Aplicabilidade do antibiograma como ferramenta no tratamento de mastite

A escolha do antibiótico ou quimioterápico mais adequado é um aspecto importante para o sucesso do tratamento da mastite, pois esse é um componente essencial do programa de controle de mastite. A definição da droga a ser usada, assim como o esquema de tratamento dos casos de mastite é uma decisão que muitas vezes deve ser tomada de forma imediata, uma vez que o tratamento precoce, principalmente dos casos clínicos, aumenta muito a possibilidade de cura.

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A escolha do antibiótico ou quimioterápico mais adequado é um aspecto importante para o sucesso do tratamento da mastite, pois esse é um componente essencial do programa de controle de mastite. A definição da droga a ser usada, assim como o esquema de tratamento dos casos de mastite é uma decisão que muitas vezes deve ser tomada de forma imediata, uma vez que o tratamento precoce, principalmente dos casos clínicos, aumenta muito a possibilidade de cura.

Os testes de sensibilidade in vitro, também conhecidos como antibiograma, têm sido utilizados com o objetivo de fornecer informações sobre quais antibióticos apresentariam os melhores resultados para a terapia da mastite. O uso de antibiogramas para a escolha do antibiótico mais indicado para o tratamento da mastite tem como base a idéia de que a principal causa da falha na terapia é a resistência bacteriana ao antibiótico, o que nem sempre é ocorre.

Para avaliar a existência de associação entre os resultados de testes in vitro de sensibilidade antimicrobiana (antibiograma) de patógenos causadores de mastite clínica e os resultados do tratamento intramamário, foi desenvolvido um estudo que avaliou o tratamento de 133 casos de mastite clínica.

Os animais foram tratados diariamente com 50 mg de pirlimicina intramamária no quarto afetado, durante 2 dias, sendo que após esse período o tratamento era continuado se os sintomas clínicos não desaparecessem. A duração total dos tratamentos foi monitorada até a ocorrência de cura clínica do caso de mastite. Antes do início do tratamento, foram coletadas amostras de leite dos quartos infectados para a identificação do agente causador e para a realização do antibiograma.

Entre os agentes que foram mais isolados das amostras de leite de mastite clínica, podemos citar: estreptococos ambientais, coliformes e estafilococos coagulase-negativa. Os resultados do estudo apontaram que a duração do tratamento e o número de dias até a cura clínica não foi diferente entre as vacas que apresentavam microrganismos sensíveis ou resistentes a pirlimicina nos testes de antibiograma. Da mesma forma, a cura bacteriológica aos 14 e 21 dias após o tratamento foi similar entre as vacas que apresentavam microrganismos sensíveis ou resistentes ao antibiótico usado.

Com base nos resultados desse estudo, não foi observada associação entre os resultados do antibiograma e da cura dos tratamentos intramamários de mastite clínica. Segundo os autores, o uso do antibiograma não apresentou vantagens como ferramenta para estimar o resultado do tratamento, uma vez que a taxa de cura foi a mesma em microrganismos sensíveis e resistentes a pirlimicina.

Esses resultados revelam as limitações do antibiograma como ferramenta para a escolha do antibiótico para o tratamento de mastite, cuja metodologia foi desenvolvida inicialmente para estimar concentrações de antibióticos para tratamentos em medicina humana e para a administração do antibiótico via oral e injetável. Entre as possíveis causas para essas falhas podemos destacar: a) o leite possui pH e concentrações de componentes (gordura, proteína, leucócitos, etc.) diferentes do plasma humano; b) os patógenos causadores de doenças em humanos e os protocolos de tratamento são diferentes daqueles empregados em vacas leiteiras.

Ainda que apresente limitações relacionadas à metodologia, o antibiograma pode ser uma ferramenta auxiliar na escolha dos antibióticos que devem ser utilizados para o tratamento da mastite clínica durante a lactação, visto que podem ser excluir antibióticos que reconhecidamente não apresentam resultados positivos pelo antibiograma. Por outro lado, resultados de sensibilidade de um patógeno no antibiograma não garante o sucesso do tratamento in vivo.

Fonte:

Hoe ,F.G. e Ruegg, P.L. Journal Am Vet Med Assoc. vol. 227, p.1461-8, 2005.
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Material escrito por:

Marcos Veiga Santos

Marcos Veiga Santos

Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260

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regiane anhaia
REGIANE ANHAIA

AMPÉRE - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/11/2016

Dr.  veiga                                  Estamos com caso de mastite onde ja tratamos com amox.+clavulato (amc) amoxilina (amo) cefalexina?(cfe) cefalotina (cfl) ceftiofur(ctf) citrofloxacina(cip)enrofloxacina(eno) estreptomicina (est) florfenicol(flf)gentamicina(gen) neomicina (neo) norflomax(nor) penicilina (pen)tetraciclina(tet) e nao resolvel deu uma melhorada e voltou novamente e no exame do leite no laboratorio deram todos "resistentes" e o ubere das vacas estao muito inchado o que devemos fazer? a soluçao seria descartar as vacas? por favor responda nao sabemos mais oque fazer . desde ja agradeço  obrigado .                                                                                                                                                                                                  
Robson
ROBSON

ITAPIRANGA - SANTA CATARINA - ESTUDANTE

EM 23/09/2010

Estou prestes a montar um projeto visando realizar antibiogramas para o combate a mastite na região da minha faculdade. Gostaria de receber maiores informações, se possivel sobre o assunto. Obrigado.
Marcus Alexandre Vaillant Beltrame
MARCUS ALEXANDRE VAILLANT BELTRAME

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO - FRIGORÍFICOS

EM 23/03/2007

Dr. Veiga,

Tendo em vista o resultado deste trabalho, mesmo assim considero uma ferramenta útil, contribuindo com o controle e tratamento. No entanto, considero uma técnica que devemos aplicar pensando no rebanho, ou seja, periodiamente, quando tivermos problema de mastite no rebanho, utilizamos o antibiograma para direcionar o antibiótico que será utilizado nos animais. Esse, então, será utilizado como Atb de eleição por um período de um ano (média), em todos aqueles animais que apresentem-se com mastite. O que acha?

Agradeço desde já!

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Marcus,

Concordo inteiramente com essa postura quanto ao uso do antibiograma para direcionar a escolha dos antibióticos a serem usados para o tratamento de mastite. Entendo que o uso deve ser sempre pensando no rebanho, pois o tratamento tem que ser iniciado o mais breve possível para buscar resultados satisfatórios de cura.

Atenciosamente, Marcos Veiga
Lucas Gabriel Prospero Giacon
LUCAS GABRIEL PROSPERO GIACON

SÃO GABRIEL DO OESTE - MATO GROSSO DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 28/02/2007

Gostaria de saber se o tratamento da mastite com a utilização de antiboióticos por via intramuscular não poderiam causar uma resposta melhor no tratamento, tendo em conta a observação do autor de que o pH e os componentes do sangue são diferentes aos do leite.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Lucas,

Obrigado pela sua mensagem. O uso da terapia combinada (intramamário+ injetável) pode ser sim uma alternativa viável para aumentar a taxa de cura. Contudo, apenas a terapia injetável não apresenta resultados tão satisfatórios. Não se pode esquecer também de que hoje existem diversas formulações que podem trazer maior ou menor transferência do antibiótico do sangue para o leite, dependendo das suas características.

Atenciosamente,
Marcos Veiga
André Navarro Lobato
ANDRÉ NAVARRO LOBATO

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 27/10/2006

É importante lembrar também que o antibiograma não leva em conta as reações químicas ocorridas no organismo do animal, já que é um teste <i>in vitro</i>, e com certeza isso leva a alterações nos resultados <i>in vivo</i>.
Wagner Milanello
WAGNER MILANELLO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/10/2006

Dr. Veiga,

Interessante as observações. Porém, é necessário destacar que o período que vai desde a identificação do agente até o fornecimento do antibiograma, se o sistema for manual, demora aproximadamente de 5 a 7 dias, e neste período a indicação de qualquer antibiótico poderá causar resistência bacteriana, o que é um desastre para o sucesso do tratamento.

Em sistema totalmente automatizado, podemos obter este resultado num período bem mais curto, porém, o custo é inviável para o devido tratamento. Devemos sempre lembrar que um dos principais fatores da instalação de mastite chama-se higiene (do ordenhador, equipamentos, animal e meio ambiente).

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Wagner,

Obrigado pela mensagem. O artigo destaca exatamente que os resultados do antibiograma não tiveram relação direta com a taxa de cura de mastite clínica. Não foi objetivo recomendar o uso de antibiograma em todos os tratamentos, mas sim destacar a necessidade de cautela quanto se tem os resultados de antibiograma. A minha recomendação é o de início imediato do tratamento de mastite clínica tão logo apareçam os sintomas.

Atenciosamente, Marcos veiga
Fernanda Hoe
FERNANDA HOE

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 20/10/2006

Prof. Marcos,

Fiquei contente em ver o seu artigo. É importante a divulgação de informações recentes para a constante atualização dos produtores e técnicos.

<b>Resposta do autor:</b>

Fernanda,

Obrigado pela mensagem. Fiquei contente em divulgar o trabalho de voces, pois achei muito interessante e os resultados muito práticos.

Atenciosamente,
Marcos Veiga



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