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Primeiras impressões do World Dairy Summit, Parma

 Começou oficialmente no dia 15/10 o World Dairy Summit, em Parma, Itália. Trata-se do principal evento mundial do setor lácteo, que reúne grande parte das empresas e pessoas envolvidas com a liderança setorial no mundo.

Apesar do início no dia 15, no dia anterior já houve alguns eventos paralelos, como a reunião do Comitê de Economia e Política Leiteira da Federação Internacional de Lácteos, do qual faço parte, e o quinto encontro da Global Dairy Platform.

Na área econômica, fica evidente que estamos diante de uma mudança significativa no setor leiteiro. A apresentação mais interessante foi novamente do Torsten Hemme, alemão que chefia o IFCN – International Farm Comparison Group. Ele mostrou que os custos de produção subiram dramaticamente no mundo inteiro nos últimos 10 anos, passando de US$ 0,20 para próximo a US$ 0,40/kg de leite na Nova Zelândia, por exemplo. Ele também mostrou o caso brasileiro, na mesma direção, e disse: “os custos mudaram, o ambiente competitivo mudou, mas a forma de produzir leite continua a mesma”. Interessante e bastante alinhado com o que temos falado nas palestras e no MilkPoint a esse respeito. Acredito que teremos grandes mudanças.

Mais correto do que dizer que os custos subiram no mundo todo, segundo Torsten, é dizer que há um alinhamento de custos. Isso porque na Europa, tem havido uma redução dos custos também em direção aos mesmos US$ 0,40/kg (eram mais altos).

Isso quer dizer que – conclusão minha – os atuais preços de US$ 3.200/tonelada são insustentáveis, uma vez que não se produz leite a esse preço no mundo hoje. Os valores mais apropriados estariam na casa dos US$ 3.800 a 4.000/tonelada de leite em pó – ainda insuficientes para nossas exportadores, mas não nos tornando um alvo tão fácil para as importações.

Uma dúvida, porém, é com a produção continua crescendo se, na média, não se ganha dinheiro - vejam que é um questionamento atual no mundo inteiro. Provavelmente os custos operacionais estão sendo cobertos com folga, o que explica parte do fenômeno. 

Observação: nesse momento, Tim Hunt, estrategista global de lácteos do Rabobank fez ótima apresentação, dizendo que acredita em valores girando em torno de US$ 3200 a 3800/tonelada, o que daria para o produtor europeu 0,27-0,31 euros/litro - um valor que não é muito confortável.

Produtos concorrentes

É interessante como a conversa em torno do marketing não muda e muitas vezes passa ao largo das questões realmente relevantes. Em uma das discussões, por exemplo, foram apresentados diversos produtos concorrentes do leite (principalmente no mercado dos EUA), que se denominam leite mas não tem leite. Que tal esse abaixo, o “Muscle milk”, que, segundo a própria embalagem diz abaixo, “contains NO Milk”?

Esses produtos como a marca Silk (de soja e amêndoa), outros de arroz, outros ainda de hemp (uma erva da família da maconha), tem ainda participação inespressiva no mercado, menos de 4 kg/pessoa/ano, mas têm um marketing agressivo, comparando com leite e estimulando as pessoas a trocar de “leite”.

Apesar da revolta das lideranças e de uma certa paixão envolvendo a questão, é importante olhar um pouco além do problema em si. Em primeiro lugar, há o aspecto positivo: se todos querem se chamar “leite”, é porque ser “leite” deve ser bom… está aí um ativo interessante a se explorar, talvez até em propagandas.

Em segundo lugar, a verdadeira razão por trás desses novos tipos de leite, principalmente no mercado norte-americano: uma resposta às margens reduzidas do leite fluido. De fato, nos EUA, grande parte do leite fluido é contratado pelas grandes redes de varejo, com margens muito baixas para o setor de processamento. O resultado é que passa a ser desinteressante fazer leite fluido para vender aos supermercados.

Você duvida? Pois bem, a marca Silk (http://silksoymilk.com/), cuja primeira frase no site é “A maior parte das pessoas prefere Silk baunilha em relação a leite comum no cereal do café-da-manhã” (aliás, um soco no estômago do setor, já que 60% do leite é consumido com os cereais nos Estados Unidos), é propriedade da empresa White Waves. E quem é dona da White Waves? A Dean Foods, um dos maiores laticínios do país….

Ou seja, apenas combater esses novos produtos que nunca irão substituir o leite (ok, nunca talvez seja exagero) é não abordar o problema estrutural das baixas margens de processamento – seja lá ou aqui!

Até a próxima.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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OSMAR REDIN

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/10/2011

Marcelo,
Excelentes observações!
Isso mostra que vamos ter muito trabalho pela frente e vamos ter que melhorar em vários campos, tais como: Produção com custos competitivos dentro da porteira, inovar em produtos e marketing, trabalhar para mudanças no hábito de consumo de lácteos no Brasil e ficar atentos as mudanças estruturais que vem por aí....
Abraços.
FERNANDO ZAPAROLLI

AGISSÊ - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 18/10/2011

Parabéns e obrigado, Marcelo pelas informações. Abraços. Aqui as tendências são de queda de preços pagos ao produtores já em outubro.