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Por que o leite se desenvolve no Sul do país?

Imagine um pequeno produtor, com 13 hectares, produzindo apenas 150 litros diários e vendo seus filhos buscarem outros trabalhos por não ser possível sustentar a família. Imagine esse mesmo produtor investindo tudo em um poço artesiano e descobrindo que não tinha água disponível para irrigar a propriedade e que teria que continuar a dividir a água com as vacas. Irrigação, nem pensar.

Agora imagine esse mesmo produtor, 8 anos mais tarde, após investir na captação da água da chuva, que é farta, mas irregular, descobrindo novas formas de garantir o suprimento hídrico; após mexer na estrutura do rebanho, mantendo quase que apenas as vacas em lactação; após racionalizar o fornecimento de volumoso, em pastejo rotacionado com forrageiras subtropicais no verão e temperadas no inverno.

Produzindo cerca de 800 litros diários, os filhos voltaram, a casa foi reformada, tem até carro novo na garagem. Nos mesmos 13 hectares.

Os Balzan - Produtor Leite - Santa Catarina

Propriedade em São Lourenço DOeste - Santa Catarina - Balzan
Os Balzan – atividade tem gerado mais de R$ 6.500/ha de lucro/ano, permitindo trazer os filhos de volta e reformar a casa na propriedade em São Lourenço D’Oeste, SC.


A história do produtor Antônio Balzan, no Oeste de Santa Catarina, é semelhante à de muitos outros no Sul do país (e mesmo em outras regiões). Tive a oportunidade de conhecer alguns deles em visita organizada pela Cooperideal, cooperativa de técnicos que atua em 11 estados e mais de 1.200 propriedades. A Cooperideal trabalha com a metodologia Balde Cheio e vem contribuindo para fazer uma revolução silenciosa nessas pequenas propriedades, muitas delas naquele limite tênue entre se manter precariamente na atividade e vendê-la a contragosto, forçadas pelas dificuldades econômicas da atividade conduzida sem planejamento e assistência técnica.


Granja Arsego – grande produtor familiar no Sul, com quase 5.000 litros em 65 hectares. Técnicos da Cooperideal mostram a propriedade do Sr. Waldir Arsego

O objetivo da minha visita foi entender um pouco mais a respeito do desenvolvimento da região Sul do país, nesse caso o Oeste Catarinense e o Sudoeste Paranaense, duas das mesoregiões de maior crescimento da atividade no país. Nos últimos 10 anos, cresceram 9,8% e 9,9% ao ano, respectivamente, atrás apenas do Centro Sul Paranaense, que cresceu 14,5% ao ano, porém a partir de uma base várias vezes menor. O Brasil, no mesmo período, cresceu 4,1% ao ano.


Granja Arsego, em Xanxerê, SC. Alto valor da terra estimula aumento da produtividade.

O que, afinal, faz com que o leite cresça consistentemente nessas regiões? Em uma primeira análise, pensamos nas condições naturais de produção, como o clima mais ameno, permitindo exploração de rebanhos de raças especializadas para produção; a distribuição de chuvas durante todo o ano, minimizando a necessidade de irrigação; a produção de forrageiras temperadas, como azevém e aveia, de alta qualidade nutricional.


Simplicidade nas instalações do Sítio Espósito, mas alta eficiência

Uma análise mais criteriosa, porém, coloca dúvidas a respeito dessas vantagens. As áreas são pequenas, com topografia, em geral, menos favorável do que em outras regiões; apesar da boa fertilidade dos solos, há a presença de pedras em várias propriedades, dificultando a mecanização e/ou encarecendo o preparo do solo; o calor no verão é intenso, provocando estresse térmico nos animais; as chuvas não são tão bem distribuídas assim, tanto que o uso de irrigação tem andado lado a lado com o desenvolvimento da atividade. Por fim, os altos preços da terra dificultam a expansão para novas áreas. Para se ter uma ideia, na região de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, um hectare chega a valer R$ 150.000. Isso mesmo, cento e cinquenta mil reais. Preço neozelandês! Em outras áreas menos valorizadas, não se encontram áreas a menos de R$ 50.000/ha.


Sitio Espósito, de Vanderlei Espósito e Arlete. Pedras retiradas na mão para abrir novas áreas. Hoje, orgulho de ser referência em Irati, SC, produzindo 500 litros diários em 14 hectares. Custo total nos últimos 12 meses foi de menos de R$ 0,70/litro, com tudo incluído, gerando remuneração do capital de 17,1% ao ano.

Assim, analisando algumas variáveis básicas de competitividade, é fácil constatar que o Sul do país tem terra mais cara, relação de troca entre grãos e leite pior, e menor produtividade potencial por área, em função da menor temperatura média de inverno. Tudo somado – os pontos positivos: forrageiras de alta qualidade, raças especializadas para produção, regime hídrico em tese mais favorável, e os negativos acima mencionados, não é possível explicar, apenas por essas características, o sucesso retumbante da região na produção de leite.

Arrisco-me a dizer, até, que o Sul tem menor potencial do que outras regiões. Por que será que os neozelandeses foram para Goiás e Bahia, e não para o Sul, onde a semelhança técnica seria muito maior? Aliás, o efeito de muitos produtores de outras regiões ao visitar essas pequenas propriedades do Sul é o de constatar que suas fazendas e regiões têm potencial muito maior (e talvez esse seja até parte do problema…).

E, mesmo assim, o Sul cresce e continuará crescendo, como colocou recentemente Paulo Martins, em seu blog Observatório (acesse aqui o artigo).

Alguns obstáculos acabam sendo vantagens importantes. As pequenas propriedades, por exemplo. Afinal, que outra atividade pode ser desenvolvida em áreas de topografia irregular, com relativo baixo risco técnico e de mercado, e que permita remuneração mensal para a família? Não muitas.

Mas, isso não é tudo. Após minha curta visita, ficou evidente que o grande diferencial do Sul são as pessoas e a cultura, o tecido social que faz com que o leite se desenvolva na região. Não são as condições climáticas, não é a aptidão natural para produção, mas sim quem ocupa a terra e a identificação histórica com a atividade.

A grande diferença é que essas regiões têm uma forte identidade rural, com produção de leite tipicamente familiar. Nelas, a diferença é que o produtor é o trabalhador, como ocorre nos EUA, na Nova Zelândia ou na Europa, ao passo que em muitas outras regiões do país o produtor muitas vezes é o capitalista, mesmo produzindo tão pouco quanto 500, 600, 1000 litros/dia. Contrata outros para fazer o trabalho, o que se constituirá um desafio cada vez maior em um ambiente marcado pela falta de mão-de-obra rural. Nessas regiões, acredito que o grosso do leite virá cada vez mais de grandes projetos, ao passo que, no Sul, continuarão predominando modelos familiares.


Propriedade de Adelar Zatt. Topografia ajuda ou atrapalha o leite a s desenvolver na região?



Belas paisagens na região de Mariópolis, no Sudoeste do Paraná – propriedade de Adelir Zatt, irmão de Adelar


Adelir mostra sua nova aquisição, facilitando a roçada dos piquetes. Automação é tendência em propriedades familiares.

Enfim, no Sul é o ambiente social, não o geográfico, que faz a diferença. A ficha caiu quando estava na propriedade de Adelar e Dimarlei Zatt, na comunidade de Nossa Senhoras das Dores, no município de Mariópois, no Paraná. A partir de uma estrada muito bem empedrada pela prefeitura local, chega-se a diversas pequenas propriedades – cerca de 50 naquela comunidade – unidas por um centro comunitário, onde se realizam festas. Há um tecido social mantendo aquilo funcionando e criando as condições para que técnicos de rara habilidade de comunicação, como o folclórico Primo Neto, mais conhecido como Pipão, possam colocar em prática seu conhecimento e visão em prol das famílias locais. Esse tecido social, em muitas regiões, já se perdeu ou vem se perdendo, seja pela expansão urbana, seja pela expansão da grande exploração agrícola.


Primo Neto, o Pipão, técnico da Cooperideal. O objetivo do trabalho é, em suas palavras, salvar as famílias. Mas é preciso fazer o que foi combinado.


O Sul continuará passando por mudanças interessantes. Ao mesmo tempo em que mais produtores começam a intensificar a atividade, utilizando os conceitos que fizeram Balzan pular de 150 para 800 litros diários, outros verificam aumento da produtividade animal e já começam a perceber que o conforto e bem-estar das vacas mais produtivas será um desafio. Mais de um produtor visitado estuda construir um compost barn para vacas pré-parto e/ou as de mais alta produção. Acredito que um próximo passo será um sistema misto, com confinamento das vacas mais produtivas para aumento da produtividade por vaca e utilização de pastagens intensivas para as demais categorias. Outra forte tendência é a automação; se ordenhas robóticas se tornarem realmente realidade por aqui, será no Sul do país onde encontrarão seu principal mercado.

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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TIAGO SILVA AMARAL

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 19/06/2015

Paulo,a questão não é o que será desse pessoal daqui a 20-30 anos. É o que será daqui a 2,3, 5 anos. Quem produz nos patamares mínimos de produção não está no jogo, eles ou estão saindo ou sairão da atividade em curto  prazo.

Com a profissionalização do leite, essas pessoa tem a oportunidade de: comprar mais terras para os filhos, dar estudo, caso eles não  queiram seguir na atividade rural, investir em outra atividade dentro da propriedade.

Essa questão paternalista do  sistema é coisa de latino-americano. Na minha visão, os pais devem dar as ferramentas para os filhos, e estes que se virem com seus futuros.

É o meu caso, meus pais não tem origem rural, mas me deram estudo e eu estou indo morar na minha chácara, daqui a pouco prazo quero ser um produtor de leite.



abs
PAULO F. STACCHINI

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/03/2014

Prezado Wagner Beskow,



sem dúvida a reportagem é muito interessante e não são desprezíveis índices zootécnicos apresentados e alcançados nessas propriedades. Muitas famílias podem sobreviver no campo, com bom conforto, donas dos seus negócios, com a renda citada.



Mas vale uma observação importante para esse povo tão bem educado e inteligente. Será que quando os filhos desses pecuaristas terminarem a Universidade, se contentarão com 1/2 dessa renda mensal, ou procurarão melhores patamares de remuneração no mercado? Uma coisa é viver com conforto, outra é fazer o capital "render" como colocou apropriadamente meu colega Roberto Jank. A reforma agrária natural que sempre foi intensa no Sul continuará. E a propriedade de 20 ha para uma família com 2 filhos será de 10 ha em 20-30 anos, reduzindo a renda familiar pela metade se não forem comprados mais 20 ha. O que motivou os gaúchos a migrarem para o PR, MS, GO e MT na década de 70, 80 e 90 foi exatamente a necessidade de expansão do negócio para gerar renda suficiente para a família que crescia. Não basta mais a atividade gerar renda para propiciar conforto para as famílias apenas; elas precisam gerar renda para expandirem. O problema é que hoje já não existem terras baratas como no passado.



Esse mesmo fato talvez explique porque os produtores de SP não tenham todos filhos se dedicando a atividade agropecuária. Talvez porque a conta não fecha. Muitos Agrônomos e Veterinários com origem e/ou propriedades rurais podem ganhar mais no mercado que trabalhando no próprio negócio. Em muitos casos, a solução é fazer uma sucessão familiar inteligente, com modelo empresarial, preservando o negócio, não dividindo a propriedade, aproveitando a vocação de cada filho dentro do possível e, investindo no leite a partir de outros negócios/atividades. Por mais amor e dedicação que posso ter às minhas vacas, não vale a pena eu realizar a ordenha e fazer o trato das mesmas, pois é possível (por enquanto), contratar e treinar funcionários por um valor inferior ao que meu trabalho vale no mercado. Minha função tem que ser mais empresarial e gerencial do que simplesmente operacional. Com a competição por mão de obra qualificada sempre aumentando, é natural que muitas fazendas não consigam formar uma boa equipe, não consigam ser gerenciadas a distância e não atinjam os índices técnicos-econômicos desejáveis, inviabilizando ainda mais a renda necessária aos familiares. Como consequência, o arrendamento para cana, libera os familiares para procurarem trabalho com melhor remuneração em outras atividades, mantendo porém o patrimônio familiar, a terra, que continua em forte valorização.



Assim, o que parece ser um contra-senso em SP, pode ser uma antecipação do que ocorrerá no restante do país em alguns anos. O crescimento terá que ser exponencial tanto na escala, quanto na margem de comercialização, quando não em ambas. Crescer de 150 L/dia p/ 800 L/dia não é tão difícil quanto passar de 1 mil p/ 5 mil L/dia.
MARIA BEATRIZ TASSINARI ORTOLANI

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/02/2014

Abertas as inscrições para a segunda turma no curso online Agripoint sobre Compost Barn, com o instrutor Adriano Seddon.

O curso inicia-se dia 10/03.

Para mais informações acesse: http://www.agripoint.com.br/curso/compostagem/
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/02/2014

Olá Isabel, obrigado pelos comentários, certamente o Balde Cheio terá efeitos muito positivos para o leite em Roraima!
ISABEL SANTOS DINIZ

BOA VISTA - RORAIMA

EM 06/02/2014

Parabéns Marcelo, ótimo artigo e ainda melhor sua observação, onde tudo é uma questão sócio-cultural! Aqui em Roraima temos um potencial incrível a terra, que não é muito rica, mas é bem barata, porem nossos produtores tem marcado o costume de esperar pelo governo, e poem dificuldade em tudo. Essas existem sim, claro, todo lugar tem, aqui a terra é farta porem pobre de nutrientes e o clima é quente  úmido, causa desconforto aos animais, mas chove muito e com períodos bem descritos, só basta organização, vontade e  incentivo técnico e um dia o negócio aqui anda! Implantaremos o Balde cheio em Roraima este ano de 2014 e estamos muito esperançosos com os resultados!
VÂNIO DE BETTIO FILHO

XAXIM - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/01/2014

Parabéns pelo artigo excelente  

Temos que reconhecer o trabalho dos produtores de leite, seja ele aqui no sul ou em outra parte do Brasil.

São profissionais naquilo que fazem, e muito bem. Tem alguns momentos do ano em que tem seca ou de excesso de chuva ai a coisa parece que estraga tudo, mas o produtor faz milagre, fazem as vacas produzir leite comendo Pedra parece, admirável a capacidade que tem de conseguir em reverter uma situação muito complicada em pouco tempo.

Gostaria que os mesmos fossem mais valorizados devido não terem férias, finais de semana e carteira assinada;
RAÍ VALLE SOUZA

RIO VERDE - GOIÁS

EM 09/12/2013

Primeira parabéns a todos técnicos da Cooperideal,  Especialmente ao Carlos Eduardo que nós orienta e temos muitos resultados a comemorar, hoje o Balde Cheio já é realidade em nossa região. " Itarumã - GO"
FERNANDO DE OLIVEIRA BUENO

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/12/2013

Prezado Marcelo,

Parabéns por retratar tão bem o ambiente de trabalho da Cooperideal e os casos do dia a dia, que vivemos com os produtores de vários locais do Brasil.

Em nome do SEBRAE MT e da equipe de técnicos e produtores do Mato Grosso, que estavam nessas visitas que você acompanhou, gostaria de agradecer a chance de tê-lo entre nós para aproveitar um pouco do seu conhecimento nessa cadeia importante do agro.

Alguns deles demoraram para acreditar que era realmente você que estavá lá!

Todos gostaram muito do que viram. Estamos trabalhando arduamente para que esses casos também se repitam em outros locais, em especial no Mato Grosso. Assim muito produtores passarão a enxergar suas propriedades de outra maneira, transformando-as em fazendas muito mais rentáveis  e produtivas.

Grande Abraço.
RODRIGO

DIVINÓPOLIS - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 03/12/2013

Recentemente vi um caso muito parecido com os "Balzan" aqui aonde tenho propiedade rural em MG.


JURACI VIEIRA GUTIERRES

RECIFE - PERNAMBUCO

EM 02/12/2013

Parabéns ao Marcelo Rezende pelo trabalho da Cooperideal e ao Marcelo Carvalho pelo artigo/reportagem.

As famílias produtoras entrevistadas representam as que estão envolvidas no trabalho e mostram o que é possível realizar com tecnologia e gestão.

Longe estamos de universalizar essa realidade. Mas é possível chegar lá,  a organização é um dos fundamentos.
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2013

MArcelo.

Excelente artigo, como sempre!



A quetão cultural, cuja evolução é muito lenta, afeta negativamente a produção de leite , em extensas regiões do Brasil. Inclusive na nossa, qui no RJ.



Uma forma de evloluir é se juntar e trocar idéias, coisa que por aqui fazemos muito pouco.



Abraço.

Paulo Fernando.


ANISIO FERREIRA LIMA NETO

PESQUISA/ENSINO

EM 27/11/2013

As colocações do Marcelo são muito sensatas,a intensificação passa pela necessidade de despertarmos este sistema de produção de forma a ser massificado seu uso, ms para tanto necessitamos de um técnico comprometido com a mudança de vida sua e do produtor, e um produtor aberto a acreditara ser possível transformar sua realidade, este sera o nosso grande desafio. Em nosso Nordeste, e, especial no Piaui, as terras são baratas, quando compradas isoladamente a outras regiões, mas isso isoladamente não representa nada, precisamos de reconhecermos nossas fragilidades e com isso juntamos os conceitos, aplicarmos de forma planejada e orientada, desta forma os resultados virão de forma democrática. Continuemos sonhando em dias melhores, e plantando nossas sementes em nosso entorno, conseguiremos gradativamente Transformara pequenas realidades , que somadas se tornarão grandes,tenho fé, embora vendo muitos agindo isoladamente e usando a retórica do discurso para fundamentar suas ações promocionais, mas acredito que juntos mudaremos.
MARCELO BALZAN

SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/11/2013

Caro Marcelo, agradeço a vossa  visita em nossa propriedade, e estamos impressionados com esta matéria realizada com o projeto balde cheio e cooperideal. Acredito que é mais uma ferramenta para difundir este trabalho aos produtores que necessitam de conhecimento para se  firmar na atividade visando um futuro promissor neste setor, principalmente aos pequenos produtores que as vezes não tem noção do seu potencial produtivo da sua propriedade.

Um grande abraço de nossa família, estamos a sua disposição no que for preciso pra difundir o conhecimento.

Marcelo Balzan
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 27/11/2013

Prezado JANK,



Concordo com teu raciocínio. Ocorre que os R$150.000 é um exemplo extremo que o Marcelo citou. Longe disso representar a realidade geral e predominante (ainda! pois caminhamos nessa direção). Na zona tradicionalmente leiteira da região sul, os preços se concentram mais na faixa de 400 a 700 sacos de soja/ha (esta é a moeda da terra por aqui). Terra está um absurdo no mundo inteiro, inflacionada pelos "estímulos keynesianos" adotados por todos os continentes.



Tipicamente, uma família tem "uma colônia" de terra, ou seja, 24 ha. Alguns meia, alguns duas ou três, mas tipicamente 20 ha total representam a maioria. Por ironia do destino, infelizmente as áreas mais acidentadas também têm as menores propriedades (5-10 ha).



O Marcelo também citou zonas de solos rasos. Cerca de 30% de toda essa área leiteira do sul está sobre pedra. Os maiores desafios é quando combina-se isso tudo: 7 ha, área acidentada e rasa! Mesmo assim, uma família pequena consegue viver do leite.



Imagina sair de R$0,10 de ML com 5.000L/ha/no (números mais comuns hoje) para 30.000L/ha/ano com R$0,20 de ML. É uma loucura (embora a terra siga pesando muito). Assim, em 10 ha é possível uma renda líquida de R$5.000/mês. Quando chegarmos nesses patamares de resultado o produtor de leite vai colocar e tirar presidente da república neste país (claro, se nos escaparmos do "cubanismo" antes).



Uma observação que deixo para o pessoal é, ao calcular L/ha/ano, levar também em consideração a área relativa ao volumoso comprado, quando este for o caso. Parece básico falar isso, mas o pessoal se esquece e magicamente chove volumoso de fora (às vezes um quinhãozinho separado) que distorcem os números. É preciso pegar área de inverno em pastagens + verão em pastagens e silagem e dividir por 2. Assim se tem a "superfície leite média". Então é dividir o total de leite vendido+consumido(pessoas e bezerras) no ano por essa área média para chegar na dita produtividade da terra.
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 27/11/2013

Prezado JANK,



Concordo com teu raciocínio. Ocorre que os R$150.000 é um exemplo extremo que o Marcelo citou. Longe disso representar a realidade geral e predominante. Na tradicionalmente leiteira da região sul os preço se concentram mais na faixa de 400 a 700 sacos de soja/ha. Esta é a moeda da terra por aqui. Tipicamente, uma família tem "uma colônia" de terra, ou seja, 24 ha. Alguns meia, alguns duas ou três, mas tipicamente 20ha total representa a maioria. Por ironia do destino, infelizmente as áreas mais acidentadas também têm as menores propriedades (5-10ha).



O Marcelo citou zonas de solos rasos. Cerca de 30% de toda essa área leiteira do sul está sobre pedra. Os maiores desafios é quando combina-se isso tudo: 7ha, área acidentada e rasa! Mesmo assim, uma família pequena consegue viver do leite.



Imagina sair de R$0,10 de ML com 5.000L/ha/no (números mais comuns hoje) para 30.000L/ha/ano com R$0,20 de ML. É uma loucura. Assim, em 10ha é possível uma renda líquida de R$5.000/mês. Quando chegarmos nesses patamares de resultado o produtor de leite vai colocar e tirar presidente da república (claro, se nos escaparmos do comunismo bolivariano, antes).



Uma observação que deixo para o pessoal é, ao calcular L/ha/ano, levar também em consideração a área relativa ao volumoso comprado, quando este for o caso. Parece básico falar isso, mas o pessoal se esquece e magicamente chove volumoso fora da área imediata da propriedade (às vezes um quinhãozinho separado) que distorcem os números. É preciso pegar área de inverno em pastagens + verão em pastagens e silagem e dividir por 2. Assim se tem a "superfície leite média". Então é dividir o total de leite vendido+consumido(pessoas e bezerras) no ano por essa área média para chegar na dita produtividade da terra.
EVERTON GONÇALVES BORGES

IBIÁ/ MG - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/11/2013

Prezado Marcelo, parabenizo-o pela reportagem e envio algumas considerações, baseadas em minha vivência e atuação dentro da atividade leiteira.

- O grande problema da rentabilidade da atividade leiteira está ligado ao residir, ou não residir no meio rural, esidindo, os custos familiáres são mínimos, produzem quase de tudo para seu dia a dia nas propriedades e não tem  as elevadas despesas que as cidades proporcionam, acompanham e regulam diariamente as produções e seus custo, com uma grande economia em relação a quem reside na cidade, trabalham as famílias, todos sabendo quanto ganham e quanto podem gastar.Infelizmente o residente na cidade muitas das vezes vai na fazenda quase a passeio, sendo sua família nem a passeio, na cidade em todo momento está gastando, se não há ganhos suficientes a atividade passa a ser a pior possível. Entendo que no futuro bem próximo, vamos ter dois produtores de leite, o grande empresário, que em muitas das vezes tem outras atividades e o pequeno em extensão, que poderá ser grandes em produção.

O produtor médio só enxergo que ele vai arrendar suas propriedades, pois ele não vai agarrar e sua família muito menos, este pessoal vai viver na cidade vivendo de arrendos. O pequeno que reside na fazenda junto com sua família, poderá ter uma renda muito boa, proporcional a seu capital envolvido. Conheço diversos ex. pequenos, que adotaram e se envolveram no Projeto Balde Cheio, que em pouco tempo sairam de poucos litros de leite e hoje ultrapassam a barreira dos mil litros de leite/dia, em pequenas áreas de terra. Eram considerados  sitiantes, um pequenos produtores, hoje são grandes tem boa renda, um bom carro, trator e maquinários diversos. Sou fanatizado com o Balde Cheio, acho que o mesmo deveria ser mais enfatizado e apregoado por este Brasil afora, o pequeno produtor residente na propriedade atuando junto com sua família e adotando o processo, tenho certeza em menos de 5 anos,  que o mesmo passará a ser um médio/grande produtor. È só visitar produtores assistidos pelo Projeto Balde Cheio pelo Brasil afora.
HEINBERT SAND

CAMPO ERÊ - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2013

Há  mais de 50 anos atrás, morando no interior de Ibirubá (RS),quando meus pais iam para a cidade, mamãe levava uns kg de manteiga e requeijão caseiro para no comércio local trocar por produtos de primeira necessidade. Anos depois a cooperativa implantou um programa de fomento e aquisição de leite. A renda da atividade leiteira, que era insignificante, passou a ser determinante, e, logo a região passou a ser uma importante bacia leiteira.

Esse vínculo com a atividade leiteira, como negócio, vem de muitas gerações. Hoje sou produtor de leite em SC há mais de 20 anos, embora passando por várias crises de falta lucro, falta de assistencia e até mesmo  falta de perspectivas, não dá para sair da atividade. Voce cria um vínculo muito grande com fornecedores, compradores, funcionários, e, até mesmo com os animais.
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/11/2013

Com produção de leite me parece muito difícil viabilizar o custo de oportunidade da terra a R$ 150 mil por ha, como relata o Marcelo. Esse valor aplicado a 7,2% ao ano em uma LCA passa de R$ 10,8 mil de renda liquida (por ha).

Se o Wagner está correto em suas estimativas, com 50% de margem liquida a 5 mil litros/há, teríamos aproximadamente R$ 2 mil por ha de renda liquida, um valor que remunera apenas 20% do resultado financeiro acima.

Se a produtividade for os 30 mil litros/ha previstos pelo Wagner, precisaríamos de uma margem liquida de R$ 0,35/litro para conseguir a mesma renda; quase impossível.

Esse valor da terra sugere que as atividades nesse local precisam ser mais intensivas por ha do que o leite, e isso explica a tradição em aves e suínos, com faturamentos por ha bastante superiores, e com o leite agregado, mas quase sempre como atividade secundária ou complementar.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 26/11/2013

Obrigado a todos os comentários, fico muito satisfeito com a repercussão. Agradeço aos técnicos da Cooperideal que organizaram as visitas, em especial ao Marcelo Rezende, que coordena o trabalho do grupo, do Caciano, em Santa Catarina, e do Pipão.



Wagner, obrigado por ter comentado essa questão étnica - nem me ocorreu que essa associação simplista e perigosa pudesse ser feita, mas bem colocado. Ela de fato nada tem a ver com essa diferença que vi no Sul. A questão é cultural, de formação, identidade com a atividade, e não de genética.
MARCELO DE REZENDE

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/11/2013

Caro Marcelo,



Para nós da Cooperideal foi uma satisfação estar contigo nestes dias.



Apesar de tudo o que foi mostrado, a grande maioria dos produtores do Brasil, inclusive os da própria região sul, ainda não despertaram em relação ao potencial produtivos de suas propriedades.  Uma imensidão de produtores passam por dificuldades financeiras, veem seus filhos abandonarem a atividade e ainda assim ignoram o vizinho que possui acompanhamento técnico e que melhora de vida. Como costuma dizer o Pipão: "este trabalho é para todos, mas não para qualquer um". É preciso acima de tudo ter alma, vontade de trabalhar em parceria (técnico e produtor), disciplina e nunca deixar de sonhar. Quando nossos produtores despertarem, sejam eles de que região forem, ninguém segura a produção de leite neste país.



Que todos os nossos produtores, verdadeiros amigos que temos, se sintam representados neste texto. Que Deus os abençoe e ótimo final de ano a todos!