FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

O leite no Brasil: onde estamos mesmo?

O setor leiteiro brasileiro tem alguns lugares-comuns: temos enorme potencial de elevar a produção e o consumo, somos um dos únicos países com condição de abastecer o mundo que precisará cada vez mais de leite, nossa produtividade é baixa e pode aumentar muito, e assim por diante. Porém, muitas vezes a impressão é de que essas possibilidades estão ainda distantes da realidade do dia-a-dia.

Não resta dúvida que a produção cresce - basta olhar os números. Mesmo em 2009, contra muitas expectativas, a produção inspecionada conseguiu crescer 1,6% - o PIB brasileiro apresentou retração de 0,2% no período. Também, não resta dúvida que o potencial de aumento continua existindo e que passamos por mudanças significativas em relação a importações e exportações nos últimos anos. O setor, de fato, vem mostrando dinamismo.

Mas falta bastante ainda, se o objetivo for fazer virar realidade os cenários mais favoráveis apontados pelo trabalho Cenários para o Leite no Brasil em 2020. No cenário mais provável, a produção em 2020 será de 40,25 bilhões de litros anuais, o consumo per capita de 167 kg/pessoa/ano e as exportações atingirão quase 5 bilhões de litros anuais, representando 12% da produção total.

No âmbito das exportações, o câmbio desfavorável exige que trabalhemos de forma mais eficiente para garantir competitividade. Enquanto preços de US$ 3.500 a US$ 4.000/tonelada parecem ser suficientes para países como Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e Austrália, são ainda insuficientes para nos colocar de forma definitiva no jogo. O problema é que, conosco, entram também os Estados Unidos, e a possibilidade de rapidamente inundar o ainda modesto mercado externo é em muito aumentada. Há quem considere que preços acima de US$ 4.000 são na verdade desinteressantes para vários dos exportadores atuais: reduzem o consumo, melhoram a competitividade de substitutos (proteínas e gorduras vegetais) e atraem concorrentes até então não competitivos (Brasil inclusive).

A verdade é que o mercado externo tem sido uma incógnita, principalmente após os picos de 2007 e 2008, que ninguém previu, seguido de forte queda, que quase ninguém previu (leia aqui os artigos de Wagner Beskow sobre o tema). Com isso, as estratégias empresariais muito focadas nas exportações tiveram de ser revistas - hoje, todos apontam para o mercado interno como garantia de crescimento.

Para melhorar a nossa competitividade, temos de ter um custo de produção de sólidos mais baixo e, para isso, ter um domínio mais amplo dos processos produtivos. Há alguns avanços nesse sentido, alguns números começam a aparecer, mas ainda de forma tímida e não definitiva - basta ver a interminável discussão no MilkPoint em torno dos sistemas de produção. Será que na produção de aves ou suínos o estágio também é esse?

Muitas vezes o discurso está longe da prática. Em relação ao teor de sólidos, o presidente da DPA disse em fórum realizado no Congresso da Fepale que, ao invés de aumentar, o teor de sólidos do leite brasileiro está caindo. É um contra-senso: buscamos as exportações, mas temos um produto menos competitivo hoje do que antes, pelo menos em relação ao teor de sólidos (não é tão simples assim: o que interessa é o custo por sólidos, não necessariamente o teor de sólidos do leite, mas para efeito de simplificação, consideremos que as duas variáveis estão relacionadas).

Pode parecer contra-senso, mas não é surpresa. Afinal, poucas empresas pagam por sólidos e mesmo por qualidade em geral. Qualidade, aliás, talvez tenha sido o tema mais discutido nos últimos 15 anos e é surpreendente que, a despeito disso, quando se analisam os números disponíveis, não há avanço exceto naquelas empresas que aplicam um sistema de pagamento por qualidade. Os dados laboratoriais mostram que, de forma agregada, não tem havido evolução.

No que se refere à eficiência produtiva, há outra lacuna considerável entre o que falamos e desejamos e o que ocorre de fato. Certamente, nossa produtividade pode aumentar consideravelmente sob qualquer parâmetro, mas os dados disponíveis mostram avanço lento. Por que? Será que ainda não há pressão suficiente para que a produtividade aumente, quer dizer, a baixa produtividade atual é suficiente para viabilizar a atividade? Ou, ainda, não há uma relação tão clara entre rentabilidade e produtividade? (obs: no Interleite 2010, de 19 a 21 de agosto, teremos uma discussão inédita a respeito de dados sobre esses parâmetros em Minas Gerais).

Outro exemplo de discurso distante da prática está no marketing institucional. Dez entre dez pessoas consideram a ação necessária, não no sentido restrito de propaganda, mas de defesa do setor, de relacionamento com formadores de opinião, de representação. Porém, apesar da Láctea Brasil ter mais de 10 anos e da concordância a respeito da importância dessa pauta, não tem havido força suficiente para colocá-la em prática. As questões do dia-a-dia se sobrepujam a propostas cujos frutos aparecerão no futuro. Falta liderança? O setor é ainda muito fragmentado para permitir um direcionamento único nesse sentido? Falta visão de longo prazo? Ou a pauta não é tão relevante assim?

É evidente que houve evolução nos últimos anos. O Brasil certamente está entre os países que verificou as maiores transformações recentes no setor, tanto que o capital tem sido atraído para ele. Nos tornamos auto-suficientes, elevamos a produção e o consumo, empresas investiram e continuam investindo no setor, etc. Mas.e para frente? Apesar do crescimento da renda, será que continuaremos transformando em realidade esse potencial de mercado? A pesquisa realizada pela Láctea Brasil coloca pontos importantes nesse sentido. E em relação às exportações? Temos condições de produzir a custo competitivo? Como e onde? E em relação às indústrias: o setor lácteo é estruturalmente rentável, ou depende? O que pode ser feito para melhorá-lo?

Muitos dos avanços dependem de uma maior interação entre as indústrias e seus fornecedores. Como já foi abordado aqui em outras ocasiões, há um distanciamento histórico que, na conjuntura atual, precisa ser reduzido. De fato, alguns laticínios estão buscando essa aproximação, mas no geral ainda estão longe de um ideal que melhore a fidelização e a competitividade, ou mesmo do que existe em outros setores - o que é natural, já que o processo é muito recente. E, em alguns casos, como na questão da qualidade, é complicado evoluir se não houver um grupo coeso de empresas líderes olhando para o mesmo lado. Também, não é fácil mudar hábitos arraigados.como diz o ditado, "old habits die hard". Confiança e relacionamento de longo prazo são produtos da transparência e da cooperação.

Não resta dúvida a respeito do nosso potencial. Também, é evidente o interesse de entidades e empresas em transformar esse potencial em realidade. Diante desse contexto, é de se esperar que os próximos anos tragam modificações importantes nas relações dentro da cadeia produtiva do leite e na busca de maior eficiência na produção. Mais do que isso: é necessário que haja essa evolução.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

20

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MARCOS AUGUSTO PEREIRA LIMA FILHO

MARÍLIA - SÃO PAULO - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 14/05/2010

Creio que este artigo aparece num momento muito interessante, ou seja estamos entrando no período da estiagem e todos sabem da dificuldade do produtor de leite manter sua produção, ou até mesmo produzir leite neste período. Se acompanharmos os gráficos de captação das cooperativas mineiras vamos ficar boquiabertos com situação encontrada, a coleta chega a cair em torno de 70%.
Acredito que a melhor maneira é incentivo e informação tecnica para o prdutor, desta forma teremos condição para brigar de forma efetiva por novas fronteiras, sem mascarar resultados refens de periodos onde no Brasil esta terra abençoada tdo da certo.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 07/05/2010

Caros Ramon, Savio e Lucas,

Acredito que a melhor maneira é procurar a participação nos canais já existentes, especialmente a CNA, que existe para essa função. Pela minha experiência, acho difícil conseguir mudanças significativas sem passar pelos canais tradicionais. O MilkPoint pode ser e sempre será um veículo de discussão e divulgação de ideias, e mesmo de mobilização. Mas, apesar de ficar lisonjeado com as colocações a respeito de nossa liderança, tenho consciência de haver necessidade de participação das lideranças atuais. Já vi muitas boas ideias se perderem porque não havia legitimidade para implantá-las. Há, também, a Câmara Setorial, cuja função é orientar o MAPA a respeito dos pleitos do setor, mas também discutir, entre os agentes envolvidos, as questões relevantes.

Um abraço,

Marcelo
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 06/05/2010

Prezado Ramon Benício, extensivo aos amigos;

Concordo com a sua proposta.

Sugiro uma reunião entre os interessados para que seja feito o planejamento dos trabalhos. Após essa reunião o fórum daria prosseguimento via internet, sendo realizados encontros trimestrais, se assim for consensual.

Um abraço;

Sávio Santiago
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 05/05/2010

Prezado Marcelo, peço licença para entrar novamente na discussão, em resposta ao sr Lucas A. A. Spadano. Sr Lucas, com todo o respeito que merecem todos os leitores e comentaristas do Milkpoint, quero lhe dizer que em momento algum eu desprezei Minas e seus produtores de leite, e lhe digo muito mais... tenho excelente relacionamento com muitos criadores em Minas, apesar dos anos de ausência, em função de meu estado de saúde. Sempre que menciono Castro e a região das colônias do Pr. como exemplo, não estou menosprezando o seu ou qualquer outro estado brasileiro. Que Minas é o maior produtor de leite do Brasil, até no exterior o sabem e além de Pompeu, posso lhe garantir que não caberia aqui nesse espaço as cidades de seu estado que eu conheço e que são produtoras de leite, inclusive a sua querida Gouveia, ai no centro do estado.Quando eu faço referências ao Pr. é porque considero leite, um produto que tem de ter qualidade, produzido com dedicação e esmero por isso menciono o Paraná na região das colônias. Na sua Minas Gerais, temos excelentes produtores em Passos, Patos, Patrocínio, Pompeu, Martinho Campos, Abaeté Lagoa Dourada, ( Essa, Com a Excelente Fábrica da Embaré) Sete Lagoas, Curvelo, Pará de Minas, G. Valadares, Unaí, todo os sul do estado e zona da Mata, sem falar da reg. de Montes Claros que por muitos anos foi onde a Nestlé produziu o melhor leite condensado do mundo. O sr. sabia? As cidades e regiões que citei, as citei, como peões de região.Ah, ia me esquecendo da região de Piunhi, que reputo como uma das melhores de Minas em termos de produção com qualidade. Ainda assim, sr Spadano, não venha me dizer que Minas respira leite, porque só se pode respirar algo puro e sinceramente, com as excessões que já mencionei em vários outros foruns, a sua Minas Gerais como a maior parte do Brasil, estão longe de poder dizer que respiram leite. Aliás, Minas respira café; o leite é uma contingência que faz parte da tradição. Café sem adubo não vai e produz apenas uma vez por ano, de maneira que em Minas o leite sempre pagou as despezas do café durante todo o ano, com esterco para a adubação e dinheiro para os custeios e empregados. No ano em que o café falha, o produtor se safa vendendo suas vaquinhas e ficando com as novilhas para dar sequência. Essa é a tradição, sr Spadano, nas regiões cafeiras, bem entendido. Na década de 70, eu trabalhava com Inseminação Artificial e ordenhadeiras no Leste paulista e sul de Minas, instalei aprox. 450 equipamentos de leite e mais de 800 botijões de sêmen com treinamento e acompanhamento de todos os projetos e desde aquela época eu venho batalhando encima de qualidade do leite. Infelizmente, não por culpa de produtores, mas sim de um sistema de governo velhaco, corrupto, sujo e nada patrióta, se instituiu no país, essa porcaria que chamam "leite loga vida" e aí a qualidade foi jogada no latão de lixo.
Hoje, somente podemos falar de leite com qualidade a nível de produtores, e micro regiões. Abraços,
Clemente.
EDER GHEDINI

TAPEJARA - RIO GRANDE DO SUL

EM 05/05/2010

Olá,
Ao meu ver, existem grandes gargalos que impossibilitam o real crescimento e fortalecimento do setor. Tem se falado muito, debates, seminários, congressos etc....as vezes os próprios debates despencam para um lado indevido, o foco ideal e necessário sai de cena e entra uma política de: "quem pode mais, chorra menos", é o caso, por exemplo, de alguns debates promovidos aqui no MilkPoint. A instrução normativa 51 precisa entrar realmente em cena(Eu diria, urge), punindo(se necessário) indústrias, produtores e toda a cadeia a qual rege, pois até então, vem passando um falta de transparência, oque leve todos pensarem que a impunidade existirá para sempre. Tudo ta muito bonito no "script", a um marketing enorme em torno da atividade leiteira no Brasil, mas pessoas devidamente capacitadas e com pensamento voltado para o social, ou seja, para o cresimento e fortalecimento como um todo, eu diria que são poucos mesmos! Caberá a todos os envolvidos, frente a este artigo, uma forte reflexão, deixar de lado modismos(comodismos) e conceitos ultrapassados(cultural), só assim poderemos fortalecer esse previsto crescimento, sedimentando-o de forma a galgar postos que até então se almeja mas que esta tão longe de se tornar realidade. Um cordial abraço!
LUCAS ANTONIO DO AMARAL SPADANO

GOUVÊA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/05/2010

Prezados amigos, esqueceram Pompéu, que ao que parece só produz menos leite no Brasil do que Castro, lá, em Pompéu, se respira leite. Aliás, melhor ainda, a produção de leite em Minas deve chegar em alguns anos à metade da produção do Brasil, assim como o café já ultrapassou a metade. Outra coisa, Minas não produz café só no sul do estado, algumas regiões de Minas, já estão produzindo a mesma quantidade. Voltando ao leite, a grande maioria dos mineiros bebeu leite de vaca no curral quando menino, quem lida com leite em Minas, sofre mas não larga, porque a alma do mineiro é branca, como o leite, é feita de leite (e de café com leite). Em algumas regiões realmente existe muito atraso, infelizmente, mas também existe muita evolução. Minas produz leite em todas as suas regiões. Aqui na minha região mesmo, é forte o movimento em direção ao conhecimento, tecnologia, melhoramento genético etc., e vejam bem, nesta região não existia tradição de pecuária leiteira. Não se trata de bairrismo, de arrogância ou o que seja, mas quando se fala em leite, no Brasil, Minas deve ser citada de forma positiva, a evolução mineira nesta área é gigantesca e com certeza, hoje os que produzem leite, aqui, o respiram, como sempre o respiraram. O artigo do Marcelo está entre tantos outros excepcionais que o mesmo já publicou aqui. Há uns dois anos sugeri uma aglutinação em torno do MilkPoint, hoje, Marcelo e o MilkPoint desfrutam de uma liderança natural, não é sem motivos que aqui é o ponto de encontro da cadeia produtiva do leite. Quero parabenizar a Merial, a uma, por ter em seus quadros o sr. Saviani e a duas, pelo lançamento do ótimo produto, pode-se dizer excepcional, lançado há pouco. Dele já fiz uso com ótimo resultado. E, finalmente, fica o convite, sr. Saviani, venha conhecer Minas e suas fazendas, seu povo hospitaleiro, garanto que vai gostar, convite estendido ao sr Clemente, verão quão somos apaixonados pelas nossas atividades, especialmente a leiteira. Se Deus quizer, a cadeia do leite vai mudar, vai se organizar e etc. é possível fazer muito mais, com certeza.
Um abraço a todos.
RAMON BENICIO LIMA DA SILVA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 05/05/2010

Prezados amigos Marcelo, Clemente e Sávio

Gostaria de voltar a comentar o artigo, agora sob a luz de opiniões emitidas pelos amigos citados.

Gostaria de sugerir ao Marcelo como Diretor Executivo do Agripoint a criação de um fórum dedicado exclusivamente a elaboração de uma agenda positiva para o setor leiteiro, você poderia convidar produtores, técnicos, dirigentes industriais, dirigentes de cooperativas, consultores e acho que até a CNA deve participar para que pudessem atuar como mediadores no fórum, ainda não pensei na dinâmica que poderia ser usada mas certamente o pessoal do Milkpoint tem experiência nesta área.

Inicialmente poderia ser como uma brainstorm e então partir para a condensação de propostas que seriam traduzidas para as ações de curto, médio e longo prazo que poderiam ser levadas aos agentes, governo, entidades de clase, etc. O retorno poderia ser feito dentro do próprio fórum e os mediadores poderiam emitir seus comentários sobre o que foi proposto e o que houve de retorno.

Assuntos não pertinentes a criação da agenda ficariam de fora de forma a concentrar a ação naquilo que é mais importante e alinhado com objetivos comuns.

Peço desculpas aos amigos se minha sugetão é fora de propósito, talvez minha inexperiência na atividade seja a causa.

Um grande abraço a todos.
Ramon Benicio
OSWALDO REBELO VIEIRA

FORTALEZA - CEARÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/05/2010


Marcelo Parabéns pela matéria

Quando e mencionado a potencialidade do Brasil, veja nós do nordeste tendo a água não tem nada melhor do mundo, sol o ano inteiro. Infelizmente o que precisamos e revolucionar a mudança do processo.
No Ceará tivemos uma boa experiência com o partejo rotacionado com programas desenvolvidos pelo governo em anos atrás.
Poucas empresas pagam por qualidade no Ceará, com a entrada da normativa 51 tivemos um pequeno avanço.
Precisamos de fato e levantar a bandeira pelo pagamento ao produtor por qualidade, sou remunerado desde 2004 por qualidade recebo em média 9% amais do preço de mercado.
Com o pagamento por qualidade em busca de melhor remuneração realizei mudanças radicais, após verificar o alto índice de CSS e baixo teor de sólidos na minha produção.
Vamos à luta......
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 03/05/2010

Boa tarde Marcelo;

Mais uma vez foi preciso em sua analise;

Acredito que atingimos um ponto satisfatório de entendimento da conjuntura atual do nosso setor e dos caminhos a seguir.
Todos os participantes comentam com impressionante lucidez e conhecimento de causa.
Falta realmente ação, e para que haja ação tem que haver líderes. Antes de qualquer ação efetiva deveríamos debater, analisar e ponderar soluções, entendo que já atingimos esse objetivo inicial.
Acho que apesar do grande trabalho de entidades de classe nos últimos anos, nenhuma delas passou uma imagem de liderança capaz de aglutinar interessados e mobilizar ações coletivas dessa grandeza.
O Milkpoint como ponto de encontro e debate setorial, tem se mostrado capaz dessa mobilização que passa do teórico para a atitude.
Assim, entendo como natural e legítima a liderança exercida por você Marcelo e acredito que com nosso apoio, trabalhos sem precedentes em nosso setor podem ser realizados em busca da especialização e da competitividade.

Parabéns a todos participantes pelas colocações;

Um abraço;

Sávio Santiago




MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 03/05/2010

Caros Clemente, Ramon e Flora,

Obrigado pela participação e comentários!

Grande abraço,

Marcelo
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 03/05/2010

Olá Saviani,

Obrigado pelo comentário. Realmente, há uma diferença de cultura, talvez relacionada também à importância relativa da atividade para o país. Sem leite, a NZ quebra. Acho que em algumas regiões do país (sul, por exemplo), a cultura é mais forte.

Grande abraço,

Marcelo
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 02/05/2010

Prezado Marcelo, Permita-me usar novamente este espaço, agora para prestar meus agradecimentos ao amigo Ramon Benício.
Ramon, já lhe falei do quanto o admiro em função de sua correta visão e compreensão dos fatos que envolvem a pecuária leiteira no Brasil e que suas opiniões e propostas, muito têm enriquecido todos os foruns onde você tem participado e manifestado pensamentos, feito propostas, apresentando soluções matemáticas de uma coerência que só um grande profissional seria capaz. Tenho certeza que no dia em que você se tornar produtor de leite, você será muito bem sucedido, já que é muito atento a tudo, nada lhe passando sem que seja exaustivamente analizado. O Brasil do leite é realmente tudo isso que você sintetizou acima, com seus 8 "temos". Entretanto, faltam muitas coisas e que muitas vezes me faltam palavras para expressá-las.
O meu grande amigo de longos anos, hoje na Merial, lá em Atlanta, Georgia, EUA, o Carlos Marcelo Saviani, falou a palavra que muitas vezes me falta quando de minhas colocações. No Brasil, com excessão de Castro, Carambeí e Aroptí no Paraná e algumas outras poucas áreas, não há a CULTURA DO LEITE.
Em 90% deste país, se produz leite como um mal necessário, falta de opção, e não como uma atividade prazeirosa e um meio de vida, ou seja, conforme já mencionei aqui em outras ocasiões, por uma questão de subsistência; nem é uma questão de sobrevivência. Veja oque o Saviani falou a respeito da NZ, onde ele esteve outro dia: Lá, se RESPIRA LEITE, assim como países da Europa como a Holanda, França e até na Suíssa. Nos EUA não é diferente, apesar de o país ser imenso e superdesenvolvido, há regiões como o estado de Wisconsin, que també se respira leite, tanto, que até nas placas dos carros se lê: Wisconsin Daryland EUA.
Mais uma vez, muito obrigado.
Abraços,
Clemente.
RAMON BENICIO LIMA DA SILVA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO

EM 30/04/2010

Prezado Marcelo, Clemente e demais amigos,

Novamente quero parabenizá-lo pelo excelente artigo. Ao amigo Clemente, tão incisivo em seus comentários, só posso dizer que concordo plenamente com suas palavras. Precisamos parar de viver de modismos e empirismos e adotarmos um plano de gestão que promova o desenvolvimento com base na ciência em dados confiáveis e não na palavra de, como você bem disse, gaiatos.

Quanto a produção de leite, chegamos num ponto em que não adianta mais discutir sobre um melhor ou pior sistema de produção, uma melhor ou pior forragem, uma melhor ou pior genética. Temos que pegar o que existe, seja confinamento ou pasto, gado mestiço ou puro e buscar implentar técnicas que promovam a melhoria de todo o sistema, aplicar as boas técnicas em todos os processos da atividade, sejam estes o de ensinar aos peões técnicas de higiene pessoal até os processos mais complexos, que devido a minha falta de experiência na atividade não ouso exemplificar. Ao longo da trajetória traçada o que já foi testado e aprovado certamente será melhorado, o que não funciona será inexoravelmente abandonado. Poderíamos chamar isto de "seleção natural".

Temos produção e não temos qualidade.
Temos excelentes técnicos mas não conseguimos disseminar conhecimento.
Temos linhas de financiamento mas não para aqueles que realmente precisam.
Temos mercado interno e não conseguimos ampliar o consumo per capita.
Temos produtividade mas não uma unidade única de expressa-la.
Temos grandes indústrias mas pequenas no relacionamento com o produtor.
Temos mais de um milhão de produtores mas não conseguimos unificá-los.
Temos um grande país e um governo de tamanha pequenez.

Tenho visto e lido, aqui mesmo no Milkpoint, vários artigos, posts, comentários que desfilam uma série de sugestões, números, técnicas quase todas alinhadas na solução dos mais diversos problemas. Mas quando isto tudo se traduzirá em efetiva ação? Será que o problema da atividade leiteira é tão complexo assim?

Se temos, como bem disse o Clemente, "estados da arte" na atividade e que atingiram este estágio após longos anos de árduo trabalho, então como não foi possível aproveitar este conhecimento em benefício de todos?

Passo a crêr em algumas afirmativas do Marcelo e que talvez a dormência seja a regra geral e não o dinamismo, o que é altamente contraditório em vista dos tempos que vivemos nos vários setores produtivos do mundo. Será que a retórica vazia é uma doença que pega? Se for. Precisamos vacinar os produtores de leite para que não sofram barreiras sanitárias.

Vamos esperar que os próximos anos tragam finalmente, como diz o nosso amigo Guilherme de Juiz de Fora, o dia que nunca chega.

Um grande abraço.
Ramon Benicio


FLORA CAMINA BUGALLO GAUDÊNCIO

SANTO ANTÔNIO DA PLATINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/04/2010

Muito boa abordagem, Marcelo, mas vejo quanto o âmbito leiteiro tem crescido e melhorada graças ao trabalho de vocês do MilkPoint.

Eu que sou dos antigamente, vejo como antes não tínhamos nada, nem a quem reclamar, falar, aprender ou melhorar; hoje não. Temos uma que clama por todos, o que precisamos é nos unirmos mais e acreditar em nós como um Brasil leiteiro que faz, é e será o maior e o melhor.

Um grande abraço,
Flora Gaudencio - Produtora de Leite
CARLOS MARCELO SAVIANI

EM 29/04/2010

Marcelo, como sempre excelente artigo! Você expõe com bastante clareza o que realmente esta acontecendo.

Um ponto que talvez falta ser tocado e o da "Cultura Leiteira". Sera que o Brasil tem uma forte cultura voltada para o leite? Com certeza em Castro ou Arapoti, mas e em geral? Nao sei...

Olhando para os avancos que vemos na pecuaria de corte, na avicultura, na sojicultura ou mesmo na lavoura canavieira, notamos que ha uma grande diferenca para os avancos que vemos na pecuaria leiteira como voce bem colocou. Se a atividade, bem tocada, da lucro, por que entao tao poucos produtores se dispoem a melhora-la ou mesmo por que ela atrai tao poucos novos investidores e empreendedores? Talvez a resposta esteja na falta de cultura, paixao para producao de leite, que no Brasil desde os primordios foi vista como uma atividade extrativista, secundaria. Ate a relacao do brasileiro com o leite e lacteos e diferente da que vemos aqui nos EUA ou na Europa. Na Nova Zelandia aonde estive mes passado, as pessoas "respiram" leite. Ele faz parte da cultura e do dia a dia do Kiwi. Paginas e paginas da secao de economia dos jornais sao dedicadas para o leite. A mesma sensacao se tem em relacao a pecuaria de corte por exemplo quando se vai para Cuiaba ou Campo Grande. Ou em relacao ao Cafe quando vamos para o sul de Minas.

Um Grande Abraco,

Saviani
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 29/04/2010

Prezado Marcelo e leitores.
Eu peço desculpas pelo erro cometido acima quando mencionei que há trinta anos escrevia para o DBO Rural. Foi a exatos 23 anos. Há trinta anos o DBO ainda não existia como revista. Os três irmãos meus amigos Odemar Costa e Daniel Bilker eram leloeiros, os melhores do Brasil, e o meu queridíssimo amigo Demétrios era jornalista.
Queiram me desculpar.
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 29/04/2010

Olá Marcelo, dando continuidade, gostaria de me manifestar sobre o comentário do Pres. da DPA, em relação aos sólidos no leite brasileiro. Para a Nestlé, como para qualquer empresa que transforma leite fluido em derivados, é óbvio que quanto mais alto o teor de sólidos, melhor. Entretanto, quanto se paga por sólidos no Brasil? Suponhamos que eu seja um produtor e o meu leite tenha, hipotéticamente, 9% de sólidos totais, contra meu vizinho, cujo leite tivesse 7% de sólidos totais, quanto eu receberia a mais que ele? Talvez R$0,02 por litro? Isso seria relevante se tivessemos planteis iguais e com manejos semelhantes. Porém se meu vizinho tiver 30 vacas com produção de trinta quilos media e eu eu tiver as mesmas trinta com produção de 20 quilos, meu vizinho estará rindo do meu esforço em produzir sólidos para a Nestlé.
Genéticamente, já há um bom tempo, se pode escolher sêmen de touros melhoradores para sólidos, porém são muito mais caros e os resultados alem de serem insipientes, são a longo prazo. Pode-se melhorar o teor de sólidos no leite com um bom manejo alimentar, suplementando com feno de ótima qualidade, consorciado com alfafa, ou outras leguminosas; isso também encarece a produção e aí, teriamos que ver a contra partida. Eu, particularmente, sempre fui defensor de produção de leite em volume, buscando alta produtividade por vaca, com uma alimentação bem balanceada e produzida ao máximo na propriedade. Sou apaixonado por uma vaquinha Jersey, mas entre uma Jersey que me dê 25 quilos de leite no pico da lactação com 10% de sólidos no leite, e uma holstien que me dê 40 quilos com 7% da sólidos, eu fico com a Holstien, isso porque, a curva descendente da holstein é mais lenta.
Na verdade, oque as empresas querem com os sólidos é diminuir seus custos de padronização do leite para produção de certos derivados, e no caso da Nestlé é muito pior, já que é uma empresa de abrangencia gigantesca e têm que manter usinas de condensação do leite lá pelos fundões de Goiás e Minas, reduzindo esse leite para 50%, afim de viabilizar seus custos no transporte. Desta feita, se nossas vaquinhas produzissem leite em pó, seria o ideal para a Nestlé/DPA/Fonterra. Uma coisa que esquecem é que o nível de CCS no leite, é o maior ladrão de sálidos e nada fazem.
O Brasil precisa sair dessa dependência, os criadores de maior porte e melhor estruturados têm que usar suas inteligencias, sem egocentrismo, e criarem alguma coisa para o futuro do leite nesse país, não nos moldes dessas estruturas que temos hoje e que chamam de cooperativas, que parecem-se mais com as câmaras de Brasília. Não quero dizer que uma só estrutura seria suficiente. Acho que a coisa tem que ser regionalizada, uma vez que o país hoje, produz leite em toda a sua extensão, mas pelo menos o modelo deveria ter semelhanças. Temos que ter nosso próprio modelo e deixar de fazer comparações com países que cabem dentro de dois ou três municípios de muitos estados brasileiros.
Abraços,
Clemente.
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 29/04/2010

Olá Marcelo, espero que alguem se antecipe e coloque alguma posição antes que eu, sobre o assunto. Onde estamos mesmo? Num país paraíso chamado Brasil, imenso, impossível de ser governado a partir de um covil central cujos mandatários são lobos vorázez, mentirosos e enganadores, desde a época do "descobrimento". Vivemos hoje, tal como naquela época, cada um fazendo as coisas a sua maneira, tentando fazer prevalecer a sua vontade e sua "verdade".
Não há consenso, já que não há leis a serem seguidas neste país. Agora mesmo, estão querendo tirar a produção de maçãs da serra Catarinense e levá-la para Minas Gerais, porque um gaiato qualquer plantou uns pés da fruta por lá e diz que a produção é melhor, e que lá, não há pragas, etc, e tal. Isso já foi tentado outra ocasião em Guaxupé, e expertos, levantaram dinheiro a rodo para financiar a produção, só que nunca saiu um caixa de maçãs de Guaxupé. Isso é o nosso Brasil desgovernado, que andam dizendo lá fora que é governado... Imagine como andam as coisa lá fora. Nesse país, com extensões continentais, a cada trezentos Kms, encontramos povos e culturas diferentes. Andamos sempre tentando copiar modelos lá de fora e nunca chegamos a lugar nenhum. Temos aqui dentro, regiões que produzem sem nada dever para qualquer lugar do mundo, mas, que não nos servem de modelo. Na decada de 1980, houve uma enxurrada de produtores mineiros ao Paraná, para copiar seus metodos e modelos de criação, mais especificamente, produtores da região da zona da mata mineira. Hoje, trinta anos se passaram e Minas continua produzindo a sua maneira, alguns com muita competência e modernidade e muitos... como a cem anos passados, acreditando no milagre do "leite a Pasto" mas esquecendo-se de plantar e cultivar o pasto. Então, antes de mais nada, precisamos rever valores e métodos, precisamos estabelecer padrões para produzir, copiar aqui dentro mesmo, métodos eficientes para ganhar em qualidade, produtividade e escala. Precisamos aprender a criar nossas bezerras, fazer o melhor alimentos para nossos rebanhos, trabalhar com dedicação e amor, não apenas buscando a oportunidade de lucro fácil, já que na pecuária, nada vem de graça. Há trinta anos eu escrevia para o DBO Rural e me lembro muito bem que sempre dizia que o Brasil, era o único pais, que tinha condições de cobrir duas vezes o mundo, com couro de boa qualidade, abastecer os cinco continentes com carne e leite da melhor qualidade, em função da qualidade de suas terras, topografia e clima, o mais propício em toda sua extensão. Acho hoje, que nós brasileiros, temos que aprender a ser Japonesez. No livro "made in japan" há um trecho onde o autor comenta a situação do Japão logo após as bombas, onde os japoneses se propunham a fabricar produtos de qualidade para o mundo e um empresário americano lhe perguntou mais ou menos isso: Como, se vocês não têm dinheiro, conhecimento, tecnologia e nem profissionais? Resp. Do Akio Morita, da Soni: Japão tem Japonêz Né? Abraços, Clemente.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 29/04/2010

Obrigado Lucas!
LUCAS ANTONIO DO AMARAL SPADANO

GOUVÊA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/04/2010

Muito bom o artigo. A abordagem do tema é extremamente importante, afinal há anos se fala no assunto, mas praticamente nada acontece. A evolução é necessária, difícil pelos motivos expostos e principalmente pelas crenças e dogmas antigos ( bisavô, avô, pai etc) mas, com certeza chegaremos lá, se vou estar vivo para ver, só Deus sabe, espero que sim.
Espero poder estar presente na Interleite 2010, pelas previsões deverá ser ótima.
Mais uma vez parabéns pelo tema e sua abordagem.