Quando boa parte do setor já não acreditava na assinatura das novas normas pelo ministro Pratini, posivelmente em final de mandato, eis que, finalmente, houve a sanção pelo Ministério da Agricultura, restando a publicação no Diário Oficial da União, o que será feito na semana que vem. O ato formal foi realizado no sábado(14/09) na Cooperativa Agropecuária de Nova Petrópolis (Cooperativa Piá, no Rio Grande do Sul).
Desde a audiência pública de 30 de abril, quando os grupos contrários ao texto que seria aprovado tiveram a oportunidade - e obtiveram sucesso nisso - de propor as alterações que consideravam necessárias, não havia, ao menos aparentemente, razão para a não assinatura por parte do Ministro. Tanto isso é verdade que, desde aquela data, cessaram os protestos em relação à Portaria 56, ou seja, dentro do setor produtivo parecia já haver um certo consenso de que, com as modificações propostas em 30/04, o texto agradava (ou ao menos não desagradava tanto) a todos.
A aprovação das normas vêm em uma hora interessante do ponto de vista político, às vésperas das eleições majoritárias no país. Sob a gestão de Pratini de Moraes, não há dúvida, o agronegócio ganhou mais força e espaço na mídia, sendo mais reconhecido como uma atividade economica e socialmente importante para o país, em especial em relação aos produtos de exportação, que geram divisas em dólar. Até episódios negativos, como a disputa comercial com o Canadá, em função da proibição das exportações de carne brasileira para esse país, tiveram um desfecho positivo, com atuação rápida do Ministério. O leite, no entanto, parecia fadado a permanecer sem grandes mudanças por mais esta gestão, o que não seria certamente interessante em se tratando de um eleitorado potencial de alguns milhões de pessoas, que já havia chegado em um consenso e que cujas lideranças se mostravam cada vez mais atuantes em fazer valer os interesses do setor.
A vigoração somente a partir de 2005, se desagrada a muitos por se tratar de um prazo por demais extenso, por outro lado permite que o setor se prepare e, mais do que isso, que todos acompanhemos de perto a implantação de mudanças necessárias para que a nova legislação gere os benefícios que dela tanto se esperam.
No entanto, é importante que se diga que as normas, por si só, não garantem futuro mais tranqüilo para o produtor de leite, mesmo especializado, embora certamente favoreçam a aquisição de matéria-prima de melhor qualidade pela indústria. É preciso que se continue a discutir as questões estruturais que afetam o setor, e as lideranças parecem atentas a essa realidade. A aprovação das normas pode finalmente destravar outras discussões importantes que, pelo fato da demora na aprovação da legislação e de um certo descrédito de que isso fosse mesmo ocorrer, acabaram ficando em segundo plano por um longo tempo.
Enfim, as novas normas de qualidade
Houve a sanção de novas normas pelo Ministério da Agricultura, restando a publicação no Diário Oficial da União, o que será feito na semana que vem. Saiba mais!
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MASSARU KASHIWAGI
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 18/09/2002
Caro Marcelo,
Gostaria de deixar registrado que se o Ministro Pratini foi um ministro
competente para a agricultura, no que diz respeito à pecuária de leite, ele foi, na melhor das hipóteses, simplesmente omisso. Para citar um exemplo, ele retardou por dois anos a assinatura da portaria 56, agora finalmente assinada.
O produtor tecnificado, que investiu fortemente na produção de leite de qualidade, não foi valorizado, sentiu-se prejudicado, por ter feito os investimentos. As possibilidades de exportação de nossa produção foram
retardadas por falta dessas normas de qualidade. E todos nós sabemos dos
motivos desse retardamento!
Finalmente, antes tarde do que nunca, mas não devemos acreditar que somente a portaria 56, agora assinada, vai resolver nossos problemas.
Gostaria de deixar registrado que se o Ministro Pratini foi um ministro
competente para a agricultura, no que diz respeito à pecuária de leite, ele foi, na melhor das hipóteses, simplesmente omisso. Para citar um exemplo, ele retardou por dois anos a assinatura da portaria 56, agora finalmente assinada.
O produtor tecnificado, que investiu fortemente na produção de leite de qualidade, não foi valorizado, sentiu-se prejudicado, por ter feito os investimentos. As possibilidades de exportação de nossa produção foram
retardadas por falta dessas normas de qualidade. E todos nós sabemos dos
motivos desse retardamento!
Finalmente, antes tarde do que nunca, mas não devemos acreditar que somente a portaria 56, agora assinada, vai resolver nossos problemas.