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A anatomia do úbere e tetos pode afetar a CCS e ocorrência de mastites

POR MARCO AURÉLIO DE FELICIO PORCIONATO

E MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 30/11/2009

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Além do padrão genético, outros fatores como a anatomia do úbere e dos tetos, influenciam a produção, ejeção do leite, a contagem de células somáticas (CCS) e resistência a mastites. Devido a essa alta correlação, os estudos das características anatômicas de úbere e tetos e sua relação com a CCS e prevalências das mastites têm ganhado maior atenção.

O diâmetro e o formato anatômico dos tetos, apesar de não apresentarem relação direta com a produção de leite, podem influenciar a facilidade de ordenha e estão relacionados com a maior ou menor incidência de mastites. Os formatos de tetos mais encontrados em vacas leiteiras podem ser observados na Figura 1.


Figura 1. Possíveis formatos de tetos encontrados em vacas leiteiras.

Estudos evidenciaram maior incidência de mastite em tetos posteriores com formatos cilíndricos do que para forma afunilada ou arredondada. Além disso, observou-se uma tendência a maior incidência de mastite com aumento do diâmetro dos tetos. A porcentagem de gordura de leite e a persistência de lactação apresentaram uma pequena diferença, porém significativa em favor de tetos com diâmetro pequeno. As vacas com tetos dianteiros menores produziram significativamente mais leite do que aquelas com tetos longos, apesar das vacas com tetos longos serem mais pesadas que as com tetos curtos. Tetos dianteiros de médios a longos e tetos traseiros curtos apresentaram menor incidência de mastite.

Como conclusão, o autor sugeriu que tetos afunilados e com menor diâmetro são menos suscetíveis à mastite do que aqueles cilíndricos e com maior diâmetro. As vacas com tetos curtos apresentaram maior produção. E sugere ainda um diagrama para resumir tais relações (Figura 2).


Figura 2. Diagrama de relação entre produção de leite, mastite e anatomia de tetos.

Em trabalhos mais recentes, outras características como tamanho dos tetos e distância da extremidade dos tetos até o solo foram relacionadas com a CCS e incidência de mastites.

As principais correlações entre as características anatômicas dos tetos e a CCS estão descritas na Tabela 1.

Tabela 1. Correlações entre os parâmetros avaliados dos tetos de vacas leiteiras e a CCS.



Os autores sugerem que a seleção de vacas com maior distanciamento da extremidade do teto até o solo e também, com tetos mais curtos e de menor diâmetro, pode facilitar a manutenção da higiene e reduzir a incidência de casos da mastite.

Além disso, os formatos da extremidade dos tetos e do úbere podem influenciar a CCS. Dentre os tetos encontrados em vacas leiteiras, aqueles que apresentam sua extremidade invertida (Ver Figura 3) se mostraram mais susceptíveis a aumentos de CCS e incidência de mastite, provavelmente pelo maior acúmulo de sujidades no local próximo ao canal do teto.


Figura 3. Teto com extremidade invertida.

A conformação de úbere e sua sustentação por ligamentos firmes têm alta relação com a longevidade produtiva das vacas. Entretanto, encontramos diferentes formatos de úbere, dentre eles alguns considerados pendulosos, isto é, apresentam seus ligamentos mais distendidos ou frouxos (característicos de animais mais velhos), que são mais susceptíveis a mastites e alta CCS.

Contudo, para utilização das características anatômicas do úbere e tetos para seleção de animais menos suscetíveis à mastite, devemos lembrar que esse critério seria mais uma alternativa em longo prazo.

Fontes:

Hickman, Journal Dairy Science, 1964.
Coban, et al. Journal of Animal and Veterinary Advances, 2009.
Porcionato, et al. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia, 2009.

MARCO AURÉLIO DE FELICIO PORCIONATO

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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DANIEL COSTA MENDES

EM 10/04/2018

Boa noite, parabens pelo artigo. Gostaria de saber quais foram as medidas consideradas para distancia da extremidade dos tetos até o solo, e qual raça foi usada no experimento. Se possivel,... uma indicaçao de um artigo com todas essas medidas,.... do ubere, tetos, distancias entre tetos, distancia ate o solo,... etc... Muito Obrigado, Daniel Engenheiro Agrônomo pela ESALQ piracicaba, e selecionador de gir leiteiro . se possivel me passar por whatsapp (19) 9 9656 3002 ou email costamendes@hotmail.com , grande abraço
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/04/2018

MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2013

Prezada Viviane, neste caso, em razão a necessidade de uma avaliação da vaca e do teto afetado, eu não teria uma recomendação específica, pois seria necessário consultar um veterinário que possa fazer um exame físico do animal e do teto.



Atenciosamente, Marcos Veiga
VIVIANE

EM 27/02/2013

OLA, QUERO SABER O Q ACONTECE E OQ VOU FAZER?

VACA RECEM PARIDA TA COM UM TETO ENTUPIDO ELA É DE ALTA PRODUÇAO

MACHUCOU A TETA QUANDO TAVA SECA?
ALESSANDRA POLASTRINI

PALMAS - TOCANTINS - ESTUDANTE

EM 12/07/2010

Ola,

Parabéns pelo artigo, muito bom. Já que a anatomia do úbere e tetos pode afetar a CCS e a ocorrência de mastite, algumas raças leiteiras que apresentam em sua maioria um formato de tetos cilíndrico, por exemplo, seria importante então uma seleção para melhorar essa característica especificamente e assim diminuir a CCS e a ocorrência de mastite?

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Alessandra Polastrini,



Atualmente, a conformação do úbere, incluindo tamanho, forma, posicionamento dos tetos, é uma característica importante na seleção genética do gado leiteiro. No entanto, em termos de controle de mastite e redução de CCS, as ação tem que se trabalhadas prioritariamente em relação as medidas de controle preventivas, pois os componentes genéticos são de baixa herdabilidade.



Atenciosamente,



Marcos Veiga

RAFAEL RODRIGUES CORREA

JABOTICABAL - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/01/2010

Olá Prof. Marcos,

Parabéns pelo artigo. Uma pergunta que eu faço é a seguinte: Os touros de Inseminação que estão nas centrais que transmitem baixa CCS, também estão transmitindo uma conformação de úbere e tetos adequados como consequencia da baixa CCS?

Abraços, Rafael

<b>Resposta do autor:<b>

Prezado Rafael Rodrigues Corrêa,

Os índices de CCS e de conformação têm alguma relação entre si, mas entendo que sejam conceitos totalmente diferentes. Sendo assim, é mais provável que uma vaca com conformação de tetos e úbere ruins sejam mais propensa a ter mais mastite, mas não necessariamente, pois a ocorrência de mastite não depende somente de fatores anatômicos, mas também de fatores ligados a capacidade de resposta imune e de defesa, o que pode ser avaliado pelo índice de CCS.

Atenciosamente,

Marcos Veiga
WILLIAM SOUZA SILVA

RIO VERDE - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/01/2010

parabéns otimo trabalho, sempre nos ajudando a melhorar nossos trabalhos a campo.
ANTONIO GERALDO SANTOS

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/01/2010

muito bom.
seus artigos nos mostram o que realmente acontecem na pratica, nos dando condiçoes de trabalho melhor com mais conhecimento.

obrigado!
RAMÃO DA ROSA

JÚLIO DE CASTILHOS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 10/12/2009

Parabéns, excelente texto!! abraço
MÁRCIO TEIXEIRA

URUANA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/12/2009

Muito bom !!

Continue assim e feliz natal!

Márcio
GABRIELA SCRAMIN ROSA

BARRA DO GARÇAS - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 05/12/2009

Parabens! Os textos e notícias que disponibilizam nos sites são enriquecedores e bem atualizados.
MARCIO ZACARO

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/11/2009

Quero paranabeliza-lo pelas excelentes informaçoes que tem me dado no meio pecuario. Venho através desse artigos cada dia suprindo meus conhecimento .E podendo levar essa informaçoes ao homem do campo, pois ainda são muito conduzidos em suas propriedades, acharia que devia hever mais incentivo do gov. com relaçao a eles, fazendo pequenos cursos de como manter uma pequena propriedade obtendo melhor condiçoes de vida pois são eles nossos primeiros responsaveis pela nossa qualidade de vida, desde já obrigado e parabens.
CAROLINA CASTELLO BRANCO BARROS

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/11/2009

EXCELENTE MARCOS!!! ADORO SEUS ARTIGOS, CONTUDO ESTES NOS AJUDAM A ESTAR SEMPRE ATUALIZADOS NO CAMPO. CONTINUE ...