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A lei do preço antecipado do leite: boa ou ruim?

O assunto mais discutido no MilkPoint nas últimas semanas foi a lei que determina que os laticínios devem informar antecipadamente o preço do leite, o que deve ser feito até o dia 25 do mês anterior a coleta. Esta prática representa uma mudança em relação a regra atual do mercado, em que os produtores ficam sabendo apenas no dia 15 (ou até no dia 25, em alguns casos) o preço a ser recebido pelo leite já comercializado, acabando com a famigerada prática de vender sem saber o preço.

Sem dúvida, o momento atual em que são verificadas reduções de preços na entrada da entressafra e com o farelo de soja atingindo estratosféricos R$ 1.100-1.200/tonelada exacerba as discussões. Porém, a natureza da lei em si já seria suficiente para um debate mais intenso, o que vamos tentar fazer nesse artigo.

Acompanhei com atenção as discussões no site e não pude deixar de notar o amadurecimento do setor, manifestado em diversos comentários bastante lúcidos acerca de uma lei que, em sua essência, tem a boa intenção de conferir maior previsibilidade ao produtor de leite, que normalmente vende (ou "entrega") seu produto sem saber o preço a receber.

Mas será que é assim mesmo? Uma análise mais detalhada é suficiente para colocar uma série de dúvidas a respeito não só da aplicabilidade, mas do seu real benefício àquele que é seu principal foco: o produtor de leite.

Um primeiro ponto que vale a pena abordar é que a frase "o produtor vende o leite sem saber o preço que irá receber" traz subliminarmente a mensagem de que "normalmente é surpreendido negativamente, recebendo preços menores". Em um momento de baixa de preços essa conclusão faz sentido, mas é lógico admitir que as surpresas negativas (preço mais baixo do que o esperado) e positivas (preço mais alto do que o esperado) estejam bem distribuídas ao longo do período. Afinal, nos momentos em que o mercado está aquecido, o movimento tende a ser inverso.

Um outro aspecto interessante é que as flutuações de preços entre meses raramente ultrapassam 5 centavos para mais ou para menos. A tabela abaixo mostra os dados que sugerem que esse raciocínio está correto. Desde 2006, somente em 4 meses a variação entre meses foi maior do que R$ 0,05/litro, sendo 3 delas refletindo aumento de preços e apenas 1 refletindo queda (valores nominais, sem correção para a inflação). Em 12 ocasiões, a variação mensal foi abaixo de 1 centavo (para cima ou para baixo); em 13, foi de zero a 1 centavo; em 16, de 1 a 2 centavos; em 9, de 2 a 3 centavos; em 6, de 3 a 4 centavos e de 4 a 5 centavos, e assim por diante, com reduções progressivas de ocorrência quando maior a flutução mensal, o que era de se esperar.

Tabela 1. Diferença de preços entre meses (a partir de dados do Cepea/USP)


O ponto que argumento é que, claro, quanto maior previsibilidade melhor para a gestão, mas ainda que exista volatilidade e incerteza, estas são distribuídas de forma homogênea entre momentos favoráveis e desfavoráveis. Mais ainda, excetuando-se os momentos de forte reversão do mercado, nos últimos anos (principalmente após 2007) as variações entre meses têm sido relativamente brandas.

Vale colocar que o risco é inerente a qualquer atividade. Um produto de culturas anuais muitas vezes incorre em forte investimento sem saber quanto irá colher e como estará o preço no momento da colheita. Nesse sentido, o risco é até maior do que no leite. Existem três diferenças importantes, porém: primeiro, a possibilidade de esperar um melhor momento para comercializar, coisa que no leite é impossível de ser feito; segundo, a existência de mecanismos de mercado que permitem que o produtor gerencie melhor esse risco, como seguros climáticos e mercados futuros; e, terceiro, uma melhor coordenação da cadeia em que o cliente (processadora de grãos) pode garantir a compra antecipada e oferece outros serviços que reduzem a incerteza. Mecanismos de mercado, portanto, que aproximam os elos e reduzem o risco agrícola e de mercado.

É nesse ponto que vale a pena comentar a origem da lei. Em sua versão original, a proposta continha a proibição de se fazer pagamentos diferenciados entre produtores, como se diferenças de volume, qualidade, logística e importância estratégica não existissem. Conseguiu-se tirar esta extemporaneidade, ficando porém a obrigatoriedade do aviso antecipado. Era, enfim, um pacote bem intencionado sob o ponto de vista social (em uma análise otimista), mas descasado com as tendências do mercado e com as próprias características do produto. Para ficar no exemplo mais óbvio, considerando que a diferenciação de qualidade e volume é uma tendência (ainda que demore para ser disseminada a todos), como saber o preço por antecipação se a qualidade e o volume não são conhecidos?

Mesmo que fosse possível determinar estes parâmetros, a informação de um valor prévio pela indústria representaria um risco adicional de mercado que estaria sendo assumido por esse elo, já que ela não sabe os volumes e preços de vendas de seus produtos no mês seguinte. O resultado, que já começa a acontecer, é o aviso de um valor básico, que só seria atingido se o mercado desabasse de modo improvável. A esse valor básico inatingível e seguro, devem então ser adicionados os bônus de volume, qualidade, logística, comercial, tornando o preço informado um tanto inócuo.

A Fonterra, que representa quase um terço do comércio internacional e certamente possui diversos elementos para prever oferta, demanda e preços, passa aos seus produtores um preço base no início da safra, que é corrigido eventualmente à medida que o mercado se desenvolve e novos fatores surgem. O produtor vai recebendo mensalmente uma parte dessa previsão, que é completada ao final da estação produtiva com o valor apurado ao longo do ano. Esse exemplo mostra que mesmo a principal cooperativa de lácteos do mundo não tem os elementos para garantir o preço do mês seguinte, ainda que se aproxime desse valor.

Há um aspecto adicional que tem passado batido ao largo das discussões. Hoje, as informações de preços circulam e um produtor pode mudar de cliente se achar que tem alguém na região pagando melhor. Porém, como os preços são em geral retroativos, nada garante que no futuro o comportamento dos agentes de mercado será semelhante, embora seja prática relativamente comum contratos de curto prazo com preço mais alto para atrair o produtor do concorrente. No entanto, caso a informação de preços seja antecipada e geral para determinada região, o incentivo para mudança é mais alto, já que há uma sinalização clara de que alguém pagará melhor no futuro próximo, isto é, no próximo mês. O resultado pode ser um mercado altamente especulado, com produtores indo e vindo, sem que seja possível desenvolver uma relação de cooperação, com um cunho mais de longo prazo, como acreditamos que deve e precisa ocorrer.

Nesse sentido, acredito que a lei esteja na contramão do caminho que começamos a seguir no setor, ainda que carregada de uma boa intenção que é a diminuição da incerteza. Entendo que o caminho seja caracterizado pela aproximação entre os elos e por mecanismos de mercado que farão com que produtor e indústria se alinhem. A DPA, por exemplo, tem um projeto-piloto em Santa Catarina com contrato cujo valor mensal é atrelado a variação do Cepea/USP; a rigor, está "fora da lei", ainda que seus produtores saibam que receberão um valor que flutuará de acordo com mercado. A Associação APLISI também faz contratos dessa maneira. Da mesma forma, os Conseleites representam uma evolução nesse sentido, a ponto de algumas lideranças já ponderarem que empresas que participem de algum Conseleite talvez devessem estar isentas de informar o preço.

Ainda, é interessante que se faça chegar ao produtor outros instrumentos de gestão de risco, como a utilização de mercados futuros de soja e milho, bem como que se estude efetivamente a implantação de mercados futuros de leite no país.

A interferência governamental, nesse sentido, dá uma passo atrás, ainda que seu próposito seja positivo. Há, no entanto, um mérito dessa proposta: o de levantar o fato inegável de que o setor precisa evoluir muito no que se refere a coordenação da cadeia e gestão de riscos na atividade. Nesse sentido, teremos uma enorme oportunidade de conhecer um pouco mais destas tendências no Interleite Brasil 2012, com a palestra do Dr. Andrew Novakovic, dos EUA, que falará sobre mecanismos de mercado para o gerenciamento dos riscos e também sobre mudanças nas políticas públicas para produtores de leite, que deverão embutir ferramentas como o seguro de margem.

Clique aqui para ver o programa do Interleite Brasil 2012 e se inscrever.

Clique aqui e participe da nossa enquete sobre a lei que exige que se informe o preço antecipado do leite.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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FERNANDO SANTOS

CARMÓPOLIS DE MINAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/07/2012

Dos tres setores envolvidos, o único que realmente se beneficia sempre, é o comércio!
Os supermercados, principalmente, compram como querem e vendem com a margem que querem!  O governo se omite, como também se omite diante dos preços de medicamentos e rações! E também se omite quando as redes de supermercados trazem dos paises do cone sul as  bateladas de queijos e leite em pó para inundar nosso mercado em plena entresafra!  Mas a grande parcela dos produtores de leite só enxergam os laticínios para malhar!!!  Sabem porquê?!  Porquê de ração e remédios caríssimos, sempre!, eles desenvolveram dependência crônica!  Devido à ineficiência com que muitos deles gerem seus "currais de leite"!!! Não  frequentam os vários seminários e palestras de bons técnicos; não aceitam novas técnicas de manejo; não investem em melhoria séria de plantel; não se esforçam em aprender sobre manejo sustentável; não acreditam que precisam plantar ou replantar seus pastos;  nem mesmo ligam para aquela enorme quantidade de esterco que se acumula nos currais, formando lama fétida que causa contaminações para o leite e problemas de saúde das vacas e bezerros, enquanto deveria estar adubando as capineiras e plantações de milho, cana e sorgo para reduzir custo com ração e remédios!  Mas malham a indústria!  Que é uma das raras - senão única! - que tem fidelidade para com seus fornecedores!!!  Um laticínio só dispensa leite qundo fecha!!!   Faz doação de coadores, frete, empresta tanques de expansão (caríssimos!)...  mas se não dá conta de pagar a ineficiência do produtor...  aí é   malhado em praça pública!  Felizmente já existem muitos produtores profissionais e concientes!  
HILDEBRANDO DE CAMPOS BICUDO

MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/07/2012

Na realidade até o momento a lei é para " inglês ver" como se dizia antigamente.

As empresas estão descumprindo a lei, porque não informam nada, algumas mandam o caminhoneiro avisar que a "carta" está no quadro da empresa distante muitas vezes 100 km da propriedade, outras apenas informam , se formos atrás, que o preço base é X centavos e que a bonificação por qualidade e volume será avaliado conforme as condições do mercado. Ou seja fica tudo igual, continuamos sem saber quanto receberemos.

Se a lei é boa ou ruim depende de muitos fatores, mas uma verdade é clara, não está sendo cumprida, e daí, reclamar para quem?
SANDRO MAGNO DE M. POTENCIANO

BELA VISTA DE GOIÁS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/07/2012

Para nos produtores as nossas opções são poucas perantes os nossos compradores de leite, ou seja, e mudar ou continuar no mesmo comprador de leite.

Assumi a nossa propriedade em 12/1997, de lá pra cá já mudamos de comprador 5 vezes, e a 2 anos estamos vendendo para uma empresa de sorvete, e o nosso preco do litro de leite e negociado antes.

Acho que informar o preco antes e a mínima coisa que o laticínio tem de oferecer ao seu produtor. O ditado é velho " O combinado não é caro".

Aproveito para agradecer aos autores da lei, pois estão fazendo algo pela nossa classe.

Parabéns Marcelo, mais uma vez pela ótima explicação!Abraços a todos!

NEIMAR JOSE BACKES

CAMPINA DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2012

A empresa que vendo meu leite, simplesmente mandou um bilhete aos produtores, avisando que o preço do leite estava disponivel no site da conseleite. Isso não adianta praticamente nada. A maioria dos produtores não tem acesso  a internet, e o preço tambem não fecha com o da conseleite.

Outro caso, é com o pronaf pecuário, o governo não quer dar rebate porque o preço do leite não esta abaixo da média, mas de que adianta se so conseguimos produzir a metade do que nós produziamos antes, por causa da estiagem. Se eu encaminho proagro do soja, é porque houve estiagem e colhi pouco, não porque o preço ta alto ou baixo.
VAGNER MIRANDA PORTES

XANXERÊ - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 12/07/2012

Marcelo,

Pertinente seu comentário porém esta pequena variação que observaste na media, não é bem o que se observa a Campo, principalmente quando falamos de pequenos e médios produtores. Esta lei é valida para levantar a discussão na cadeia: o produtor fica com aproximadamente 33% do valor final e tem seus custos para produção, a industria fica com outros 33% e tem seus custos para industrializar e o varejo fica com o outro 1/3, mas quais são os custos do varejo?

Abraço,
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 11/07/2012

Caro Marcello Moura,

5% pode representar o prejuízo do produtor e também da indústria.

Esse é o motivo dessa polêmica,

Abraço,
SAVIO

BARBACENA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 11/07/2012

O caso da APLISI é bem interessante. É conduzida por uma pessoa da mais ampla competência, meu caro Paulo Fernando (Poleca) que está realmente a frente do nosso tempo enquanto produtor e dirigente de classe.

Desde o início da APLISI, que tive o prazer de presenciar enquanto negociador da indústria, ele prioriza o ganho pela meritocracia (qualidade e produção). Se engana quem acha que a APLISI é uma promotora de pagamentos igualitários penalizando que merece e favorecendo que não merece, nessa associação se não tiver qualidade e vontade de crescer o produtor fica aonde o mercado naturalmente o colocaria, no final da fila.

Para servir de modelo em uma reforma política total da cadeia só necessitaríamos de mais segurança na metodologia de levantamento de preços CEPEA / CONSELEITE.

Muitas indústrias que tenho contato nunca foram sequer entrevistadas por nenhum desses dois institutos, essa realidade traz insegurança para os laticínios em parametrizar seus pagamentos. O mercado brasileiro passa por forte instabilidade oriunda de falta de política governamental tributária estadual, de mercado externo e tributária nos insumos, diante dessa realidade um parametrizador tem que ser o mais confiável possível para não gerar dúvidas em sua aplicação.  

Na prática observamos que muitas vezes os preços de regiões que atuamos não batem com os preços informados pelos institutos as vezes para baixo, as vezes para cima.

Outro detalhe interessante é que essa lei, ao meu ver inócua, não é atendida nem mesmo pelo Cepea e pelo Conseleite, uma vez que os preços são em referência ao mês anterior.
SILVIO CHINAZZO

NICOLAU VERGUEIRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/07/2012

se nos pudessemos comprar os insumos, produzir vender os produtos, segurar nosso lucro e so depois pagar os insumos. Seria muito bom ai podiamos aceitar q a industria continuasse nos pagando assim. Parabens aos que lembraram de nos produtores que geraram esta lei.
SILVIO CHINAZZO

NICOLAU VERGUEIRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/07/2012

muito bom como tera competitividade sem preco, e hoje existem muitos laticinios mais pequenos que os grandes esquecem de convidar para reunioes
SIDNEY LACERDA MARCELINO DO CARMO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/07/2012

Prezados,

No município de Moeda - MG tem um laticínio ( Doces Antunes) que já pratica metodologia de informar o preço a cada mês bem antes da lei e nem por isto este laticínio vem passando por dificuldades. O mesmo laticínio tem sua política de preço em que abrange volume produzido, qualidade e ainda paga mensalmente ao contrário de 60 dias de outros laticínios. O Doces Antunes quando vai abaixar ou subir o leite entrega uma carta ao produtor e este assina recebendo e outro detalhe trabalha somente com doce de leite.

Grato

Sidney
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/07/2012

Preço do leite antecipado é bom ou ruim?

A questão de se a interferência do governo com medidas regulatórias  é um passo atrás ou um passo à frente, se é boa ou não, tem sempre um viés ideológico e dos interesses das partes afetadas pela medida, por isso minhas considerações relativas ao preço do leite ser bom ou ruim para o produtor é independente da medida ter sido fruto de uma ação governamental.

Numa economia com inflação relativamente baixa, não vejo como um grande problema para a indústria de lacticínios apresentar ao produtor o preço que pagará pelo leite no mês seguinte, da mesma forma que um outro tipo de indústria tem uma tabela de vendas que vigora para o mês seguinte ( nenhuma indústria vende ao comprador sem dizer qual é o preço ). Existem riscos? Sim, mas muito minimizados numa empresa bem organizada e estruturada.

Com relação ao fato das oscilações mensais  raramente ultrapassarem 5% para mais ou para menos, é preciso lembrar que 5% pode ser a diferença do lucro ou prejuízo para o produtor. Consideremos um valor de referência de R$ 1,00 / litro. Se o produtor receber 5% a menos receberá R$ 0,95/litro e se receber 5%  a mais receberá  R$ 1,05/litro, caracterizando um range de R$ 0,10/litro.

No meu entendimento a fixação do preço ao produtor  vai mudar a tendência dos preços que é regulada pela lei da oferta e procura no mercado internacional e principalmente no mercado nacional.

Não acredito que o fato de saber num mês quanto vai receber no outro levará o produtor mudar de parceiro todo mês por causa de uma diferença mínima no preço pago por compradores, gerando um mercado altamente especulativo e contribuindo para piorar o relacionamento entre produtor e indústria. Quem ficar pulando de galho em galho certamente ficará sem galho para pular.

Naturalmente que não é o fato do produtor saber num mês o que vai receber no mês seguinte não é o que vai garantir a sustentabilidade econômica da sua atividade e que lhe permitirá planejar a longo prazo. O ideal seria um contrato regulando as relações entre o comprador e o vendedor de leite cru, mas no Brasil ( ou mesmo fora dele ) a maioria dos produtores trabalha sem contrato com a indústria.

Vejo o preço antecipado ao produtor  como  medida positiva, como um primeiro passo  na direção de um relacionamento mais formal e melhor entre produtores e indústria.

Marcello de Moura Campos Filho
HUGO MENDONZA

MOCOCA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/07/2012

QUERIDOS AMIGOS MOREI NA NOVA ZELÂNDIA  !!! E GOSTARIA DE RELATAR A VCS COMO ERA O PROCESSO DE COMPRA DE LEITE EFETUADO PELA FONTERRA!!!;  QUE  EU  ACHEI BASTANTE INTERESSANTE!!!  O CAMINHÃO DE COLETA DE LEITE  TINHA UM COMPUTADOR ONDE  ERAM COLOCADAS AMOSTRAS DO LEITE  TOTALMENTE  DIGITAL;  ONDE  ERAM  FEITA  UM  ANALISE DE VARIAS AMOSTRADAS DO LEITE DO PROTUTOR, E ERAM  IMPRESSOS  AS QUANTIDADES DE PROTEÍNA E DE GORDURA DO LEITE ONDE O PRODUTOR RECEBIA  UMA  VIA  A  ASSINAVA  A  OUTRA  QUE  SEGUIA  COM  O  MOTORISTA PARA  A  COOPERATIVA; O  LEITE  ERA  PAGO PELA  QUANTIDADE  DE  PROTEÍNA  E  A  QUANTIDADE DE GORDURA , PAGANDO  APENAS  PELO  SOLIDO  DO  LEITE  E   NÃO  PELO  LIQUIDO UM  SISTEMA  MUITO  JUSTO!!!  POIS  O  LEITE  GORDO  TINHA  UM  PREÇO  E  O  LEITE  RICO  EM  PROTEÍNA  TINHA  SEU  PREÇO!!
CELIO ALVES DE SOUZA

ERVÁLIA - MINAS GERAIS - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 10/07/2012

Ao inves do governo se preocupar com essa lei que nasceu morta,pois ninguem vai informar o preço real e sim um preço minimo para cumprir exigencia e depois pagar o que eles acharem que devem ,deveria preocupar,sim,em desonerar de impostos tudo aquilo que se gasta para que uma vaca produza o leite.,fora isso ,o produtor vai continuar no prejuizo,as industrias todas indo pro buraco,o leite importado fazendo a festa aqui e o SIF fechando o que sobra de industrias pequenas nesse País .Para as grandes não tem problemas,eles tambem viram importadores
CREOMATSON BEZERRA DE ALMEIDA

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/07/2012

Com o conhecimento prévio do preço,  o produtor pode planejar aumentar ou diminuir a produção, objetivando mais segurança economica, ou melhores resultados. Meios para isso existem.

Não pode ser esquecido que a produção é determinada pela quantidade e qualidade dos insumos.

creomatson almeida

Produtor - Venturosa-Pe.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/07/2012

Prezado Fernando: Obrigado pelos elogios. Por razões comerciais, prefiro não declinar o nome de meus compradores (dois laticínios), que informo, apenas e tão somente, que não são dos maiores e têm capital exclusivamente nacional.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
JOSÉ ANTÔNIO

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/07/2012

       Meu falecido pai já dizia, esse Pais nunca teve uma política descente para o campo e nunca terá. O problema é maior que simplesmente definir com antecipação o valor a ser pago, mas sim uma regulação das margens de lucro dos três elos dessa cadeia (Produtor, Beneficiador e Comercializador). Se for analisar ao longo das décadas, o produtor foi perdendo espaço. Já teve época que o produtor recebia 70% de preço final de produto, os outros 30% ficavam para os outros dois elos, hoje em dia quando recebe 40% é muito. Os grandes monopólios é quem definem as margens... Toda a evolução de produtividade que o produtor conseguiu foi consumida pela perda da margem de lucro. Todos os países que hoje são países de primeiro mundo são países que as cidades subsidiam o campo, pois sabem que a alimentação é fundamental e que o valor agregado dos produtos do campo é menor que o da cidade apesar de serem mais fundamentais para a vida. Só o dia em que os produtores desse pais fizerem um MOVIMENTO DE DESABASTECIMENTO GERAL por um tempo, é que esse valor será dado. Podem contar comigo para isso. REGULAÇÃO DAS MARGENS DE LUCRO DA CADEIA PRODUTIVA JÁ, retomando a patamares antigos estaríamos hoje recebendo à R$ 1,40 que seria um valor mais ou menos para a sobrevivência de qualquer propriedade rural, com as necessidades de investimentos que qualquer negocio precisa.
JORGE ANTONIO LOEBENS

VERA CRUZ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/07/2012

Vejo com bons olhos este dispositivo e inclusive esta foi uma das demandas que já havíamos encaminhado, lá por 2007, a um deputado estadual via uma associação local. O produtor de leite é, sem dúvida, a ponta mais fraca da corda e pelo menos agora poderemos de certa forma estimar quanto estamos dispostos a perder. Ouço falar comumente que o produtor de leite é desorganizado e perguntaria por que o setor industrial e comercial não consegue se organizar do ponto de vista comercial, de logística, etc? Além disso, dentro da cadeia do leite quem tem condições de estoque? Quanto tempo pode ser estocado o leite em pó e o longa vida para ser desovado? Será menos do que 30 dias? Quando alguém sussura que o leite vai subir, a uréia já subiu 20%, o suplemento mais 15%. No farelo de soja então nem se fala. Quando se fala na questão do livre mercado, lei da oferta e procura; logo remontamos ao sistema americano. Vi fazendas americanas com instalações completas desativadas e seu proprietário recebendo do governo para não produzir, ou investir em outro ramo, para regular o mercado. Isto é intervencionismo ou Política Agrícola. O que dizer então do seguro de margem? E a nossa Política Agrícola precisa ou não do papel regulador do Estado. Eu penso que sim.
JOÃO SEZAR DICHEL KAUFMANN JUNIOR

IBIRUBÁ - RIO GRANDE DO SUL

EM 10/07/2012

muito bom o comentario do sr guilherme, mas pra mim essa lei e tudo que esta envolvido em torno dela aqui no rio grande do sul nao passa de uma pataquada pra nada mas pra nada mesmo, sou freteiro de leite e na minha região o agente mais prejudicado de toda a cadeia do leite o produtor e depois o FRETEIRO vou explicar: as empresas ja sinalizaram que nao vao anunciar preço real apenas preço minimo,(inclusive nestle DPA) aqui nós freteiros não temos segurança nenhuma o produtor na falta de leite e assediado por qualquer empresa sem qualidade nenhuma a 0,90 a 0,95 centavos mas quando as empressas se enchem de leite os preços as vezes chegam a variar 0,10 a 0,15 centavos... sem falar empresas de fachada como latvida que entram em uma região com autos preços para depois repassar as mesmas grandes empresas sem resfriamento... tudo isso mata o produtor e o freteiro junto que as vezes tem que gastar dinheiro do seu frete pra segurar seu produtor por que nao tem escolha ou faz um rombo no seu orçamento ou perde o produtor e nao tem renda no proximo mes. mas este e o brasil que ninguem olha para as pessoas que fazem o leite caixinha chegar lah nas prateleiras. e a tal aqui ninguem ouviu falar...
JOSE GERALDO DE ALMEIDA SOUZA

ANDRELÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/07/2012

Ninguém se preocupa com o preço do farelo, só preocupam com o preço do leite.

Imaginem se o leite vale-se para o produtor $0,60 o quilo, e o farelo de boa qualidade, custasse $0,20 o quilo.

Alguém reclamaria do preço do leite.

Isto também seria bom para o consumidor e o indústrial.

Não acham?

Jose Geraldo - FFA 665.
FERNANDO CERÊSA NETO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/07/2012

Parabéns Guilherme por ter conseguido estabilidade para seu leite. Vc pode informar para qual laticínio está entregando?

Um  abraço

Fernando Ceresa Neto