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Com os custos atuais, que devem perdurar, mercado precisa reagir

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 14/08/2012

6 MIN DE LEITURA

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O mercado do leite vive um momento de grande dificuldade, que se intensificou a partir da redução nos preços do leite, aliada a um forte aumento nos custos de suplementação.

De fato, analisando o Retorno Menos o Custo da Ração (figura 1) - o valor que sobra de uma vaca de 20 kg de leite, recebendo 7 kg de ração à base de milho e farelo de soja - conclui-se que o valor de julho de 2012 é o menor dos últimos 5 anos para esse mês. Depois de um início de ano até favorável, com preços do leite mais elevados segurando margens maiores, a situação se deteriorou rapidamente, lembrando que outros custos como mão-de-obra também aumentaram.



As razões para essa situação relativamente inusitada passam por vários fatores. Do lado dos custos, a seca nos Estados Unidos e a desvalorização do Real elevaram as cotações em dólar e em Real, respectivamente. Aliás, se teve alguma conseqüência da desvalorização do Real até esse momento, ela foi negativa: não foi suficiente para inviabilizar as importações, não foi suficiente para estimular as exportações, e resultou em forte elevação da parcela de custos atrelada à moeda norte-americana.

Do lado dos preços, assunto que vem sendo extensivamente comentado no MilkPoint, há uma combinação de oferta elevada, importações, dificuldade de se agregar valor e margens espremidas para a indústria, colocando pressão na produção.

As figuras a seguir ilustram a situação. A figura 2 mostra a oferta no primeiro trimestre, de acordo com o IBGE (pesquisa trimestral do leite). O aumento foi de 4,4%, já significativo, mas fevereiro e março apresentaram elevação ainda maior: 6,3%. Como as chuvas no Centro-Oeste e Sudeste permaneceram favoráveis durante todo o semestre, e como o primeiro trimestre foi até razoável em termos de rentabilidade, é de esperar que essa diferença tenha se mantido ou até ampliado no segundo trimestre. As informações sobre estoque nas empresas em abril, maio e junho corroboram essa possibilidade.

Figura 2. Produção inspecionada de leite (IBGE)


Aliado a essa suposta maior oferta, há o fator importações, que em % do consumo permanece elevado, ainda que em menor intensidade do que no ano passado. Estamos importando cerca de 3,2% de nosso consumo, para exportações praticamente inexistentes (Figura 3). Até junho, foram cerca de 523 milhões de litros de leite em equivalente-leite internalizados, que se somam à oferta mais alta.

Do lado da demanda, o contato com o mercado nos sugere que o consumo não vem forte como veio até 2010. O ano passado, principalmente em seu final, já havia apresentado demanda mais fraca. Parte disso pode ser creditada ao menor crescimento econômico, especialmente do consumo das famílias, que tem sido o pilar do crescimento do PIB a partir do governo Lula e que tem puxado o consumo de lácteos. Por outro lado, o fato do crescimento dos lácteos ter sido muito vigoroso nos últimos anos (o consumo per capita cresceu 40 kg por pessoa de 2000 a 2011) também nos faz pensar que essa taxa de crescimento não pode se manter indefinidamente, ainda que haja espaço para aumento continuado.

Figura 3. Importações e exportações como % do consumo (Fonte: MilkPoint, a partir de dados do MDIC)


Por fim, entram como ingredientes desse cenário o fato do preço do leite não ter reagido no varejo, além da margem da indústria ter sido reduzida nos últimos meses, principalmente em função dos ganhos crescentes do varejo (Figura 4).

Sobre o primeiro item, considerando um mix dos principais derivados (pó, queijo, UHT e pasteurizado), percebe-se que os valores têm subido muito pouco quando se desconta a inflação - em comparação ao mesmo período de 2009, houve inclusive queda, o que sugere que nosso crescimento de volume não foi acompanhado de preços mais remuneradores para a cadeia como um todo.

Se o varejo não reage, o atacado também não reage - no caso, até caiu se considerarmos que o varejo ampliou suas margens nos últimos anos - tornando difícil a manutenção dos preços ao produtor. Foi o que aconteceu no primeiro semestre.



Todos esses fatores explicam o cenário atual. Qual é perspectiva futura? Diz-se que o melhor remédio para preços baixos são justamente preços baixos. Voltando ao gráfico 1, é sensato pensar que, mesmo com o El Nino trazendo chuvas mais cedo para o Sudeste e Centro-Oeste, a oferta não deve manter o crescimento do primeiro semestre. Isso vale não só para o Brasil, mas para diversos outros países, como os EUA, onde a situação simplesmente não é sustentável.

A oferta mais restrita deve coincidir com alguma recuperação na demanda, fruto das medidas adotadas pelo governo e que podem resultar em algo positivo no quarto trimestre. Com isso, pode haver escassez de leite, com conseqüente elevação dos preços no atacado e no varejo.

Na realidade, essa é a única alternativa, diante dos atuais custos de produção. E não é só o leite que sofre: a suinocultura e a avicultura estão em situação pior, uma vez que a milhodependência e a sojadendência são maiores do que no leite. Nas últimas semanas, o preço do suíno, por exemplo, já sofreu forte alta.

Não há solução sem alguma inflação (ou então o governo limita as exportações de milho e soja para que essa conta seja dividida entre mais setores). Qual é o risco? A entrada de leite importado, caso a recuperação no mercado externo demore mais do que no mercado interno. Funciona assim: em ambos os mercados, a situação não é sustentável, mas no externo é ainda pior, já que os preços internacionais estão abaixo de US$ 3.000/tonelada, o que daria um leite mais ou menos a R$ 0,65/litro. Assim, quanto maior o preço interno em relação ao externo, mais atrativas são as importações. Essa defasagem entre o preço interno e o externo ocorre em função das restrições à entrada de produto importado: impostos de importação de pelo menos 27% para produto de fora do Mercosul (na maior parte do tempo inviabilizado essa origem) e limite de 3.600 toneladas de leite em pó da Argentina por mês, o que evita uma enxurrada de lácteos.

Porém, com preços baixos lá fora e bem mais altos aqui dentro, o estímulo a entrada de leite aumenta. Gradativamente, a oferta no exterior vai se ajustando à demanda em um novo ponto de equilíbrio (preços mais baixos desestimulam produção e estimulam consumo), mas há estoques nos Estados Unidos e, também, esse processo não é imediato. Assim, se o cenário interno permite melhora, digamos, nos próximos meses, e o externo ainda não, o descolamento aumenta e mais leite pode entrar aqui, nivelando os preços novamente. Espera-se, porém, que já nesse ano tenhamos uma recuperação dos preços no exterior, reduzindo esse risco, que hoje existe.

Por mais que o mantra da eficiência, gestão profissional, utilização racional de suplementos como complemento de volumosos de qualidade e não substituto de sua escassez seja entoado nesse momento, a situação é preocupante.

No médio prazo, é possível que tenhamos um 2013 com menor crescimento da produção e, mais do que isso, muitas áreas atualmente utilizadas com a produção de alimento para o leite sendo convertidas em milho e soja, o que seria natural diante dos preços conseguidos com esses alimentos nesse momento, com previsão de continuidade por algum tempo. O resultado, já conhecemos: em algum momento, corrida para o leite, com forte elevação de preços e a volta da volatilidade que tem feito parte do histórico recente do setor.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ALUÍZIO LINDENBERG THOMÉ

CARANGOLA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/08/2012

Prezados colegas do MPt,

Quem se der uns minutinhos para rever diversas matérias divulgadas pelo Milkpoint desde 2011 verá que isso tudo que está acontecendo agora não deveria ser surpresa para ninguém, embora agravado pelo seca americana. Diversas matérias demonstram que o Brasil vai seguir o modelo agro-exportador de grãos, cada vez mais, para suprir uma demanda mundial crescente de até 40% nos próximos 20 anos!!!

Limitar exportações de grãos? Nem pensar!!! Lembram-se da Kirschner?

Aqui mesmo vemos que a crise também afeta o setor leiteiro argentino.

No mercado não existem bondades, ninguém vai aliviar ninguém. Quem quiser refrescar a memória, procure o artigo do Prof, Paulo do Carmo Martins, "O dilema do prisioneiro´".

E de mais a mais, os governos olham a situação macro e leite barato contribui para equilibrar a balança agrícola na prateleira dos mercados. Por parte do governo o que pode-se esperar são medidas creditícias, pontuais, de alongamento de dívidas, isso se a coisa escurecer de vez.

Não se esqueçam que frango e suinocultura tb. estão na guilhotina e nós não somos mais coitadinhos do que eles.

Semana passada a rede Globo soltou em cadeia nacional a situação dos avicultores catarinenses e o governo apressou-se em dizer que não há crise de milho no Brasil e que há estoque suficiente para todos. A culpa foi jogada na greve dos caminhoneiros!!

Aí esta semana o Jornal Nacional  anunciou com estardalhaço que a carne baixou nas prateleiras e que ótimo o consumidor está feliz porque assim todo mundo pode comer carne de primeira e com isso, que bom, o frango não vai subir!!!!

Produzo leite sem muita tecnificação e média tecnologia. Como todos também não há como evitar o fornecimento de concentrados. Consegui fazer um estoque de milho, soja e polpa a preços ainda favoráveis. Comprei 60 toneladas de caroço de algodão lá em abril para serem entregues em junho e agosto. Estas, não recebi. O fornecedor não responde nem meus telefonemas mais.  Com isso meu estoque de soja, mesmo aumentando a uréia, já vai embora. A ração foi padronizada em 20% de Prt, a vacada mestiça prenha come pasto e cana picada com "banana" e vamos levando. O bicho que vai dar vai depender de São Pedro.

Aí com a chegada das chuvas, vamos adubar piquetes, canaviais e plantar nossa silagem com os adubos inflacionados pelo dólar, pela soja, pelo milho.

Estamos nadando contra a correnteza e tem uma cachoeira logo ali na frente. Não há zootecnista que dê possa jogar uma bóia,  neste momento.  

A bóia continua na esperança da reação do mercado. ALThomé
DARIO DE JESUS LOPES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/08/2012

Temos que contar com apoio da CNA para nos auxiliar  frente os custos fora da realidade aplicados  sobre os insumos básicos  para formulação de rações para bovinos,pois não há como suportar  nossa atividade com as despesas sobrepondo as receitas. Tenho sido persistente , encontrando na atividade há mais de 30 anos. Entretanto, a situação atual  desmotiva qualquer produtor.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/08/2012

Prezado Laércio Barbosa: Desculpe-me, mas a importação não pode ser mais barata que o excesso nacional. Acho que falta qualidade ao produto estrangeiro, muito embora se veicule o contrário, porque, senão, não seria tão barato. Por outro lado, falta pulso ao Governo Federal para impedir estas especulações e frear as importações indevidas. Só o produtor brasileiro, desassistido e à mercê de um mercado escravizante, é que paga o preço destes desmandos.


Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG


=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
LAÉRCIO BARBOSA

PATROCÍNIO PAULISTA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 17/08/2012

Prezado Guilherme,

Não há contrassenso, as importações continuam (e continuarão!) porque o preço do produto importado é muito mais barato que o produto nacional. O leite em pó, por exemplo, importado do Uruguai e da Argentina, chega ao Brasil por cerca de R$ 7,00 - 7,50/kg, enquanto que se for produzir o mesmo produto com matéria prima nacional o custo fica acima de R$ 9,00/kg. Isso sem falar da qualidade, em geral superior, do produto importado frente ao nacional.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2012

Przado Marcelo: Parabéns por mais esta brilhante análise. Eu só não consigo entender o fato de que, se há um excesso de leite no mercado interno, porque continuam as importações desenfreadas? Não é um contrassenso?


Por lado outro, temos verificado notícias de supersafra de milho em nosso País e uma excelente safra de soja. Todavia, seus derivados, que compõem as rações da maioria dos que utilizam suplementação alimentar, estão cada dia mais caros. Por óbvio, a maior expectativa de exportação e o preço internacional, motivados pela seca arrasadora nos Estados Unidos da América, fazem com que os produtores destes grãos prefiram enviar suas safras ao exterior. Tudo bem. Mas, se o Governo Federal não tomar uma atitude reguladora do mercado, ao invés de estar, apenas e tão somente, preocupado em fazer propaganda eleitoreira sobre o Plano Safra 2012/2013, não haverá mais o que comemorar, porque as plantas produtoras de leite irão, pouco a pouco, diminuindo a produção,  descartando animais, fechando porteiras. Desta forma, muito em breve, estaremos justificando a importação de lácteos: não teremos mais produção nacional, milhares de trabalhadores estarão desempregados,  capacidades administrativas e industriais destruídas precocemente, aumento substancial da pobreza (tão "combatida" pelo Governo Petista). Terá que ser criado o "Bolsa Ex-Produtor de Leite", porque muitos não terão mais como se manter, estando atrás da linha da miséria extrema.


Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG


=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MATEUS GASPARETTO

RONDINHA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2012

É o Brasil, minha gente.... quem trabalha, paga o pato.... ao menos tenta pagar!!!!
LUIZ BATISTA DE REZENDE

ITABERAÍ - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2012

Caro Roberto o grande problema nosso é justamente o governo, ou tem governo de mais, onerando uma cadeia que produz alimentos essenciais, ou como afirmou o Roney José "tira de quem produz para quem não faz nada"., e ao mesmo tempo tem governo de menos  que não se preocupa com o mercado interno deixando que se exporte a vontade nossa produção de grãos e deixa varias cadeias produtoras de alimentos desbastecidas.
AMAURIK

PASSA TEMPO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/08/2012

O amigo Roney Jose da Veiga disse tudo, enquanto o custo Brasil não melhorar vai ser assim, quando as coisas ficam boas para o produtor e os laticínios os importados chegam e acaba com a festa.
DARLANI PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2012

O Sr. Roney acima já falou tudo, é lastimável  essa situação.


MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2012

Continuação do comentário apresentado no bloco anterior:

"Como há muitos anos o Brasil já não produz o suficiente para atender seu mercado interno, ou as importações de leite em pó crescerão muito, passando de uma média de 1,2 bilhões de litros equivalentes por ano para um valor muito mais alto, podendo chegar perto de 5 bilhões de litros equivalentes por ano, ou teremos um grave problema de desabastecimento de leite no País.
É importante lembrar que no passado, com um consumo muito menor que o atual, teve ano que o Brasil importou 3,5 bilhões de litros de leite equivalentes para minimizar os problemas de desabastecimento. Em 1982, quando em São Paulo donas de casa assaltaram um posto de saúde e roubaram 240 latas de leite em pó por não ter leite para seus filho, Carlos Marcondes, da Comissão Técnica de Leite da FAESP declarou que restava ao Governo duas opções: ou voltava a importar leite em pó ou deixar a cidade de São Paulo sem leite.
A pecuária leiteira exige muito investimento,  muita dedicação e não podemos deixar que uma crise leve os poucos avanços que conseguimos na pecuária leiteira nacional com muito sacrifício dos produtores de leite.
Face ao exposto  a Leite São Paulo apresenta à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do MAPA a proposta de criação de uma Comissão, com representantes do Governo, da indústria e dos produtores, para avaliar em profundidade as perspectivas de uma crise na pecuária leiteira nacional que poderá ter reflexos a longo prazo, e levantar e propor as medidas para, se não evita-la, pelo menos minimizar seus efeitos."
O presidente da Câmara comentou a oportunidade e relevância da discussão do tema apresentado pela Leite São Paulo, colocou em discussão e a proposta foi aprovada, sendo caracterizado que a ação dessa Comissão tem um carater emergencial em função da realidade atual, mas também poderá contribuir para ações a mais longo prazo, podendo trazer subsídios para o projeto Inteligência Competitiva do MAPA e o Plano Brasil Maior coordenado pelo MDIC.
Várias entidades se propuseram a participar dessa comissão, a Câmara Setorial de Leite e Derivados deverá formalizar a designação de seus membros e agendar a primeira reunião membros  em breve. Esperamos que essa comissão realize um trabalho proveitoso para o setor leiteiro nacional.
Marcello de Moura Campos Filho


  Presidente da Leite São Paulo
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2012

Marcelo

Parabens pelo editorial.
A preocupação com o descompasso entre os custos de produção em alta e dos preços ao produtor em baixa levou a Leite São Paulo solicitar que essa questão fosse debetida na reunião da Câmara Setorial de Leite e Derivados  realizada em Brasília dia 14/08 passado.
Nessa discusão a Leite São Paulo fez uma exposição de motivos e apresentou uma proposta como relato a seguir.
"Vemos nos jornais  todos os dias as notícias de uma crise econômica que começou  em 2008 e não tem perspectiva de acabar a curto prazo. O economista James K.  Galbraith estima que serão precisos mais de 100 anos para equilibrar a economia mundial.
A seca afetou profundamente a produção de soja e milho nos EUA, e os técnicos dizem que serão necessárias "chuvas bíblicas" para que a situação não piore mas que não há milagres a vista nos radares meteorológicos. Além do efeito dessa seca na oferta mundial de grão preocupante o efeito político, uma grande pressão no Congresso para aprovação de um pacote de incentivos e subsídios agrícolas de US$ 1 trilhão nos próximos 5 anos.
Após uma quebra de safra nos EUA no ano passado e outra na América do Sul no início deste ano, e agora mais uma quebra de safra nos EUA, qualquer clima ruim na nova safra da América do Sul, que começa a ser semeada, provocará uma redução brutal nos estoques mundiais de alimentos  
O mundo passa por uma crise econômica grave e por problemas climáticos, que segundo os especialistas permanecerão por longo prazo, e que afetam a oferta, a demanda, os custos de produção e os preços dos alimentos de alimentos.


No momento vivemos um descompasso entre um movimento de baixa do preço ao produtor de leite e a alta dos custos de produção.
O custo do concentrado subiu muito, puxado pela disparada da soja.
No momento em que na região sudeste nos preparamos para assegurar o volumoso para a entressafra de 2013, a semente, o adubo e defensivos estão 17% mais caros. A mão tem subido e  subirá mais com o novo reajuste do salário mínimo previsto para janeiro próximo. O prejuízo da Petrobras no primeiro semestre indica que preço do combustível subirá significativamente.  Se não houver uma reversão na queda  de preços ao produtor em setembro, a entressafra de 2013 na região Sudeste poderá ser prejudicada por limitação de volumoso para essa época.
O produtor pode adotar estratégias para lidar com os preços baixos que recebe e o alto custo de produção, mas tem um limite para isso que é a sanidade animal, e o contexto atual indica que a margem para isso é limitada, e de qualquer forma levará há uma redução na produção de leite. Passado esse limite resta ao produto, para pagar os prejuízos de sua atividade,  mandar vacas para o abate, pois numa crise no setor leiteiro não haverá procura por vacas de leite, e isso poderá agravar muito a produção de leite nacional."
Continua no próximo bloco

Marcello de Moura Campos Filho
ROBERTO JOSE BASTOS

CABO FRIO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/08/2012

Qual o papel do Governo neste caso?
REGIS JOSÉ DE CARVALHO

CARMO DO RIO CLARO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/08/2012

Boa Noite Marcelo, o que você relatou em sua publicação, estamos vivendo a alguns meses, chegando hoje a termos um custo de alimentação que estamos trocando seis por meia duzia. Não vejo este aumento de captação que o setor está dizendo, pois as propriedades leiteiras estão com produção abaixo do que poderia em virtude do custo dos concentrados. É notória a diminuição do gasto de concentrados com as vacas, basta você fazer uma enquete sobre a produção de ração nas industrias, e mais o produtor está trocando alimentos melhores para usar uma "ração mais barata", e isto a gente sabe onde vai chegar. Mas vejo sempre que nos momentos difíceis aprendemos mais.

Abraços.

Régis J. Carvalho
RONEY JOSE DA VEIGA

HONÓRIO SERPA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/08/2012

Caros amigos, são sensatos os comentários e perpectivas propostas pelo autor, quanto as soluções, fico ainda com a minha idéia: Desonerar a cadeia produtiva!


Porque os Argentinos e Uruguaios conseguem vender seus produtos baratos aqui dentro? Alguem sabe quanto custa um saco de adubo por lá? Quanto custa um litro de Diesel? Quanto custa a energia eletrica?


Eu digo, é em media 50% mais barato do que aqui.


Os governos socialistas que tiram de quem produz para dar a quem naõ faz nada produz essas distorções, hoje quem trabalha no país tem que carregar um que não trabalha nas costas.


Eu já estou procurando um pra subir em cima!


EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/08/2012

Marcelo e colegas do Milkpoint,

Como já disse em postagem feita em matéria sobre a seca nos Estados Unidos, a conta não fecha para o produtor de leite, setor que emprega milhões de trabalhadores direta e indiretamente, que fornece matéria prima para indústria de lácteos que por sua vez, juntamente com atacadistas e varejo, agregam bilhões de reais de reais aos seus produtos, apresentando resultados de crescimento de faturamento médio nos últimos anos acima dos 10%  aí incluidos os gigantes nacionais e multinacionais. É preciso haver uma saída para esta situação no curto prazo e talvez a limitação pelo governo das exportações de farelo de soja e milho aliada a diminuição do volume de leite em pó importado do Uruguai e Argentina sejam a solução  imediata possível.  A indústria, os grandes atacadistas e o consumidor final precisam dividir a conta desta crise internacional com os produtores e passou de hora dos preços serem recompostos nas prateleiras e sobretudo ao produtor, não se trata de especulação, mas sim de sobrevivência para a maior parte dos produtores. Precisamos de uma ampla e urgente discussão desta situação e que tal discussão conte com a participação das melhores cabeças do setor  lácteo como Prof. Marcelo Carvalho, e também especialistas em comércio exterior, direito trabalhista e tributário para que representantes de nosso setor possam levar a Brasília sugestões/propostas que evitem que a situação do produtor se deteriore ainda mais.  Precisamos nos unir e o momento é este.  
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