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Impressões sobre nosso workshop sobre tendências de mercado

Na sexta-feira passada, dia 6, durante a Feileite, realizamos um Workshop sobre Tendências de Mercado, com foco na competitividade da cadeia.

Procuramos reunir lideranças, mas também abrir espaço para pessoas com visões diferentes das convencionais, entre eles dois ativos participantes do MilkPoint: o produtor José Humberto Alves dos Santos e o trader Otávio Farias. Foi uma tentativa (bem sucedida, a meu ver) de não contar apenas com as mesmas opiniões, mas sim de promover visões divergentes, com o intuito de acrescentar ao debate.

Na parte da manhã, fiz uma provocação inicial (clique aqui para ver a apresentação no Slideshare), mostrando os desafios que, em minha opinião, temos no setor. Depois o pesquisador Airton Spies, da Epagri, fez mais uma vez uma ótima e provocativa palestra sobre o leite da Nova Zelândia (Spies já esteve presente nas duas últimas edições do Interleite), seguido do Prof. Fábio Chaddad, que nos ofereceu um belo framework a respeito da organização do setor, principalmente em comparação com outros setores e com o leite de outros países.

Para ele, o setor é ainda muito pouco concentrado, tanto na produção como na indústria, e a tendência é a aceleração na concentração industrial (“o processo mal começou”, disse). Chaddad, que é especialista em cooperativismo, foi bastante enfático ao dizer que, em diversos países, o produtor controla a produção através do cooperativismo forte.

Ele não vê incompatibilidade entre o leite concentrado nas cooperativas e as grandes empresas: “a Dean Foods, maior laticínio dos EUA, tem apenas um único fornecedor de leite, a Dairy Farmers of America, mais cooperativa do país”.

De fato, pensando bem, porque uma grande empresa, que agrega valor e na qual o leite é cada vez uma parcela menor dos custos, deverá gastar energia captando o próprio leite e se envolvendo em tudo aquilo que engloba a captação de leite? Não seria mais produtivo para todos terceirizar essa produção para uma cooperativa, reduzindo os custos de transação? É para pensar.

Chaddad apontou também a crescente volatilidade do mercado internacional de lácteos e questionou: "O Brasil vai querer participar desse jogo"? 

À tarde, tivemos exposições do Cicero Hegg, diretor da Tirolez, René Machado, da DPA, e Jacques Gontijo, da Itambé, seguidas de um debate que contou com a presença de Rodrigo Alvim, da CNA, Vicente Nogueira, da CBCL e do Otávio e José Humberto, já citados.

Questões relevantes foram levantadas, em alguns casos em alta temperatura, compatível com o ambiente do evento, que sofreu com a climatização insuficiente para um dia muito quente de primavera.

O principal conflito de ideias se deu no campo do comércio internacional. Enquanto Rodrigo Alvim, Vicente Nogueira e Jacques Gontijo mostravam preocupação em preservar a produção interna através de medidas de defesa comercial, como vem ocorrendo em diversos países, Airton Spies, Cicero Hegg e, principalmente, Otávio Farias defendiam que o país deveria depender menos de ajuda governamental nesse sentido.  

A princípio, parece que estamos em meio a discussões infindáveis, que nada agregarão em termos de soluções. Discordo. Acho que estamos em um processo de transição, de diferenciação, e que em 5 anos a cadeia do leite vai ser muito distinta. Acredito que teremos um rápido processo de consolidação industrial; acredito que com menos indústrias e cooperativas, teremos condições de criar uma agenda mais positiva em relação a ações pré-competitivas, pagamento por qualidade, etc. Enquanto tivermos centenas de indústrias, fica bastante difícil focar as questões de longo prazo. Uma coisa é certa: teremos muitas mudanças nos próximos 5 anos.

Vale registrar aqui duas posturas importantes de dois dos principais laticínios. Tanto DPA quanto Itambé se mostram bem mais dispostas a discutir questões setoriais do que antes (e aqui meus parabéns ao Jacques e ao René). Minha impressão é que estes laticínios entendem que pouco adianta sua estratégia ser excelente ou sua execução ser eficiente, se ambas esbarram nas limitações setoriais. Dois outros grandes players, BR Foods e Bom Gosto, patrocinaram o evento, talvez uma evidência de que também caminharão nesse sentido. É fundamental que os líderes tenham posturas mais pró-ativas; são eles que puxarão a fila.

De resto, acho que as 250 pessoas que participaram do evento puderam presenciar um debate aberto e de ótimo nível técnico. Ao final, veio um cidadão me dizer que estava pensando em se tornar produtor de leite e que, após aquele dia, tinha se decidido: aprendera muito e ficara bastante otimista com as possibilidades.

E, para mim, ficou provado que evento em São Paulo é mesmo complicado: fosse em Minas, Goiás, Paraná, etc…uma temática dessas teria atraído mais de 500 pessoas.

A constatação vale também para a Feileite: mudou-se o nome (da antiga Expomilk), mas a realidade é que a cidade de São Paulo deixou há muito de ser o local de concentração da pecuária de leite que cresce no país. O leite merece uma feira forte, em um local mais dinâmico e mais amigável (e barato) do que a cidade de São Paulo. 

E, ainda por cima, durante o evento, roubaram meu notebook, um MacBook Pro novo em folha, com 15 dias de uso…

PS: ouvi dizer que os Estados Unidos estão analisando a possibilidade de sair do mercado internacional, focando no mercado interno e inclusive implantando cotas de produção, as mesmas que a União Europeia planeja retirar em 2015…ou seja, podem virar um Canadá, o país mais protecionista em lácteos. Parece que o pêndulo liberalizante está voltando para o outro lado, de protecionismo. Mas dificilmente passa no Congresso.

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