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Módulos mínimos de produção: custos da produção de leite em pasto

VÁRIOS AUTORES

MARCO AURÉLIO FACTORI

EM 13/01/2011

6 MIN DE LEITURA

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Nas últimas décadas são consideráveis os avanços no campo da nutrição e alimentação de ruminantes. Novas técnicas de alimentação e manejo foram propostas para minimizar os custos e aumentar a renda dos diversos setores e sistemas produtivos.

Em se tratando de produção de leite em pasto, quando a forragem é diretamente colhida pelo animal, os custos de produção podem sofrer sensível redução. A oferta de alimento no momento certo (ponto ótimo de manejo da forragem) e em quantidade adequada resulta em dieta volumosa adequada para que as vacas possam produzir até 12 litros de leite por dia (Deresz e Matos, 1996), desde que os animais tenham potencial genético para tanto.

Dessa forma, um sistema com pastagem bem estabelecia, e baixo custo de implantação em comparação aos demais sistemas de produção de leite, confere segurança e versatilidade frente aos altos preços de insumos e baixo preço do leite. Considerando como base o pasto (volumoso de verão), é de fundamental importância utilizar sistemas mais produtivos (lotação/ha) plantando forrageiras de alto potencial de produção.

Assim, dentre estes sistemas, uma das opções é a adoção do pastejo com lotação rotacionada, que nada mais é que uma área subdividida em piquetes (por meio de cerca eletrificada), tendo como finalidade fornecer ao animal forragem de alta qualidade. Após o pastejo, este capim deverá ser adubado (verão). No inverno, o uso da cana de açúcar substitui a silagem ou feno, alimentos mais caros (Tabela 1) utilizados rotineiramente nos sistemas de confinamento. A cana-de-açúcar é hoje o volumoso mais barato depois do pasto. Embora quando usada exclusivamente, proporcione baixas produções de leite por animal por dia (4-6 litros), é atrativa por ser de baixo custo e de fácil manejo.

Tabela 1. Preços (R$) do kg de massa seca dos volumosos



Quanto à suplementação das vacas ao longo do ano, estas não precisam de rações que contenham produtos milagrosos que, a um passe de mágica, farão com que os animais, aumentem a produção. O uso de subprodutos da agroindústria como parte desta suplementação, tem se tornado prática comum, com resultados positivos para o sistema, reduzindo o preço do concentrado utilizado.

Para fechar um sistema simples e objetivo, o armazenamento do leite produzido deve ser levado a sério, mesmo que os preços para se produzir leite em pasto sejam menores, em comparação à produção de leite com vacas confinadas. Embora as lucratividades, segundo a literatura, sejam por volta de 20 a 30 % sem considerarmos mão de obra, a obrigação é que o leite entregue ao caminhão que vem até a fazenda ou levado até um tanque comunitário, esteja em perfeitas condições físico-químicas e microbiológicas.

Esta publicação, objetiva relacionar e quantificar os custos de uma produção leiteira em pasto, desde a implantação da espécie forrageira até a entrega do leite no tanque de resfriamento. Assim, seguem abaixo os custos de uma produção leiteira em pasto com produção de 300 litros de leite por dia, atualizado para o ano de 2010.

Para tanto, cabe ressaltar que os alguns cálculos foram realizados por docentes e discentes da área de Forragicultura e Pastagens do curso de Pós-Graduação em Zootecnia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP de Botucatu, incentivados pelos constantes questionamentos referentes a viabilidade dos sistemas de produção de leite em pastagem conduzidos com mão-de-obra familiar, tendo como base informações IBGE, de que o Brasil possui 4,8 milhões de estabelecimentos rurais e dentre eles 4,1 milhões são estabelecimentos familiares com média de 26 ha cada. A renda mensal média é de zero ou negativa para 15 % destes, 55% até R$ 250,00, 20% entre R$ 250 e 666,00, 5% entre 666 e R$ 1.250,00, 3% entre 1.250 e R$ 2.291,00 e, apenas 2% acima deste valor. Assim, justifica-se esta preocupação em relação à área do sistema e a renda do mesmo. Considerou-se então, uma família que conseguisse obter 3 salários mínimos de rentabilidade no sistema, tendo como base no ano de 2010, o salário mínimo de R$ 510,00.

Assim, para efeito de cálculo, tomaremos por base, uma rentabilidade de 25% (sem considerar custos com mão de obra, a qual será familiar). No entanto, fixaremos um salário hipotético de 3 salários mínimos (3* R$ 510,00 = R$ 1530,00) e um preço do leite de R$ 0,70 (média histórica). Aplicando-se rentabilidade de 25%, temos por litro de leite vendido, lucro de R$ 0,18. Para uma renda de R$ 1.530,00 (1530,00 / 0,18) a produção diária deve ser de 283 litros. Para isso, necessita-se de 18 vacas em lactação de 16 litros de leite em média, mais 6 vacas secas. Considerando uma taxa de lotação no pasto (verão) de 15 UA/ha e 1 hectare de cana para alimentar 20 a 25 vacas durante um período de 150 dias (inverno) temos: 1,6 ha de pastagem (verão) e 1 ha de cana de açúcar, ambos, bem manejados. Além disso, computou-se 1 ha para instalações.

No entanto, não só produzir a baixo custo é necessário, mas que o investimento inicial seja o menor possível. Para tanto, considerando uma rentabilidade igual a citada anteriormente, de três salários mínimos, é comum observarmos sistemas rentáveis como a criação de frangos por exemplo que em menos de 1 ha, consegue-se rendas acima do previsto. Todavia, o investimento inicial é alto considerando os equipamentos utilizados, dentre eles bebedouros, comedouros além de toda a estrutura de barracão e demais construções.

Neste contexto, de acordo com a Tabela 2, observam-se os custos para o módulo de produção de leite em pasto, desde a implantação do pasto, compra de animais e custo de investimentos com instalações. As instalações serão o mais simples possível, porém funcionais para o aspecto de higiene, condições de trabalho e versatilidade. Na Tabela 3, encontram-se os valores do custo de manutenção das benfeitorias, diluídos para os anos de utilização. Ainda, na Tabela 4, encontram-se a receita do leite vendido e os custos de produção, não inclusos gastos com mão de obra.

Tabela 2. Custos de implantação do sistema (módulo de produção de 300 l de leite por dia).



Tabela 3. Custos anuais com respectivas diluições para os anos de utilização.



Tabela 4. Receita anual para o módulo de produção proposto.



A partir da visualização das tabelas, pode-se concluir que a produção de leite é rentável (R$ 1.530,00) em pequenas áreas (3,6 ha), em relação ás outras atividades pecuárias como a bovinocultura de corte e ovinocultura que necessitam de áreas maiores para se obter o mesmo lucro, que serão abordadas em outras publicações. Apesar dos custos iniciais inerentes à atividade, é possível diluí-los. Assim, toda e qualquer benfeitoria pode ser financiada, bem como a compra dos animais que, pode ser gradativa e seguindo metas previamente estabelecidas. Para tanto, todo e qualquer sistema de produção precisa de planejamento e oportunidades de mercado, devidamente gerenciados, para cumprir objetivos e alcançar o sucesso. Fica evidente que a produção de leite em pasto é a atividade pecuária que demanda menor área quando se trata de estabelecimentos familiares.

Literatura citada

CEPEA/ESALQ-USP - Metodologia do índice de preços dos insumos utilizados na produção pecuária Brasileira. Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. 2010.

DERESZ, F.; MATOS, L. L. Influência do período de descanso da pastagem de capim elefante na produção de leite de vacas mestiças Holandês x Zebu. In: Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 33, 1996, Fortaleza. Fortaleza: SBZ, 1996. v.3, p.166-167.

MARCO AURÉLIO FACTORI

Consultor, Factori Treinamentos e Assessoria Zootécnica.

PAULO ROBERTO DE LIMA MEIRELLES

CRISTIANO MAGALHÃES PARIZ

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NARCISO LUIZ MERLO

SANTA TEREZA - ESPÍRITO SANTO

EM 15/06/2020

Muito bom era o que precisava saber para me animar mais ainda a trabalhar com gado leiteiro.
MARCELO

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO

EM 13/05/2017

Prezado Marco Aurélio,



Estive lendo seu artigo e montando uma planilha semelhante pois quero em algum momento breve adquirir um pequeno pedaço de terra e começar a empreender na atividade rural. Uma delas começando uma pequena produção de leite. Acredito que o pequeno proprietário não deve ficar a mercê de apenas uma atividade. A propriedade deve ser explorada em toda sua potencialidade, preferencialmente de forma orgânica, sem uso de quaisquer agrotóxicos, porém, aproveitando todos os produtos gerados o que muitas vezes não acontece. Exemplo: até as fezes dos animais são aproveitáveis. Em relação à suas tabelas, gostaria de colocar algumas ressalvas. A primeira é que ela não leva em conta a bezerrada que nasce e é uma fonte de renda, que pode tanto substituir as vacas após suas 3 crias, como você colocou como custo anual, ou podem ser trocadas ou vendidas equivalendo ao custo citado, sendo que, uma vaca produzindo 3 crias, se pagou e acrescentou 2 crias no rebanho. A outra ressalva é que todos esses custos nem sempre existem na propriedade, pois muitas vezes o próprio produtor produz milho, cana, capim elefante e etc com custo muito baixo, para usar na suplementação. Os custos mais evidentes são de veterinário (vacinas, tratamento), ração, sal, funcionário (se houver), eletricidade. Muitos deles se quer usam ordenhadeira eletrônica, equipamento que geralmente causa problemas nas tetas das vacas.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/01/2017

Prezado Robson



Não tenho planilhas para lhe enviar. Sobre a viabilidade ela existe e é totalmente possível, desde que seus custos sejam compatíveis. Sobre a estrutura de ordenha, você deve contactar uma empresa e ela lhe informará sobre a sua duvida, uma vez que a cada máquina a estrutura muda, em função da eficiência das mesmas e disponibilidade de estrutura em sua propriedade. Att. Marco Aurélio Factori
ROBSON

CONCEIÇÃO DA BARRA DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/01/2017

Marco, boa tarde



Tenho uma propriedade no Sul de MG  com 16 hectares formado no total com braquearão.

No entanto gostaria de saber a viabilidade para implementação de uma estrutura para montar um curral com ordenha e tanque. Quantas cabeças de vacas leiteiras comportam esta área em sua opinião.

Inicialmente gostaria de começar com 10 vacas com 20 litros media.

Os preço de R$1,30 o litro, poderia afirmar a viabilidade de ter um funcionário para tocar este trabalho?

Teria alguma tabela em Excel para que possa enviar para mim para que veja a viabilidade.



Fico no aguardo

  
ELIAS DA SILVA MENDES

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 04/06/2016

OBRIGADO  PELAS INFORMAÇÔES,ENGRAÇADO SE NÂO FOSSE MUITO TRISTO,PESSÕAS PESSIMISTAS QUE PARECE QUE NEM BEBE LEITE;MEU DEUS,TENHAM BOM ANIMOS GENTE,P/ QUEM GOSTA SÓ O CHEIRINHO DO CURRAL JA AJUDA,NÂO FALANDO DO BARULHO DO GADO AVES E PASSARINHOS QUE ENCANTAM AO AMANHECER.ABRAÇOS.
PAULO SERGIO WEISSHEIMER

VIAMÃO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/04/2016

Para dedicar´-se a pecuaria leiteira ,tem que amar realmente aquilo que está fazendo.O naõ conhecimento de tecnicas como pastejo rotacionado,irrigação,exigências nutricionais etc... levam pessoas a achar a atividade um mau negócio.Uma pequena propriedade,por menor que seja,pode ser produtiva e lucrativa quando bem planejada.Nenhuma outra atividade rural é tao lucrativa quanto a produção de leite,numa determinada área;Feliz aquele que tem um pedacinho de terra para produzir o seu sustento,e criar seus filhos longe dos imensos problemas sociais,que as cidades nos oferecem.Sem contar que não vai ter um patrão para lhe encher o saco
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/12/2015

Prezado Lucas



Sobre sua duvida, os custos iniciais podem e ao mesmo tempo, devem ser feito gradativamente... o bonito da atividade é exatamente isso, ou seja, o produtor pode ir aumentando sua produção aos poucos e assim aumentando certos investimentos. Sobre lucro, falamos em um lucro de ao redor de R$ 2 000 considerando um módulo mínimo.. como sua área é maior, ou lucros com certeza serão maiores. Comece aos poucos, mas com certeza tendo as terras é o mais importante. Estamos a disposição. Att. Marco Aurélio Factori
LUCAS CORRÁ

MONTEIRO LOBATO - SÃO PAULO

EM 09/12/2015

Eu me encontro na seguinte situação, tive minha infância na roça e ajudava nos afazeres com meu avo meu tio e um camarada. Lembro-me que o trabalho era pesado, mas tudo se resolvia com um pouco de esforço e boa vontade. Acho que a produção de leite ficava em torno dos 300 litro +- com cerca de 30 vacas. Eu cresci, fui estudar e hoje sou professor da rede publica , deixando para traz toda essa vivencia da minha infância

Bom esse tempo ja passou, meu avo faleceu e hoje, o sitio com 12 alqueires esta comigo e minha mãe que adora plantar flores, horta e outras coisas.

Tem como iniciar uma produção de leite, tendo apenas a terra como incio de atividades?

Pelo que vi, o valor inicial é de aproximadamente 150.000,00 reais e os ganhos não passam de 2.000,00 por mês.

Seria só isso mesmo?
ASS

AÇUCENA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 28/11/2013

Se comprar as vacas paridas de fêmea, dobrará o nr de vacas em 03 anos, aumento o valor do capital em vacas para 93.600,00  dobrando a sua produtividade em leite e cada ano após os 03 citados aumentará o rebanho de vacas paridas em 50%, aumentando a seu capital em 46.650,00 só de novilhas paridas, este valor dividido por 12 dá quase 4.000,00 reais de  renda bruta mês, fora todo o leite produzido, fora os bezerros machos que ainda gerará uma pequena renda. Tecnologia e PACIÊNCIA é a chave do negócio.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/12/2012

Prezado Domingos Guimarães



Eu que agradeço pelo enriquecimento dos seus comentários. Assim conseguiremos juntos formar opiniões e ajudar a todos que possuem dúvidas sobre ao assunto.

Um grande abraço,

Att.



Marco Aurélio Factori
DOMINGOS GUIMARÃES

BIRIGUI - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 14/12/2012

Prezado Marco Aurélio.

Parabéns pelo seu trabalho. Como sou do campo e vivo na cidade, sou mais um do exodo rural embora apaixonado por vacas. Tenho muita vontade voltar a tirar leite pois tenho uma estrutura boa e de montar para ter boa produção como manda a técnica e tem que ser assim, como na indústria, na produção familiar não funciona, como nos Estados Unidos até 2020 não existirá mais pegueno(extinto). Uma coisa ruim é que eu aprendi foi fazer contas e vejo o seguinte: Todo o ativo (terra+trator+vacas+ galpão+outros) somados tem que dá 1%. Ou o faturamento do leite tem que dá 20%. Na realidade o 1% é igual ao 20%.

A MObra é normal, registro, férias, 13º, por isso tem que ser industria, pode ser pequena mas tem que ter gestão e entendo que vaca boa é a de 10 ltrs e não de 30 ltrs, porque a de 30 dá mais trabalho, é o triplo. Na hora de vender a de 30 não vale e a de 10 vende na hora.

Obrigado pelas explicações.

Um abraço

Domingos Guimarães
EDERSON MARCIANO DUTRA

MUTUM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/04/2011

D MARCO AURELIO
E muito gratificante pra nós, produtor rural, termos profissionais da sua categoria
nos dando o prazer de acompanhar os custos de produçao no qual realiza.Infelismente é a dura realidade de nós produtores.É um investimento muito alto com grandes riscos para uma lucratividade quando tem muita baixa.Sou produtor,tenho uma area de pasto pra leite de aproximadamente 10 ha,no qual 2,5ha e irrigado e piquetado no brachiarao,mas meu rebanho é de baixa produçao no qual nao consegui um bom retorno.Graças a bons profissionais estou entrando em um projeto de melhoramento de produçao,organizado por grandes parceiros EMATERdirecionado pelo engenheiro agonomo THIAGO e pela secretaria da agricultura o sr.ROBSON MARCIANO DUTRA um grande parceiro amigo do produtor,aqui os meus agradecimentos a esses dois profissionais.
JOSÉ PEDRO FRANQUEIRA JUNQUEIRA

SÃO LOURENÇO - MINAS GERAIS

EM 04/03/2011

Caro Marcelo: Voltando ao assunto citado sobre uma pequena propriedade, e que voce acha melhor ir trabalhar fora coloco : na primeira abordagem pai , esposa e dois filhos tabalham juntos, então deve ser possivel algum descanso: depois colocou que a esposa não ajudaria e os filhos estariam estudando. Aí então como empregado sobraria apenas o pai ,que se der sorte ganharia aí seus 1200,00 reais no máximo, e não mais os 2400,00 , certo. Voce colocou que sua região é diferente do Paraná ,mas estou no sul de Minas -Perto de voce- e continuo a achar que se não encorajarmos os pequenos a permanecer em suas propriedades as consequencias serão catastróficas, pois quem vai dar empregos a todos eles? Recomendaria também que visitasse alguma unidade do Balde Cheio ,pois impressiona o que a assistencia tecnica e boa vontade do produtor ( não dinheiro ) podem fazer em pouco ha de terra. Na maioria das vezez esta assistencia vem sendo paga por prefeituras ,sindicatos ,laticínios, que veem nesta fixação do homen no campo uma necessidade ,ou no caso de laticinios querem o aumento de produção de seus produtores. Fácil não é ,mas se fosse não estaríamos aqui debatendo sobre isso. Todos temos as nossas dificuldades , mas sou um apaixonado por vacas leiteiras e por isso estas colocações.
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/02/2011

Caro Michel Kazanovki,

querendo usar de sinceridade, mas não tentando fugir do cavalheirismo !

Digo lhe que estamos falando de dois países dentro do nosso Brasil, radicalmente diferentes, pois descordo de sua posição, quanto a ser, de certa forma, indigno trabalhar de empregado com carteira assinada - se este produtor não tiver e o governo não lhe dispor de capital; pode ser que ai o povo do campo seja muito mais dinâmico do que os que lutam em minha região - não é crítica, é realidade !

Contra fatos, não se colocam argumentos ! Pois levaria a um juízo errado, uma inverdade !

A escala esta descendo muito em minha região, pois como o Caro Marco Aurélio Factori ... o produtor estaria incubando dívidas de alto risco; O risco deste produtor "orfão" e sem ter escala, não se arriscaria a tentar um empréstimo, tenho certeza que os produtores do vosso Paraná são tratados de forma diferente, pois o são mais valorizados e respeitados !

Seu puljante Estado, é culturamente bem diferente, e com um pensamento muito mais rural, coloco que são diferentes ...é reafirmo, muito diferentes !

Mas o encargo é de vocês que passaram por concursos, para estarem motivando e buscado forças para que os produtores por vocês assistidos esteja no rumo da prosperidade, e desejo-lhe sucesso em vossa labuta, pois é muito honrosa sua tarefa como técnico público.

Valorizo muito os que com uso de muita ética profissional, se desprendem em favor destes produtores ...

Um abraço
marcelo


MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/02/2011

Caros amigos.

Vejo muito e em todos os lugares este tipo de discussão. Porém, muitos dos que opinaram não deram a devida atenção aos dados iniciais de renda média das propriedades. O produtor não sai de férias em geral por que não tem dinheiro nem mesmo pra ir até a cidade. A pobresa que esse povo vive é deprimente. Comecei a um ano trabalhar com assistencia técnica em uma entidade pública e fui encubido de traçar a face da atividade leiteira no meu municipio. Os dados não diferem muito dos acima mencionados. Isso que a região que atuo é das mais desenvolvidas.

Quando se fala em produzir em larga escala, acima de 2000lts/dia, como foi mencionado acima, eu pergunto: Onde fica todo esse povo nessa historia? Vai todo mundo ser funcionario?
Ontem tive o prazer de discutir com o Dr. Callegari, do Iapar, a respeito do trabalho no Brasil hj. Discutiamos sobre o numero de profissionais formados hj nesse país e o numero de vagas disponiveis para eles no mercado de trabalho. Se com formaçao superior hj ta muito dificil ganhar uma boa renda, quem dira aquele produtor semi-analfabeto, matuto.
Por isso devemos sim apoiar o aumento de produtividade e da renda destas pequenas propriedades como forma de dar dignidade a este povo. De que adianta voce ter folga, ferias, pouco trabalho, se no fim do mes nao ter nenhum no bolso?

Pequenas propriedades são viaveis sim. Acompanho algumas, com produtores com uma força de vontade em melhorar da vida incriveis. Que em 2 a 3 anos sairam do patamar de miseria para entrar na classe media. Isso com areas de 4, 5, 7, 10ha...

Sobre a implantaçao do projeto descrito, é ainda mais facil de se fazer q mencionado. Por exemplo, o valor de 24 animais que custaram $3.900,00 cada. Geralmente as propriedades que trabalham com gado leiteiro ja possui um rebanho pequeno que ja serve de base para inicio do trabalho. O maior problema se traduz a nutriçao. Corrigindo isso, com investimentos minimos, ja se alavanca a produçao o suficiente para cobrir outros investimentos. A qualidade dos animais se corrige sem comprar um a mais. Basta usar bons touros em um bom trabalho de IA que em 3 a 4 anos o rebanho ja esta num bom nivel para atender o potencial da pastagem.

Medidas simples, respeitando a realidade de cada propriedade. E uma boa dose de paciencia. Se cada pequeno produtor recebesse esta atençao, a produçao das propriedades de mais de 2000lts/dia seriam insignificantes perante ao total deste pais.

Basta compararmos a produçao do Paraná. Castro, vitrine da produçao leiteira deste país, com sua alta produçao por estabelecimento e por animal, confinamento, etc. Representa apenas a terceira bacia leiteira do Paraná. Perde longe para o oeste e principalmente para o sudoeste, de pequenas propriedades familiares, que esta prestes a se tornar a maior bacia leiteira do estado, com pequenas propriedades exatamente como as mencionadas pelo autor.

Um abraço a todos.

Michel Kazanovski
MARCELO ERTHAL PIRES

BOM JARDIM - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/01/2011

Prezados,
muito bom que mais pessoas se enteresse por este tema, dignos exclarecedores de um grande leque de opniões que forma a nossa pecuária ...
Caro José Pedro, os produtores que se esforçam, para pagar as contas com vinte vacas, que das 20 estaram 15 em lactação, para o manejo do gado as ordenhas e para preparar alguma suplentação para o gado, limpar o curral, lavar ordenha, tratar dos bezerros, ordenhar este gado (duas ordenhas para aproveitar mais 30% de leite, que uma segunda ordenha propícia), amolar a picadeira, consertar cercas, inseminar ou colocar a vaca com um touro, vacinar, medicar os animais, ir a cidade pagar contas e fazer compras, etc, etc, etc...............
A esposa não vai no curral, para ajuda-lo ! Os filhos estão estudando !
Seus rendimentos não o abonam para contratar um funciónário de carteira assinada, daí não tem quem lhe dê um dia de folga, ou contrata um funcionário meia-boca (daqueles munidos de pouca inteligência para ajuda-lo, neste caso sem carteira de trabalho devidamente assinada, ocorrendo o risco de ter que indeniza-lo, mais tarde ).
Pergunto quando este ´Filho de Deus´ vai ter um pouco de férias ?
Se ele der sorte de ter um cunhado, que gosta muito da irmã dele ! Fora esta condição, é como se resume esta situação em minha região : "...esta lascado !"

Um abraço à todos
marcelo
RAFAEL PIRES DE AZEVEDO

FILADÉLFIA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/01/2011

Marco Aurelio, estou pesquisando na Internet sobre produção de leite. Sou do interior da Bahia. Estou pensando em montar um projeto e submeter aos bancos de fomento. Pode informar uma consultoria para elaboração, visando todos esses calculos discutidos neste topico. Envie por email
JOSÉ PEDRO FRANQUEIRA JUNQUEIRA

SÃO LOURENÇO - MINAS GERAIS

EM 26/01/2011

Caros autores:parabéns pelo artigo ,que mostrou varios custos de uma propriedade leiiteira. Concordo com alguns comentários que um pequeno produtor não teria estes montantes descritos. Porém há um ditado que diz : para se formar um bom rebanho ( propriedade ) é necessário se ter DINHEIRO ou PACIÊNCIA. Geralmente lidamos com a paciência, e este gastos vão sendo realizados ao longo de anos. Não concordo com o Marcelo quando disse que melhor trabalhar em outras propriedades do que no caso citado , pois além da realização existe também o crescimento que poderá ainda ser alcançado,o que geralmente náo acontece tão fácil se forem ser empregados. Quanto a mão de obra rural concordo que não é lá estas coisas, mas em geral esta qualidade está muito relacionada a gestão do proprietário , pois um bom gestor não suporta um empregado ruim assim como um bom empregado não suporta um patrão ruim.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/01/2011

Prezado Guilherme Alves de Mello Franco

Muito obrigado pelo comentário. Somente quero acrescentar que todo e qualquer sistema (intensificado ou não) de produção de leite, é viável, no meu ver sem dúvida alguma. Porém acrescento a este meu comentário que devemos trabalhar dentro da escala. O que é isso? Quis dizer que como a produção de leite confinado os custos por litro de leite são maiores, sendo que para se ganhar o mesmo "tanto" deve-se produzir mais. Assim, encerro meu comentário dizendo que: uma vaca de 15 litros deve estar no pasto e ao mesmo tempo uma vaca de 30 a 50 kg de leite, deve, comer no cocho. Em outras palavras, são dois bons carros , uma Ferrari e um 4x4. Sim os dois são bons. Porém a Ferrari é melhor na pista asfaltada e o 4x4 na terra. Experimente trocar para você ver? Me dirá que os dois não prestam. Na produção em pasto podemos de se dar ao direito de produzirmos menos (300 l) e com certeza o confinamento, nos obriga a produzir muito mais (>1000 l com certeza) - Trabalhar na escala -. Muito obrigado pelo comentário, novamente. Um forte abraço. Marco Aurélio Factori.

MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/01/2011

Prezado Marcelo Erthal Pires

Muito obrigado pelos comentários. Com certeza, precisamos discutir sim estes dados. Como disse em outra carta, somente assim crescemos e aprendemos as coisas pelo lado menos custoso e com certeza mais eficiente. Pois bem. Em relação ao seu comentário - Concordo plenamente. È mais vantajoso às vezes o produtor ser empregado. Mas acrescento ao seu comentário o fato da realização. Para nós, embora ainda eu seja um estudante, bolsista acredito que em virtude dos dados expostos no texto, de que a maioria da renda familiar é quase zero, ou menor que R$ 1250,00 (97%), estes ganhos de 3 salários mínimos , com certeza, é uma fortuna, isso analisando a média de renda. Com certeza, a pecuária leiteira é trabalhosa, com mão de obra desqualificada e muitas vezes familiar. Termino este comentário sugerindo uma hipótese: como seria se todos fossemos funcionários e vendêssemos toda nossa terra? Um fato interessante e ao mesmo tempo assustador. Quero finalizar, dizendo que o pequeno produtor consegue sobreviver com o leite, em pequenas áreas sem depender de ninguém, em outras palavras ... ele pode crescer. Mas ainda... Temos que crescer, intensificar e tecnificar. O sucesso não esta em seguir cartilhas ou "receitas de bolos". O correto é aplicar, ajustar e produzir. Graças a DEUS que é assim, se não o Zootecnista e outros técnicos não existiriam. Um forte abraço e Muito obrigado pelos comentários. Estou a disposição. Marco Aurélio Factori.
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