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Contaminação ambiental aumenta o risco de mastite por estafilococos não-aureus?

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 30/10/2020

3 MIN DE LEITURA

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Os microrganismos do grupo estafilococos não-aureus, ENA, anteriormente chamados de estafilococos coagulase-negativa, são atualmente um dos principais grupos de agentes causadores de mastite em todo o mundo. Este grupo de bactérias gram-positivas pode ser isolado em três locais principais: no leite, na pele da extremidade dos tetos e mais recentemente também foi isolado nas fezes das vacas. Com o avanço das técnicas de diagnóstico, principalmente com o uso do MALDI-TOF, em vez de considerar o grupo ENA como um todo, atualmente é possível identificar com baixo custo as principais espécies de ENA em amostras de leite de vacas com mastite.

Mesmo que os ENA tenham sido bastante estudados ultimamente, ainda não está claro o papel destes patógenos em relação à saúde do úbere. Por exemplo, os ENA são considerados agentes secundários da mastite, pois se comparados aos agentes principais (p.ex., Staphylococcus aureus), causam mastite subclínica com menor média de CCS e, praticamente, não afetam a produção de leite das vacas infectadas. No entanto, algumas espécies podem causar mastite clínica e carrear diferentes fatores de virulência, como a capacidade de formação e biofilme e de resistência aos antibióticos.

Um estudo recente desenvolvido por um grupo de pesquisa da Bélgica buscou ampliar o conhecimento sobre os ENA em relação ao tipo de habitat (leite, pele dos tetos e fezes), o que poderia facilitar o entendimento sobre as formas de transmissão e importância das diferentes espécies de ENA como causa da mastite. O estudo envolveu a coleta de amostras de leite, pele dos tetos e fezes em 8 fazendas, totalizando um universo de cerca 1500 isolados de ENA, os quais foram analisados pela metodologia de MALDI-TOF para identificação da espécie de Staphylococcus.

Os principais resultados deste estudo indicaram que de um total de 22 diferentes espécies de ENA, somente 9 foram identificadas em todos os três habitats dentro de cada rebanho avaliado (leite, pele dos tetos e fezes): Staphylococcus arlettae, Staphylococcus auricularis, S. chromogenes, Staphylococcus cohnii, Staphylococcus devriesei, Staphylococcus equorum, S. haemolyticus, Staphylococcus hominis, Staphylococcus vitulinus. A presença destas espécies em todos os habitats pode sugerir um possível papel das fezes como fonte de contaminação dos tetos e, consequentemente, aumentar o risco de novos casos de mastite.

Em relação às amostras de leite, cerca de 33% foram positivas para ENA, sendo que em algumas fazendas este percentual atingiu 50% das vacas avaliadas. Quando foi feita a distribuição dos resultados das espécies de ENA de acordo com o local de coleta das amostras, as espécies que foram isoladas em amostras de todos os rebanhos foram:

1) Leite: Staphylococcus chromogenes, S. haemolyticus, S. hiomini.

2) Pele dos tetos: Staphylococcus chromogenes, S. haemolyticus

3) Fezes: S. hominis, S. epidermidis, S. cohnii, S. haemolyticus.

É interessante destacar que 94% das amostras de pele dos tetos foram positivas para ENA, mas algumas espécies somente foram isoladas nas amostras coletadas antes (p.ex., Staphylococcus kloosii, S. lentus, S. saprophyticus), o que indica a origem do ambiente, ou após a ordenha (S. agnetis, S. epidermidis), o que indica que houve a contaminação dos tetos durante a ordenha. Estes resultados indicam que o isolamento de S. epidermidis em vacas com mastite pode ser ter ocorrido pela transmissão deste agente pela contaminação do equipamento de ordenha, o que indicaria uma transmissão contagiosa. Por outro lado, nas amostras de leite de vacas com mastite, Staphylococcus chromogenes e Staphylococcus haemolyticus foram as duas principais espécies de ENA identificadas.

Ainda que não possam ser considerados como definitivos, os resultados deste estudo reforçam a ideia de que o grupo dos ENA apresenta grande diferenças de distribuição entre as espécies de acordo com o habitat que são isolados, o que pode ajudar a explicar o papel das diferentes espécies como causa da mastite ou como microbiota natural da pele. Por exemplo, a alta frequência de isolamento de Staphylococcus chromogenes em vacas com mastite e na pele dos tetos de todos os rebanhos estudados é uma evidência da alta capacidade de adaptação desta espécie ao ambiente do úbere e como causa de mastite. Por outro lado, Staphylococcus equorum parece ser mais adaptada ao ambiente, enquanto Staphylococcus haemolyticus apresenta um perfil oportunista, pois pode ser encontrado em todos os habitats estudados, além de também poder causar mastite nas vacas leiteiras.

Fonte: Wuytack, et al. (2020). Distribution of non-aureus staphylococci from quarter milk, teat apices, and rectal feces of dairy cows, and their virulence potential. Journal of Dairy Science. 10.3168/jds.2020-18265.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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