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Pequenos produtores de leite: a união melhora a matéria-prima produzida

A união faz a força. Esta frase é velha, mas funciona até hoje. Em minhas andanças por aí me deparo muito com produtores precisando de informação, de incentivo, e ainda, sobretudo, de dinheiro. Vamos lá então a uma historinha.

Certo dia cheguei a uma vila para ministrar uma palestra. Notei também que neste lugar todos me olhavam de forma diferente, como se eu fosse de outro mundo ou ainda um doutor, sabem? É, um doutor que estava muito distante e por algum motivo eles achavam que eu deveria saber de tudo e que para tudo, eu daria um jeito. Pois bem. Ao começar a conversar com algumas pessoas, fui interagindo com algumas delas até que alguém falou para mim: estou aqui porque vou assistir a palestra do ‘doutô’... falaram que o cara é ‘bão’ e que vai resolver os problemas daqui.

O ‘doutor’ que ele se referia era eu. Pasmem, era eu. Embora eu tenha doutorado e - de forma alguma - por causa deste título, não devo ser ou sou melhor que ninguém. Antes que termine a história eu digo que nesse dia proferi uma palestra para 20 produtores e foi uma das situações nas quais eu mais aprendi.

Continuando a história, fui chamado naquele lugar, pois ali, segundo o pessoal que organizou, era uma região muito carente de informações. Sinceramente o que me atraiu para ir a este lugar foi exatamente isso. Quando comecei a palestrar, depois de toda uma maravilhosa recepção, não por terem me chamado de doutor e sim por me respeitarem e simplesmente conversarem comigo, notei que faltava algo naquele lugar. Não era informação e sim união para buscar informação.

Dentre os assuntos comentados era a falta de assistência técnica na região. Então, como trabalho também nesta área, presenciei que não faltava técnicos e sim união entre os produtores, pois o que se tinha era competição e não união pelo bem comum.

Para a produção de leite, com muitas outras atividades, é necessário que todos se unam para um bem comum. Vamos a uma história. José e João eram vizinhos. João arou a terra, e José viu e fez o mesmo. João semeou o capim, dividiu as cercas, adubou e o José foi copiando e fazendo o mesmo. Um belo dia, João soltou as vacas e José nas mesmas condições soltou as suas também em suas áreas. Mas, um dia, por infelicidade, pegou fogo na pastagem do João. José ateou fogo na sua também.

Será que precisamos copiar as coisas um dos outros? Será que precisamos copiar ou nos unirmos para a busca de um bem comum? Eu com certeza escolho a segunda opção.

Não é difícil buscarmos a informação pessoal. Quando fazemos isso, evoluímos e deixamos de ser enganados. Deixamos também de lado o principal: a perda de dinheiro. Tudo que se une fica mais forte e pode se amparar na força do outro quando a nossa diminui. Logicamente que isto deve ser recíproco.

Voltando a palestra presenciei que os produtores de leite estavam cometendo um grande problema nutricional, que se caracteriza no fornecimento de altas concentrações de proteína na dieta e por este motivo o aspecto reprodutivo do rebanho estava todo comprometido. Para explicar de forma rápida, o aumento no teor de proteína da dieta consequentemente aumenta o teor proteico ingerido. Toda proteína em excesso no organismo deve ser excretada ou colocada para fora no processo digestivo e, neste caso, para excretar esta proteína, o animal gasta energia. Se o animal já não está tendo energia para produzir, imagina ter que gastar para excretar a proteína em excesso? O mais surpreendente é que um produtor indagou porque eu (o palestrante) nunca tinha ido falar isso a eles antes. Outro disse que nunca nenhum técnico tinha ido pois era muito caro para eles pagarem. Por fim, outro disse assim... ‘esta história de nutrição é muito complicada’.

Senhores, complicado é deixarmos de produzir. Complicado é tratarmos uma produção como brincadeira. Nos dias de hoje tudo deve ser encarado com responsabilidade para produzir o máximo em menor área. Por isso, trazer para porteira adentro da propriedade o conhecimento para gerar um produto melhor é obrigação.

Para voltar no nosso tema, tudo aquilo que se une funciona melhor. Não me refiro a produzir leite junto. Refiro-me a buscar pelo todo e produzir independentemente. Sim, associando-se com outros, buscamos pela informação mais fácil. Esta informação que segundo muitos é cara, fica barata quando se divide com outro. Isto já e realidade. Técnicos estão assistindo várias propriedades pequenas no mesmo dia e rateando o custo entre elas: uma visita, vários pagantes e vários receptores de informação.

Outro ponto importante é que ao conquistar a informação, nós produziremos melhor. Produzindo melhor, colocamos no mercado um produto produzido com eficiência e cada vez mais competitivo. Custo baixo, produto barato e possível de negociação em tempos de crise. Já é de conhecimento de todos: uma boa compra vale mais que uma boa venda. Unidos, compramos mais insumos e a preço muito mais barato por ser em grande quantidade. Todos se unem para compra, e independentemente, cada um produz o seu com aquilo que acha que deve.

Com qualidade, se nos unirmos, pode ser criada uma marca. Uma marca forte de um grande produto, só acabará se tudo ir por água abaixo. Aquele que é sozinho, para ser vencido, basta ele próprio se perder.

Produtor unido permanece fortalecido por mais tempo. A tecnologia chega mais rápido e fácil para os grandes produtores, segundo muitos pequenos produtores. Mas se unirmos as forças, nos tornamos maiores e podemos receber a tecnologia com maior facilidade.

Para encerrar, animais silvestres quando decidem atravessar um rio repleto de crocodilos, decidem por atravessarem o rio todos juntos. Este ato salva suas vidas, pois os crocodilos entendem que aquilo não é somente um animal e sim um animal grande e volumoso que está atravessando o rio e por isso não atacam o bando que está atravessando. Juntos, se tornam mais fortes e após passarem o rio, pastejam independentemente, mas se houver ataques ou travessias, se unem novamente a qualquer momento. Este fato fortalece muito uma bacia leiteira. Este fato fortalece muito o produtor. Este fato fortalece muito nosso leite. Pensem nisso.

MARCO AURÉLIO FACTORI

Professor na UNOESTE - Presidente Prudente
Zootecnista, Dr. em Zootecnia pela FMVZ/UNESP - Botucatu SP. Manejo de Pastagens, Conservação de Forragens e Nutrição Animal com foco em nutrição de Ruminantes.

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PATRICIA GOLDFEDER

CAMPANHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/04/2019

V sintetizou uma grande parcela dos problemas que,por serem muitos e diversificados,nao podem ser facilmente enfeixados.Sempre privilegiei o "comunitario" em detrimento do "individual",mas isto me parece estar "um passo alem".Contudo,sempre estara a esta distancia caso nao façamos nada no dia de hoje!
A soluçao para o leite tera que passar pela cadeia toda (que nao saira ilesa,caso permaneça nesta inercia).
Muito bom artigo,vou compartilhar!!!
LEANDRO DA SILVA LIMA

BURITIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/04/2019

O nosso pais nao tem uma politica adequada para produtores de leite,pagamos impostos abusivos nao temos nem um tipo de insentivo por parte de nossos governantes,envestimos muito e recebemos uma porcaria pelo litro de leite. Uma garrafa de 500 ml de agua q e um produto retirado da natureza sem custo algum para produzir vale 2 reais aqui na minha regiao enquanto pra mim tirar 10 litros de leite eu gasto 3.50 cts de raçao,energia mao de obra etc para vender a 1.05 de real o litro de leite: ISSO E UM ABISURDO NAO VALE A PENA PRODUZIR LEITE NESTE PAIS
BRUNO VICENTINI

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 24/04/2019

Muito bom o artigo! Na verdade, mais do que bom! Na região em que moro, percebo essa mesma característica entre os pequenos produtores... A falta de união... Uma certa desconfiança... Penso que o desafio é "como colocar essa roda para girar"...