A rápida capacidade de resposta da produção de leite

A rápida resposta à produção, aliada à escassez de dados de acompanhamento em tempo real das flutuações da produção e consumo, pode gerar variações dos preços.

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A previsão da CNA a respeito do aumento da produção de leite no primeiro trimestre de 2003 se confirmou, com a liberação dos dados compilados pelo IBGE, referentes à produção industrializada de janeiro a março. A entidade vinha prevendo um aumento da ordem de 4,4% para 2003 em comparação a 2002, valor considerado muito otimista por alguns produtores que, talvez baseados em diferenças regionais, distoantes do cenário nacional, acreditavam inclusive em queda na produção. Pois os valores da CNA se mostraram corretos, uma vez que o IBGE indicou expressivos 5,9% de aumento no primeiro trimestre de 2003 em comparação a 2002. Em relação ao último trimestre de 2002, o aumento foi de 0,71%.

Mesmo com o acerto das estimativas da CNA, é inegável que o setor careça de informações em tempo real a respeito das condições de produção em cada região, o que gera espaço para opiniões desencontradas, às vezes influenciadas por interesses específicos, além de dificultar o planejamento de empresas e produtores. Freqüentemente, somos contactados por laticínios e empresas de insumos em busca de uma sinalização para os rumos do mercado e da produção para os próximos meses, ficando clara a dificuldade destas empresas em fazer suas previsões. Basta dizer que, até a publicação dos dados do IBGE, havia quem sustentasse queda na produção no primeiro trimestre, em comparação ao ano anterior.

O Gráfico 1 traz a produção mensal industrializada desde 1997. Dezembro de 2002 e janeiro de 2003 foram os dois meses de maior produção industrializada da história. Nota-se, também que, a despeito de momentos de crise e das dificuldades, a produção formal cresce ano a ano (veja por exemplo os dados de março) e a diferença entre safra e entressafra diminui: em 2002, a produção teve pico apenas em novembro, dezembro e janeiro, com os demais meses bastante nivelados. O gráfico 2 reforça essa situação, mostrando que, apesar dos altos e baixos, a tendência é de aumento e de redução das diferenças entre safra e entressafra.
 



A variação de 5,9% na produção de leite no primeiro trimestre mostra o quanto a atividade é responsiva, dependendo das sinalizações do mercado. Pós-crise de 2001, o cenário, ainda que não ideal, certamente foi melhor em 2002, o que resultou em estímulo à atividade. Dadas as condições de produção, que pode ser alavancada de forma relativamente rápida à medida que a relação preço do leite/preço dos insumos melhora, há espaço para aumentos significativos em curto espaço de tempo, o oposto ocorrendo caso a perspectiva piore. Isso parece óbvio, mas a magnitude da reação é diferente em países com pecuária "madura", nos quais aumentos de 2% são considerados elevados e mesmo assim podem resultar em mudanças dramáticas no preço do leite (os Estados Unidos são talvez o melhor exemplo).

A rápida resposta à produção, aliada à escassez de dados de acompanhamento em tempo real das flutuações da produção e do consumo, pode gerar variações significativas nos preços, o que complica ainda mais o planejamento da atividade e dificulta, por exemplo, contratos de fornecimento de médio a longo prazo entre laticínios e produtores. Por outro lado, mostra o quanto a atividade anda de "freio-de-mão puxado", esperando sinalização para acelerar.

Dentro deste cenário, ganham importância mecanismos de estabilização do mercado, como a inclusão do leite na Política de Garantia de Preços Mínimos, permitindo financiamento para estocagem de eventuais excessos, bem como a abertura de canais de exportação, de forma que o país não fique totalmente dependente das variações do mercado interno.

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Material escrito por:

Marcelo Pereira de Carvalho

Marcelo Pereira de Carvalho

Fundador e CEO da MilkPoint Ventures.

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Jose Luiz Ribeiro
JOSE LUIZ RIBEIRO

PASSOS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2003

Os analista de mercado do setor lácteo só fazem previsão depois do fato ocorrido. E não acertam. Por que tantos erros?
Sera que nossa fonte de informação de dados (IBGE) é confiável?

No caso de previsão de safra de café em nosso município, se está errando para cima.
Renato H. Fernandes
RENATO H. FERNANDES

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 13/07/2003

Talvez esta capacidade de resposta, além do estado de "freio-de-mão puxado" da atividade, também reflita a trista falta de integração da cadeia produtiva do leite. Por denotar a preponderância de crescimento, repetidamente citada pelo prof. Sebastião Gomes, daqueles produtores com maior imunidade às oscilações negativas do mercado que, em contrapartida, são os mesmos que, nas fases positivas, ao intensificar gradativamente o uso de insumos, exprimem, também de forma paulatina, seu potencial produtivo.

Pena que a resposta é mesmo rápida e, como depois da bonança vem a tempestade, como eu já temia, coincidentemente no dia 1° de abril, quando Maurício Nogueira indagava, em artigo (link a seguir) se este seria o ano do leite, recebemos, aqui na Bahia, num mês de julho atipicamente seco, a comunicação, pelo maior captador de leite do país, de que o adicional de mercado foi reduzido em R$0,02 (redução de 5% em média, considerando preço médio de R$0,40).

Resta crer que algum dia a visão de curtíssimo prazo, a prepotência de pretender entender um país com a dimensão geográfica do Brasil a partir de estruturas extremamentes centralizadas e os folders e revistinhas com promessas alvisareiras, sejam substituídos pela capacidade de pensar na integração da cadeia do leite como uma ferramenta para a expressão efetiva do potencial produtivo, não dos produtores citados, mas de toda o agronegócio do leite (incluído o setor industrial), deixando de lado os espasmos atuais, gerando ganhos sustentáveis para todos os envolvidos e possibilitando exportar com regularidade e escala. Pode ser que haja alguma fórmula mágica, mas, quem alardeia novos tempos de parceria, nos quais o Brasil será uma plataforma de exportação de lácteos (?!?), bem que poderia ter começado abandonando as velhas práticas oportunistas.

http://www.milkpoint.com.br/mn/mercadoleite/artigo.asp?area=6&id_artigo=4335&perM=7&perA=2003
Paulo César
PAULO CÉSAR

CURITIBA - PARANÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 09/07/2003

Esta pode ser uma realidade do leite inspecionado, estamos passando por um processo de saída da atividade de muitos pequenos produtores e grandes produtores procurando escala para se manter. Logicamente estamos passando por períodos de aumento do leite inspecionado. Hoje mesmo em outra matéria está sendo dito exatamente o oposto do que foi dito pela CNA: a produção do leite está em queda.
Qual a sua dúvida hoje?