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Diagnóstico do leite em Goiás: a realidade continua a mesma

No último dia 08 foram divulgados os resultados do Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Leite de Goiás, realizado pela FAEG (Federação da Agricultura do Estado de Goiás) e coordenado pelo Prof. Sebastião Teixeira Gomes, da Universidade de Viçosa. (Veja o documento na íntegra).

O trabalho é de grande valia para compreendermos um pouco mais como a produção de leite está estruturada na região e, acredito, sirva também para outros estados do Centro-Oeste e do Sudeste, visto que as condições de produção são semelhantes (inclusive esse Diagnóstico chegou a conclusões bem próximas ao realizado em MG em 2005).

Os dados apresentados não impressionam por si, visto que, de certa forma, chegam a conclusões já esperadas. Porém, certamente impressionam ao permitir uma caracterização da atividade que está longe daquilo que poderia se esperar, quando se pensa em uma cadeia de produção que em tese se moderniza.

A atividade é caracterizada pela assimetria: 68,4% dos produtores amostrados produzem menos de 200 litros por dia e são responsáveis (cálculos meus) por 25,7% do leite, ao passo que 9% dos produtores produzem mais de 500 litros/dia e respondem por 47% do leite (Tabela 1).

Tabela 1. Distribuição dos produtores de acordo com o número e volume produzido (amostra de 500 produtores).



Em média, o produtor goiano (amostragem de 500 produtores) produz 245 litros/dia, sendo o capital médio investido de R$ 786.594,00, com 74,67% em terra, o que caracteriza um sistema extensivo de produção.

O nível tecnológico é, em geral, baixo. Pouco mais de 30% fazem controle leiteiro; 69,3% não utilizam caneca de fundo telado para diagnóstico de mastite; 20% ainda não resfriam o leite; dos que resfriam, 60% o fazem em tanques coletivos. Mais de 40% dos reprodutores são zebuínos puros - sendo o principal, com 27% dos casos, touros Nelore; a produtividade por área e por animal é muito baixa (2.102 litros/hectare/ano e 8,17 kg/vaca/dia).
E por aí vai.

Nota-se, também, que há diferenças claras entre os módulos de produção: até 200 litros, os produtores utilizam quase que exclusivamente mão-de-obra familiar, têm baixo nível educacional e tecnológico, não recebem assistência técnica, têm menor produtividade, usam menos insumos e têm menor produtividade da mão-de-obra. Basicamente, sobrevivem, ou tentam. Acima de 500 litros e, especialmente, acima de 1000 litros, os dados vão melhorando. Entre 200 e 500 litros/dia, há uma transição: hora se assemelham aos produtores de menos de 200 litros/dia, hora caracterizam-se mais como produtores de mais de 500 litros.

Como outros trabalhos já realizados, a maior parte dos produtores não cobre os custos totais de produção (tabela 2) e, quando cobrem, a margem é pequena e bastante inferior ao rendimento obtido pela poupança (apenas produtores acima de 500 litros/dia têm lucro). Em geral, são cobertos apenas os custos operacionais efetivos, isto é, o desembolso de caixa, sem contabilizar a mão-de-obra familiar e a depreciação. Isso quer dizer que i) o produtor se sujeita a trabalhar por um valor menor do que o custo de oportunidade de seu trabalho, e ii) no longo prazo, será forçado a deixar a atividade por não cobrir os custos totais de produção.

Vale dizer que o trabalho compreendeu o período entre julho de 2008 e junho de 2009, em que os preços se mantiveram baixos por boa parte do tempo.

Tabela 2. Preço por litro, Custo Operacional Efetivo (COE), Custo Operacional Total (COT), Taxa de Remuneração excluindo Terra (RCST) e Taxa de Remuneração incluindo Terra (RCCT).



Torsten Hemme, do IFCN, que analisa custos de produção de diversas fazendas ao redor do mundo, constatou que menos de 2% do leite pode ser produzido ao custo comparável a US$ 2.000/tonelada de leite em pó, vigentes no mercado internacional no início do ano.

Porém, a conta não é tão simples assim. O mundo tem cerca de 145 milhões de fazendas de leite, sendo 75% delas tipicamente de subsistência, produzindo 30 a 40% do leite, talvez parecidas com os produtores de menos de 50 litros por dia de Goiás. Outros 24% são tipicamente familiares, sendo responsáveis por 40 a 50% do leite mundial. Encontram-se nessa categoria, por exemplo, a maior parte dos produtores da Europa. Apenas 0,4% das propriedades são encaradas como um negócio, e respondem por 10 a 20% do leite mundial.

Torsten colocou um aspecto interessante: os produtores europeus estão entrando em greve. Ora, quem entra em greve são os funcionários, não os empresários. O produtor europeu, no geral, vê sua atividade muito mais como a obtenção de uma renda mensal, do que como um negócio que precisa dar lucro. Se essa renda se torna insuficiente, entra-se em greve.

Em função dessa caracterização mundial da atividade, mesmo com preços aparentemente inviáveis, a produção se mantém, pois estão sendo cobertos os custos operacionais, assim como ocorreu no trabalho de Goiás. Nesse sentido, Goiás é um retrato do mundo e da atividade leiteira: da porteira para dentro, mais uma alternativa de sobrevivência, até por falta de outras opções, do que um negócio. Da porteira para fora, isso evidentemente muda.

Ao serem questionados sobre as razões de permanecer na atividade, essa realidade fica mais clara. Dos produtores com até 50 litros diários, 53,5% está na atividade por permitir uma renda mensal, ao passo que 13,4% afirmam que a região não permite outra atividade (tabela 3). No agregado, apenas 4,4% afirmam se tratar de um negócio lucrativo, enquanto 51,0% colocam que a questão da renda mensal é o principal aspecto. Ainda, 14,5% dizem que a razão é a tradição familiar (principalmente entre os acima de 1000 litros por dia).

É válido lembrar - e importante refletir sobre isso - que, como o número de pequenos produtores é muito grande, todas as análises agregadas são influenciadas pelas suas respostas, o que não caracteriza necessariamente que o leite produzido siga os mesmos padrões, visto que, como mostra a tabela 1, um número relativamente pequeno de "grandes" produtores produz a maior parte do leite.

Tabela 3. Razão pela qual o entrevistado produz leite.



Esse perfil é sustentável? Provavelmente não, mas durará mais algum tempo, talvez até a geração seguinte. Cerca de 33% dos entrevistados indicam que os filhos deixarão o meio rural, ou seja, não haverá sucessão. E essa % foi semelhante em todos os extratos, sendo a menor - 27,2% para os produtores entre 200 e 500 litros e a maior - 39,5% entre aqueles com menos de 50 litros/dia. Aliás, o fato do número de produtores com menos de 50 litros/dia já ser menor do que os que estão entre 50 e 200 litros indica que provavelmente o módulo mínimo que permite sobrevivência já está nessa faixa e não na primeira.

Voltando à questão anterior, apenas 42,5% dos produtores afirmam que os filhos continuarão com a atividade (15,1% trocarão de atividade e 9,0% venderão a propriedade, além dos que deixarão o meio rural, já mencionados acima).

Este trabalho retrata uma realidade pontual. Seria interessante termos uma análise temporal para encontrar respostas sobre as tendências. Exemplo: qual é o perfil do produtor que aumenta sua produção, isto é, será que, embora sendo uma atividade marcada pela produção de subsistência ou pouco mais do que isso, cada vez mais o leite, em quantidade, está sendo produzido por um produtor que responde mais à tecnologia e que não está tão à margem do processo, ainda que esteja longe de ser um exemplo de eficiência? Tendo a achar que sim.

O diagnóstico retrata talvez duas realidades. Olhando-se para a caracterização média dos produtores, os resultados são desanimadores. O que representam estes perfis, senão um exemplo evidente de pobreza rural e abandono? Olhando para o segmento dos produtores de maior porte, a situação é um pouco melhor, mas ainda muito aquém do potencial em relação a produtividade e rentabilidade.

A produção goiana tem um grande desafio pela frente. Após o estado verificar grande crescimento na década de 90, a produção tem patinado e não será surpresa se Goiás for superado por Santa Catarina, caindo para o quinto lugar no país.

Ao serem perguntados sobre as vantagens de Goiás, os dirigentes de laticínios locais afirmam que uma delas é o fato do estado ter grande potencial para produção de leite de baixo custo, em razão da disponibilidade de grãos e de pastagens de braquiária, e que a tecnologia de produção de leite a pasto foi dominada pelos produtores. Esse custo baixo implica na cobertura de todos os custos de produção, ou está calcado na ausência de outras alternativas? Ainda, sem dúvida, há potencial para produtividade muito maior, que resulta em maior margem líquida por hectare, mas tenho lá minhas dúvidas se o custo realmente pode cair muito abaixo dos valores encontrados no trabalho.

Que esse Diagnóstico sirva de ponto de partida para que ações efetivas sejam feitas, o que não é fácil, dada a enorme assimetria entre produtores e as dificuldades inerentes a se trabalhar com produtores que basicamente sobrevivem da atividade e que são em grande número.

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Aproveito para convidá-los a participar de nosso Workshop sobre Tendências de Mercado, a ser realizado no dia 6 de novembro, na Feileite, em São Paulo, em que discutiremos várias questões sobre competitividade da cadeia leiteira. Clique aqui, veja a programação completa e participe! http://www.milkpoint.com.br/workshop/

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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JOABE JOBSON DE OLIVEIRA PIMENTEL

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA

EM 03/12/2009

Obrigado Sr. Marcelo pelo artigo.
Concordo que o produtor precisa de assistencia técnica de alto nível. Porém, a adoção de tecnologia muitas vezes não ocorre devido à inadequação da mesma à realidade local. Devemos pensar bem se o melhor para o produtor é produzir 20 kg por vaca por dia ou mais. A assistencia técnica pode auxiliar o produtor a produzir com lucratividade e não simplesmente com alta produtividade por vaca, que na maioria das vezes é o que norteia as consultorias disponíveis.

A consultoria como mostrada pelo colega em Portugal, foi captaneada pelas associações e cooperativas e não pela indústria que capta o leite. Tenho acompanhado o foco da assistencia técnica bancada em parte pela indústria (inclusive algumas cooperativas), voltado para altas produções por vaca. Vejo como um grande equívoco. A realidade do mercado do leite em Portugal é bem diferente da nossa. Sem falar de Estados Unidos e diversos outros países desenvolvidos.

O ponto de equilíbrio da produtividade precisa ser muito bem dimensionado dentro da lei universal de que produtividade máxima nunca é igual a lucro máximo.

Portanto, o nível ideal de produtividade seja por animal, por área, etc, irá variar significativamente de acordo com as condições de mercado. O custo dos insumos, os impostos diretos e indiretos, o valor da mão-de-obra, entre os inúmeros fatores de produção varia grandemente de região para região.

Como gato escaldado tem medo até de agua fria, muitos produtores resistem à adoção de certa tecnologia por medo de que aconteça com ele o que já aconteceu com muitos como o caso relatado pelo Sr. Clemente. Produção maior que oito kg por vaca por dia não é ruim não gente. Há que se fazer uma análise mais abrangente desta realidade.

Finalizo dizendo que não há nenhuma tecnologia capaz de superar as distorções de mercado onde a indústria, muito organizada e oligopolizada, obtém lucros exorbitantes e os produtores por não possuirem o mesmo grau de organização, ficam reféns do mercado. A concentração da captação de leite em poucas empresas é um dos grandes responsáveis pela distorção do mercado. 35% do leite na mão de uma só empresa. Este é o início dos nossos problemas
Só a organização dos produtores em entidades associativistas e cooperativistas pode melhorar a situação dos produtores de leite.

Abraços a todos.
JOÃO JACOB ALVES SOBRINHO

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/11/2009

Senhores, tudo bem? Se existe um trabalho abençoado ,mas sofrido, é do produtor de leite, porque levanta as 04:00hs da manhã e termina a tarefa em torno de 19:00hs, isto todos os dias. Aí temos os laticinios que pagam o preço que alguém matematicamente achou na cartola e paga-se o produtor, esquecendo que este preço irá a cada momento enfraquedendo uma parte do elo da corrente, isto levando a derrocada do produtor rural e também o empresario dono do laticinio, pois no futuro não terá leite no mercado.

Ainda não aprendemos que para eu ganhar e continuar ganhando, o outro precisa também de ganhar para fechar o circulo. Só precisaríamos que o governo colocasse os fiscais da receita para supervisionar os laticinios, estaria aí a solução simples, se tem lucro ele deve ser distribuido em forma de melhor preço ao produtor.

Não precisaríamos de batalhão de pessoas para fazer essa supervisão, é simples basta vontade politica.
Fica a sugestão que os proprios fornecedores paguem este fiscais. Que tal CNA?
ALEXANDRE SOARES

PARACATU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/11/2009

Sou produtor de leite a mais de 20 anos e com a experiencia que tenho, vejo a realidade do leite da seguinte forma:
_O leite é alimento basico para todas as classes sociais, entao os governos nao deixam que os precos fiquem muito atratitivos para o produtor e se ficar, ai entra a demanda do mercado, onde aumenta a oferta e o preco cai.
_O custo de producao vem aumentando a cada ano:
a qualidade do leite que é um fator positivo, trouxe mais despesas, porque mudou muito o manejo e nem por isso fomos gratificados como deveriamos ser.

As empresas tem escala de pagto por qualidade mas o resultado final é o mesmo de anos atras, o preco do leite deixa muito a desejar.

Conclusao: Se nao tiver uma politica de controle de precos pelos governos, onde o produtor possa fazer o que sabe, que é produzir leite, ter uma vida digna e garantir um fututo melhor para seus filho, essa atividade continuara sendo de sobrevivencia e sem perspectivas.
VIRGÍLIO JOSÉ PACHECO DE SENNA

SANTO AMARO - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/11/2009

Parabens Dr Marcelo Pereira,muito bom trabalho,fico a imaginar a realidade do meu Estado da Bahia. A conclusão que chego é que falta para o produtor o acompanhamento da Extensão Rural,levando informações,diversificando conhecimento e levando solução, desde que feita por Técnicos com experiencia e pouco salto alto, é em resumo politica de governo serio e preocupado com produção e agronegocio. A luta é muito grande para se melhorar o Brasil Rural, mais continuaremos acreditando. Abraço e parabens mais uma vez.
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 20/10/2009

Prezado Valmique da Mata Sobreira: Obrigado por suas palavras a respeito de meus comentários sobre o excelente retrato que o Marcelo fez da situação do leite em Goiás. Ele nos mostra com muita clareza que pelo menos em algum lugar deste país, os produtores não estão dispostos a pedir por favor, compre meu leite e me pague como e quando quiser! É uma pena, oque vem ocorrendo por aí, já que como eu disse, não há lugar nenhum no Brasil, com a aptidão leiteira de Goiás; eu não mencionei nenhum município do norte do estado porque aí seria muito leite, já que a região de Anápolis, Ceres/Rialma até o extremo do estado lá em Porangatú, existem três grandes laticínios, fora os regionais que fabricam os seus queijos artesanais, ou os produtores que mandam seu leite para as grandes marcas que há muitos anos estão por lá, sem falar da região leste da Br 153, até as imediações de Brasília e seguindo para o nordeste do estado onde também havia muitos produtores de leite com grande potencial.

É lamentável que neste país, entre governo e saia governo e não apareça ninguém que ao menos imagine que leite é um produto de origem animal, produzidos em sitios e fazendas e que as máquinas responsáveis por esse produto não saem de linhas de montagem, e, que necessitam de, na melhor das ipóteses, dois anos de trabalho intenso e assistência técnica para que entrem em produção. O mais impressionante ainda, é saber que aí em Goiás, há políticos de peso produzindo leite e até ex-governador em (Jataí) e não se interessam em criar um projeto que tire o estado dessa inércia que talvez, venha a trazer o estado para a condição de produtor de leite das águas, como já foi no passado.

Valmique, eu desejo que você continue a sua luta aí no Goiás e que tenha sucesso absoluto em sua difícil tarefa. Abraços e mais uma vez, obrigado.
DANIEL DALGALLO

PORTO UNIÃO - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/10/2009

Boa noite,

Li o artigo na íntegra e considerei muito oportuno. È necessário encarar a atividade leiteira com mais profissionalismo. As Decisões não podem ser tomadas com base sentimentais apenas, é preciso (urgente nas unidades familiares) da adoção de princípios técnicos adequados para garantir a permanências destas famílias com dignidade na atividade.

O site escolheu muito bem esta matéria para publicar.
RODRIGO ALVES MACHADO

PIRACANJUBA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/10/2009

Marcelo, meus parabéns pelo artigo.
DECIO REBELLATTO

CERRO LARGO - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 18/10/2009

Parabéns Marcelo pelos comentários sobre o diagnóstico.

Trabalhos como esse deveriam ser realizados onde se produz leite, permitiriam discussões e tomadas de decisões embasadas nas verdadeiras realidades enfrentadas pelos produtores de leite.Também nos permitem sabermos para onde vai essa parte da cadeia do leite, o produtor, é preocupante!

att
Décio Rebellatto/Cruz alta/RS/
JOSE FERNANDO DANTAS

ALEXÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/10/2009

Parabens pelo artigo,

Gostaria de acrescentar que um marco na atividade leiteira foi a IN 51, em 2002, que teve o codão de separar as propriedades leiteiras em duas realidades, as que "tem qualidade" e as que ficaram de fora dos requisitos de qualidade, seria interessante que fossem pesquisados como se comportam as propriedades leiteiras em cada um desses dois extratos.

Quem migrou para produção de leite com qualidade, investiu e vem investindo em aumento da produção e de produtividade, seja pelo uso de Inseminação Artificial, uso de rações de primeira linha, tanques de expansão e equipamentos de ordenha com alto níivel de tecnologia.

Deveriam alertar o governo que o médio e grande produtor de leite (>500 litros/dia) movimenta uma imensa cadeia produtiva, graças a ele as empresas de venda/produção de ração, semem, tratores, implementos, equipamentos de ordenha, assistência técnica, distribuidores de derivados de petróleo vivem.

Tenho uma curiosidade, quanto de diesel se gasta, na média, para produzir 1 litro de leite numa propriedade acima de 200 litros/dia? Quantos empregos diretos e indiretos são gerados por litro de leite produzido em fazendas acima de 500 litos/dia? Estas informações deveriam ser pesquisadas e publicadas na primeira página de jornais de grande circulação, junto com uma boa propaganda, tal como tome leite! ajude a defender o seu emprego.
EDSON GONÇALVES

MAIRIPORÃ - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 16/10/2009

A estagnação da produtividade e consequentemente da produção de leite está diretamente relacionada à ausencia de programas efetivos e não políticos de desenvolvimento da produçao de leite dirigido ao segmento produtor.

Estou falando de projetos que contemplem efetivamente a atividade como um negócio e que viabilizem a atividade com resultados técnicos e econômicos de forma sustentável e em harmonia com o meio ambiente. Pergunto: quantas empresas neste país mantém um programa dirigido ao produtor através de uma equipe formada por profissionais competentes e que dominam com eficácia sistemas intensivos de produção de leite? O produtor de leite quando percebe que o seu negócio é rentável, investe em tecnologia e faz girar toda a cadeia. Porque então, estamos há décadas contemplando diagnósticos sérios e extremamente profissionais como esse e não agimos com seriedade lá na base, pisando em bosta de vaca, convivendo com o produtor e ouvindo dele suas reais necessidades?

Investir em Assistência Técnica competente e eficaz não provoca prejuízos à ninguém, porém é preciso fazê-lo com seriedade e profissionalismo. Perguntem aos quase 3000 produtores espalhados por 15 estados do Brasil como estão conseguindo resultados positivos na atividade através do Projeto Balde Cheio - gerenciado pela Embrapa Pecuária do Sudeste-Sáo Carlos -SP.

Parabéns ao Dr. Sebastião que há anos labuta pela atividade e já apontou diversas vezes a saída para o desenvolvimento da atividade leite.

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Edson,

Obrigado pela carta e pelos comentários, muito coerentes e com os quais concordo.

Abraço,

Marcelo
EGON KRUGER

PALMEIRA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/10/2009

Parabens pelo artigo, ele não diz o que acontece em Goias, assim como em quase todo Brasil.
VALMIQUE DA MATA SOBREIRA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/10/2009

Marcelo, parabéns pela clareza e concisão do seu artigo.

Sou Médico Veterinário vindo do Estado do Paraná, tendo atuado no processo produtivo do leite nos Campos Gerais e estou radicado em Goiás desde 2001. Te ví no XIII Seminário de Pecuária Leiteira de Goiás. Nesses 8 anos percorri mais de 300.000 km e conheci cerca de 200 municípios goianos, sempre focado na Cadeia Produtiva do Leite, o que me deu uma boa visão da pecuária leiteira deste estado, fazendo-me concordar plenamente com o Sr. Clemente da Silva em seu comentário.

Incluimos ainda, que a falta de assistência técnica ao produtor está contribuindo para o quadro apresentado pela FAEG, porém, uma assistência bem treinada, oferecendo informações precisas e objetivas, levando à atividade leiteira tecnologia apropriada ao nível de exploração de cada propriedade, promovendo a integração social do homem, valorizando-o enquanto produtor de alimento nobre, inserido-o no contexto mundial, sobretudo, orientando-o para uma administração focada em resultados, não querendo desmerecer os apaixonados, mas sintonizando-o para que haja sinergismo entre gostar da atividade e gastar na atividade.

É preciso informação para que haja conhecimento e esse para que haja o discernimento e, assim, a liberdade se fará naturalmente. Liberdade de decidir e agir sem ser tutelado, sem ter medo, sem a pressuposta ajuda daqueles que querem o produtor de leite subjugado para a obtenção do lucro fácil. Tenho convicção que desta realidade trazida à tona pelo Prof. Sebastião Teixeira Gomes, virá o florescimento de uma nova pecuária de leite para Goiás.

Mais uma vez, meus parabéns pelo artigo.
AROLDO AUGUSTO MARTINS

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/10/2009

Hoje os laticinios querem leite com qualidade, mas investimento para podermos melhorar a qualidade, temos que ganhar melhor para investir. Muitos acham que credito é a solução, mas a solução é produto remunerado, só assim podemos investir em nossas propriedades. Eu sou um dos que querem sair da atividade; hoje tiro 1500 litros por dia e estou desanimado com a atividade.
Abraço.
ANTÓNIO MANUEL LIMA MARTINS

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/10/2009

Foi com grande interesse que li o V. artigo e desde logo quero felicitar-vos pela clareza e qualidade da informação disponibilizada.

Apesar de uma realidade muito diferente da nossa (desenvolvo a minha actividade profissional em Portugal) verifico algumas semelhanças com as condições que encontrei no inicio da década de 80 no Norte de Portugal. Para atingir o ponto em que nos encontramos actualmente foi feito um investimento enorme por parte das associações de produtores, nomeadamente das Cooperativas, no aconselhmento técnico e na prestação de serviços de aconselhamento aos produtores. Nesta área em concreto teve especial importância o contraste leiteiro, a inseminação artificial, a nutrição, o controle sanitário.

Para terem uma ideia mais real desta evolução, foram contrastadas em 1978, em todo o País, 8.632 vacas com uma média de produção em 305 dias de 4.197 kgs de leite. Neste mesmo ano, a Região Norte, actual zona de maior importância na produção leiteira, foram contrastadas 703 vacas, com um produção média de 3931 Kgs. No ano de 2008, foram contrastadas nesta mesma Região 49.210 vacas com uma média de produção em 305 dias de 8.790 kgs. Sendo estes resultados, só por si pouco representativos, são o fruto de um trabalho de complementaridade desenvolvido pelas Cooperativas, através dos serviços técnicos, junto das explorações associadas.

Também na questão da recolha, controlo da qualidade e comercialização de leite, foram dados passos muito significativos, sendo actualmente o sector Cooperativo quem tem predominância. Existindo, certamente, diferenças significativas nas nossas condições de produção existe uma experiência mutua que poderá ser muito util para o desenvolvimento deste sector nos nossos Países.

Parabéns pelo V. trabalho
ANTONIO BENEDITO ANGELO

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/10/2009

Muito bom, parabens professor e aos goianos em mostrar a realidade do leite. Acima de 8 litros/dia até que não é tão ruim.
Angelo
MARCOS SALAZAR DE PAULA

LIMA DUARTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/10/2009

O artigo é bom e deixa claro a falta de sustentabilidade da atividade a longo prazo. O principal motivo da baixa rentabilidade é justamente o produtor. Uns utilizam mão de obra familiar "escrava" (sem descanso semanal, férias, etc...). Outros tiram leite com prejuízo (ricos que possuem renda em outra atividade), para manter a propriedade da família, para justificar renda para a Receita, ou sabe-se lá por quais outros motivos.

Por mais que os técnicos digam que os produtores precisam adotar novas tecnologias, isto só vai acontecer para valer quando estas distorções forem corrigidas e os produtores profissionais realmente ganharem dinheiro com leite! Enquanto isto não ocorrer, Leite vai continuar a ser um péssimo negócio para o produtor!
ROSSANA SERRATO MENDONÇA SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 13/10/2009

Estamos todos analisando o fator produção (dentro da porteira). Ao melhorarmos o nível dos nossos produtores, o que é o desejado, como vai reagir o mercado? As indústrias comprarão o produto? Alguém fez esta análise? Qual a capacidade real do mercado?

No entanto, é claro que não podemos ficar parado, um programa eficiente de melhoria de pastagem aliado à genética animal e manejo, creio não ser tão difícil, basta ter vontade política, crédito, e o BB que não vê a atividade como rentável, e as planilhas de custo-benefício e retorno econômico para as instituições financeiras ficam sempre aquém do necessário.
SUENE SANTANA DE LIMA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/10/2009

Primeiramente parabéns pelo bom senso ao escrever esse artigo.

Bom esse material acima relatado só nos mostra que os produtores necessitam rapidamente de uma assistência técnica, seja ele pequeno, médio ou grande.
GUILHERME AUGUSTO VIEIRA

SALVADOR - BAHIA - PESQUISA/ENSINO

EM 13/10/2009

Parabenizo o Marcelo pela análise feita sobre a cadeia produtiva do leite no Estado de Goiás. Confesso que tinha uma perspectiva diferente dos resultados apresentados já que Goiás apresenta uma série de vantagens competitivas para a produção de lácteos.

Termino meus comentários salientando que a realidade aqui na Bahia não é tão diferente da apresentada pelo Estudo, o que reflete a realidade da produção leiteira do país. Como mudar? Creio que o grande desafio passe pela estruturação de um modelo de produção integrada envolvendo o papel coordenador das agroindústrias leiteiras, adaptando aos modelos de integração da avicultura e suinocultura, principalmente atendendo esta grande parcela dos produtores que ficam na faixa entre 100 a 500 litros. É preciso ter coragem para ousar e mudar.

Outra questão: Que tal começarmos a repensar os modelos de capacitação direcionados aos produtores rurais brasileiros, tudo passa pela agroindústria. Marcelo, prometo escrever 2 artigos sobre estes temas para discutirmos, ok.

Parabéns mais uma vez.
CLEMENTE DA SILVA

CAMPINAS - SÃO PAULO

EM 11/10/2009

Dando sequência ao texto: Na época eu trabalhava para uma das maiores empresas na área de tecnologia de sêmen e orientação genética, e o programa do governo de S.C. pedia uma empresa que além de fornecer material e equipamento para implantação de inseminação artificial no estado, exigia que fossem criados programas de orientação e acasalamento genético e nossa empresa preenchia todas essas exigências com folga. Foram tempos de muito trabalho e dedicação junto aos técnicos da Cidasc e colonos, que valeram a pena tanto para a empresa como para o estado de S.C. que conseguiu sair de uma posição de importador de carne bovina e leite de vaca de outros estados, para exportador de carne e leite e hoje, apesar de afastado por uma invalidez que me obrigou a deixar minhas funções que tanto amei, vejo com orgulho alguma coisa que também ajudei a criar e desenvolver por esse Brasil afora.

Em relação ao estado de Goiás, no início da década de 90 eu participei indiretamente do desenvolvimento de sua pecuária leiteira, atraves de nossa equipe de campo e via com bons olhos a maneira dos goianos trabalharem, já que não cometeram os mesmo erros de meus conterrâneos catarinenses, pois ao invés de sairem a comprar gado importado, preferiram buscar seu gado nos rebanhos paranaenses e mineiros para assim melhorarem sua produtividade. Entretanto, se em Goiás o governo tivesse investido na pecuária leiteira como o governo catarinense investiu, os goianos teriam quebrado a metade dos produtores de leite do restante do Brasil. Não existe lugar nenhum no Brasil com maior aptidão leiteira e maior facilidade de produzir alimentos, que em Goiás. Tomando-se uma faixa desde Catalão, descendo para Goiania passando por Morrinhos, Piracanjuba e Bela Vista de Goiás, seguindo para Itaberá e São Luis dos Montes Belos e depois traçando uma linha reta até Mineiros, no extremo sudoeste goiano, não existe um só município que não seja produtor de leite e olhem que nesse meio estão Itumbiara, Bom Jesus de Goiás, Quirinópolis, Rio Verde como a Capital do Sul, fortíssima na produção de grãos e leite, Jataí e Mineiros com um clima excepcional para a criação de gado leiteiro de alta produção. Em todo o sul de Goiás começam as chuvas bem antes que em outras regiões do estado, facilitando a preparação e o plantio com um a dois meses de antecipação, consceqüentemente, propiciando condições de duas boas safras agricolas de grãos por ano.

Enfim, Goiás para mim é o paraíso na terra em termos de solo, clima, além de um povo trabalhador e muito perspicas, talvez seja por isso, que o estado vem caindo em produção de leite nos últimos anos. Eu tive a grata satisfação de trabalhar muito no início desta década com qualidade de leite no estado de Goiás e posso dizer de cadeira, que em muitos lugares por lá se produz leite de alta qualidade, com tecnologia e higiene de cair o queixo mas,como eu disse, o goiano é muito experto e não depende do leite para viver, de um modo geral.

Parabéns Marcelo, Abraços.