternidade são similares àquelas utilizadas nas instalações de vacas em lactação. Tais áreas devem ser limpas e drenadas para evitar o acúmulo de umidade e matéria orgânica.
A higiene do ambiente de ordenha é a base para o controle de mastite contagiosa e pode auxiliar na prevenção da mastite ambiental. O uso de soluções desinfetantes para imersão dos tetos pré-ordenha auxilia na prevenção de novos casos de mastite causada por coliformes e estreptococos ambientais. A maioria dos germicidas destroem efetivamente e rapidamente microrganismos presentes na pele dos tetos por ação química ou biológica. No entanto, a persistência da atividade germicida é limitada e neutralizada pelo acúmulo de material orgânico como leite, fezes ou barro.

*Doutorando do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP.

Fonte: Tomazi, T., Gonçalves, J. L., Santos, M. V. Controle da mastite em rebanhos leiteiros de alta produção. X Congresso Brasileiro de Buiatria, 2013.


MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

TIAGO TOMAZI

Médico Veterinário e Doutor em Nutrição e Produção Animal
Pesquisador do Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP

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MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 23/06/2015

Prezado Fausto,

Considerando que esta característica de ação do desinfetante em presença de matéria orgânica, o cloro é aquele em que ocorre a maior redução da ação desinfetante. No entanto, qualquer outro desinfetante também terá redução de atividade quando em presença de alta carga de matéria orgânica. Não tenho informação percentual de qual seria o efeito da matéria orgânica sobre a ação da clorexidina e do ácido lático.

Atenciosamente,

Marcos Veiga
FAUSTO RODRIGO COIMBRA

FORTALEZA - CEARÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 23/06/2015

Prezado Prof Marcos Veiga.
Sabemos que o cloro é susceptível a presença de matéria orgânica reduz sua ação bactericida demasiadamente.
Gostaria de saber se a Clorexidina e Ácido Lático na presença de matéria orgânica comportam-se da mesma maneira, mais ou menos.
Abraços
Fausto Coimbra

IGOR CARVALHO

CASTRO - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 12/01/2015

Obrigado Prof Marcos. É que na minha propriedade (sou produtor iniciante) tem dado muita mastite ambiental, ainda mais agora no verão que o clima está chuvoso e algumas vacas veem para ordenha com úbere sujo. Para "matar" melhor estas bactérias aderidas externamente aos tetos, pensei em fazer 2 pré-dips, o 1o só aplicando o produto, sem massagear os tetos e o 2o quando for ordenhar, aí sim secando os tetos com papel toalha e fazendo o teste do caneco. Como não sei mais para onde correr, já comecei esse procedimento há 1 semana. Vamos ver se dá resultado.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 12/01/2015

Prezado Igor,

O tempo de ação do pré-dipping depende do tipo de produto químico e 30 seg é um tempo médio para a maioria dos produtos mais usados, como cloro e iodo.

Na minhao opinião, não é necessário aumentar o tempo de ação, pois após o início do estímulo dos tetos, a vaca deve ser ordenhada em aproximadamente 1 minutos e 30 seg. Se passar deste tempo, podemos ter o comprometimento parcila da descida do leite. Acima de 30 seg nao haveria benefício para justificar um tempo maior de ação.

Atenciosamente, Marcos Veiga
IGOR CARVALHO

CASTRO - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 12/01/2015

Professor Marcos. Li que o pré dip a base de cloro (pastilhas) precisa pelo menos 30 segundos para ter bom efeito, correto? No caso de ordenha balde ao pé, para aumentar ainda mais esse tempo e melhorar a eficiência do produto, posso fazer o pré dip em todos os animais quando entram no estábulo e depois ir tirando leite normal?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/12/2013

Prezado Marcelo, considero que esta seja sim uma medida interessante, pois reduz o risco de contaminação dos tetos no período pós--ordenha. No entanto, esta não é a única medida para prevenção de mastite ambiental, mas na minha opinião é uma medida importante.

Atenciosamente, Marcos Veiga
MARCELO MACHADO DE SOUZA LIMA

OUTRO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/12/2013

Dr. Marcus, vejo falar pouco,sobre a importância em alimentar as vacas após a ordenha para mante-las de pé. Esse manejo e realmente importante para prevenção de mamite ambiental?
Desde já agradeço e parabenizo pelo importante trabalho.
Marcelo
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/10/2013

Eduardo, eu não tenho experiência prévia ou conhecimento de estudos sobre o uso de gesso em camas de free-stall. Acredito que o uso do gesso teria algum efeito em reduzir a umidade da cama, mas acredito que o efeito seja curto (cerca de 24 horas). No entanto, é somente uma opinião, pois não tenho experiência com este uso, atenciosamente, Marcos Veiga
EDUARDO SOARES REMIGGI

UBERABA - MINAS GERAIS - ZOOTECNISTA

EM 25/10/2013

Marcos,

Gostaria de saber sua opinião sobre o uso de gesso agrícola como forma de cama para vacas em free stall. Você tem algum conhecimento sobre o uso deste tipo de material para camas? Se sim, quais as vantagens e desvantagens que você identifica na utilização deste produto?

Att.,

Eduardo
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/09/2013

Prezado Heffernan, os principais princípios ativos para desinfecção de tetos antes da ordenha são: cloro, iodo, clorexidina e ácido lático. Todos estes produtos apresentam boa ação no manejo pré-ordenha. Minha recomendação seria o uso de produtos de empresa idôneas no mercado, o que pode garantir melhores resultados.

Atenciosamente, Marcos Veiga
HEFFERNAN MACEDO

PASSOS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/09/2013

Marcos:

Qual seria uma base eficaz de produto para desinfecção de Pré-Dipping?

att.

Heffernan Macedo
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/09/2013

Prezado Estevão, todos os materiais de origem orgânica permitem que o crescimento de microrganismos de contaminação ambiental seja muito rápido. Em cerca de 24 a 48 horas após a reposição do material novo, a cama de material orgânico está muito contaminada e pode ser um fator de risco para novos casos de mastite ambiental. Considerando que há um surto, minha sugestão seria intensificar a limpeza e reposição do material (retirar esterco, umidade em excesso, reposição maior). Outra opção que auxilia de forma temporária a manter a contaminação em baixos níveis por cerca de 48 horas é a adição de cal sobre a cama, conforme abordamos em recente artigo aqui no Milkpoint.

Especificamente sobre o uso de bagaço de cana como material para cama em confinamento de vacas leiteiras eu não tenho experiência prévia.

Atenciosamente, Marcos Veiga

ESTÊVÃO DOMINGOS DE OLIVEIRA

QUIRINÓPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/09/2013

Caro Marcos Veiga

Estamos enfrentando um surto de mastite ambiental em uma fazenda que usa bagaço de cana como substrato colocado sobre cama de borracha.
Gostaria de saber sua opinião sobre o uso de bagaço de cana como cama em freestall. Há alguma informação sobre a utilização desse material e aumento de casos de mastite?

Obrigado
JÚLIA COELHO

VIÇOSA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 24/09/2013

As vacas que estagiamos no gado de leite da universidade de viçosa dormem em colchões cheios com po de borracha e tem dado o muito certo, os casos de mastite hoje sao minimos, nao chega a 5 % do rebanho.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/09/2013

Prezado Leonardo, as medidas de controle para a mastite ambiental são de forma geral, focadas em melhoria de higiene, principalmente na cama. As medidas que mais podem trazer benefício seriam a manutenção da cama seca e limpa (limpeza e retirada de excesso de umidade e esterco), melhoria de dimensionamento par evitar superlotação. No entanto, não existem medidas específicas, além das medidas básicas de higiene.

Atenciosamente, Marcos Veiga
LEONARDO LOPES

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/09/2013

Marcos;

Existe alguma solução que você indica para melhoramento do ambiente? O que fazer para melhor obter controle além da limpeza conforme mencionado aqui no artigo...