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Limites para o crescimento da produção de alimentos: onde começa a sustentabilidade

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 10/03/2009

7 MIN DE LEITURA

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No final de fevereiro, participei de um workshop na Austrália sobre sustentabilidade na produção leiteira. Foram reunidas quinze pessoas da Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Brasil, que trabalharam durante três dias em sessões de palestras e discussões. Antes de entrar no mérito deste artigo, é importante destacar: i) a importância conferida ao Brasil, incluído nessa discussão junto a pesos-pesados da produção de leite mundial; ii) a relevância da sustentabilidade ambiental como pilar estratégico para o crescimento do setor; iii) a preocupação com o futuro, ainda que o presente apresente condições desfavoráveis em relação aos preços internacionais, reforçando a visão de longo prazo destes países.

A questão ambiental está entrando e vai entrar de forma crescente na agenda da produção agrícola e, em nosso caso, na produção pecuária. A primeira razão para isso, que não discutirei em detalhes neste artigo, refere-se ao uso da água, em especial ao se constatar que 1,7 bilhão de pessoas vive em áreas com escassez de água, número este que tende a crescer, e que 70% do uso da água ocorre na agricultura.

A segunda razão está nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) que contribuem para o aquecimento global. Em 2006, a FAO (Food and Agriculture Organization), publicou o livro Livestock´s Long Shadow, em que alerta que a produção animal é responsável por nada menos do que 18% das emissões de GEE (obs: 36% destas contribuições referem-se a mudanças no uso da terra, principalmente remoção de florestas para transformação em pastagens). Com o Protocolo de Kyoto e outros acordos, muitos países se comprometeram a reduzir as emissões de GEE, e sendo a produção animal em tese responsável por uma fatia considerável das emissões, grande parte das atenções estão se voltando a ela.

Dado esse contexto, os principais países e empresas relacionadas ao setor lácteo estão se mobilizando para i) aumentar o grau de conhecimento a respeito do tema; ii) avaliar a extensão do problema; iii) discutir soluções que venham a viabilizar a exploração animal sob a ótica ambiental; iv) preparar uma rede de proteção e defesa do setor.

O Brasil tem uma situação favorável para lidar com essa questão. Paradoxalmente, a nossa baixa eficiência produtiva oferece uma oportunidade de redução das emissões por litro de leite que os demais países do grupo acima não têm. A razão disto é que, à medida que se intensifica a produção, normalmente há redução da emissão de GEE por litro de leite produzido, ainda que sejam necessárias mais informações que permitam entender mais precisamente essa dinâmica. Desta forma, ao passo que países como os Estados Unidos tem de trabalhar em outras variáveis muitas vezes mais trabalhosas e onerosas para reduzir suas emissões, no Brasil programas e serviços que trabalhem o aumento da produtividade (exemplo: o programa Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste) tendem a oferecer essa solução até como uma externalidade positiva do aumento de eficiência, podendo, em teoria, inclusive comerciar créditos de carbono.

Ocorre que a intensificação e o aumento da produção de alimentos nos remete à terceira e menos comentada razão para que a sustentabilidade seja incorporada de forma prioritária na agenda da agricultura: a possível exaustão dos nutrientes, em especial o fósforo, em um futuro surpreendentemente próximo: segundo um relatório do Rabobank, citado pelo Prof. Julian Cribb no workshop que participei, as jazidas desse mineral durarão mais 80 anos, isso se a demanda não aumentar.

A conjuntura que se descortina, porém, nos faz concluir que a demanda aumentará. A população deverá passar de pouco mais de 6 bilhões para quase 9 bilhões de pessoas em 30 anos. O aumento da renda nos países emergentes fará com que o consumo de alimentos se eleve. Segundo estudo do banco Goldman Sachs, até 2030 serão incorporadas 1,5 bilhão de pessoas à classe média mundial, o que significa 70 milhões de pessoas por ano. Esse fator, aliado ao advento do biodiesel e bioetanol, um dreno extra de grãos, projeta um crescimento de demanda de alimentos de 2,6% ao ano entre 2006 e 2015, contra 1,9% entre 1997 e 2005. Segundo a FAO, a dependência de fertilizantes para produção de alimentos passará 43% do total de nutrientes em 1960 para 84% em 2015. A degradação dos solos em várias regiões do mundo está também atrelada a esse aumento na dependência de fertilizantes.

Além do problema da quantidade de fósforo, a localização das jazidas é outro ponto a se analisar. As principais reservas estão no Marrocos e demais países do Saara Ocidental, na China, nos Estados Unidos e na África do Sul. Dentro desse contexto, é bem possível que, cada vez mais, a propriedade desses ativos será estratégica no contexto econômico e mesmo de segurança alimentar no futuro.

E, apesar da ênfase em fósforo, é importante dizer que o potássio também apresenta riscos de escassez e que haverá pressões crescentes para redução da emissão de gases nitrogenados que afetam o aquecimento global, de forma que é possível dizer que as bases que nortearam a Revolução Verde há algumas décadas precisarão ser repensadas.

É notório lembrar que, apesar desse cenário sombrio, grande parte dos nutrientes hoje é perdida (tabela 1), indicando que, caso houvesse recuperação ou ampla redução de perdas, seria possível em tese alimentar 3 bilhões de pessoas a mais, sugerindo uns dos caminhos a seguir.

Tabela 1. % de nutrientes que são perdidos (Fonte: Cribb, 2009).



Isso quer dizer que a humanidade é bastante ineficiente no que se refere a consumir e reciclar aquilo que produz. A percepção crescente de que os nutrientes são finitos e que as alterações antropogênicas na Terra não poderão ser realizadas ad eternum sem que ocorram impactos que coloquem em risco à própria viabilidade da vida no planeta, tem gerado uma mudança de comportamento notadamente nos países da OCDE (bloco desenvolvido). O Prof. Ricardo Abramovay, da FEA/USP, publicou no jornal Valor Econômico de 6/3 um artigo em que escreve:

"É notável o avanço de vários países da OCDE na formulação deste problema. Os termos decisivos são descasamento ou desligamento (decoupling, delinking): eles sinalizam para a quebra do vínculo entre crescimento econômico e uso dos recursos. Isso supõe o estabelecimento de uma contabilidade dos fluxos de insumos e detritos que se encontram não somente nos processos produtivos, mas também no consumo. Além da famosa (e muito criticada) pegada ecológica, existe hoje um conjunto amplo de indicadores e de institutos de pesquisa voltados a conhecer de perto as bases materiais e energéticas em que repousam o funcionamento da sociedade".

E conclui:

"A liderança mundial dos próximos anos não estará nas mãos dos países que vão crescer, vencer a pobreza e reduzir a desigualdade, e sim daqueles que conseguirem fazê-lo modificando o conteúdo material e energético da vida econômica. O que supõe não o mimetismo de acreditar que petróleo, biocombustíveis para motores a combustão interna e grandes obras para exportação formam o caminho do futuro, e sim a transição para sistemas produtivos que preservem o patrimônio natural, se apoiem no consumo cada vez menor de matéria e energia e valorizem a biodiversidade".

Essa nova realidade que se instala deverá abrir espaço para iniciativas e novos negócios cujo valor estará justamente na preservação e na eficiência de uso dos recursos, seja pela implantação de sistemas inteligentes que reduzam as perdas, seja por processos de reciclagem. Não por acaso a IBM lançou recentemente um novo posicionamento de mercado em que explica que seus sistemas inteligentes de gestão de energia, água e trânsito resultam em economia de recursos naturais (veja o site mundial da IBM - www.ibm.com - o tema está com destaque na Homepage).

Na área agrícola, será necessária uma nova Revolução Verde, porém baseada na engenharia genética, desenvolvendo plantas mais resistentes; na microbiologia do solo, desenvolvendo bactérias que reduzam as perdas de nutrientes; no aprimoramento de sistemas de produção que utilizem menos insumos externos e sejam economicamente sustentáveis; ma agricultura e pecuária de precisão, utilizando insumos de forma mais eficiente e racional.

No caso do Brasil e da produção pecuária em especial, sistemas silvopastoris são promissores ao permitir uma série de benefícios totalmente alinhados a esse novo contexto:

(fonte: adaptado de Pedro Arcuri, Embrapa Gado de Leite, 2008)

Pode parecer inadequado comentar a respeito de tendências de longo prazo e de novos itens na agenda agrícola e pecuária mundial em um momento de preços deprimidos e incertezas no curto prazo. No entanto, é extremamente necessário que essas premissas que se avizinham sejam logo conhecidas, permitindo que nos preparemos a tempo. O Brasil está em uma posição favorável para liderar esse processo e estará naturalmente nos holofotes por ser o país com maior potencial de crescimento na produção de alimentos. É imperativo que sejam investidos recursos para pesquisas que contemplem o desenvolvimento de sistemas de produção economica e ambientalmente viáveis, além da percepção imediata de toda a cadeia produtiva a respeito dessa nova conjuntura.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/03/2009

Está ótimo e é muito pertinente o seu artigo Marcelo.
Minha modesta contribuição vem da experiência de 25 anos em confinamento de bovinos. Vimos no congresso sobre meio ambiente em que estivemos juntos na Escócia em 2007 a importância do melhor padrão de fermentação de dietas intensivas para bovinos, no que se refere à emissão de gases de efeito estufa, comparado ao de dietas exclusivas de pastagens.

Também é muito claro o benefício de sistemas mais intensivos "por hectare" quanto aos bens finitos - terra e água - por litro produzido.

Quero porém citar o enorme potencial que temos em sub-produtos da agroindústria nestas dietas. A polpa cítrica não serve para o ser humano, aves ou suínos, não compete com produção de grãos por ser um sub-produto do suco cítrico e é excelente fonte de energia para ruminantes. Da mesma forma cito o farelo de algodão, refinasil de milho, cevada, casca de soja e tantos outros ingredientes com os quais podemos equlibrar até 100% de uma dieta bovina sem qualquer interferência com a demanda agrícola destinada à alimentação do ser humano e muitas vezes sequer se prestam ao consumo de monogástricos.

Desnecessário mencionar a enorme economia de áreas florestadas e água se nossa produção de leite fosse mais intensiva por hectare. A distância do consumidor também torna-se importante ítem neste aspecto: enquanto nos distanciamos dos grandes centros, o custo energético e ambiental do transporte ganha importância relativa.

Cumprimento você pelo tema escolhido e apresento minha clara preferência pela intensificação da atividade à média distância do centro consumidor, principalmente se acompanhada por um sistema eficiente e inteligente de reuso dos efluentes.

<b>Resposta do autor:</b>

Olá Roberto,

Obrigado pelo comentário, com certeza bastante pertinente.

Esse tema vai crescer muito nos próximos anos; lá fora o assunto já é realidade, como vimos no evento em Edimburgo. Não vai mais ser possível desenvolver a atividade sem considerar as questões ambientais.

Pelo que tenho acompanhado (e também não sou especialista nisso), a intensificação é a melhor maneira de reduzir as emissões de gases de efeito estufa por litro de leite. Nesse ponto, temos um enorme trunfo como país: nossa baixa produtividade permite uma melhoria na eficiência desse parâmetro, coisa que países com alta produtividade não conseguem. Basta a elevação da produtividade.

Porém, há a questão do uso de recursos finitos, como é o caso dos fertilizantes. Assim, o outro lado da moeda da redução da emissão de gases de efeito estufa via intensificação é o uso crescente de recursos como o fósforo. Acredito que haverá o desenvolvimento de sistemas não tão intensivos, mas suficientemente produtivos, com uso racional de insumos. Sistemas silvopastoris seriam uma alternativa a ser desenvolvida, especialmente em áreas mais declivosas, não apropriadas para a agricultura e que apresentam a possibilidade de transformação de celulose em proteínas nobres, pouco competitindo com grãos.

É difícil ainda saber que modelos serão dominantes, ainda estamos na fase de "várias verdades possíveis". Acho que estamos em um ponto de mudança; uma nova Revolução Verde virá, baseada na engenharia genética, na microbiologia, na reciclagem, etc.

Abraço,

Marcelo
CECILIA BERNARDI

TUCUNDUVA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/03/2009

Que bom, Marcelo, que comece a discutir a sustentabilidade. Participo a 20 anos de grupos de trabalho que discutem intensamente a sustentabilidade. É um tema espinhoso e de difícil compreensão. Quero discordar somente da idéia de que a engenharia genética ou microbiologia vai trazer grandes resultados para um problema que precisa de um outro conceito de agricultura. Só um conjunto de técnicas pontuais não vai resolver. Prefiro tratar do quadro que a Embrapa desenvolve da integração da silvicultura junto com a pecuária de leite.

Entendo que em regiões quentes, de sol excessivo, como é o nosso caso do Brasil, desperdiçamos energia do sol para crescimento das plantas e prejudicamos os animais que ficam expostos neste sol escaldante o dia inteiro. Sugiro que o site dedique mais espaço para debater esta modalidade, a partir deste resumo exposto, e difundir entre os leitores. Na argentina há várias experiências desta modalidade.

<b>Resposta do autor:</b>

Olá Cecília,

Obrigado pela mensagem e pelos comentários, que me permitem colocar melhor meu ponto de vista. Concordo com você que a engenharia genética não é a resposta. Acho, porém, que ela será um componente com algum grau de importância nessa questão, certamente não o principal, que deverá vir pela mudança conceitual que você mencionou.

Um abraço,

Marcelo
VARLON SANTOS PORTO

CARIACICA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/03/2009

Muito bom Marcelo, bom saber que tudo que os ambientalistas vem dizendo (e ignorado há anos) vem sendo agora discutidos por países que até então só pensavam no crescimento a qualquer custo, mesmo no Brasil a maioria nunca pensou em sustentabilidade na produção, exemplo disto em uma matéria do Globo Rural (15/03) quando perguntado se o produtor acreditaria se a propriedade poderia valer mais caso tivesse cobertura florestal dentro da lei, ele respondeu "só tem valor se fosse para esse pessoal que vive abraçando árvores, para o produtor não tem valor". Que pena, ele não sabe que dependemos muito mais da floresta do que somos capazes de imaginar, mas... Valeu!
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/03/2009

Caro Marcelo,
Parabens por sua participação no workshop sobre sustentabilidade da produção leiteira, realizado na Austrália, e por seu artigo que nos leva ao cerne da questão relativa à produção de alimentos e preservação ambiental.

É extremamente preocupante a população do planeta passar dos atuais 6 bilhões para 9 bilhões de habitantes nos próximos 30 anos, o que, mesmo desconsiderando aumento de consumo por melhoria de renda, exigirá um enorme esforço na produção de alimentos. Essa preocupação é agravada pela limitação de água, fósforo e nutrientes, fatores naturalmente envolvidos na produção intensiva de alimentos.

Há quem diga que no sentido de preservação do meio ambiente deveria ser exigida licença ambiental para ter filhos. Naturalmente que isso seria muito radical, mas é preciso encarar com mais seriedade e responsabilidade a questão da limitação da natalidade, posto que o desenvolvimento de novas tecnologias para produção intensiva de alimentos, embora seja condição necessária, não é suficiente para preservar o futuro da vida na terra.

Concordo com você que o Brasil tem uma situação mais favorável para lidar com a questão da necessidade de produzir alimentos de forma intensiva em equilibrio com a necessidade de preservação ambiental. Mas para que isso possa se concretizar penso que temos que:

1) Ter o enterndimento e incentivo dos elos mais fortes da cadeia produtiva, geralmente dominados por grandes empresas, em grande parte multinacionais, pois a produção agropecuária é o elo mais fraco e não tem como tomar essa iniciativa isoladamente;
2) vencer a falta de comprometimento da classe política e de nossos governantes com a necessidade de assegurar o equilibrio entre a necessidade de produção intensiva de alimentos e a necessidade de preservação ambiental;
3) vencer a desinformação, preconceitos, posições emocionais e ideológicas existentes nos vários segmentos da sociedade que não permitem o entendimento necessário para que possamos ter um caminho seguro para equilibrar e garantir a sustentabilidade das necessidades de produção intensiva de alimentos e preservação do meio ambiente.

Espero que Deus ilumine a todos os envolvidos na solução dessa questão, para que as dificuldades sejam vencidas e que o futuro de nossos filhos e netos não fique comprometido pela fome e degradação do meio ambiente.

Abraço
Marcello de Moura Campos Filho
FLÁVIO AUGUSTO SOARES GRAÇA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/03/2009

Prezado Marcelo,

Você está certo. Nós brasileiros temos que enxergar as oportunidades frente às facilidades. Só a tecnologia aplicada de forma racional poderá elevar a nossa produtividade. O que observamos hoje no Brasil é um verdadeiro desperdício de recursos naturais.

Flávio Graça
Presidente da Associação de Buiatria do Estado do Rio de Janeiro
WALDIR JOSÉ CAMARA FURQUIM

CORDISLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/03/2009

Prezado Dr. Marcelo.

Parabens pelo editorial. Sem dúvida o produtor rural poderá contribuir em muito para o aumento da produtividade poupando o meio ambiente. A extenção rural poderá contribuir com maior intensidade.
Precisamos produzir composto orgânico. Já o fiz bastante quando tentei produzir café orgânico. Caso alguem interesse poderei fornecer a metodologia utilizada.

Um m³ de composto equivale aproximadamente 16 Kg de Sulfato de amônio, mais 8,6 Kg de Super Simples(p2O5), mais 2,4 Kg Cloreto de Potássio(KCl). Ressalte-se o efeito residual ou seja: material orgânico que fica enriquecendo o solo.

Pretendo também captar e canalizar água de uma mina no mato para abastecer o gado na parte alta dos pastos, com uso de boia em todas os bebedouros. Com isto viabilizarei a formação de matas ciliares. Obviamente farei isto com a necessária aprovação das autoridades competentes.

Obrigado.
Waldir Furquim
RENATO CALIXTO SALIBA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/03/2009

Marcelo, gostaria de dizer que o maior problema que enfrentamos há muito tempo é que a maioria das propriedades não usa ou não sabe como usar a tecnologia hoje já existente e que poderia aproveitar com muito mais eficiência e eficácia os recursos de todas as especies, seja mineral, vegetal, etc. Temos a tecnologia através da Embrapa, Emater e demais órgãos de pesquisa desse pais, mas sempre faltam técnicos que transmitam esses conhecimentos aos micro, pequenos, médios e por que não dizer a alguns grandes produtores.

Precisamos urgentemente transferir essas tecnologias disponíveis aos produtores e com certeza já teríamos uma economia fantástica dos recursos que cada vez estão mais escassos.
L. FERREIRA DE AGUIAR

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/03/2009

Parabéns Sr. Marcelo.

Esse editorial é brilhante e deixa tudo bem esclarecido. É muito bom saber que países grandes produtores reconheçam a importância do Brasil no contexto mundial. Pena que nossos governantes atuais não deem o mesmo valor ao agronegócio brasileiro, e faz tanto terrorismo financiando invasões de propriedades produtivas, dando apoio financeiro a grupos autointitulados movimentos sociais. O agronegócio brasileiro tem demonstrado muito dinamismo e competência, mesmo sendo o país o segundo em desenvolvimento mais afetado pela atual crise mundial, com a contração do PIB e insistência em continuar sendo o paraíso dos banqueiros (a agiotagem oficial), com as taxas de juros mais altas do mundo.

Temos visto no campo muita coragem e vontade de trabalhar. O Brasil tem tudo para ser o maior produtor mundial de alimentos sem destruir a natureza. Enquanto preservamos mais de sessenta por cento de nossas florestas, países da Europa destruíram noventa e nove por cento. Isso nos deixa em grande vantagem, porque podemos aumentar muito nossa produção preservando nossos recursos naturais. Para isso basta investir em tecnologia. Nossos índices de produção são muito menores que de outros países. Nossa produção por hectare, não só na produção de leite e carne, mas também em todo setor agrícola, é muito menor que o de outros países. Basta ter uma política agrícola com crédito e garantia de preços que recuperando pastagens degradadas conseguiremos aumentar nossa produção, sem desmatar um hectare a mais.

Quanto à questão de animais serem responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa, pode ser facilmente resolvido com o aumento da produtividade por animal e por hectare, com uso da engenharia genética no melhoramento animal e de pastagens, e a desmistificação do consumo de alimentos transgênicos. O maior problema será a Índia, onde a vaca é um animal sagrado e tem o maior rebanho bovino do mundo. Quanto à questão dos fertilizantes acho que será um problema para as futuras gerações. Existem grandes jazidas não exploradas no município de Patrocínio-MG, Araxá e Patos de Minas e também em outras regiões. Os benefícios das leguminosas são muito pouco conhecidos. O aproveitamento do esterco de gado pelas suas dificuldades e falta de máquinas próprias, é muito pequeno em quase todas as propriedades.

Falta conhecimento e cabe ao governo incentivar e difundir novas tecnologias, como foi feito na década de setenta, quando houve uma verdadeira revolução com a difusão de tecnologia, que tornou viável a produção de alimento nas regiões de cerrado. Plagiando alguém por ai, acho que chega de marola: estamos precisando de menos conversa e mais ação.

Lucas F. Aguiar
ERNANI PAULINO DO LAGO

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 11/03/2009

Parábens Marcelo!
É muito oportuno e inadiável que se acenda esta discussão entre todos relacionados à cadeia do leite.
Gostaria que desse continuidade ao tema. Achei muito interesante todos aspectos apontados, inclusive o conceito de "descasamento ou desligamento (decoupling, delinking), sinalizado como a quebra do vínculo entre crescimento econômico e uso dos recursos".

Grande abraço,
Ernani
AFONSO VOLTAN

JALES - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/03/2009

Excelente o artigo. Parabéns. Somente a pesquisa científica poderá encontrar as respostas necessárias sobre como utilizar correta e eficientemente os recursos necessários para a sustentabilidade da produção agropecuária, mas a partir daí, a sociedade é que deverá estabelecer, sem discussões e paixões extremadas, aquilo que deverá ser produzido para atender as suas demandas alimentares e de bem estar.

Será muito interessante acompanhar as discussões sobre a correta utilização dos finitos fertilizantes: alimentos ou energia "renovável"?
LUIZ PITOMBO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 10/03/2009

É isso aí Marcelo!

É preciso, e possível, crescer mais desperdiçando menos. Como somos, em geral, grandes esbanjadores de tudo, a produção nacional pode aprender mais e avançar muito! Só não se pode é bobear, não assimilar os novos paradigmas que já estão aí movimentando produtores, empresas e países.

Um abraço e continue antenado!

Luiz Pitombo
HELVECIO OLIVEIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 10/03/2009

Parabéns Marcelo por representar nosso País, fato que demonstra a visibilidade do MilkPoint, um mérito de vocês. Aliás nosso Brasil visto por todos, pouco visto por nossos governantes que acabam de lançar relatório mostrando o fiasco do PAC; por enquanto só aumento de gastos públicos.

Gosto sobretudo do cunho realista ao qual você volta no fim de sua abordagem. Isso espelha uma postura que todos envolvidos nessa cadeia querem ver.
Quanto às soluções, você mesmo diz que muita água tem de rolar ainda, mas sempre é tempo de despertar.

Forte abraço, Helvécio.
MilkPoint AgriPoint