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Avaliação econômica de propriedades leiteiras: uma visão prática do sistema

Marco Aurélio Factori
Professor da UNOESTE – Presidente Prudente/SP

Marcos Antônio Ferreira
Zootecnista – Anaurilândia/MS

Olá pessoal como vocês estão? Hoje vamos conversar um pouco sobre a avaliação econômica de sistema produtores de leite, de uma forma breve em relação aos custos de produção.

Todos nós sabemos que nossos modelos de produção vêm se intensificando cada vez mais, não dependendo tanto de grandes áreas de pastagens e, mesmo assim, aumentando a produção por propriedade. Para isso, a introdução de novas tecnologias se torna necessária.

De fato, mesmo que uma propriedade seja pequena, ela deve se habituar a avaliar a rentabilidade do sistema, para que seja possível mensurar o lucro ou prejuízo.

Seja extensiva ou intensiva, as formas de saber a rentabilidade e eficiência podem ser distintas, já que um sistema recebe mais investimento e tecnologia, implicando diretamente na margem de lucro da propriedade.

Em trabalhos realizados em uma universidade de Presidente Prudente, dados estes de Ferreira (Marcos Antônio Ferreira, aluno do curso de zootecnia desta Universidade, 2019), objetivou-se avaliar economicamente dois sistemas de produção, intensivo e extensivo, ambos em pastagem. As avaliações se concentraram em propriedades da cidade de Anaurilândia, no Estado de Mato Grosso do Sul.

Foram avaliadas 20 propriedades, com média de 6 kg de leite/dia/vaca no sistema extensivo e 10 kg de leite/dia/vaca, no intensivo.

A avaliação da eficiência produtiva foi calculada mediante dados de produção de leite por animal e média por hectare, número de animais existentes em lactação e não lactantes e área total utilizada para produção. Em termos econômicos, avaliou-se custo de produção, mão-de-obra familiar e contratada, margem de lucro por litro de leite e margem de lucro da atividade.

Na Tabela 1, estão apresentados os valores de média para os parâmetros que caracterizam os sistemas avaliados. Para tanto, pode ser observado que o sistema intensivo apresenta os maiores valores em relação aos parâmetros produção de leite e produção média. Entretanto, o rebanho e o número de vacas em lactação são maiores no sistema extensivo.

Ao se avaliar os parâmetros gerais, pode-se chegar à conclusão de que o sistema intensivo demanda maior investimento, que se reflete em maiores índices produtivos (produção de leite, produção média, produção por ha ao ano e por dia), o que, em suma, é natural de se esperar nesse sistema de produção

Um dos principais indicadores e que diferenciam os sistemas intensivos e extensivos, é o custo operacional efetivo da atividade, que se traduz em: o que se desembolsou com insumos (ração, vacinas, medicamentos, suplementos, adubos, etc.), manutenção de maquinários e estrutura física e melhoramento genético do rebanho.

Tabela 1 - Caracterização e avaliação dos sistemas de produção Intensivo e Extensivo em função das propriedades avaliadas

O custo da mão-de-obra da familiar nos sistemas intensivo e extensivo apresentou diferença significativa, sendo o valor desembolsado no intensivo superior. Isso se dá porque este sistema demanda maior de funcionalismo em decorrência dos maiores índices produtivos, traduzindo-se em produção de leite por dia, em hectares ao ano, número de vacas em lactação. O interessante na análise da mão de obra familiar, é que, quanto maior seu custo, menor será o da mão de obra contratada.

A Tabela 2 é um resumo dos índices de produção com ênfase nos parâmetros econômicos que englobam a cadeia produtiva, no qual os indicadores de renda bruta e custo não diferiram entre si estatisticamente. Observam-se diferenças significativas para produção média de leite por vacas em lactação e produção média de leite do rebanho, no qual o sistema intensivo se mostra mais eficiente, concordando com o que foi analisado na Tabela 1. Logo, quanto maior o aporte de investimento no sistema, maiores os índices produtivos, seja no contexto geral ou em função dos animais alocados.

Tabela 2 — Índices produtivos em relação aos parâmetros econômicos em função dos sistemas avaliados

A margem de lucro por litro de leite no sistema extensivo é maior, pois é um sistema com baixos investimentos e estrutura. O sistema intensivo é por sua vez o que requer maior desembolso de capital, elevando seu custo de produção e baixando sua margem de lucro. Porém a sua maior eficiência em termos de produção e volume garantem que a margem de lucro final seja maior, mesmo que o valor unitário do litro esteja abaixo do obtido em sistema extensivo. Isto é o que podemos chamar de escala de produção. Embora menor a rentabilidade por unidade vendida, a quantidade produzida deve ser maior em função da quantidade produzida.

O sistema extensivo de produção assume valores de margem de lucro por litro de leite superior ao intensivo. Todavia a produtividade maior por hectare e a eficiência deste último tornam-no melhor. De fato, é mais barato produzir leite em sistema extensivo. Entretanto, como a produção por hectare é menor, a quantidade produzida multiplicada pelo lucro por litro de leite acaba gerando um calor menor quando comparado ao sistema intensivo.

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LUIZ ROBERTO FAGANELLO

TOLEDO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/03/2020

Uma questão bastante interessante seria avaliar quanto representa o custo do litro de leite por dia pelo estoque de capital total empregado. Aqui nesse artigo não compreendi os valores do estoque de capital sem a terra e com a terra, pra mim está igual. Mas vamos lá: a eficiência do sistema de produção em custo do litro por dia é bem menor no sistema intensivo, não chega a 800 reais por litro por dia. Quanto ao extensivo passa de 1.000 reais por litro. O que significa? Quanto menor o valor para produzir um litro de leite (falando em estoque de capital), mais eficiente é e maior rentabilidade tará. Assim é mais sustentável no médio e longo prazo. A otimização de recursos é o grande desafio para a agricultura familiar.
Buscamos aqui no Oeste do Paraná uma produtividade de 15.000 litros de leite/ha/ano independente do sistema, normalmente é semi intensivo para agricultura familiar. Terras bastantes valorizadas e outros sistemas de produção da agropecuária muito competitivos (soja, milho, trigo).
PAULO TADATOSHI HIROKI

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/03/2020

Então, a avaliação econômica em nossa prática de mais de 20 anos bate 100% com os números apresentados. Há mais de 10 anos avaliamos 2 produtores de um 250 litros diários com 10 vacas e outro 160 litros diários com 20 vacas. Sabe que os resultados finais, dinheiro que põem no bolso, Renda Bruta menos o Custo Operacional Total (COT) são muito parecidos. Um trabalha muito (3 pessoas da família) e movimenta valores altos na cadeia enquanto o outro trabalha menos (1 pessoa tira o leite e cuida dos bezerros). Tenho me perguntado, e sei que a resposta é muito complexa...tem certo?
LUIZ ROBERTO FAGANELLO

TOLEDO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/03/2020

Paulo Hiroki, boa abordagem. Cada sistema, cada propriedade é um caso distinto. Alguns indicadores nos ajuda entender um pouco essa complexidade. Para as propriedade assistidas no " Projeto Leite Oeste" fica muito claro que as melhores margens, Bruta e Líquida, dependem do volume, mas muita da produtividade (L/ha/ano), da eficiência da mão de obra, depende menos da qualidade do leite, isto ainda vem mudando aos poucos a questão da qualidade. A gestão do negócio é fundamental, as questões técnicas e econômicas devem ser bem trabalhadas e entendidas. Para se ter uma ideia em termos de produtividade o que vem mostrando essas propriedades é que quanto mais vacas lactantes/ha mais produtividade, média de 2,6/ha.