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O leite agoniza?

Há alguma coisa estranha ocorrendo com a nossa atividade. Não estou falando da drástica queda de preços (após elevações recordes).

O buraco é mais embaixo. Ou estamos passando por uma forte mudança estrutural, ou o leite está sob alerta no Brasil e ninguém discute isso, seja porque não temos dados concretos para embasar nossa análise, seja porque estas questões estruturais passam ao largo, já que o foco é sempre o problema atual que, hoje, é materializado nas importações de leite. Afinal, temos o costume de atacar os sintomas e não as causas.

Vamos aos dados nus e crus.

O gráfico 1 traz a variação da captação inspecionada de leite no Brasil, entre um trimestre e o mesmo trimestre do ano anterior, desde 1998. Houve aumento em 74% das medições, contra 26% de queda. As quedas, via de regra, ocorreram quando o aumento do ano anterior foi significativo. Foi o que ocorreu, por exemplo, no segundo trimestre de 2009 x 2008, que apresentou a queda recorde de 8,5% e a única acima de 3,5% (excetuando-se o período mais recente).

Os dados dos últimos 7 trimestres, porém, mostram uma história diferente, carregada de recordes negativos:

- a maior série de quedas consecutivas – 7 até agora, e certamente teremos a oitava e a provavelmente a nona, já que temos ainda 2 trimestres não contabilizados neste ano (o terceiro e o quarto).

- ao contrário dos períodos anteriores, em que as quedas ocorriam após períodos de intenso crescimento e sempre pontuais, sendo rapidamente revertidas, desta vez o corte é mais profundo. As quedas ocorrem em cima de outras quedas.

Gráfico 1. Variação sobre mesmo trimestre do ano anterior (%). 
variação da captação inspecionada de leite no BrasilFonte: IBGE, pesquisa trimestral do leite

O gráfico 2 mostra as quedas crescentes dos últimos trimestres e o gráfico 3 mostra que, em junho de 2016, tivemos a produção mais baixa dos últimos 5 anos.  Creio que isso é suficiente para compreendermos que tem algo de novo – e preocupante – ocorrendo no leite brasileiro.

Gráfico 2. Sete trimestres com quedas consecutivas e crescentes sobre mesmo período do ano anterior. 

leite inspecionado no Brasil - quedas
Fonte: IBGE, pesquisa trimestral do leite

Gráfico 3. Produção mensal de leite inspecionado. 

produção mensal de leite inspecionado
Fonte: IBGE, pesquisa trimestral do leite

ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

Clima

O clima certamente exerceu um papel não desprezível, principalmente no Nordeste do país. De 2011 para 2016, o Nordeste processou 19,5% a menos de leite no primeiro semestre. Uma enormidade. O Norte do Espírito Santo também vem sofrendo muito com a seca, e o Sul do país teve enchentes em vários locais.

Mas o clima não explica tudo. Afinal, das 5 regiões, 3 tiveram queda (observação: estamos analisando aqui o leite processado na região e não a produção em si, isto é, parte do leite pode ter sido produzido em uma região processado em outra). O Centro-Oeste processou 8,2% menos leite no primeiro semestre de 2016 versus o primeiro do longínquo 2011. O Norte, 9,2%. Com efeito, a única região que teve um aumento importante foi a região Sul: processou 15,5% mais leite nesse período. O Sudeste, por fim, cresceu pífios 6,6% em 5 anos, resultando em um crescimento de apenas 4,6% para o leite brasileiro, ou 485 milhões de litros em 5 anos. Muito pouco. Não é só clima, evidentemente.

Assim, embora o clima tenha sido um fator que afetou significativamente algumas regiões (e tende a ser um problema crescente), além de sempre gerar problemas localizados, não me parece que seja a principal causa para que a produção brasileira esteja andando para trás.

Rentabilidade do produtor

Esse é um ponto polêmico, ainda mais em momentos de queda de preços. Porém, analisando o contexto mais amplo, não faz sentido afirmar que o leite está continuamente perdendo produção porque a rentabilidade está continuamente piorando.

O gráfico 4, que traz a Receita Menos Custo de Ração para uma vaca de 20 kg (dados deflacionados, que permitem a comparação temporal), mostra que, apesar dos altos e baixos, não se pode concluir que os últimos 5 anos foram a tragédia que poderia se supor ao se analisar o desempenho produtivo – pelo contrário. A atividade tem sido atrativa, analisando o cenário macro. É evidente que há períodos ruins, como o segundo semestre de 2012 e o ano todo de 2015. Mas, no agregado, a rentabilidade utilizando a RMCR, que contempla a receita e o principal custo, tem sido boa se comparada aos níveis históricos.

Gráfico 4. RMCR para uma vaca de 20 kg.

rmcr - receita menos custo de ração - leite
Fonte: MilkPoint Inteligência

Eis o impasse: se não é clima nem rentabilidade, o que explica o decréscimo na produção de leite dos últimos 2 anos?

Quem não tem escala, dançou

Um aspecto diretamente ligado a uma possível mudança estrutural refere-se ao aumento do salário mínimo ao longo dos últimos 15 anos, traduzido em maior custo de oportunidade para o produtor familiar (além de elevar os custos do trabalhador contratado). Tendo outras alternativas de renda, o baixo resultado com o leite passa a não ser a melhor (ou a única) alternativa. Isso é especialmente válido para produtores familiares e/ou com baixa escala de produção. No artigo anterior, discuto mais a fundo o custo de oportunidade.

Há ainda, um outro aspecto que acelera esse processo: os diferenciais de preço. Expliquemos com uma metáfora conhecida: eu comi 2 pratos de comida. Você, nenhum. Na média, cada um comeu um e ficou bem nutrido. Na prática, você morreu de fome e eu fiquei gordo.

Essa metáfora serve bem para o preço do leite no Brasil. A média não quer dizer quase nada. Existem preços distintos e negócios distintos.  Os dados do nosso aplicativo MilkPoint Radar mostram isso claramente. Veja no gráfico 5, que traz os preços líquidos para o produtor, dependendo da faixa de volume de leite. Os produtores acima de 3.000 kg/dia receberam em agosto de 2016 um preço líquido de R$ 1,75/litro. Quem não ganhou dinheiro com esse preço, não ganhará nunca mais...Já os produtores abaixo de 250 litros receberam R$ 1,39/litro. Leite é mesmo commodity? No Brasil, não é.

O problema disso no longo prazo é que a produção do Brasil é baseada no pequeno produtor, que aqui subsidia o grande pela via de mercado. Ser um grande produtor no Brasil – e não precisa nem ser tão grande assim – é um bom negócio. Já ser um pequeno...

Nesse cenário, obviamente o primeiro a deixar a atividade é o pequeno – desde que, é claro, ele dependa do leite, caso contrário poderia, em tese, continuar produzindo mesmo sob baixos preços.

A hipótese aqui é a seguinte: estamos vivenciando, sem ter números atualizados, uma forte exclusão de produtores de leite e isso está afetando a oferta, já que a mudança estrutural envolvendo aumento do módulo de produção e aumento da escala não ocorre na mesma velocidade.

Importante: considero um processo “salutar” o aumento de escala; não pode ser motivo de orgulho termos 1 milhão de produtores produzindo 50 kg/dia. Espero que o país ofereça condições melhores de vida do que essa. A saída de muitos produtores deve ser encarada como um problema social. Os que querem e têm condições de crescer, precisam receber apoio para tal.

Mas, hoje, a saída desses produtores é talvez e também um problema de produção.  Para estimular o aumento da escala de produção e da intensificação, que políticas públicas poderiam ser implementadas? Como atrair investimentos para o setor? Sendo o leite em escala e qualidade um bom negócio, porque não temos projetos de grande porte em maior número? Porque os 100 maiores produzem “apenas” 15.000 litros/dia, em média?

Gráfico 5. Preços líquidos x faixa de volume diário – leite de agosto/16.

preços líquidos - volume diário - leite
Fonte: MilkPoint Radar

Índices ruins de produtividade

Apesar da queda de produção como um todo, acredito que exista uma transformação estrutural em curso. Há muitos produtores obtendo índices excelentes de produtividade, uma verdadeira revolução em suas próprias propriedades. Talvez em nenhuma atividade se tenha tanta busca por informação como no leite.
Mas a velocidade de mudança tem sido insuficiente, tanto que a oferta tem caído nos últimos 2 anos, a ponto de ser insuficiente para suprir nosso consumo (em queda também).

Estamos falhando.

A relação indústria-produtor mostra sua cara

Em que pesem as conversas sobre fidelização, cooperação, etc, o fato é que, em larga medida, a relação indústria-produtor é puramente competitiva e oportunista. No momento da alta de preços, os produtores que puderam, leiloaram o seu leite. Transformaram-se quase em vendedores de leite spot. Estavam errados? Não, porque sabiam que essa era a regra do jogo. Quando o mercado virasse, receberiam uma comunicação informando sobre as quedas de preços. Do leite já entregue.

A indústria falha em promover mais transparência junto ao seu fornecedor. Não o mantém a par do que está ocorrendo no mercado e o resultado são expectativas desalinhadas. Que indústria, por exemplo, informou seus fornecedores de que não estava conseguindo mais vender os derivados aos preços de julho? Teremos vários exemplos de comportamentos que retratam a falta de alinhamento e cooperação. O conceito do Conseleite pode ajudar nisso, ao tentar trazer para a relação comercial um racional com base no que efetivamente ocorre no mercado, ainda que não seja um caminho fácil e que críticas sobre metodologia, parâmetros e valores sempre surjam. Vocês sabiam que o preço do leite ao produtor, nos Estados Unidos, segue um conceito muito próximo ao do Conseleite?

Porque coloco a responsabilidade na indústria? Por 2 motivos principais. Primeiro, evidentemente, a indústria tem mais força e condições de mudar a relação comercial existente. É ela quem reúne o leite dos produtores, e não o contrário. E ela quem tem a leitura diária do mercado. Ela é o elo forte.

Se isso não basta, vamos ser mais incisivos: em última análise, é ela quem está ficando sem leite.  Minha avaliação é que, como um todo, o setor não está preparado para tornar a atividade atrativa a ponto de viabilizar investimentos de porte, que restabeleçam o equilíbrio da oferta.

Quem irá investir em uma atividade que não tem mercados futuros, contratos de longo prazo, sinalizações consistentes de mercado e na qual o leite já entregue pode sofrer fortes variações de preços (para cima e para baixo, diga-se de passagem)? Nesse ambiente, é uma atividade de enorme risco. Precisa ser muito rentável para se justificar. Quem banca o risco da volatilidade é a indústria: temos um dos leites mais caros do mundo.

Há boas cabeças na indústria; há empresas com boas intenções e ideias. Não é fácil implementá-las quando o mercado, como um todo, opera de forma diferente.

No frigir dos ovos, as importações são apenas sintoma

Não há dúvida que as importações têm contribuído para a queda de preços ao produtor e para a indústria. Neste ano, quase 8% do nosso consumo veio de leite importado. Um colosso.

Mas é um erro analisar as importações como razão do nosso problema. Elas são a consequência. Só estamos importando esse volume porque nossa produção não tem crescido; porque não temos eficiência na produção (basta comparar os índices de produtividade); porque temos custos elevados de impostos para incorporação de tecnologia, porque não temos uma boa coordenação na cadeia produtiva.

O pior de tudo é que nem com um mercado em larga escala protegido, que nos permite ter um preço comparativamente atrativo perante o mundo, estamos crescendo.

Talvez essa “ressaca” seja um processo necessário. Muitos irão sair da atividade, como ocorreu em diversos países. Lá na frente, teremos um setor mais competitivo.
Mas é preciso criar realmente uma agenda mais de longo prazo. O que, efetivamente, queremos?

Nesse sentido, que tal se nossa eficácia para obter medidas de proteção pudesse também ser direcionada para criarmos condições de não depender (tanto) delas?
 

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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NADIM KISERE FILHO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 30/11/2016

Excelente Matéria! !!
SEMY FERRAZ

PARANAÍBA - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/11/2016

Aqui em Mato Grosso do Sul temos um problema adicional a "questão tributária".  O Governo Estadual cobra ICMS excessivo para o leite que sai do Estado e pagamento antecipado, visando a proteção da indústria local.  Ocorre que quando tem excesso de oferta a indústria baixa o preço de aquisição do leite. Na região de Paranaíba-MS alguns produtores estão vendendo as propriedades e comprando no Estado de Goiás. A Reforma tributária e a diminuição do ímpeto arrecadador dos governos estaduais são medidas importante para estimular o crescimento da produção de leite no Brasil.
JAIRO V. S. FILHO

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 31/10/2016

Parabéns pelas abordagens Marcelo. Muito bom artigo e levantamento dos principais gargalos enfrentados no dia a dia pelos produtores de leite.
ELOISIO FERNANDES

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/10/2016

essa politica do leite assassina toda cadeia leiteira do brasil.
COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE LEITE DE ESMERALDAS LTDA

ESMERALDAS - MINAS GERAIS

EM 31/10/2016

Bom dia Marcelo.

Muito acertado, precisa sempre mostrar o que acontecu onde a pecuária de leite desenvolveu, e a brasileira nãp será diferente.

Abraços

André Costa.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 30/10/2016

Um ponto adicional. Mesmo com forte política de subsídios que garantiram a renda de produtores na Europa, houve significativa exclusão de produtores e indústria. O mesmo nos Estados Unidos. Achar que haverá um sistema em que todos ficam é uma utopia. Os menos eficientes sairão da atividade, independentemente da política de apoio.



Obrigado novamente a todos que emitiram suas opiniões. O MilkPoint sempre será um espaço para a discussão imparcial dos problemas da cadeia do leite.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 30/10/2016

Obrigado a todos pelos comentários. Fico muito feliz da discussão gerada em torno do artigo, que com certeza ajuda a compormos o quadro. E é aí que começamos a melhorar.



Genesio, as empresas tiveram grandes quedas nos preços de venda ao atacado, puxada pela queda do UHT. As empresas sem UHT tiveram que acompanhar os preços da matéria prima quando o UHT subiu, e agora seguem na baixa, recuperando parte do prejuízo lá atrás. Mas mesmo assim os valores no atacado para pó e queijos caíram também.



Roberto Jank, bem colocado. Além dos juros e prazos, outro ponto que deveria estar sendo estudado é o custo comparativo de insumos e equipamentos que os produtores aqui pagam, versus lá fora. É um item importante da competitividade e não vejo alguém estudando isso.



Sávio, é verdade que no geral muitos produtores não estão preparados para um relação diferente. É um processo. Mas acho que cabe à indústria mudar a relação. É ela quem tem o poder para isso. E com certeza políticas públicas de estoques, seguro de margem como nos EUA, e outras, poderiam ajudar.



Marlucio (Edealina), você colocou muito bem um exemplo prático do que teorizei no artigo.



Toninho, acabar, não acaba, claro. Mas o ponto aqui é que produzimos em junho menos do que em 2012, o que é algo inédito e sinaliza um problema. Consumo, temos, mas o leite importado é que está ocupando. Será que voltaremos aos tempos de 15-20% do consumo sendo importado? A provocação foi feita nesse sentido mesmo.



Joselito, creio que o trabalho interessante a ser feito é analisar criticamente como se dá a precificação do leite e as políticas de apoio em vários países relevantes de produção. Vamos pensar nisso.



Gustavo e Ronei: com certeza o Conseleite é um passo importante. Talvez precise de melhor comunicação junto ao produtor, sobre o que é, como é calculado, o que representa. Também, quanto mais transparente em relação a metodologia, maior a chance de apoio geral, sabendo que sempre haverá críticas para qualquer sistema. A metodologia de preços nos EUA segue algo muito próximo ao Conseleite, inclusive.



Wagner, obrigado pelas informações. Acredito também que são dores necessárias, mas a magnitude da queda acumulada, diante de um cenário que não é tão ruim comparado com o que ocorreu na NZ ou Europa, chama a atenção que o parto está sendo distócico demais.



Luiz Eduardo, sem dúvida as importações, uma vez feitas em grande quantidade, acabam sendo parte do problema, e parte significativa. Mas não deixam de ser sintomas também.

Antonio Ferreira, os Estados Unidos produzem 92 bilhões de kg ao ano, com  cerca de 50.000 fazendas. Média de 5.000 kg/dia.



Jair, bem comentado. Vejo sim um trabalho consistente como o que vocês estão fazendo, que são parte do futuro do leite, que será diferente do presente. O que precisa é que esse processo seja mais amplo no setor.



Marcello, é verdade, o acesso a crédito tem sido um dificultador, como o Roberto colocou. É algo a ser trabalhado pelas entidades de classe.



(cont)
CESAR

NOVO HORIZONTE - SANTA CATARINA - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 28/10/2016

Mas então onde está realmente o problema de termos esses altos e baixos nos preços, será o custo de produção e da mão de obra que estão diminuindo as margens, ou as indústrias que captam o leite formam um cartel para ter tanta oscilação nos preços, gostaria de uma explicação.
KELLI CRISTINA FERREIRA CUNHA

FORMIGA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/10/2016

Parabéns pelo artigo!



Diagnosticou bem os problemas vivenciados pela cadeia leiteira ao longo dos anos!



O aumento de escala de produção e o aumento da produtividade/vaca são as únicas alternativas do produtor rural caso queiram permanecer na atividade, principalmente os que dependem de empregados,
ANTONIO CESAR FERREIRA

CAJOBI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/10/2016

Estou acompanhando e achei o texto que o Marcelo apresentou de extrema importância. O que ocorre com o leite, na minha modesta opinião, é o retrato do que ocorre com o Brasil. No mundo globalizado temos que ter custos e preços internacionais. Porém temos que ter eficiência na gestão e mão de obra de qualidade. E, uma política de governo bem estabelecida e transparente para o setor. O Brasil inteiro sofre por problemas de gestão e eficiência em qualquer setor, publico nem se fala. No USA são menos de 200 mil produtores de leite. Aqui temos 1 milhão. O leite no Brasil se confunde com assistencialismo. O setor tem que ser profissionalizado. Dai tem que ser grande produtor, isso vai como consequência eliminar os pequenos produtores causando assim uma crise social no setor. O que fazer ?, enquanto isso vamos caminhando a passos lentos, o setor vai se assentando, enxugando o quanto pode até chegar onde o próprio mercado se acomodar.
EDER ARANTES CARDEAL

ITAMOGI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/10/2016

Marcelo parabéns, por toda colocação, realmente essa matéria nos faz ficar pensativos que caminhos trilhar nesse projeto "leite"! Agora, faço a pergunta a todos, como melhorar? Vejo produtores culpando a tudo e todos nos seus comentários; e a parte da indústria parabenizando e se esquivando de suas responsabilidades, algumas culpando o governo, outras o produtor alegando com inconcebível pensamento que os mesmos não merecem respeito por não estarem preparados e outras se esquivando sem realmente apontar a causa, não tenho tanta estrada no setor como outros citaram aqui, mas no "pouco" que convivo o leite, sempre me pergunto como possamos melhorar? Gostaria dos estudiosos, que trazem números ao meu ver assustadores, mostrassem o caminho. Gostaria das industrias, que em muitos casos, se refertem a acharem que os produtores são meros instrumentos de fornecimento da sua matéria prima, "que os produtores em sua maioria não estão preparados para receber um tratamento mais respeitoso", pergunto também como possamos melhorar? Pergunto também a indústria como podem nos ajudar a melhorar para "merecer" o seu tratamento respeitoso, e aos produtores o que pode ser feito para melhorar? Não posso responder essas perguntas a vocês, mas garanto que mereço e que sempre vou exigir o respeito devido como produtor de leite, gerador de empregos e rendas, da indústria e dos estudiosos porque a cadeia não existe sem o elo inicial, e os produtores errando ou acertando são esse elo, e no caminho que vai trilhando provavelmente terá esse elo rompido.
MARCELO

CAMPINA DA LAGOA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/10/2016

O simples fato de poder importar leite em pó já dá uma grande vantagem para a indústria. Ela usa esta possibilidade como ferramenta para pressionar o mercado. Usa o discurso de "entrou leite do Uruguai" para justificar a queda nos preços pagos ao agricultor. No trigo isso acontece sempre. Quem é produtor sabe. Na minha opinião, se não barrarem as importações e reduzirem a validade do leite UHT, a indústria e o varejo vão continuar a massacrar o produtor, e gananciosos como são, não conseguem enxergar que sem leite eles também sofrem. Hoje o dólar está barato, mas quando todo este governo cair pela delação do Odebrecht, o dólar pula pra R$4,00. Aí então quero ver hidratar leite em pó pra vender.
COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE LEITE DE ESMERALDAS LTDA

ESMERALDAS - MINAS GERAIS

EM 28/10/2016

Parabéns Marcelo. Seu editorial meexeu bastante com os leitores.

O que é verdade que todos tm razão, no meu parecer melhor não dependermos de governo, ele emperra.

Como dirigente da cooperativa reclamei do comprador, a cooperativa central,  por que os produtores não foram alertados da "possível" baixa, ficamos sabendo (tanto eu como os associados)  do preço de leite entregue em setembro foi depois de 4 de outubro, o argumento é que a indústria não tinha fechado quanto que seria pago.

Eu recebo informações diárias do Milk Point sabia da situação mas não somos o pagador

Contudo vamos continuar a houvir suas colocações e discutir mais a saíd para a atividade.

Atenciosamente

André Costa.
GILSON GONÇALVES COSTA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/10/2016

Parabéns Marcelo,

Esse é um retrato bastante atual da nossa pecuária leiteira, embora persistindo desde muito tempo. Quero dizer que é assim há muitos anos.

Interessante é conscientizarmos dessa situação é aí você acertou na mosca.

Dois meses de preços nas alturas me proporciona condições de investir, (fico sem dinheiro) e depois dois meses de preços ruins, passo fome e como vc disse na média ganhamos dinheiro e assim vamos levando.

A saída de muitos produtores, sobretudo na região dos cerrados, se deve a condiçãode podermos optar pelo plantio de lavouras, no momento mais rentáveis e previsíveis.

Parabéns novamente.

Gilson
ALVARO CARNEIRO JUNIOR

QUIXADÁ - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/10/2016

Boa noite amigos produtores.

Excelente artigo.Essa abordagem me fez lembrar meus tempos de produtor de frango,

nas crises perdia muito dinheiro, nos bons momentos ganhava pouco,fruto da minha in

competência como criador de frangos.A solução, parar de criar.No leite e a mesma coisa,

não haverá lugar para criadores incompetentes.Aqui no nordeste a diminuição dos pequenos produtores vai ser ainda maior,fruto da desinformação.

Parabéns Marcelo.
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/10/2016

Caro Marcelo



Oportuno seu artigo, de fato a situação do leite no Brasil é complicada, a décadas que não produzimos o suficiente para abastecer o nosso grande mercado interno, e agora começa a cair a produção de leite mostrando a gravidade da situação.



Qual o problema, você pergunta e mostra que na verdade a agonia do nosso setor tem várias causas.



Na minha opinião a relação indústria-produtor é precária, a volatilidade dos preços do leite tira a confiança do produtor e sem confiança, e sem confiança não há investimento se constitui um grande problema, que se não for equacionado não há perspectiva de melhoria do quadro.



Mas ao meu ver há um outro grande problema que é a relação produtor-Banco do Brasil. Falo Banco do Brasil pois na realidade atual para produtor de leite é praticamente impossível obter financiamento de custeio com os recursos obrigatórios em bancos privados.



No Banco do Brasil era possível obter financiamento de custeio para pagamento anual e no mesmo dia a operação de quitar um financiamento e obter um novo financiamento.



Vou dar um exemplo um produtor com um custo operacional de R$ 100.000,00/mês, ou seja R$ 1.200.000,00/ano, que para cobrir estes custos contava com R$ 700.000,00 do próprio negócio e R$ 500.000,00 com financiamento de custeio. Digamos que no dia da quitação ele teria que pagar R$ 530.000,00 ( principal + juros ) e dispunha de apenas R$ 250.000,00 na conta. Como o novo financiamento de custeio, no valor de R$ 500.000,00 era liberado no mesmo dia, do novo R$ 280.000,00 cobria o necessário para quitar o financiamento antigo e R$ 220.000,00 ficavam na conta do produtor.



O que acontecia era que havia o pagamento do principal e do juros do financiamento antigo, o produtor continuava devendo ao banco R$ 500.000,00 de um novo financiamento de custeio, e no fluxo de caixa do produtor a despesa efetiva foi de R$ 30.000,00 relativa ao juros do capital de giro.



Agora essa operação não pode ser mais praticada no banco do Brasil. Precisa quitar o financiamento de custeio anterior para dar início a um novo processo para obtenção de capital de giro, o que demandará no mínimo 20 dias se o banco e o cartório forem ágeis, e se não houver contratempos, como greve de bancário.



E nesse caso o nosso produtor teria que obter R$ 280.000,00 num empréstimo de curto prazo para poder obter o novo financiamento de custeio, Será que ele fará isto ou decidirá para de produzir leite?



Cito este exemplo para mostrar que a relação produtor-banco atual se constitui num agravante para a agonia do setor leiteiro brasileiro e sugerir que as entidades de classe dos produtores, e da própria indústria, tomem providências voltar a prática antiga, mesmo porque não oferecia nenhum risco ao banco.



Marcello de Moura Campos Filho
JAMES CISNANDES JR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/10/2016

Olá Marcelo, muito interessante sua abordagem, relatando verdades sobre a cadeia produtiva do leite. Os produtores com menor qualificação são os mais prejudicados, por não ter alternativas. Ótima contribuição este seu artigo!

Belo Horizonte/MG
JAIR DA SILVA MELLO

IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/10/2016

Parabéns Marcelo, excelente artigo!



As mudanças realmente são grandes, vejo que estamos e continuaremos passando por mudanças estruturais, provavelmente numa velocidade maior.



Estamos criando uma nova geração de produtores, que começa a fazer gestão, sabe seu custo de produção, descobre seus gargalos da atividade e foca em rentabilidade dos fatores de produção (terra, mão de obra e capital).



Entendo que o acesso a informação não é mais limitante ao produtor de leite, se o laticínio não informar, ele tem excelentes sites a disposição, pagos e gratuitos (como exemplo o Milkpoint que tem consistência e confiabilidade),  para acessar diariamente, receber relatórios via celular, etc. Mas concordo que falta uma relação aberta, franca e duradoura entre produtor e laticínio.



Está se criando uma nova geração de produtores, jovens, que estão assumindo e voltando à propriedade, focados na renda e na produtividade e que estão cobrando relações verdadeiras, não admitem mais "picaretagem" na compra do leite. Isso é excelente.



No mercado a oferta e demanda balizam os preços, mas os elos da cadeia precisam de entendimento, não pode subir preço na velocidade que aconteceu, com os laticínios saindo a campo com preços fora da realidade, para atender um mercado de 2-3 meses (UHT). Desestruturam o planejamento da indústria e do produtor, que passa a acreditar que isso é o mercado e começa a leiloar a produção, com promessas de preço por 6 meses, não cumpridas, logicamente. Essa relação de compra de leite, de alguns laticínios que inflacionam o mercado para atender a falta de MP em outros estados e depois achatam o preço e passam a importar, precisa ser repensada pelo produtor. A relação de ganha (laticínio) x perde (produtor) não é duradoura e o produtor "marca na paleta".



Finalizando: defendo o Conseleite, desde que bem representado por todos os elos da Cadeia, com metodologia de cálculo atualizada e representativa, como balizador e informante da perspectiva de preço mensal e tendências a médio prazo.



Abraço.


CARLOS ALBERTO T. ZAMBONI

MOCOCA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 27/10/2016

Prezado Marcelo.

Parabéns pela matéria, como sempre, esclarecedora e instigadora ao debate. Sempre acrescentando ao nosso conhecimento.

Poderia aqui opinar sobre muitas coisas que acho que aprendi nesses 35 anos que estou nessa estrada, mas vou resumir, usurpando e me solidarizando com as colocações do Savio, inteligente e astuto, sobre a Industria e com o Vagner Beskow, pensador e pesquisador dos mais reconhecidos, sobre a Produção e o Produtor de leite.

Assino embaixo. Parabéns a ambos

abs a todos



Zamboni
PAULO CRUZ MARTINS JUNQUEIRA

LEOPOLDINA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/10/2016

Acabemos com o UHT e o mercado vai reagir!