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Laticínios mais próximos dos produtores

 Na última segunda-feira atendi a uma solicitação de palestra pouco usual. Fui falar sobre o MilkPoint e sobre a minha rotina de trabalho, enfocando nossa experiência com a internet, no Seminário sobre Comunicação promovido pela Itambé.

O evento contou com a presença de diversas das 31 cooperativas associadas, bem como o pessoal interno da empresa, relacionado a comunicação. Além de mim, deram palestras José Ricardo Rodrigues, presidente da Zimbabue Comunicação, e Nelson Rentero, editor da revista Balde Branco.

É interessante que um laticínio coloque ênfase na questão da comunicação, seja interna, seja externa. Em um ambiente em que a informação flui de todos os lados e produzida por qualquer pessoa, é fundamental saber posicionar-se bem. As empresas que souberem lidar com essa realidade a princípio caótica, com transparência e reconhecendo que o melhor é jogar de acordo com as regras desse novo jogo, sairá na frente.

Parece haver algo de novo na relação produtor-indústria. A BR Foods investe em seu Clube do Produtor. Na semana passada, participei de um evento da DPA no Rio Grande do Sul, com a presença de cerca de 1000 pessoas. Aproximação do produtor e maior cuidado com a comunicação são sintomas de que os laticínios, sejam cooperativas ou não, estão olhando mais para sua cadeia de fornecido, como possível fonte de vantagem competitiva e, claro, de crescimento.

O que está por trás disso? Acredito que um dos fatores é a necessidade de garantir um suprimento de matéria-prima de qualidade e em quantidade crescente, permitindo realizar os planos que envolvem crescimento das empresas. É válido lembrar que o setor vem passando por um processo de investimentos e consolidação e, apesar de alguns acidentes de percurso envolvendo aquisições, o fato é que esse processo continuará e a garantia de suprimento constante (e crescente) será fundamental para definir quais serão os vencedores dessa corrida.

Acho, também, que isso é uma herança da Integralat, a empresa da Laep (acionista também da Parmalat) que lançou com grande estardalhaço a ideia da integração vertical no leite, como ocorre com a avicultura e a suinocultura. Viável ou não o projeto, o fato é que percebeu-se que havia espaço para ganhos de eficiência na captação de leite, reduzindo custos de produção. À medida que a extensão rural oficial se via em dificuldades crescentes, o produtor foi ficando quase que largado à própria sorte (ou possibilidades). Falando de Brasil, os esforços de laticínios e cooperativas em se envolver e de fato contribuir para o aperfeiçoamento de sua rede de fornecedores tem sido muito modesta, e a simples possibilidade de se lançar um projeto como o da Integralat expôs isso.
É interessante acompanharmos o desenrolar desses esforços, mas é de se esperar que os laticínios busquem cada vez mais a fidelização de seus produtores. Antes que me esqueça, a redução dos riscos em relação à qualidade do leite – principalmente após o escândalo da melamina na China – também deve ter sua ponta de contribuição nesse novo movimento.

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